Uma gestão revolucionária e as mudanças de ventos...:

Data: 19.11.07, horário: 10:00h (aproximadamente). Estava na Delegacia Regional de Polícia de Balneário Camboriú e junto à Lanchonete encontrei o Comissário Nilson Probst que sempre foi um “aliado” político do Delegado Maurício Eskudlark, este desde à época em que estava na condição de Delegado Regional. Nilson era aquele policial que havia me dito um dia que “Maurício Eskudlark” seria o revolucionário “Delegado-Geral”, e que um dos seus primeiros projetos seria a implantação de um “quadro lotacional” no âmbito da Polícia Civil.

Durante o curso da nossa animada conversa relembrei Nilson que na época havia feito um desabafo naquele mesmo local para ele (2006) quando relatei que o Delegado Maurício no ano de 2005 havia subscrito um parecer no Conselho Superior da Polícia Civil, por encomenda do então Chefe de Polícia, contra o meu direito de usufruto de minhas licenças-prêmios e férias atrasadas. Evidente que na época que fiz esse comentário Nilson certamente que levou o assunto quentinho para Maurícìo Eskudlark que era ainda o Delegado Regional de Balneário Camboriú e se encontrava no seu gabinete. E por esse fato foi que lembrei que mais tarde, quando Maurício Eskudlark assumiu a “DGPC”, durante o ato de posse para o Delegado Nilton Andrade na direção da Corregedoria da Polícia Civil (2007), o mesmo me procurou para tentar se justificar sobre aquele seu “parecer”, parecendo patético, digno de lamento ao tentar desvirtuar os fatos..., jamais poderia esperar uma atitude dele, aliás, nas duas situações...

Mas estava ali Nilson faceiro, agora filiado ao PMDB e atirando farpas no seu antigo “parceiro” e “amigão” Delegado Maurício, quando ambos eram do mesmo partido político (PSDB). Naqueles novos tempos, Nilson era aliado político do Deputado “Piriquito” (adversário e concorrente do Delegado Maurício) e confidenciou que iria sair candidato a vereador pelo PMDB em Balneário Camboriú, inclusive, achando que teria grandes chances de chegar à câmara municipal. Perguntei para Nilson qual foi a causa da queda do Delegado Gilberto Cervi e Silva da DRP/Balneário Camboriú e o mesmo comentou que foi um choque de interesses... No final da conversa Nilson pediu meu apoio, dizendo:

- “Doutor, se o senhor conhece alguém aqui em Balneário Camboriú, por favor, me ajude, eu preciso de apoio, não esqueça de mim...”.

Logo que terminei a conversa e me dirigi para a viatura a fim de iniciar viagem com destino a Campos Novos, fiquei pensando: “Meu Deus, como é que pode, esse pessoal não tem escrúpulos, não tem personalidade...”.

O Delegado ‘Muchalski’:

Por volta das quinze horas e trinta minutos (aproximadamente), cheguei na DRP de Campos Novos e dei de cara com o Delegado Altair Munchauski que já estava me aguardando. Altair era uma figura simples, humilde, trajando camiseta, calça jeans desbotada e tênis azul que parecia um básico “Olímpikus”. Como estávamos na Delegacia da Comarca (andar térreo), fomos para o piso superior, até o seu gabinete de Delegado Regional, quando soube que ele estava cumulando funções (DPCo e DRP). Imediatamente pensei: “Puxa vida, parece o fim..., em Jaraguá do Sul a Delegada Jurema também respondia pela DRP, também,  cumulava as funções de DPCo/Guaramirim. Era incrível, mas já estive várias vezes na DRP e ela nunca se encontrava, o que chegou a merecer minha reprovação que externei diretamente para a titular. Parece que quem mandava na Delegacia Regional eram policiais subalternos, estagiários... Em Canoinhas era a mesma coisa, uma Delegada Substituta (Shirney) cumulava a DPCo e DRP e nas nossas conversar dava a impressão que estava “apavorada” com tantas responsabilidades. Em Campos Novos era a mesma situação, dava a impressão que a Polícia Civil estava virando gelatina, ou gelo... sob a intensidade do calor.  Muchalski falava sem papas na língua e aproveitava para relatar seus feitos em Canoinhas e, finalmente, em Campos Novos. Permaneci ouvindo em silêncio aquele monólogo e na presença da Advogada Jânia (acho que é isso),  contive meus juízos diante das máximas do super Delegado Muchalski que dizia:

- “...Eu aqui adoro o pessoal, é a minha família. Os policiais onde eu trabalho são sempre a minha família...”.

Depois de deixar a coisa um pouco solta resolvi fazer algumas incursões passando a relatar que a nossa situação naquele governo (Luiz Henrique) era péssima. “Muchalski” havia deixado escapar que a Polícia Civil tinha começado a existir nos últimos anos daquele governo... Achei aquela afirmação bizarra, surrealista... e por isso tratei de partir para o “rebate”:

- “...Nunca houve na história da Polícia Civil um governo tão ruim como este, sinceramente Muchalski...”.

Acabei externando minha opinião sobre as três principais vias de poder na instituição, a começar pela cúpula, a seguir, pelos Delegados Regionais e, por último, pelas lideranças classistas. Parecia desafiante a nossa conversa pois Muchalski parecia cego, dando a impressão que somente o que contava eram as suas opiniões, o que tinha peso eram as suas ideias, afirmações, considerações... Quando eu tentava dizer alguma coisa, observava que sua atenção rapidamente se dispersava, seu olhar mudava de direção para um ponto qualquer do ambiente... A certa altura, quando eu estava relatando sobre a “segunda via”, ou seja, a importância dos Delegados Regionais de se organizarem, tocou o telefone e interrompi meu relato para que Muchalski pudesse atender a ligação. Pude observar que era o Delegado Kloch de Indaial cobrando um dinheiro emprestado para Muchalski (coisa entre cunhados...). Depois que encerrou a ligação imaginava que Muchalski demonstraria alguma curiosidade a respeito da minha conclusão sobre a importância de mobilização dos Delegados Regionais, mas foi bem o contrário, ele parecia ter esquecido o que eu tinha comentado, dando a impressão que não estava nem um pouco interessado no assunto e afirmou:

- “Bom, pessoal, eu estou com pressa, tenho que ir a Joaçaba ainda. Tenho que fazer uma perícia lá. Eu tenho certeza que foi a PM que matou o cara... e agora estão dizendo que é  suicídio...”.

Retomei o assunto inicial e insisti:

- “Bom, como eu estava dizendo os Delegados Regionais sempre foram muito omissos, vivem o seu mundo nas suas regiões e esquecem o resto...”.

No final da nossa conversa aproveitei para fazer alguns comentários sobre a terceira via, ou seja, a responsabilidade das lideranças classistas. Muchalski comentou que não era  Delegado Regional e, isto sim, foi designado pelo Delegado Toigo (Diretor de Polícia do Interior) para responder cumulativamente pela DRP e DPCo/Campos Novos, e que estava muito feliz por ter sido “lembrado”.

Lapsos ‘Marilisianos’?

Exatamente às vinte horas e dez minutos já estava em Chapecó e resolvi ligar para Marilisa que estava em sua casa (Joinville). Ela atendeu e foi comentando que havia acabado de chegar e nossa conversa seguiu num clima meio que sem rumo, sem definição...  Acabei achando melhor não dizer que estava com saudades, porém, de qualquer maneira ela parecia “light”, deixando escapar frases soltas e sem dar profundidade aos sentimentos. Acabei falando da viagem para o Paraguai que ficou confirmada para o dia sete de dezembro e ela pareceu feliz chegando a comentar que tinha uma lista de compras e que precisava da minha ajuda. Perguntei se ela tinha ido a reunião na DRP/Joinville com o Delegado Dirceu Silveira o que foi confirmando, mas sem novidades. Marilisa relatou que no último feriadão esteve atrás de um vestido e eu externei minha felicidade, dizendo:

- “Puxa, mas que coisa legal, Marilisa”.

Ela completou:

- “Meu filho vai se formar e eu estou atrás de um vestido, meu Deus, tenho que pensar nisso agora...”.

Procurei manter meu astral:

- “Mas que bom, é para ficar mais bonita, muito bom...!”

Resolvi não perguntar nada sobre “projetos”, contatos..., apenas questionei se havia recebido meu “torpedinho” e ela respondeu negativamente, só aquele da época da minha última viagem. Lembrei um pouco o seu conteúdo que falava de “estrelas”, abrir os olhos, lembrar das coisas incríveis que conversamos e ver que tudo ficava muito pequeno. Marilisa não disse nada e a impressão que ficou era que não leu, não processou ou já havia esquecido o seu conteúdo desinteressante...?  Com paciência lembrei:

- “Bom, é que a gente conversou sobre coisas tão importantes que tudo fica pequeno, foi isso que quis dizer, entendeu?  E você disse que eu tenho influenciado muito a tua vida, o que fez aumentar minha responsabilidade, imagina? Eu me sinto muito responsável porque no momento que a gente faz essas trocas isso cria uma responsabilidade mútua. Temos que ser sinceros, verdadeiros...”.

Marilisa não disse nem que sim nem que não, mas reiterou que estava pensado em muita coisa que eu tinha lhe dito... A forma como Marilisa estava falando naquele momento denotava um certo desligamento, uma certa falta de emoção, diferentemente daquele nosso último contato, quando cheguei da viagem à Curitiba. A impressão que ela me passava era  que falava mais como uma obrigação, interagia como forma de preencher vazios, uma repercussão incidental, um retorno fractal, uma interlocução temporal... Deixei “passar batido” aqueles “lapsos marilisianos” e me esforcei para manter o curso da nossa conversa  rumo ao seu “beijo final”.  Marilisa lembrou ainda que soube que na próxima quarta-feira eu estaria na Delegacia da Mulher de Joinville para ouvi-la e que ela iria estar de plantão, mas faria uma força para dar uma fugida da Central de Polícia.