A história da Delegada Marilisa se iniciou no ano de 1990 quando ingressou na Polícia Civil do Estado de Santa Catarina.  Durante o transcorrer da década de noventa atuou na comarca de Joinville, especificamente, na Delegacia de Proteção à Mulher – depois transformada em “Dpcami”. No início do segundo governo Esperidião Amin (1999/2003) foi guindada ao cargo de Delegada Regional de Polícia, isso durante a gestão do Secretário de Segurança Luiz Schmidt de Carvalho (Promotor “Carvalhinho”) e do Delegado-Geral Ewaldo Moretto.

Durante o transcorrer do ano de 1999 conheci a Dra. Marilisa quando estava no Gabinete do Secretário “Carvalhinho”, a convite do Delegado-Geral para tratar sobre a lei especial de promoções da Polícia Civil (LC 98/93). Lembro que naquela ocasião ela - depois que foi anunciada de forma singular - adentrou o gabinete, interrompendo nossa audiência e sendo recepcionada de pé pelo Titular da Pasta. A seguir, coube ao SSP nos apresentar a nova Delegada Regional de Joinville  e pude perceber que ela trajava um vestido amarelo canário com pequenas estampas em figurinhas pretas, sua pele ostentava bronzeamento já que era verão quente, havia charme, elegância, doçura e ao mesmo tempo procurava manter um aparente controle da situação e um quê de timidez, sem perder a postura.

Procurei a cumprimentar, depois de Ewaldo Moretto. Longo intui que estava ali uma “apadrinhada” política de lideranças do norte do Estado e cacifada pelo próprio Governador Amin para ocupar um cargo de confiança na maior cidade do Estado.

Aquele encontro foi fugaz, nada de especial, somente o fato de chamar a atenção uma Delegada de Polícia com o seu perfil ocupando o cargo de Chefe de Polícia Regional da maior cidade do Estado.

Marilisa descobriu o que era ser “autoridade policial” no interior do Estado e a importância de uma mulher na defesa de suas semelhantes. Como pertencente a uma família tradicional de Joinville, com o tempo de convivência com jornalistas passou a demonstrar um bom trânsito na mídia local, em especial, com o jornal “A Notícia” e com o repórter Antonio Neves:

“Pode ter sido definido ontem o nome do novo titular da Delegacia Regional de Polícia de Joinville. Duas indicações foram parar na mesa do secretário de Segurança Pública. Da delegada de Mulher em Joinville, Marilisa Boehm, e do delegado Zulmar Valverde. Ambos profissionais competentes e de bom trânsito junto à comunidade. Pode surgir um terceiro nome se não houver consenso na escolha” (A Notícia, Alça de Mira – Antonio Neves, 5.01.99, pág. A-6).

Desde o início que o gosto e especialidade da Delegada Marilisa eram as questões ligadas à família, especialmente, a “mulher”, a “criança”, o “adolescente” e o “idoso”. Com o passar dos anos entendi que além do seu interesse por essas questões, havia também um interesse pessoal nesses assuntos considerando as circunstâncias em que ocorreu o seu divórcio, situação que a marcou muito, porém, deixou um quê de marcas para sempre em sua existência (o abandono pelo ex-marido que a trocou por uma garçonete novinha que trabalhava na Churrascaria que possuíam na cidade de Joinville, em cujo local também residiam). Marilisa superou tudo, porém, isso levou tempo e a marcou para o resto da sua existência, com reflexos na sua saúde física e mental, o que somente foi superado com a dedicação ao trabalho e com o passar dos anos.

Um pouco da História da Delegacia de Proteção à Mulher de Joinville:

“Falta estrutura na Delegacia da Mulher - Implantada em 1991, a Delegacia de Proteção à Mulher passou, recentemente, a atender também as ocorrências relacionadas a crianças e adolescentes. Ali, o principal problema continua sendo de estrutura – ou falta dela. Primeira e única titular do órgão, a delegada Marilisa Boehm (foto) se confessa impotente para dar conta do incremento da violência em Joinville. Exemplo do problema está no tamanho da equipe, pequena demais para o espaçoso prédio da delegacia, na Rua São Paulo: são 13 funcionários e quatro psicólogas. ‘Precisaria no mínimo o dobro disso’, conjectura Marilisa, na expectativa de que sejam nomeados logo os novos policiais aprovados em concurso recente no Estado.  A delegada afirma que a situação vem se tornando mais grave ano após ano. ‘No início da década de 90, existia um equilíbrio entre a população e o quadro de policiais disponível. Mas a cidade cresceu e a estrutura da segurança pública não acompanhou’, reclama. Decorrência disso, apenas um sexto das 600 ocorrências registradas mensalmente se transformam em processos, responsabilizando os envolvidos. “O restante fica para depois.’ Marilisa é dramática ao apelar por providências: ‘Ou vão querer que Joinville se torne um Rio de Janeiro?’.Foco na reestruturação familiar - Se uma das raízes da violência doméstica está na desestruturação familiar, é muito importante trabalhar para revertê-la. É o que faz o Cenef (Centro de Estudos de Orientação da Família), em Joinville. A entidade atende os casos encaminhados pelo Conselho Tutelar. Seu Pronto-Atendimento Psicológico, mantido em parceria com a prefeitura, conta com três psicólogas exclusivamente para essa atividade. ‘Fazemos um acompanhamento até onde é necessário. Muitas vezes, tratamos de toda a família para tentar reestruturar aquele lar’, explica Mário do Nascimento, presidente do Cenef. Só no ano passado, cerca de 2 mil pessoas procuraram o centro. Foram mais de 12 mil atendimentos, somando as consultas em diferentes terapias. A entidade trabalha com 80 voluntários, entre psicólogos, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, médicos psiquiatras, advogados, entre outros” Disponível em:  http://www.dohler.com.br/revistadohler14/genero3.htm. Acesso em 20.01.2010.

O jornal ‘A Notícia’ faz um balanço sobre a violência em Santa Catarina:

Violência  aumenta em Santa Catarina

Em Florianópolis as ocorrências cresceram 47% desde ano passado                       

“Aline Felk e Jeferson Savedra - Joinville/Florianópolis – A criminalidade está mostrando suas garras nestes primeiros quatro meses de 1999.  Embora longe de ganhar contornos de tragédia, o crescimento da violência no quadrimestre está escorado em índices superiores a 40%. Se nada for feito, o número de homicídios em Joinville terá dobrado de tamanho até o final do ano. É apenas um exemplo. Na Capital, os computadores da Polícia Militar revelam um aumento de 47% nas ocorrências. Isto, porém, não é um sintoma apenas das maiores cidades. Municípios de médio porte, como Mafra e Rio do Sul, amargam uma escalada semelhante. Para tentar recuperar o terreno perdido, a PM lançou na última Segunda-feira o Plano Ação Dez, um programa alicerçado por informações prestadas pela comunidade. A meta é dar um corte de 20% na criminalidade. (...) Se a Polícia Militar reforça o policiamento ostensivo, a Polícia Civil tem dificuldades de mobilização. De acordo com a própria PM, a Civil não mantinha delegados de plantão à noite, atrapalhando o registro de flagrantes. Na última Quarta-feira, a delegada regional, Marilisa Boehm, anunciou a criação de um plantão noturno (...)”(‘A Notícia’, Geral, 16.03.99, pág. A-3)