Delegado-Geral Maurício Eskudlark em Balneário Camboriú:

Dia 13.09.07, às nove horas estava na Delegacia Regional de Balneário Camboriú na companhia dos Investigadores Policiais “Zico” e Patrícia que vieram na viatura Cénic, enquanto que vim com meu carro particular. Logo que cheguei encontrei “Zico” que veio me dizendo que o Delegado Maurício Eskudlark estava sentado na lanchonete do “barzinho” da DRP. Fui ao encontro de Maurício, porém, pude observar que ele já não se encontrava mais no local. Logo a seguir, soube por meio da Inspetora Vivian (da Secretaria da DRP) que o Delegado Regional Gilberto Cervi Silva havia se dirigido para a DRP de Itajaí porque havia uma reunião naquele local com todos os Delegados da Região. Perguntei para Vivian se ela saberia informar se o Delegado Gilberto sabia que o Delegado-Geral Maurício Eskudlark estava na DRP de Balneário naquele momento. Vivian deu de ombros, não conseguindo deduzir o que ela quis dizer. Estranhei aquela situação, porque sempre achei que os Delegados Maurício Eskukdlark e Gilberto Cervi e Silva eram como unha e carne.

No horário das quatorze horas havia retornado para Delegacia Regional de Balneário Camboriú com o propósito de ouvir o Delegado Gilberto e curioso para saber o resultado da reunião de Itajaí. Estava eu e a policial Patrícia Angélica nos preparando para reiniciar os trabalhos quando Gilberto foi dizendo:

- “Sabe o que é tu ires para uma reunião e não saber o que está fazendo ali, para o que tu fosses chamado? Pois é, essa reunião lá em Itajaí foi bem assim. Não se tratou nada e ninguém sabe o que foi fazer ali...”.

A versão do Delegado Gilberto Cervi e Silva relata a reunião com o Delegado-Geral Maurício Eskudlark em Itajaí (Fundo de Aposentadoria dos Policiais Civis):

Acabei achando engraçada aquela observação de Gilberto, percebendo que as coisas não estavam indo muito bem nas regiões de Balneário Camboriú e Itajaí. Gilberto narrou que durante a reunião no período da manhã na DRP de Itajaí os Delegados cobraram a “lei do fundo de aposentadoria” para a Polícia Civil, porém, o Delegado-Geral Maurício tentou desconversar argumentando que não era bem assim, que não existia aquele fundo na PM, que na verdade o pessoal não havia entendido bem, porque o cálculo do soldo deles é que para cada ano trabalhado cabe cem reais... Fiquei impressionado com a capacidade com que Maurício Eskudlark conseguia mudar a realidade dos fatos, como se fizesse mágica ao hipnotizar o pessoal, como por exemplo,  transformando uma “mentira” em verdade... Mas, o engraçado era a sua capacidade de subestimar a inteligência das pessoas, tratando os Delegados como pessoas com capacidade cognitiva retardada...  O Delegado Gilberto ainda comentou que na reunião Maurício teria desafiado todos os Delegados a mostrarem um contracheque de policial militar comprovando o recebimento da referida indenização aposentatória. Também, Maurício Eskudlark teria dito que o governador assinou a lei sem saber o que estava assinando...  No final da reunião os Delegados não sabiam o que dizer diante das palavras de Maurício Eskudlark, depois de um balde de água fria e só restou ficaram se fitando em silêncio... 

Um encontro com o policial Paulo Curvello:

No horáro das 15:30 horas, ainda na Delegacia Regional de Balneário Camboriú, após terminar a ouvida do Investigador Paulo Curvello, aproveitei um intervalo em que a policial Patrícia Angélica havia me deixado a sós com a testemunha, quando perguntei se ele realmente era o autor do “famoso dossiê” de Joinville. Paulo Curvello negou dizendo que não foi ele. Argumentei que muitas pessoas diziam na cidade de Joinville que foi ele quem redigiu o famoso “dossiê”. Curvello contraditou, dizendo que foi o pessoal do Delegado Marcucci quem teria feito o “dossiê”. Perguntei porque Marcucci faria aquilo se também eram acusados. Curvello tentou argumentar, dizendo que isso era para disfarçar. Insisti que se fosse assim, ele também era citado no dossiê. Curvello se defendeu dizendo:

- “Pois é, doutor, então o senhor imagina que seria eu o autor do ‘dossie’ , me incriminando, claro que não!”

Interrompi:

- “Sim, o mesmo vale para o Marcucci, não achas?”

Curvello deu de ombros e parece que ficou sem argumentos.  A impressão que eu tive de Paulo Curvello era que se tratava de uma pessoa cheia de “categorias” e resolvi perguntar se ele era catarinense, quando veio a resposta que era do Rio de Janeiro, era carioca, e que seu pai era da Marinha do Brasil e veio transferido para o Estado. Resolvi retornar ao “dossiê”, pois era importante saber quem teria sido o autor do referido documento. Para tanto, optei por dar uma sondada para ver se Curvello deixaria algum indício, fragmento ou  dúvida. Diante disso, passei a fazer algumas perguntas:

- “Mas no dossiê pegaram pesado, fizeram muitas acusações a policiais civis, inclusive, entraram no campo particular. Por exemplo, consta que você ganhando dois mil reais por mês como é que poderia pagar uma prestação de dois mil reais do ‘Meriva’?”

Curvello ficou meio que sem jeito, mas se mostrou ligeiro e preparado para dar uma resposta:

- “Doutor, eu trabalho, a minha mulher trabalha, tenho imóveis alugados, e minha renda é sete mil reais por mês, então o senhor acha que eu não tenho como pagar uma prestação de dois mil reais? O pessoal me viu com o ‘Meriva’ e não sabe das minhas condições particulares...”.

Resolvi deixar aquilo passar batido e prossegui:

- “Sim, mas na época do Marcucci tu era o Chefe da Ciretran em Joinville, não eras?”

Curvello respondeu:

- “Claro que sim, eu era sim, doutor...”.

Interrompi:

- “Tu tens o dossiê?”

Curvello ficou meio em dúvida se respondia sim ou não, mas acabou confirmando:

- “Sim, claro que eu tenho doutore. Me mandaram por e-mail. Eu também mandei... O negócio é que mandaram para o governador, para o Secretário, para os Deputados...“.

Continuei:

- “...No no dossiê citaram que a Veleda traia o Iunes. Eu conversei com o Iunes e ele disse que se descobrisse quem escreveu o dossiê era capaz de matar, e se fosse verdade matava ela também, então...“. 

Paulo comentou:

- “Bom, doutor, todo mundo via a Veleda lá...”.

Interrompi:

- “Sim, mas e o Iunes...”.

Continuei:

- “...No dossiê consta que o doutor Dirceu teve um caso com a doutora Marilisa...”. 

Curvello argumentou:

- “Ah, doutor, isso eu não sei...”. 

Interrompi:

- “...Também consta que ela se envolveu com um dos caixeiros, isso é verdade...?”

Curvello negou que isso tivesso ocorrido e que desconhecia esses fatos. Não quis perguntar sobre as outras acusações contra Marilisa (dona de terrenos, que tinha desviado dinheiro, sobre sua empregada Rosimeri...), não só por duvidar de tudo, mas pela pessoa especial que é para mim. Em seguida perguntei sobre a bolsa “Luis Vitton” encontrada com a mulher do Delegado Marcucci. Paulo Curvello novamente saiu pela tangente, dizendo que também não sabia como aquilo ocorreu. Argumentei que as acusações contra Marcucci não prosperavam, especialmente, porque ele não ficou rico. Curvello argumentou que uma das acusações contra Marcucci era porque sumiu dinheiro apreendido em diligências policiais que esteve envolvido quando respondia cumulativamente pela Dic/Joinville. Perguntei sobre o envolvimento da policial Noêmia com Eleandro Felício que se encontrava preso e era uma das pessoas de confiança do Delegado Marcucci. Paulo Curvello novamente comentou que não sabia de nada. Insisti perguntando se era verdade o episódio do acidente de trânsito envolvendo Eleandro e Noêmia. Paulo Curvello disse que não teve conhecimento. Perguntei se era verdade que um “despachante” havia escrito o “dossiê”, mas novamente Paulo Curvello olhou e disse que não sabia se algum despachante tinha sido o autor do documento e reiterou que aquilo foi provavelmente o pessoal do Marcucci que lançou na rede no momento em que estavam sendo “perseguidos”, como forma de tentar mostrar que Joinville era uma “esculhambação”, só para desviar a atenção ou tentar minimizar o impacto das denúncias. No final da conversa, Paulo Curvello disse que estava conseguindo a transferência da mulher dele para Balneário Camboriú, graças aos contatos com o Delegado Maurício Eskudlark. Paulo Curvello completou:

- “Doutor, estão vindo para cá a minha mulher e a doutora Ruth, o senhor conhece a doutora Ruth?”

Respondi que sim e Paulo Curvello continuou:

- “Aquilo lá é um antro de fofocas, não dá para ficar lá...”.

Lembrei que Ruth era muito amiga de Marilisa e que se a mulher de Paulo Curvello tinha ligações com a Delegada Ruth era bem possível que o assunto chegasse ao conhecimento de Marilisa...  

Horário: dezesseis horas, fui até o gabinete do Delegado Gilberto e perguntei para ele se era verdade que ele estava saindo da DRP. Gilberto hesitou um pouco em respondeu, mas no final foi dizendo que havia alguma coisa no ar. Perguntei para ele se era verdade que o Delegado Ademir Serafim estaria sendo contado para ocupar o seu lugar. Gilberto novamente disse que estava havendo alguma coisa...  Também relatou que o policial Nilson (um dos braço direito de Maurício na DRP) havia se filiado ao PMDB e será candidato a vereador no ano que vem. Gilberto relatou que Nilson está lido ao Deputado Piriquito e por causa disso Maurício Eskudlark está chateado e as relações deles não é mais a mesma. Argumentei que Nilson era o homem de informações de Maurício na DRP. Gilberto argumentou que agora a coisa não é mais bem assim, parece que houve um estremecimento nas relações...