De volta ao Hotel Verde Vale:

No dia 07.11.2007, por volta das dezenove horas, estávamos chegando no Hotel Verde Vale localizado na cidade de Videira, um lugar especial que já conhecíamos bastante, quando e recebi um telefonema no celular, do outro lado da linha o Delegado Flares Rosar, que foi se anunciando:

- “Doutor Felipe, estou aqui na Regional, é que tive que ir a Joaçaba, acabei de chegar...”. Cumprimentei-o e agradeci o telefonema, a seguir, Flares perguntou se eu fui bem atendido, se estava tudo certo e eu disse que sim, que estive no final da tarde na Delegacia Regional e realizei uma audiência, ficando acertado que na manhã seguinte nos colocaríamos nosso papo em dia.

Já acomodados nos nossos quartos, às vinte horas Marilisa me ligou  convidando para jantar, pois ela e Ariane já estavam no restaurante. Como Dílson havia dito que assistiria um jogo de futebol, acabei me sentido na obrigação de ser  a companhia. Em minutos me arrumei, desci até o restaurante e logo que cheguei percebi que estavam os três sentados na mesa. Para minha surpresa tinham pedido três lanches e eu pensei: “Báh, pensei que era para jantar, não para lanchar, hummm!” Acabei pedindo um macarrão à carbonara e uma taça de vinho tinto seco. Não fiquei mais do que trinta minutos e acabei pedindo licença, depois de comer o necessário e perceber que eles ainda estavam na metade do lanche. Percebi que Marilisa, Ariane e o próprio Dílson ficariam melhor sem a minha presença, especialmente, porque tinha que ler, escrever, digitar... Também, compreendi que se permanecesse com eles acabaria falando sobre “polícia”, “política”... e se os deixassem à vontade eles  certamente falariam sobre amenidades. Ao me levantar da mesa comentei:

- “Gente, vou ser mal educado, peço licença, mas vocês fiquem à vontade, vou dar um giro”.  Sai do hotel e me senti atraído a dar uma volta pela cidade até para baixar o peso da massa. Depois passei pelo Shopping Center  localizado  próximo e passado cerca de uma hora  retornei ao hotel e avistei os  três amigos conversando com alguém na portaria. Resolvi dar um tempo até para não interromper o assunto e permaneci mais  uns vinte minutos na caminhada, quando finalmente retornei para fazer parte do que havia me proposto naquela noite.

Um ser ampalidecido e cafônico?

No dia seguinte (08.11.07), por volta das nove horas da manhã, cheguei na Delegacia Regional de Videira e encontrei o Delegado Flares no seu gabinete reunido com algumas pessoas. Resolvi aguardar um pouco e passados uns vinte minutos Flares franqueou o gabinete para mim e Marilisa, em cujo local permanecemos um tempo conversando.  Pude observar que Flares estava com a aquele terno que mais parecia eterno, era um traje escuro com listas finas mais claras, além de uma camisa branca e gravata azul marinho, sua barba por fazer, como das outras vezes, mas demasiadamente  pálido, o que não parecia ser uma boa visão. Na verdade  a barba rala parecia infundir  um aspecto “cafônico” de preenchimento das bochechas e dar uma melhor definição ao  seu rosto. O seu humor parecia inatingível, ou seja, você poderia encontrá-lo a qualquer dia e a qualquer hora que  seria sempre a mesma pessoa. Mas já da última vez tinha observado um quê no seu temperamento que despertou  sinal amarelo, transparecendo  ser uma questão de  “ego” incrustado em decorrência da sua trajetória política e por isso, também, um certo ar de “magnificência”, uma forma de  revelar ser  um “predestinado, um ser com uma missão  relevante num futuro próximo e daí se justificaria aqueles sintomas sutis que poderiam denotar  orgulho, vaidade..., mas também, de busca de auto-afirmação, abertura, acessibilidade, simplicidade... Resolvi indagar Flares se  ele havia lido um artigo  no “site” do Sintrasp, (Sindicato dos Trabalhadores na Segurança Pública) e que tinha sido  publicado no dia anterior . Flares se mostrou surpreso e respondeu  que não leu nada, aliás, eu já sabia que ele não tinha tempo, tampouco, estava habituado a ler artigos no sítio da Polícia Civil, pois respirava muito era política. Lembrei que ele era filiado ao “PMDB”, pertencia a uma família tradicional da cidade de Campos Novos, foi Presidente do Deter, além de Delegado Regional de Polícia, estava se cacifando para ser Secretário Regional e, assim, talvez se lançar candidato a Deputado Estadual. Argumentei que tinha sido um “pau” na Presidente da Adpesc, Delegada Sonêa e no seu esposo que era  “Diretor-Geral” da Segurança Pública. Conversamos novamente sobre a necessidade de se buscar no final do governo “Luiz Henrique”, no momento que o Vice-Governador  “Leonel Pavan” viesse a assumir o governo, a aprovação de  “emenda constitucional”, porque o próximo governador deveria ser “Esperidião Amin”, ou “Ângela Amin”, ou, ainda, “Raimundo Colombo”. Argumentei que diante dessa realidade, teríamos que nos aligerarmos, sob pena de perdermos mais uma vez o “bonde da história” e de acabarmos  ficando mais quatro ou oito anos numa situação terrível e sem perspectivas. Marilisa ouviu atentamente minhas considerações e tratou de reforçar  meus argumentos, dando a impressão que já conhecia o “bê-á-bá” e que também estava super consciente de que esse seria  mesmo o nosso caminho. Na sequência enveredamos sobre a necessidade de se organizar a classe de Delegados de maneira a estabelecer uma agenda e um planejamento estratégico para nossas grandes aspirações. Argumentei que na Assembléia Legislativa todos os projetos na área da segurança pública acabavam passando pelo crivo do Deputado Sargento Soares. Comentei  que tanto Flares como Marilisa possuíam perfil político e que poderiam ser candidatos a Deputado Estadual para defender nossos interesses no parlamento estadual. Marilisa apenas ficou em silêncio, sem tomar partido nessa questão e Flares passou a adotar uma postura mais criteriosa nas suas opiniões. Lembrei que Marilisa possuía qualidades que Flares não tinha e vice-versa. Flares com rapidez fez questão de dar ênfase:

- “Sim, e eu também tenho qualidades que ela não tem”. 

Na verdade a impressão era que aquele  tipo de conversa não levaria a nada, e Marilisa argumentou que  esse era um trabalho de formiguinha... Pensei: “Talvez, talvez, bem talvez!”

Seria o espírito "Marilisiano Brega"?

Às dezesseis horas e quinze minutos chegamos na cidade de Treze Tílhas (via Iomerê) e propus  que parássemos para um café numa confeitaria local e assim acabamos  numa esquina central (na “Coffe Haus”). Eu e Marilisa caminhamos na frente e pude notar que ela havia retirado a parte de cima do seu traje, ficando somente de camiseta, expondo seus braços, a parte superior do seu pescoço... Marilisa e Ariane correram para o banheiro, enquanto que  pedi uma média com leite e um quibe gelado. Dílson pediu um suco de pêssego em lata. Depois que Marilisa retornou pediu uma fatia de torda de trufas e Ariane um salgadinho. Marilisa enquanto comia fazia o  seu tradicional “hummm”, lembrando a “Maria Brega”, sim, aquela de todas as manhãs... Era um “hummm” que mais parecia uma "breguice" que me fez lembrar o palito nos dentes no Restaurante Rudinick (Joinville), depois de um almoço, isso tempos atrás..., mas tudo isso vindo dela, tão querida e amiga, se tornava tolerável e bonito. Depois da parada, sob o sol escaldante,  voltarmos à estrada para seguir até Joaçaba.