Os conflitos entre ex-DRP Marcucci e o ex-Deputado Sérgio Silva:

Dia 29.11.07, horário: oito horas e quarenta e cinco minutos, estava em Joinville e me dirigindo “Brothaus”, uma confeitaria localizada na rua Max Colin. Apesar de ainda estar no interior do meu carro, resolvi mandar um torpedo para Marilisa com a seguinte mensagem: “Bom dia meu serzinho animado. Pronta? Inté. B.” Em seguida veio o retorno com a seguinte mensagem: “Bom dia meu querido, estou te esperando na DRP. BJS”. 

Por volta das nove horas cheguei na DRP de Joinville e me dirigi até o segundo andar, em cujo local encontrei Marilisa ao telefone, com um vestido bastante moderno, multicolor... A impressão que tive foi que desta vez estava era novíssimo e serviria para não só colorir seu visual, mas especialmente o das pessoas, inclusive o meu. Fiquei feliz por vê-la tão radiante e energizada, muito embora estivesse bastante preocupado com as audiências. Dei os beijinhos de bom dia, enquanto ela estava de pé ao telefone, em frente a secretária do DRP Dirceu Silveira. Me dirigi para a “salinha” de audiências da Corregedoria e encontrei Thábata (Silva?), esposa do ex-Deputado Estadual Sergio Silva, também ex-Secretário de Estado (Governo Paulo Afonso), ex-Presidente da Conurb/Joinville e naquele momento trabalhava na Prefeitura de Itapoá na implantação do sistema de abastecimento de águas. Já tinha visto Thábata no dia anterior na DRP e conversamos um pouco e a impressão que tive daquela jovem era que não tinha mais do que de trinta anos e que se tratava de uma pessoa inteligente e esclarecida. Comecei o depoimento de Thábata e ela foi relatando o que ocorria na “JCS” (empresa terceirizada, prestadora de serviços e que fornecia mão-de-obra para trabalhar na Delegacia Regional de Joinville). O resumo da ópera, segundo pude apurar, é que Sérgio Silva criou a empresa “TSC” (início de 2003), quando era Presidente da Conurb, colocando como presidente dois “representantes seus”, ou seja, Carlos Roberto Pinheiro e seu filho. Na época, provavelmente Thábata já tinha relações com Sérgio Silva da Conurb, razão porque foi designada para trabalhar na empresa e controlar toda a administração. Nesse contexto Sérgio Silva possuía um “laboratório de ideias” formado a partir de pessoas hábeis...  No ano de 2004, Sérgio Silva colocou a empresa no nome de outras pessoas, sendo que Thábata continuou na administração, só que  como esposa de Sérgio Silva...

Durante a audiência pedi para Thábata que entrasse em contato com Sérgio Silva, a fim de verificar se o mesmo poderia no dia seguinte vir prestar seu depoimento. Thábata ligou para Sérgio Silva na minha presença e conversou com ele deixando tudo acertado. No final, Thábata mandou um “beijinho” para seu esposo, denotando carinho, ligação, cumplicidade..., o que se traduziu um gesto muito bacana. Thábata relatou que quando o Delegado Marcucci comandava a DRP foi até a Conurb e apreendeu vários computadores, em razão de suspeita de favorecimentos...  e que o ex-DRP de Joinville e seu esposo quase foram as vias de fatos, sendo o assunto bastante noticiado na mídia. Pude notar que o casal não gostava nadíssima de Marcucci...

As fotos antigas de Marilisa:

Por volta das dez horas, enquanto aguardávamos a chegada da nossa testemunha, ao ligar meu computador comecei a mostrar algumas fotos arquivadas para Marilisa. A primeira foto era uma bem antiga e que foi tirada na época em que ela havia iniciado seu exercício na Polícia Civil. Quando viu a foto ficou um pouco surpresa e comentou:

- “Puxa, que antiga. Eu era bem nova nessa época, foi bem no início. Como é que tu conseguisses isso?”

Respondi que era por meio do “google”, clicando em imagens. Marilisa lamentou:

- “Bom, quem sabe sabe, né! Como eu não sei... Mas essa foto aí é antiga, naquela época nem havia computador na Delegacia Regional...”.

Interrompi, com ar de mistério:

- “Ah, eu tenho muitas fotos aqui arquivadas...”.

Marilisa quis ver mais e atrás de mim Patrícia Angélica esticou o pescoço para matar sua curiosidade. Passei a mostrar várias fotos e Marilisa se revelava cada vez mais surpresa e o interessada. No final ela comentou que eu levasse o meu notebook para “Foz do Iguaçu” para que nós pudéssemos ver mais fotos e dar boas risadas. Concordei.

A fé de Marilisa:

Por volta das dez horas e trinta minutos fiz um intervalo para tomar um cafezinho e fui conversar com Marilisa numa sala anexa ao gabinete de Dirceu Silveira. A sós, quis saber mais detalhes sobre o seu ato relacionado a colocar o projeto no interior da sua “Bíblia”, conforme ela própria havia me confidenciado no dia anterior... Marilisa comentou o assunto com muita maturidade e grandeza, chegando a afirmar que na vida o importante era ter fé, muito embora soubéssemos que tudo fora escrito pelos homens...

Por volta das onze horas e trinta minutos,  Marilisa foi chamada ao gabinete do Delegado Dirceu Silveira, mas antes de me deixar foi avisando:

- “Sim, tu me liberas assim? Como é que tu podes fazer isso comigo, mandar eu ir lá falar com ele...”.

Era engraçada aquela reação de Marilisa, já havia observado aquele seu comportamento noutras ocasiões, ou seja, ela era chamada por Dirceu Silveira e dava a nítida impressão que detestava ir até a sua presença e que precisava de seu anjo salvador, talvez até fosse uma forma de ojeriza ou esnobação..., ou uma simples gracinha.  Marilisa se foi e eu fiquei pensando: “Será que ela vai contar para Dirceu Silveira o que viu no meu computador? Será que ela vai dizer que estava todo mundo fotografado na minha “máquina’?  Apresentei dezenas de fotos de Delegados e ela deve ter ficado curiosa para saber o que eu estaria fazendo com aquele acervo, ainda mais na minha condição de Corregedor. Também, poderia ser que ficou um pouco frustrada em descobrir que eu não tinha só suas fotos, que ela não era exclusiva...

O ex-Delegado Sérgio Lélio Monteiro:

Após terminar nossa audiência Marilisa retornou para assinar o depoimento e Thábata comentou que o seu vestido era muito bonito e perguntou onde tinha comprado os sapatos. Era conversa de mulheres e eu fui saindo “à francesa”, me dirigi até o gabinete do Delegado Dirceu Silveira que logo me viu entrar me apresentou o Delegado Farah.  Observei que ele estava me dando uma atenção especial, mas do que nos outros dias e pensei: “Será que Marilisa falou alguma coisa? Será que ela revelou meu banco de dados? Por que Dirceu Silveira está assim tão próximo, chegado...?” Procurei ficar em silêncio enquanto jogávamos conversa fora e ele relatou a história do Delegado Sérgio Lélio Monteiro, revelando que foi o responsável pelas investigações que acabaram o levando a forca, ou seja, demonstraram o seu envolvimento... Depois, Dirceu Silveira revelou que o Delegado Cláudio Monteiro era filho de Sérgio Lélio Monteiro. Fiquei de queixo caído, passado, perplexo... pois já havia ouvido falar do Delegado Cláudio numa outra sindicância e jamais imaginaria que seria filho de Sérgio Lélio e que faria concurso para a Polícia Civil. Dirceu Silveira revelou que Cláudio Monteiro era filho de Sérgio e de uma mulher que chegou a trabalhar com ele na época que respondeu pela DEIC... (disse que era faxineira no órgão...). Acabamos conversando um pouco sobre os velhos tempos em Chapecó e Dirceu Silveira lembrou que ele saiu de Porto União em 1985 e foi me substituir no oeste, quando deixei a Delegacia da Comarca de Chapecó no final de 1984. Logo que deixei o gabinete de Dirceu Silveira fiquei pensando no grande amigo Sérgio Lélio Monteiro...

Por volta das treze horas e trinta minutos mandei um torpedo para Marilisa com a seguinte mensagem: “Ma, a vida é um eterno processo de conquistas. Parabéns pelo teu filho”.