Plantão na CPP de Joinville: As prisões de um papagaio e dois micos:

Dia 04.03.2005, por volta das nove horas e trinta minutos a Delegada Marilisa me ligou de Joinville dizendo:

- “Eu já tenho aquela informação. O Major Fachini me ligou no mesmo dia que tu saísses daqui e me disse que a moto foi leiloada. Ele me mandou um relatório, o documento estava aqui, mas agora eu já encaixotei. Sabias que nós estamos saindo daqui? Estamos indo para o prédio lá no centro, onde funcionava a Sétima DP, vamos trabalhar no porão. Em cima funciona a ‘Força-Tarefa’...”.

Interrompi:

- “Sim, essa ‘Força-Tarefa’ está trazendo resultados?”

Marilisa continuou:

- “Sim, no meu último plantão na CPP prenderam um papagaio e dois micos... (risos). É, foi isso mesmo, me deram um dor de cabeça, eles foram atrás de um suspeito de tráfico de drogas e não encontraram nada, trouxeram um papagaio e dois micos. É sério, estais rindo, mas é sério. Os dois micos não queriam ser aceitos lá no Ibama, mas acabaram aceitando e já mandaram para o nordeste. O papagaio ficou lá na CPP ‘cagando’, ‘gritando’...”. 

Bom, depois das risadas e de duvidar que aquilo fosse verdade, acabei aceitando o fato e Marilisa completou:

- “O Major Fachini está em Natal e nós aqui, imagina?  Ah, se o Thomé me obrigar a ficar naquele porão do prédio lá no centro, amanhã vai ser manchete no jornal, podes ter certeza...”. 

Argumentei:

- “A Central vai funcionar lá no ‘Complexo’, né?”

Marilisa confirmou e eu completei:

- “A Central é a ‘menina’ dos olhos do Thomé...”.

Marilisa argumentou:

- “Ele vai ver se eu tiver que ir para o porão do prédio lá no centro...”. 

Acertei com Marilisa para na segunda-feira me mandar o documento do Major Fachini. Perguntei, ao final, sobre os Delegados Zulmar Valverde e Dirceu Silveira, e Marilisa respondeu:

- “Bom, eles estão afastados. No primeiro dia que eles tinham que se apresentar na Delegacia Regional chegaram lá e estava tudo fechado. Fizeram o maior alvoroço, ligaram para todo mundo e aí o ‘Sala’ disse que eles não precisavam assinar o ponto. Bom, o nosso inimigo aqui, o Marcucci, continua como Delegado Regional...”. 

Fui ler no jornal que a “Força-Tarefa” da Polícia Civil de Joinville tinha realmente prendido “sagüis” e outros animaizinhos, numa crítica que lembrava o que  Marilisa tinha me confidenciado.  Aliás, Cacau Menezes mandou mais uma nota:

“Sem pressa – A Polícia Civil aceita a brincadeira da coluna em relação aos resultados da primeira semana da força-tarefa em Joinville, mas diz que o jogo ainda não terminou. A operação não tem pressa” (DC, Cacau Menezes, 8.3.05).

Depois que li a nota não tive dúvidas, a resposta era típica do Delegado-Geral parecia apreciar o jogo de ‘gato-e-rato’, aliás, como esse tipo de situação deveria mexer com a sua adrenalina, com o seu ‘ego’...”.

Governador Luiz Henrique da Silveira respalda o Delegado Regional Marco Aurélio Marcucci:

“Sem tanto poder - A escolha do nome da delegada Ruth Henn na coordenação da Central de Polícia, o novo órgão de investigação da Polícia Civil joinvilense, não teve o aval do delegado regional e vereador Marco Aurélio Marcucci. Ruth, até pouco tempo atrás, era desafeto de Marcucci na polícia. Embora a cúpula tenha mantido o delegado no cargo, as decisões internas já não são apenas dele. Mas Marcucci segue respaldado pelo governador Luiz Henrique da Silveira” (A Notícia, Antonio Neves – Alça de Mira – 10.03.05).

A agonia da Delegada Ruth Henn:

Dia 01.04.05, por volta de meio-dia e meia, cheguei Delegacia da Mulher de Joinville.  Já tinha acertado com a Delegada Marilisa para almoçarmos juntos pois queria saber como estavam as coisas.  No trajeto até o restaurante Marilisa contou que o Delegado “Sala” esteve conversando com ela na semana passada e revelou que o Delegado-Geral e o Delegado Mário Martins tinham viajado para Brasília para acompanhar a votação do destaque na “Pec Paralela” da Previdência. Fiquei surpreso e comecei a entender por que o Delegado Hilton Vieira tinha feito aquele comentário sobre “Mário Martins” que só queria saber de viajar para Brasília, estava nas boas graças do Delegado-Geral... Depois, Marilisa novamente se reportou ao Delegado “Sala” dizendo que o mesmo havia ficado com pena do Delegado Rachadel da 1ª DP/Capital, pois se encontra bastante estressado.  Em seguida Marilisa relatou o drama da Delegada Ruth de Joinville e que foi transferida para Chapecó recentemente. Marilisa disse que Ruth estava a base de calmante e acabou se licenciando em razão do estresse da remoção, e que tudo ocorreu em razão de divergências com a cúpula da Polícia Civil. Marilisa também revelou que a decisão sobre a permanência de Marcucci à frente da Delegacia Regional estava para ser decidida naquela data, porém, ninguém sabia nada ao certo. Quanto aos Delegados Dirceu Silveiraq e Zulmar Valverde, Marilisa comentou que estão quietos, na deles.

A queda de um Delegado-Geral:

Festa para delegado com carro oficial - Jantar para o chefe da Polícia Civil, Ricardo Lemos Thomé, em Florianópolis, serviu para lançar a candidatura a deputado federal, segundo a própria assessoria dele, e os convidados usaram veículos da Segurança Pública.  O Diário Catarinense flagrou, na noite de quinta-feira, 24 veículos oficiais da Secretaria da Segurança Pública (SSP) estacionados próximo a um restaurante onde acontecia um jantar de apoio ao lançamento da candidatura do delegado chefe da Polícia Civil, Ricardo Thomé, à Câmara Federal. Ontem, ao ser informado do assunto por sua assessoria, o governado Luiz Henrique (PMDB), irritado, ordenou uma ‘apuração rigorosa’ para esclarecer o caso. O evento, que reuniu cerca de cem convidados, foi na Praia de Canasvieiras, no Norte da Ilha. Além de contar com a presença de cerca de 40 membros do diretório municipal do PMDB, o jantar na Trattoria Recanto do Sabor também foi prestigiado por dezenas de policiais - incluindo delegados - do interior e da Capital. Nas imediações da arborizada Avenida Professor Milton Leite da Costa, chamavam a atenção os 24 automóveis da SSP estacionados. Todos os veículos estavam descaracterizados, não ostentavam qualquer inscrição ou equipamento que denunciasse a condição de bem público. As placas, idênticas as de veículos comuns, mas ‘frias’, também ajudavam a despistar os menos atentos. Da frota parada nos dois lados da avenida destoavam 14 Renault Scénic. Evento reuniu futuros coordenadores -  Também havia modelos Parati, Gol, Palio, Corsa e perua Ipanema, veículos comumente utilizados pela Polícia Civil em investigações sigilosas. Além de Florianópolis, as placas também indicavam a presença de policiais de Canoinhas, Itajaí, Indaial, Luzerna, Videira e Lages. O jantar estava marcado para iniciar às 20h e foi divulgado por um e-mail da Chefia da Polícia Civil. A reunião-jantar se estendeu até perto das 23h. Antes de ser servido o cardápio - os comensais degustaram massas variadas e vinhos - houve uma reunião no salão do Residencial Canto Verde, que fica anexo ao restaurante e pertence ao ex-deputado Murilo Canto, articulador político do PMDB na Capital e titular da Gerência de Situações Críticas da SSP. Canto reconheceu que promoveu o evento, que reuniu cerca de cem futuros ‘coordenadores’, nas delegacias regionais do interior do Estado, da campanha de Thomé à deputado federal pelo PMDB” (DC, 30.08.05). Homenageado nega os fins pré-eleitorais - O chefe da Polícia Civil (PC) de Santa Catarina afirma que ‘não é candidato a nada’, foi ao jantar ‘sem saber do que se tratava’ e usou seu carro particular para chegar ao restaurante acompanhado pelo pai. - Fui convidado (para o evento) às 18h, quando cheguei de São Paulo, onde tive uma reunião de trabalho. Não sou candidato a nada e não sabia qual o motivo da reunião - garante o delegado Ricardo Lemos Thomé. O chefe da PC sustenta ainda que não repreendeu nenhum subordinado que estava utilizando carro oficial porque não percebeu os veículos estacionados próximos ao restaurante - pelo menos nove Renault Scénic estavam parados a menos de 50 metros da porta de entrada. - Estou indignado com essa situação porque a minha conduta é exemplar. Eu não utilizo viatura policial, não tenho viatura policial e sempre ando em meu carro particular - sublinha o policial. Segundo Thomé, uma investigação preliminar será feita para saber quem usava os veículos oficiais e em quais circunstâncias. - Primeiro temos que ver se o uso da viatura foi indevido, porque tu há de considerar comigo que algumas pessoas se deslocam de São Miguel do Oeste, outras de São Lourenço d´Oeste para a Capital fazer um curso oficial da Acadepol e elas tem que se deslocar para jantar - defende o chefe da PC. Assessores confirmam pretensão legislativa - Apesar de Thomé negar a pretensão de concorrer à Câmara Federal, vários fatores apontam nesta direção. Funcionários de uma agência de comunicação, por exemplo, encaminharam ao DC e-mails divulgando o encontro de quinta-feira à noite - só não informavam horário e local. Ontem, a própria assessoria da Chefia de Polícia mandou à coluna Informe Político, do DC, novo e-mail com informações sobre o jantar - inclusive com foto do discurso do delegado chefe” (DC, 30.07.05).

Governador determina sindicância - Chefe do Executivo não tolera uso da máquina administrativa - Ontem, ao ser informado por sua assessoria que o DC havia flagrado 24 veículos oficiais em um jantar político-partidário no Norte da Ilha, o governador Luiz Henrique não escondeu a irritação e ordenou uma ‘apuração rigorosa’.  O chefe do Executivo acrescentou que, caso seja comprovada a responsabilização de qualquer funcionário público no uso indevido de veículos do Estado, o servidor, quem quer que seja, vai responder pela falta. A partir de segunda-feira, por ordem expressa de Luiz Henrique, a Secretaria da Administração deverá instaurar uma sindicância interna para esclarecer o que faziam tantos veículos oficiais em um restaurante na noite de quinta-feira. Paralelamente, o governador também vai sugerir que a Corregedoria da Polícia Civil faça apuração independente. Em viagem a trabalho pelo interior do Estado, o governador falou sobre o assunto no final da tarde de ontem, assim que chegou em Joinville. Antes de seguir para São Bento do Sul, onde teria compromisso de trabalho, ele deixou claro que a orientação é para que o assunto seja cabalmente esclarecido. Quem convive com o governador Luiz Henrique (PMDB) sabe que poucas coisas o irritam tanto quanto o mal uso de recursos e bens públicos. O chefe do Executivo sempre prega aos seus comandados a austeridade na administração dos gastos e costuma não tolerar abusos, mas mesmo assim há os que ignoram a mensagem do mandatário. O primeiro passo será identificar as placas dos automóveis e identificar os responsáveis pelos veículos, que um a um serão chamados para dar explicações” (DC, 30.07.05).

Uso de veículos deve ser investigado - MPE vai avaliar eventual improbidade administrativa em jantar de apoio ao chefe da Polícia - O Ministério Público Estadual (MPE), através da Coordenadora de Apoio à Moralidade Administrativa, também vai apurar se houve irregularidades no uso de carros da Secretaria da Segurança Pública (SSP) em um jantar de adesão à candidatura do chefe da Polícia Civil à Câmara Federal. Conforme mostrou o Diário Catarinense na edição deste sábado, na noite de quinta-feira pelo menos 24 veículos oficiais foram flagrados nas imediações da Trattoria Recanto do Sabor, em Canasvieiras, Norte da Ilha, onde acontecia o evento de apoio ao delegado Ricardo Lemos Thomé. No final da tarde de sexta-feira, após ser contatado pelo DC através de sua assessoria, o governador Luiz Henrique disse que ordenaria ‘apuração rigorosa’ dos fatos, para esclarecer se houve uso indevido de bens públicos. Atendendo ordem de Luiz Henrique, nesta segunda-feira a Secretaria da Administração e a Corregedoria da Polícia Civil devem iniciar a investigação. O MPE também vai avaliar a eventual ocorrência de ato de improbidade administrativa. Em tese, pode ter havido ofensa à lei federal número 8.429/1992, a chamada Lei de Improbidade Administrativa. O texto veda o uso de bens públicos para fins particulares e prevê, em caso de condenação, até mesmo a perda da função pública. O evento de quinta-feira à noite reuniu cerca de cem convidados na praia de Canasvieiras. Além de contar com a presença de cerca de 40 membros do diretório municipal do PMDB, o jantar na Trattoria Recanto do Sabor também foi prestigiado por dezenas de policiais - incluindo delegados - do interior e da Capital. Todos veículos estacionados ao longo da avenida estavam descaracterizados e não ostentavam qualquer inscrição ou equipamento que denunciasse a condição de bem público. As placas, idênticas às de veículos comuns, mas ‘frias’, também ajudavam a despistar os menos atentos. O jantar iniciou às 20h e foi inclusive divulgado através de e-mail da chefia da Polícia Civil. O outro lado: Ricardo Thomé se defende e diz que não armou festa.  O chefe da Polícia Civil afirma que ‘não é candidato a nada’, foi ao jantar ‘sem saber do que se tratava’ e usou seu carro particular para chegar ao restaurante. Fui convidado às 18h, quando cheguei de São Paulo, onde tive uma reunião de trabalho. Não sou candidato a nada e não sabia qual o motivo da reunião - garante o delegado Thomé. O chefe da PC sustenta ainda que não repreendeu nenhum subordinado que estava utilizando carro oficial porque não percebeu que os veículos estacionados próximo ao restaurante - pelo menos nove Renault Scénic estavam parados a menos de 50 metros da porta de entrada.  Estou indignado com essa situação porque a minha conduta é exemplar. Eu não utilizo viatura policial, não tenho viatura policial e sempre ando em meu carro particular - sublinha o policial.  Entenda o caso: Na quarta-feira, uma empresa de comunicação enviou ao DC e-mail informando sobre um encontro que aconteceria em Florianópolis no dia seguinte em apoio ao lançamento da candidatura do delegado-chefe da Polícia Civil à Câmara Federal. O DC obteve o endereço do encontro, um restaurante em Canasvieiras, no Norte da Ilha, e foi até lá por volta das 21h - a reunião estava marcada para iniciar 20h. Na avenida paralela ao restaurante havia 24 veículos oficiais da SSP estacionados. Oito deles tinham placas do interior do Estado. No dia seguinte, a assessoria de comunicação da Chefia da Polícia Civil encaminhou texto e foto sobre o jantar, informando a presença de 110 convidados, entre policiais e membros do diretório municipal do PMDB. Junto à mensagem eletrônica havia uma foto do delegado Ricardo Lemos Thomé entre os convidados” (DC, 31.07.05).

Precedente - Não é a primeira vez que o governador Luiz Henrique enfrenta problemas políticos na Secretaria de Segurança Pública. Já teve precedente” (DC, 31.07.05).

Lupa - O governo determinou que uma sindicância, conduzida por três integrantes (um da Secretaria de Administração, outra da Segurança Público e um da Procuradoria-Geral), investigue como 24 carros oficiais apareceram num jantar político-eleitoral. Se Ricardo Thomé está com imagem desgastada junto ao governador (D), o mesmo não se pode dizer de Anderlei Antonelli, o prefeito de Criciúma (E). A sintonia é notória” (DC, 01.08.05).

Bola oito (1) - Luiz Henrique da Silveira e Ronaldo Benedet conversaram demoradamente, sábado, por telefone. Ontem à noite, estava previsto novo colóquio. Intramuros, ambos não esconderam a irritação com a festa política do chefe da Polícia Civil, Ricardo Thomé. Até adjetivos impublicáveis estão sendo empregados em conversas entre autoridades  - Bola oito (2) - Depois de ouvir vários interlocutores, o governador resolveu suspender Ricardo Thomé por 15 dias, e proibir, terminantemente, que comissionados do governo estadual promovam festas político-eleitorais antes do prazo previsto pela lei.  Contra - Avaliação geral: Thomé escolheu péssima hora para construir palanque. Por isso, não resistiu no comando da polícia. Pode até voltar, o que é difícil, diante da dura decisão do governador. Remédio - Além do afastamento do delegado Ricardo Thomé, hoje o governo também decreta estado de emergência no sistema prisional de SC. Raciocinam os governantes que a canetada vai facilitar a construção de novas penitenciárias, em Florianópolis e Itajaí, e novos presídios, em Rio do Sul e Videira. Campanha - Em nota publicada no site da Secretaria de Segurança Pública, sábado à tarde, Ricardo Thomé não abandonou o viés eleitoral. Defendeu as conquistas que entende ter proporcionado aos policiais, como a incorporação da hora extra. O posicionamento aumentou a irritação palaciana. E agora? Uma dúvida que certamente a sindicância governista vai elucidar: quem teria pago a conta do jantar político de Ricardo Thomé, regado a vinho chileno?” (DC, 01.08.05).

Grave precedente – A segurança Pública é, de longe, a área que mais dor-de-cabeça tem dado ao governador Luiz Henrique. Não bastasse o rumoroso episódio do bordel em Joinville, cidade que também protagonizou a prisão de seu delegado regional, que é vereador, concurso fraudulento na Polícia Militar, montagem de palanque na campanha de Dário Berger, em Florianópolis, e agora um flagrante que não deixa dúvidas acerca da vergonhosa utilização da máquina publica com fins políticos. Mobilização de duas dúzias de carros da secretaria para um encontro destinado a impulsionar a candidatura do delegado geral da Polícia Civil no Estado é procedimento da maior gravidade. Conduta totalmente fora de propósito. Investida desta ordem costumava-se presenciar em outras épocas, bem mais remotas, onde tudo era permitido. Hoje o nível de fiscalização é outro, bem como de exigência no trato daquilo que é público. Assim que tomou conhecimento, LHS prometeu ‘apuração rigorosa’. Isso é muito pouco se observado também o envolvimento de policiais numa atividade política que reunia membros do diretório do PMDB, partido do governador. Luiz Henrique está na obrigação de terminar a instauração de imediato inquérito, com o conseqüente afastamento do delgado Ricardo Thomé (pré-candidato peemedebista à Câmara Federal), sob pena de o ocorrido respingar na imagem do próprio governador. A imagem do governo já acabou chamuscada, na medida em que um verdadeiro aparato oficial deslocou-se das mais variadas regiões do Estado, a fim de reforçar o projeto proporcional de um membro do segundo escalão deste mesmo governo. Combustível, aliás, financiado pelos cofres públicos. O governador corta o mal pela raiz ou a prática vai virar habitual, na antevéspera do pleito eleitoral. O Ministério Público estadual já entrou no circuito” (A Notícia, Cláudio Prisco, 01.08.05).

Polícia: a nova crise – A Secretaria de Segurança Pública é, disparado, a maior geradora de crises políticas no governo Luiz Henrique. Já deu de tudo na Polícia Militar: concurso frio, uso indevido de equipamentos em campanha eleitoral, boate Marlene Rica, ameaças de insubordinação e casos de perseguição política. Agora, é a Polícia Civil que está manchando a segurança com imoralidades. O flagrante dado na assembléia de lançamento da candidatura à Câmara Federal do Delegado geral de Polícia Ricardo Thomé é uma infantilidade inominável. No momento em que a nação, perplexa, condena com veemência o uso ilícito da máquina, 24 delegados de polícia usam veículos oficiais para tratar de candidaturas. Pior: ouvido sobre a ocorrência, o delegado Ricardo Thomé saiu-se com evasivas, ao enfatizar que não é candidato. É escapismo que soa como deboche perante a imprensa e a sociedade catarinense. Agravou-se o episódio quando o delegado Thomé declarou na TV que a reunião era do diretório municipal do PMDB. Quer dizer: faltou com a verdade ao negar a candidatura e tornou-se réu confesso ao admitir o uso da máquina para fins partidários. Os policiais deviam estar combatendo a criminalidade naquele dia – não tratando de organização de candidatura. O governador Luiz Henrique convocou os secretários Ronaldo Benedet  e Marcos Vieira para uma reunião na Casa da Agronômica. Se deseja mesmo reafirmar sua autoridade política e manter a postura de condenação  veemente à imoralidades, não tem alternativa: ou recebe pedido de demissão do delegado geral de polícia ou assina sua exoneração. Sindicância só vai dar munição para as oposições e transformar uma crise setorial, localizada,, num problema de governo. A situação na Polícia Civil ficou insustentável” (A Notícia – Moacir Pereira, 01.08.05).

“Procurador adia a entrega de relatório - Parecer é sobre o uso de 24 veículos oficiais em jantar - Por força de compromissos em Brasília nesta segunda e terça-feira, o procurador-geral do Estado, Imar Rocha, não vai entregar hoje ao governador Luiz Henrique (PMDB), conforme pretendia, seu relatório sobre o uso de 24 veículos da Polícia Civil em jantar de apoio ao lançamento da pré-candidatura do delegado Ricardo Thomé à Câmara Federal, promovido dia 28 de julho na Praia de Canasvieiras, em Florianópolis. À época chefe da Polícia Civil catarinense, Thomé foi afastado do cargo depois que o Diário Catarinense denunciou o uso dos automóveis oficiais no evento. Incumbido pelo chefe do Executivo de investigar as circunstâncias do caso, Rocha garantiu que até quinta-feira conclui o trabalho e o encaminha para o governador. O procurador-geral do Estado já ouviu as explicações de Thomé, do gerente de Situações Críticas da SSP, ex-deputado Murilo Canto, articulador do evento, e de cerca de cinco delegados. No depoimento à Comissão de Sindicância, semana passada, Thomé sustentou que havia recém-chegado de São Paulo quando recebeu o convite para ir até Canasvieiras. Disse que não sabia do que se tratava o encontro. O delegado também negou qualquer pré-candidatura, mesmo tendo sua própria assessoria encaminhado ao DC e-mail com informações alusivas à pretensa campanha e foto do evento. Ao procurador, Thomé diz que percebeu veículos  - No depoimento, revelou o procurador, Thomé disse que percebeu os carros, mas não repreendeu seus subordinados porque, conforme alegou, eles participavam de um curso na Academia da Polícia Civil, que fica nas proximidades, e apenas saíram para jantar - a jornalistas Thomé disse que não percebera os 24 carros. Para Imar Rocha, o caso reforça a necessidade de uma legislação que regulamente os critérios que definam o que é uso indevido de veículos. Na noite de 28 de julho cerca de 100 pessoas, a maioria policiais e funcionários da Secretaria da Segurança Pública (SSP), foram a um jantar de apoio ao lançamento da pré-candidatura do então delegado-chefe da Polícia Civil, Ricardo Thomé, em um restaurante no Norte da Ilha. O DC apurou o endereço onde acontecia o evento e foi até o local, onde contou 24 automóveis oficiais do Estado, todos de propriedade da SSP, estacionados nas imediações da Trattoria Recanto do Sabor.  Os veículos eram modelos descaracterizados, não ostentavam equipamentos ou qualquer inscrição que denunciasse a condição de bem público ou a lotação de seus usuários. Na sexta-feira, sem saber que o DC preparava uma reportagem sobre o assunto, a assessoria de imprensa da Chefia de Polícia encaminhou ao jornal e-mail com detalhes do evento, inclusive com uma foto de Thomé discursando para os policiais. No sábado, dia 30, o DC publicou a denúncia, que provocou imediata reação do governador Luiz Henrique (PMDB), que imediatamente ordenou uma ‘apuração rigorosa’. No domingo, um dia após a denúncia, Luiz Henrique determinou o afastamento de Thomé por 15 dias e delegou ao procurador-geral do Estado, Imar Rocha, a presidência de uma comissão de sindicância para esclarecer o caso. Rocha pretendia entregar hoje ao governador seu relatório sobre o episódio, mas compromissos em Brasília o obrigaram a adiar a conclusão do trabalho” (DC, 08.08.05).

A conversa como o ex-Delegado-Geral Jorge Xavier e as articulações de bastidores:

Data: 13 de agosto de 2005 o  à noite resolvi ligar para o Delegado Jorge Xavier que atendeu o telefone e foi dizendo:

- “Liguei umas três vezes para ti, ninguém atendeu...”.

Desconfiei que poderia ser invenção de Jorge porque tinha  Secretária Eletrônica e ele não deixou recado algum, provavelmente esqueceu de ligar e saiu com uma desculpa... Fiz de conta que acreditei e entrei na onda:

- “Tudo bem, eu tinha saído logo...”.

Jorge reiterou:

- “Como é que pode esse ‘cara’ assumir a Chefia da Polícia Civil... Ele acabou com a ‘Polícia’, meu Deus, como é que deixaram ele acabar com a ‘Polícia’?”

Argumentei:

- “É verdade Jorge, o que ele fez... Nunca na história da Polícia Civil nós regredimos tanto...”.

Jorge interrompeu:

- “Ah, sim, perdemos  a Corregedoria-Geral, Polícia Técnica...”.

Interrompi:

- “Jorge, tu lembras na época do ‘Pacheco’, ele aventou que queria levar a ‘Corregedoria-Geral’ lá para o Gabinete dele, lembra? Imagina o que nós fizemos... Entramos em confronto, não aceitamos...”.

Jorge interrompeu:

- “Cruzes, até hoje eu estou atritado com o ‘Pacheco’...”.

Continuei:

- “Pois é, perdemos Academia, Corregedoria, Polícia Técnica... agora só falta o Detran...”.

Jorge interrompeu:

- “Eu estive lá na Adpesc tentando montar um esquema com o Maurício Noronha, mas tu sabes que na hora eles me deixaram na mão? Olha, eles me fizeram de bobo. Eu fui lá atrás do Maurício para que a gente tomasse uma posição, para a gente ir lá na Secretaria conversar com o Secretário. Ele é um ‘molenga’, ele é muito ‘bonzinho’, mas não dá, quer ficar bem com todo mundo...”.

Interrompi:

- “Ah, sim, Jorge, eles querem é viajar e estar bem com todo mundo...”.

Jorge interrompeu:

- “Tu não vê, nesse episódio do Thomé ele não colocou uma nota, não se posicionou. Naquele caso lá de Joinville também. Ele se esconde, não dá...”.

Interrompi:

- “É verdade, Jorge, como nós estamos mal, meu Deus, somos uns convardes...”.

Jorge fez um convite de improviso:

- “A gente podia articular alguma coisa. Vamos conversar com o Feijó, vamos articular o nome dele para a Chefia da Polícia Civil? Ele é o melhor nome, eu me dou bem com ele...”.

Interrompi:

- “Não sei Jorge, será...?”

Jorge argumentou:

- “Bom, tu sabias que nesse negócio dos Peritos se separarem da Polícia Civil ele foi um dos que apoiou a luta dos Peritos? Ah, sim, ele foi um dos que defendeu que a Polícia Técnica saísse da Polícia Civil...”.

Interrompi:

- “Sim, ele foi um fraco, foi ser Diretor lá e já quis agradar os Peritos, olha no que deu...”.

Jorge concordou. No final da conversa argumentei:

- “Olha, Jorge, tu vê como faz falta um grupo, como seria importante se aquele nosso ‘grupo’ tivesse continuado. Olha, sinceramente, se aquele ‘grupo’ tivesse continuado eu acho que até nós conseguiríamos ter bloqueado a chegada de Thomé no comando da Polícia Civil e as ‘c.’ que ele fez. Foi uma pena, mas também, pudera, o Garcez e o Senna fizeram aquele rolo todo naquele último encontro e deu no que deu...”.

Jorge interrompeu:

- “Tu sabias que o Gean (Loureiro) me traiu, é um ‘s.’, olha tu precisas ver...”.

Interrompi:

- “Ah, Jorge, eu sempre soube que ele..., é um ‘e.’, sempre soube, não sei como é que tu fosses acreditar nele...”.

Jorge interrompeu:

- “Que nada, ele é um ‘s.’. A Francine estava esperando um emprego lá na Prefeitura, e só enrolaram... No final quiseram dar um cargo comissionado para ela de seiscentos reais. Tu sabias que eu acabei me filiando ao PSDB por causa da Francine?  Sim, acabei me filiando. A Francine fez campanha para a Rose. Olha, ela ficou tão mal, acabou indo fazer tratamento psiquiátrico, sabia?  Ela ainda está fazendo tratamento psiquiátrico...”.

No final da conversa acertei com Jorge conversar com o pessoal e marcarmos um encontro do ‘grupo’ para breve. Jorge gostou e foi dizendo: “Olha, se nós tivéssemos aquele nosso ‘grupo’ seria diferente. No encontro que eu tive lá na Secretaria da Segurança eu não teria ido sozinho para conversar com aquele ‘cara’ lá, nós teríamos ido em ‘grupo’ e tudo seria diferente, eles dariam importância, a história teria sido bem diferente, mas eu fui sozinho lá...”.

Interrompi:

- “Ah, sim, Jorge um grupo é importante para tudo, sem interesses pessoais...”.

Jorge concordou e acertamos um encontro do ‘grupo’  para breve.

Rocha censura o uso de carros oficiais – Para o procurador-geral do Estado, Imar Rocha, o uso de 24 veículos da Secretaria da Segurança Pública em um jantar promovido em 28 de julho, foi uma atitude ‘no mínimo censurável’. Hoje, durante audiência com o governador Luiz Henrique (PMDB), Rocha vai entregar relatório sobre o episódio – que levou ao afastamento temporário do delegado-chefe da Polícia Civil, Ricardo Lemos Thomé (...). Paralelamente, o documento será encaminhado para a Corregedoria Geral da SSP, que deve iniciar procedimento investigatório. Ontem, Rocha evitou dar detalhes do relatório, que já está concluído. O procurador-geral disse que, em sua opinião, ‘não é correto’ usar veículos oficiais para qualquer finalidade que não seja absolutamente inerente ao cargo exercido pelo funcionário público. Seis delegados prestam esclarecimentos – Além de Thomé e do gerente de Situações Críticas da SSP, Murilo Sampaio Canto, que organizou o evento, outros seis delegados prestaram esclarecimentos ao corregedor-geral. Rocha concluiu que, inicialmente, o jantar não era um evento político partidário, mas acabou se tornando depois que as próprias assessorias –pessoal e institucional – de Thomé abasteceram jornalistas com informações sobre a preparação da ‘campanha’ do delegado a cargo eletivo no pleito de 2006” (DC, 12.08.05).

“Thomé é exonerado da chefia da PC - Depois de receber relatório do procurador-geral, governador decide afastar delegado - O delegado Ricardo Lemos Thomé não volta mais para a chefia da Polícia Civil catarinense. A decisão de exonerá-lo do comando da corporação foi tomada pelo governador Luiz Henrique (PMDB) na manhã de ontem, após reunião com o procurador-geral do Estado, Ilmar Rocha. O ato deve ser encaminhado para publicação no Diário Oficial no início da semana, conforme apurou o DC. A medida será anunciada oficialmente na segunda-feira, quando o governador espera já ter definido o substituto de Thomé. Além dele, Luiz Henrique também decidiu afastar das funções o gerente de Situações Críticas da SSP, ex-deputado Murilo Sampaio Canto, que assumiu ter organizado o jantar de 28 de julho. Ambos foram comunicados da decisão do governador ainda ontem. A notícia foi repassada à tarde pelo diretor geral da SSP, coronel da reserva Dejair Vicente Pinto, que também fez parte da comissão de sindicância, presidida por Rocha. O subchefe da Polícia Civil, Luiz Vanderlei Sala, e pelo menos outros quatro delegados regionais que também participaram da confraternização foram mantidos nos cargos de confiança, assim como o assessor Lírio Rosso. No encontro com o governador ontem, o procurador-geral entregou o relatório sobre o uso dos 24 veículos oficiais no jantar em Canasvieiras, no Norte da Ilha. Rocha registrou no documento ter havido uso indevido da máquina pública no evento, que contou com a presença de mais de 100 policiais de várias partes do Estado e foi denunciado pelo DC. Uso de carros é 'comum', dizem delegados de polícia - O procurador-geral sugeriu ainda uma legislação mais específica sobre o uso de veículos do Estado. De acordo com ele, em depoimentos prestados na procuradoria muitos delegados que foram à festa afirmaram ser "comum" policiais usarem veículos oficiais para ir a restaurantes, por exemplo. - Todos os servidores têm que se conscientizar que o mundo mudou, o Brasil mudou. São novos tempos e as coisas públicas têm que ser tratadas com bastante cautela por parte daquelas que ocupam as funções públicas - ensina Ilmar Rocha. Para o procurador-geral, o fato de a assessoria da chefia da PC ter encaminhado e-mail sobre o evento com informações da pretensa candidatura de Thomé foi ‘lamentável’" (DC, 13.08.05).   

“Substituto já tem um perfil bem definido - Vários nomes estão sendo sondados pelo Centro Administrativo para ocupar o lugar do ex-chefe da Polícia Civil, Ricardo Lemos Thomé. A saída dele vai alterar o perfil do novo ocupante da função. O DC apurou que a preferência é por alguém que não deseje promover mudanças muito drásticas na política de segurança pública que vem sendo desenvolvida. A avaliação dos assessores de Luiz Henrique é que não há mais tempo hábil para novas experiências, como foi a criação das centrais de polícia. Com a proximidade das eleições de 2006, uma mudança na política de segurança está sendo encarada como uma "loteria". Caso desse errado, poderia prejudicar ou até mesmo comprometer o projeto político do governador e correligionários. Por isso, a intenção é chamar alguém que tenha intimidade com o atual sistema e desfrute de bom trânsito entre as várias correntes políticas da Secretaria de Segurança Pública e Defesa do Cidadão (SSP) e do próprio governo do Estado.  Pelo menos três teriam a preferência - A lista com os delegados que poderiam atender este novo perfil, preconizado pelo Centro Administrativo, tem, pelo menos, três nomes fortes. Todos eles possuem algo em comum, uma extensa folha de serviços prestados à Polícia Civil. Entre os delegados mais cotados para assumir o comando da Polícia Civil estão o atual corregedor-geral da SSP, Ricardo Feijó; o diretor do Detran, Paulo Roberto Dias Neves e o diretor de Investigações Criminais (Deic), Ilson Silva - que está interinamente na chefia. O subchefe da PC, delegado Luiz Vanderlei Sala, não assumiu a titularidade porque também estava no evento. Mas não foi "chamuscado" pelo episódio, podendo asumir um outro papel ou permanecer no cargo. Conforme o secretário Ronaldo Benedet, o governador exigiu que o comando da corporação fosse assumido por alguém que não esteve no jantar em Canasvieiras” (DC, 13.08.05).

Posição - Luiz Henrique decide na segunda-feira o futuro do delegado Ricardo Thomé. Além dos bons resultados obtidos no combate à criminalidade, pesa a favor dele o histórico profissional. Nos últimos dias, 28 dos 30 delegados regionais subscreveram documento de apoio a Thomé. Pelo visto, a cúpula da Polícia Civil quer a volta do chefe” (A Notícia, Cláudio Prisco, 13.08.05).