Adelson Westrup: O encontro na “Viapiana”:

Dia 18.9.2002, por volta de treze horas estava almoçando na Churrascaria Viapiana na cidade de Araquari (norte do Estado de Santa Catarina).  Em determinado momento resolvi ir me servir de sobremesa e no caminho encontrei  Adelson Westrup (Escrevente Policial) responsável pela Delegacia Municipal.  Acabei na volta parando por alguns instantes para dar um retorno a respeito de um pedido que ele havia me feito no nosso último encontro naquele mesmo local. Noutra oportunidade já havia externado sua frustração por ter sido reprovado no último concurso para Delegado. Naquela época não tinha dado muita importância ao fato, mas dessa vez procurei assumir uma “interface” bem amigável e receptiva e o policial  veio com toda a carga:

- “É chato a gente ser enganado duas vezes. É assim que eu estou me sentido. Não ajudo mais o João Rosa (Delegado de Polícia eleito Deputado Estadual). A primeira vez eu ajudei ele, acabei sendo o Chefe da Ciretran de Joinville. O João Rosa pediu que eu fosse candidato a vereador e eu fiz mil duzentos e poucos votos lá em Joinville. Faltaram duzentos e poucos votos para chegar lá. Eu ajudei o João Rosa achando que ele iria me dar uma mão no concurso para Delegado, sabe como é. Eu fiz o concurso e acabei sendo reprovado. Tantos Delegados que estão por aí sem as mínimas condições...”.

Adelson começou a nominar vários nomes de Delegados que eu não conhecia, até que citou “K.” e depois “A. P.“. Resolvi fazer uma incursão:

- “Mas Adelson eu conheço a “A.” e ela é uma pessoa bem preparada. Ela é estudiosa.  Olha, eu não sei não...”.

Notei que Adelson não gostou muito da minha replicância, entretanto, pareceu dissimular bem diante da minha contestação e nesse clima continuou a relatar:

- “Eu não ajudo mais o João Rosa. Ele colocou aquela ‘a.’ dele lá na Regional, a ‘M.’, todo mundo sabe. Ela arranjou um filho agora..”.

Interrompi para perguntar:

- “Sim, o filho é dele...?”

Adelson não respondeu a pergunta e continuou:

- “Tu vê, a mulher dele também trabalha lá na Regional. Estão as duas trabalhando juntas. Ele colocou a Marilisa na Regional, todo mundo sabe disso. Mas o Rosa não se elege mais, aí quem vai ser o Regional vai se o Zulmar Valverde. Se o Amin for reeleito o Zulmar vai ser o Regional pode ter certeza disso. Eu não trabalho mais para ele, já fui enganado duas vezes, não vou ser enganado uma terceira, o que tu achas? Por isso que eu estou neste cantão. Aqui é um cantão, chega”.

Fiquei surpreso quando Adelson disse que quem colocou a Delegada Regional Marilisa foi o Delegado-Deputado João Rosa e ele foi mais além:

- “ Foi sim. E quando tentaram tirar ela da Delegacia Regional o João Rosa foi lá e exigiu o retorno dela. Só que ele não se reelege mais...”.   

O eterno Delegado Zulmar Valverde de Joinville e o futuro da Delegada Marilisa:

“Valverde muda? Ex-delegado regional de Polícia de Joinville e atualmente vereador do PFL, líder da bancada na Câmara, Zulmar Valverde tem conversado com lideranças do PSDB e do PMDB para uma eventual troca de partido. No bojo dessas discussões estaria a titularidade da Regional de Polícia, espólio disputado por vários delegados, com o fim do período de Marilisa Boehm, protegida do vice-governador Paulo Bauer, com quem já teve laços de parentescos. Caso Valverde mude para o PMDB ou PSDB, pela experiência na área policial e apoio político, seria praticamente o novo delegado regional de Polícia de Joinville, com o apoio do grupo vitorioso nas eleições de Joinville e do Estado” (A Noticia, Antonio Neves – Alça de Mira, 18.11.2002).

Babitonga - Cumprida a missão de inaugurar a nova Delegacia Regional de Polícia de Joinville, Marilisa Boehm se prepara para nova missão. Vai ser delegada em São Francisco do Sul a partir de 2003. Muito embora vá deixar saudades na cidade, estará próxima de Joinville, onde tem a sua família e afinidades” (A Noticia, Antonio Neves – Alça de Mira, 24.11.2002). 

Sucessão da Delegada Marilisa na DRP: Delegados  disputam a “jóia” da Machester Catarinense:

 “Delegado - Deverá ser definido hoje o nome do novo delegado Regional de Polícia de Joinville, caso que se desdobra há duas semanas numa guerra de bastidores da segurança pública da maior cidade do Estado em número de habitantes. Zulmar Valverde, Marco Aurélio Marcucci e agora o delegado Fabrício, que acaba de entrar na parada, engrossam a disputa para suceder Marilisa Boehm”  (A Notícia, Antonio Neves – Alça de Mira, 13.1.2003). 

Delegado Marco Aurélio Marcucci cacifado pelo Deputado Gonçalves do PSDB:

“Insegurança preocupa em Joinville -Existe a constatação de que Joinville continua sendo uma das cidade onde o poder do tráfico das drogas é poderoso. Tão forte que até hoje ninguém conseguiu acabar com o comando do narcotráfico na região. Perguntada durante um seminário que debatia a criminalidade em Joinville, a então delegada regional Marilisa Boehm disse desconhecer quem comandava o tráfico de drogas na cidade. O atual delegado regional, Marco Aurélio Marcucci, garante, igualmente, desconhecê-lo. Também o delegado federal Paulo Correa Iung. Num recente levantamento feito pela segurança pública, existiriam em Joinville 144 pontos de distribuição de drogas. Há dois anos, um comandante da PM disse, durante encontro na Câmara de Vereadores de Joinville, que a cidade tinha 121 pontos de drogas. Em vez de diminuir, aumentou”  (A Notícia, Antonio Neves – Alça de Mira, 11.2.2003).

“Mimos jornalísticos e o início das atividades correcionais:

Delegada - Não será nenhuma surpresa se acontecer, nos próximos dias, a filiação da delegada Marilisa Boehm a um partido político para concorrer à Câmara de Vereadores em 2004”  (A Notícia, Antonio Neves – Alça de Mira, 23.9.2003).

“Não vai - Delegada de Polícia Marilisa Boehm manda recado dizendo que não vai se filiar em nenhum partido. ‘Minha responsabilidade é responder pela Delegacia da Mulher’, garante. Um dos atos de inteligência da segurança pública foi trazer de volta para aquela delegacia a competente Marilisa” (A Notícia, Antonio Neves – Alça de Mira, 30.9.2003).

“ESTADO DE SANTA CATARINA - SECRETARIA DE ESTADO DA SEGUANCÁ PÚBLCIA E DEFESA DO CIDADÃO - CHEFIA DA POLÍCIA CIVIL - GERÊNCIA DE ORIENTAÇÃO E CONTROLE - RELATÓRIO - (SETEMBRO/2004) (...).Recebi contato da Dra. Marilisa (Joinville) sobre infração disciplinar praticada por policial daquela cidade (policial Charles), solicitando diligências e marcando para o dia 02.09.04 contato pessoal com a mesma na Delegacia da Mulher de Joinville (à tarde) (...).  b) Delegacia de Proteção a Mulher, Criança e Adolescente de Joinville: 1. Por volta de dezessete horas e trinta minutos cheguei na DPMCA e fui recepcionado pela Dra. Marilisa, única autoridade policial da unidade. 2. em conversação com a autoridade policial procurei me inteirar dos problemas, tendo a mesma mostrado o prédio que possui sérios avarias resultados da má construção da obra, tais como: pastilhas caindo; telhado sem calha, causando sérias infiltrações; central telefônica com defeito; problemas na parte elétrica principalmente causado pelas infiltrações; iluminarias enferrujadas; falta de garagens cobertas para viaturas; iluminação precária (interna/externa); insegurança no prédio [(falta de muros frontais/grades nas janelas térreas)  Já houve furto de objetos na repartição, sendo que este relator está investigando o fato conforme Sindicância n. 059/04]. 3. Com relação a recursos humanos a Dra. Marilisa encontra-se atuando há meses sozinha naquela repartição. Também, há uma única Escrivã de Polícia (Ivonete), sendo que nesse dia havia apenas duas policiais plantonistas (Kathlen/Marilda). No setor de Ato Infracional (Comissário Neto); Setor de TCs a Escreventes Sônia e Magda. A Agente Administrativo Maria Helena auxilia em todas as áreas, além das Psicólogas Armanda, Alessandra, Rosângela e Darlene (está última da Prefeitura Municipal de Joiniville). O efetivo dos policiais atualmente são  19 (dezenove). 1. A repartição possui três viaturas, sendo uma caracterizada (Siena) e outras duas descaracterizadas (Siena/Fiesta). 2. A cela da DPMCA encontra-se ainda interditada, sendo que a autoridade policial explicou que o Dr. Marco Aurélio (DRP licenciado) havia chamado a Vigilância Sanitária a fim de que não fossem mais colocados presos nas DPs. 3. Solicitei relatório à autoridade policial sobre as demandas na repartição, tendo a mesma providenciado demonstrativo enquanto aguardava a inspeção que foi concluída às vinte horas (documento em anexo) (...)” (Relatório encaminhado ao Gerente de Orientação e Controle da Polícia Civil – Delegado Hilton Vieira – 30.09.04). 

A afinação da Delegada Marilisa e as boas novas:

Dia 04.10.04, por volta das quinze horas resolvi telefonar para a Delegada Marilisa em Joinville, a fim de saber do resultado das eleições municipais. Ela estava acompanhando seu filho ao médico e argumentei que ligaria mais tarde. Foi o que fiz, ou seja, passados cerca de uma hora liguei novamente e ela estava ainda na mesma situação anterior (consulta médica). Marilisa foi dando a notícia:

- “Doutor, aqui se elegeram o Marcucci e o Zulmar. Que bom, os dois foram eleitos. Bom para a Polícia Civil. O Marcucci fez cinco mil voltos e o Zulmar uns dois mil e poucos. Ontem estavam festejando na Regional. O doutor Zulmar estava meio abatido, esperava mais. O importante que os dois entraram...”.

Interrompi:

- “Sim, mas a votação do Marcucci foi expressiva. Todo mundo dizia que ele estava morto. Todo mundo dizia que ele não chegaria nem perto e olha aí...”.

Marilisa ficou um pouco sem saber o que dizer:

- “O importante é que nós fizemos dois, não é? Agora eu quero ver eles se comendo lá na Câmara (risos).  O Marcucci não poderá voltar para a Regional...” .

Concordei e fiquei pensando sobre as indefinições sobre o futuro e lancei uma idéia:

- “Se tu fostes candidata eu iria para aí trabalhar na tua eleição”.

Marilisa argumentou:

- “Não doutor. Pensei muito nisso, eu já mudei minha maneira de pensar. Não vale a pena. Mas pode ter certeza que se eu fosse candidata eu faria mais voto do que eles, mas não quero, é um jogo muito sujo”.

Acabei me confraternizando com ela, comentando:

- “Estais de parabéns, passaste no teste!” 

Sim, era uma brincadeira, mas tinha um fundo de verdade, apesar de ter ficado um pouco decepcionado porque em momento algum percebi um agradecimento ou reconhecimento por minha iniciativa, minhas palavras. Marcucci parecia predestinado ao futuro, possuía ambições.... Já Zulmar era raposa velha, mas acomodado, dava sinais que seu limite era Joinville, de onde não sairia tão cedo ou nunca mais.