As taxas na área da Segurança Pública e as “pessoas distraídas”:

No dia 25.09.07, horário das 23:10 horas, estava em Joinville, hospedado no Hotel Trocadeiro (quarto 172) e assistia a TV Alesc, especificamente, o discurso do Deputado Kennedy Nunes (PP) que efusivamente criticava o Governo Luiz Henrique com seu projeto de rever as taxas cobradas na área da segurança pública, com aumentos estratosféricos. Kennedy era um dos ferrenhos críticos do governo LHS que pretendia ainda mais penalizar a população com aumentos de taxas, impostos... 

Dirceu Silveira relata o velório do policial Levi:

No dia seguinte (26.09.07), por volta das 09:00 horas, cheguei na DRP/Joinville, juntamente com a policial Patrícia Angélica e o motorista Dilson Pacheco, em cujo local encontrei o Delegado Dirceu Silveira que me conduziu direto para o seu gabinete a fim de tomarmos um cafezinho e colocarmos os assuntos em dia.

Dirceu Silveira relatou que tinha ido no enterro do Inspetor Levi Rosa Peres e que durante o velório conversou com o Comissário Celso de São Bento, inclusive, constatou a presença também do Delegado-Geral Maurício Eskudlark que estava próximo deles. A certa altura o Comissário Celso chegou no seu ouvido e se referindo a Maurício perguntou:

- “O que esse cara está fazendo aqui?”

Dirceu Silveira tentou acalmar os ânimos, recomendando que se ele tivesse alguma coisa para dizer para Maurício que o procurasse no seu endereço, porque ali não era local nem o momento adequados.

O incrível Coronel Lara Ribas:

A seguir conversamos sobre o policial “P. C.” e Dirceu Silveira comentou que ele ficou rico na Ciretran de Joinville, comprou apartamento em Balneário Camboriú e em Joinville. Disse que Paulo era muito esperto, ligeiro e rápido. Que na época que respondia pela Ciretran de Joinville teria dito para outros policiais que a vida dele era curta na Polícia Civil, então tinha pouco tempo para...  Depois conversamos um pouco sobre história da Polícia Civil e eu lamentei que a cúpula da instituição, antes que a Criminalística deixasse a corporação em 2005,  não providenciou o resgate do acervo de documentos existentes na área de polícia científica e identificação. Acabei relatando um pouco da história do “Dops” (Delegacia de Ordem Política e Social) e como o Coronel Lara Ribas criou um museu na referida  repartição e, depois da sua exoneração, levou todo o acervo para a Polícia Militar. Argumentei que o Coronel Lara Ribas, irmão do Comissário Pedro Lara Ribas, agiu corretamente porque se deixasse toda aquele material na Polícia Civil não teria restado nada porque teria se perdido com o tempo..., justamente porque não tínhamos cuidados com a preservação da nossa memória, além de faltar consciência histórica por parte dos Delegados. Mencionei que grande parte da nossa história acabava desaguando naturalmente no Judiciário, pois os inquéritos sempre foram encaminhados à Justiça, na maioria dos casos, anexados para fundamentar procedimentos judiciais, especialmente, naqueles de natureza criminal.  Comentei que havia entrevistado a esposa do policial civil Pedro Lara Ribas que fez um relato sobre a juventude dos irmãos nos campos de Palmas –PR, como conheceu a ambos e se casou com Pedro, posteriormente, com vieram para Santa Catarina e ingressaram na Segurança Pública. Conversamos sobre a Delegada Ruth e Marilisa. Dirceu comentou que gostava das duas, sendo que a primeira dava para o feijão com o arroz, já a segunda tinha problemas de saúde e era aquilo que já tínhamos conversado dias antes.

E por falar de flores, por onde andaria Marilisa? Além da saudade, ela simplesmente evaporou o que me levou a pensar: “Bom, se ela estava preocupada com minha reação, agora já sabe que está tudo bem, tá tudo maravilhoso e ela pode continuar sua vida normal. Tinha certeza que não vai me ligar, talvez porque deveria se sentir que tinha o controle da situação (pelo menos achava), também, acreditava que estava sabendo conduzir os acontecimentos ao seu redor, aliás, como disse que fazia com maestria e habilidade no trato dos homens com quem interagia profissionalmente. Dessa forma procurava manter minha lucidez para continuar a escrever um pouco mais da nossa história. Dirceu Silveira talvez tivesse razão, afinal de contas, Marilisa também sabia se fazer de “morta-viva”, era  hiperbólica nas suas reações, havia desenvolvido um sentido de sobrevivência feminina sublimar, e por falar nisso, as vezes ficava imaginando como é que ela conseguiu chegar até ali quase que totalmente ilesa? Como poderia passar por governos, administrações...? Sim, possui virtudes pessoais que a blindavam naturalmente, era excelente nas relações humanas, em especial, com gente humilde e subalternos. Também, era jeitosa, afetuosa e habilidosa com a elite que precisava da Polícia e via nela um confiável referencial em termos de Segurança Pública. Mas era fundamental como ela conseguiu chegar até aqui, com um conhecimento jurídico tão limitado, longe da modernidade cibernética, com sérias restrições em tempos de produtividade procedimental e administrativa, bastante dependente dos outros... Mas, evidente, que tinha grandes virtudes pessoais que poderia compensar suas deficiências e a tornavam apta a sobreviver no meio policial, a começar por sua categoria para lidar com os homens e, ao mesmo tempo, se relacionar com as mulheres trocando figurinhas, nem que fosse para falar de amenidades, tratar do cotidiano feminino... Marilisa também tinha empatia e carisma, sabia lidar com suas vulnerabilidades e nisso era intuitiva, cativante... Tinha aquele seu lado “tirânico” na lida com pessoas próximas e quando estava com raiva, ódio..., tinha capacidade de se manter doce, caridosa, suave..., sem se transformar, se bem que tudo tinha o seu preço, depois acabava na cama detonada, remoendo acontecimentos do dia, revisitando fatos e pessoas, amargando as cobras e lagartos que ela mesma produziu em sua mente fértil e delicada.