Quando estamos no fundo do poço?

Data: 17.03.08. Mandei uma mensagem para Marilisa por meio de celular com o seguinte texto: ”...existe vida, possibilidades, ... muito mais quando existimos  p/ certa pessoa. Com carinho, meu bj de saudades”.

Data: 19.03.08, 11:00h. Fiz um primeiro contato com Marilisa e ela pediu para me ligar em seguida porque estava atendendo alguém na Delegacia da Mulher (Joinville). Por volta de onze horas e trinta minutos Marilisa me retornou a ligação e logo de início observei que parecia triste, deprimida, quase a ponto de entrar em pranto. Em seguida foi me agradecendo pela mensagem que mandei e comentou que depois de ler (à noite) chorou muito. Também, argumentou que não me retornou a ligação porque estava muito mal e não queria que eu a visse daquele jeito. Marilisa chegou a comentar alguma coisa sobre sua depressão, sentindo-se bastante pressionada por todos os lados, de todas as maneiras, parecendo perder o chão, chegando a citar as cobranças da sua família, as pressões no trabalho e mais os recorrentes problemas envolvendo seu irmão. Não me atrevi a perguntar nada, apenas fiquei ouvindo seu desabafo, mas procurei lhe repassar algumas palavras de carinho e ela chegou a reiterar o conteúdo da minha mensagem, em especial, quando registrei que estava com “saudades”  e meu “beijo com carinho”. Não de maneira direta, Marilisa chegou a deixar nas entrelinhas alguma coisa sobre seu fim o que me fez gelar por dentro, tendo que invocar bons fluídos para que iluminassem minhas palavras naquele momento. Cheguei a comentar que me sentia impotente para lhe dizer alguma coisa diante das circunstânciasdas  e lhe  fiz um convite:

- “Quando é que tu vais me convidar para uma pizza, heim?”

Ela (não sei se por orgulho, capricho, distanciamento...) respondeu indiretamente que numa outra época talvez sim, mas não naquele estado em que se encontrava, pois não queria que eu a visse daquele jeito. No final, lembrei que na semana seguinte tínhamos uma audiência num processo disciplinar (não mencionei de quem era) e fiquei passado quando Marilisa argumentou que não se lembrava... Insisti algumas vezes para ver se ela recordava até que forcei, forcei, forcei... e acabamos falando sobre o Delegado Wanderlei Alves (Joinville) que havia requerido sua aposentadoria, porém estava num estágio que também não lembrava de nada que ocorreu minutos antes...  Aproveitei para dizer que no dia seguinte estaria em Joinville e Marilisa argumentou que estaria de plantão na CPP.  Fiquei um pouco desapontado (o que não era surpresa) por ela não dizer que poderíamos conversar, que seria muito bom se a gente tomasse um café juntos, não precisava nem ser uma pizza... Pedi ainda que ela cuidasse do “2008” e ela revelou que já havia lido minha “cartinha” dezenas de vezes, que chorou muito, inclusive na noite que recebeu minha mensagem, perguntando se eu era vidente , jou sensitivo justamente porque recebeu-a num momento de depressão profunda. Ao final, Marilisa disse que na semana anterior esteve conversando com o Prefeito Tebaldi (Joinville) e eu perguntei se ela seria candidata. Marilisa respondeu meio com a voz  embargada que não tinha condições e que não pretendia de vez acabar com sua vida... Concordei.

Mata-borrão (para alegrar corações) e “sweet heaven” (Take That):

Por volta das treze horas,  preocupado ainda com os últimos acontecimentos, resolvi mandar um torpedinho para Marilisa, com o seguinte conteúdo: “Ma, o importante ‘...é q. sabes quem és p/ mim: alguém muito especial, e  todo o resto é mata-borrão...bjs”.

Às quatorze horas e trinta minutos, mandei uma nova mensagem para Marilisa: “Prá vc sonhar: ‘Mazinha, O que somos hoje? O ontem e o amanhã... são quimeras, apenas possibilidades. Mas o agora, este exato momento, tudo a nossa volta clama que brindemos a vida, nossa maior dádiva. As nossas feridas são uma necessidade, mas jamais podem se constituir o fim. São como as tempestades que varrem as folhas secas, sacodem o pó, exercitam os fracos, mexem oceanos, produzem quebras e fendas, transportam sementes... Te faça bem e fique linda, eu quero, assim, te ver..., sempre!”

Às quinze horas e vinte um minutos, recebi um torpedo de Marilisa com a seguinte mensagem: “Vc é maravilhoso e a tua poesia é um bálsamo p/ minha alma, bjs, Ma”.

Retornei com a seguinte resposta: “Sabes q. não é só de poesia q. nos alimentamos. Nossa alma precisa de outras fontes, como sonhos, fogo, céu, sol, estrelas... e muita fé. Então, vamos ao nosso jardim interior? Te espero... querida”.

Horário: dezoito horas, fiquei pensando: “Marilisa é uma grande amiga, uma grande fonte espiritual que chega a doer e de certa forma estaremos para sempre ligados, de forma irreversível”.

Data: 20.03.08, 22:05h. Mandei um torpedinho para Marilisa: “Ma, existe sempre magia em nossos encontros... e nos pensamentos... Uma feliz Páscoa”.

Data: 21.03.08, horário:  16:43h.  Mandei outro torpedo para Marilisa: “...Espero q. o sol volte a brilhar p/ ti... Ficarei quietinho fazendo figa prá te ver... bjs”.

No dia 25.03.08, às vinte e duas horas e cinqüenta e nove minutos, mandei um torpedo para Marilisa:  “Vc tá melhorzinha? Saiba q. teus anjinhos são reais...Bjs”.

No dia 26.03.08, horário: sete horas e cinqüenta e três minutos, mandei um torpedo para Marilisa: “Ma, bom dia minha querida, queria me encontrar ctigo às nove de hoje na Brothehaus da Colim... É importante...bjs?”

Às nove horas e oito minutos da manhã recebi um torpedo de Marilisa com a seguinte mensagem: “Estais com o pessoal da Corregedoria?”

Data: 27.03.08, horário: 12:50h, mandei um torpedo para Marilisa: “Oi minha linda...Guma novid? Bjs e fique c/ meu carinho”.

Às dezenove horas e vinte e sete minutos recebi um torpedo da Marilisa com a seguinte mensagem: “Oi querido estou de atestado não aguentei a pressão, bjs, Ma”.

Às dezenove horas e trinta e seis minutos, mandei um torpedo para Marilisa: “...q. vontade de te abraçar... p/ te ver melhorzinha. O q. é real faz toda a diferença...Então fique boa logo...Bjs”.

Às vinte horas e três minutos, mandei um torpedo para Marilisa: “Ah, hoje lembrei daquela noite q. tava em Lages... e tclamos as músicas da viagem... Me esqueci q. vc esquece fácil das coisas lindas... Eu não, viu...!”.

Dia 28.03.08, horário: oito horas e cinqüenta e nove minutos, estava em Itapema e mandei um torpedo para Marilisa: “Bom dia minha fadinha. Estou tomando café naquele local... Te desejando um sol de lume... E um beijo ligeiro p/ te dizer q/  c/ poesia podemos voltar a sorrir, inda mais qdo podemos contar c/ pessoas”.