O Delegado Adriano Krul Bini:

Data: 09.02.11. Horário: 14:00h. Telefonei para o Delegado Adriano Bini para saber das últimas novidades ele comentou que o Delegado Renato da Adepol convidou três Delegados novos para dar uma “passeada” pela Assembleia Legislativa. Segundo o relato de Bini os “convidados” voltaram “deslumbrados” porque conversaram com alguns parlamentares e que o assunto na ordem do dia era só se falar nesse “acontecimento”. Bini confirmou que um deles era o Delegado Carlos Diego de Garopaba, outro o de Araquari... Fiquei pasmo e logo intui que esse pessoal era inexperiente, pouca prática, inocente, desejosos de visibilidade, ansiosos por luzes da ribalta, carregados de “egos”... o que me fez reportar a Napoleão Bonaparte:

- “É Bini, quem serve para bajular, também serve para caluniar..., colocaram um docinho para esse pessoal e eles já se vendem, também, o ‘Renatão’ tem a máquina da Adepol nas mãos, deu aula na Acadepol para eles, acabou formando opinião, mitificou a sua imagem, aí fica difícil mesmo...”.

Bini concordou com meus comentários e disse que à noite daria mais notícias. 

Delegado Alex Passos e a “Alta Plumangem”:

Por volta das quatorze horas e vinte e cinco minutos, recebi um telefonema do Delegado Alex Passos de Chapecó que quis fazer uma consulta sobre a possibilidade de fazer permuta com o Delegado Albino de (Xanxerê) ou Morbini de São Lourenço do Oeste. Argumentei que pelo sistema de entrâncias um ato de designação seria o mais recomendável. Depois, acabamos falando sobre política institucional e Alex fez alguns comentários importantes:

- “A minha preocupação com o ‘Grubba’ é que daqui a pouco dá a louca nele, baixa uma portaria e manda todos os Delegados retornarem aos seus locais de lotação...”.

Alex Passos comentou que tinha um filho pequeno estudando em Chapecó e que em razão disso teria que se deslocar oitenta quilômetros todos os dias. Argumentei que achava essa possibilidade quase que impossível e inviável pois o Secretário ‘Grubba’ não faria uma coisa dessas (baixar portaria determinando que os Delegados se apresentassem em seus devidos locais de lotação) e que na minha opinião somente o Delegado-Geral é que poderia fazer isso. Alex Passos continuou firme em seus pressentimentos dizendo que segundo os sinais, o que ouvir falar, a sua intuição... Aproveitei para defender a possibilidade do Delegado-Geral exigir que cada Delegado se apresentasse no seu local de lotação, muito embora, fosse a favor de alguma flexibilidade pontual, considerando-se principalmente a necessidade de maior rigor dali para frente já que até então a legislação tinha sido relativizada e até usada como moeda de troca política ou para remover os ‘desapadrinhados”. Aproveitei para argumentar que o Secretário “Grubba” estava demonstrando bastante habilidade política nas suas decisões, como no caso das lotações já que como membro do Ministério Público tinha conhecimento da necessidade de se cumprir a legislação, como ocorria como Promotores de Justiça. Alex Passos discordou e fez o seguinte relato:

- “Me desculpe, doutor, eu tenho que discordar. Veja bem, eu estava aqui indicado politicamente, com o apoio do Deputado Federal João Rodrigues, do partido (DEM), do CDL e vários outros segmentos. A minha indicação foi para o Governador, mas eu não fui nomeado Delegado Regional. O Ministério Público indicou a ‘Tatiana’ para permanecer como Delegada Regional de Chapecó. Prevaleceu a vontade do Ministério Público, não a do partido. Quer ver outro exemplo, um político de ‘alta plumagem’, veja bem, doutor, esse político me contou que lá no palácio o Colombo conversou com o ‘Grubba’ na sua presença e pediu para que  aproveitasse o Júlio (Teixeira) em algum cargo e o parlamentar ouviu o ‘Grubba’ responder para o governador que não podia fazer isso porque o Júlio tinha ligações com ‘t.’... Então, imagina doutor, ele realmente tem poder para decidir...”.

Interrompi:

- “É muita contrainformação...”.

No final da conversa Alex Passos comentou que conversou comigo uma vez na DPCo/Itapema e que estava torcendo por minha candidatura e que, inclusive, estava me defendendo, chegando a relatar que um Delegado novinho atuando em Chapecó, que era do último concurso vindo do Rio de Janeiro, já estaria fazendo campanha para o “Renatão”.

 

Wilmar Domingues: o mundo que desabou...:

Por volta das dezessete horas e trinta minutos recebi uma ligação do Delegado Wilmar Domingues. Tinha ligado algumas vezes para ele que não atendeu as chamadas, porém, ficou registrado no seu celular... Num primeiro momento Wilmar não sabia de quem se tratava e nossa última conversa tinha sido no ano passado quando o encontrei saindo da “Cassol Center Lar” de Campinas (São José),  cujo local costumávamos frenquentar. Logo de início me identifiquei e ele comentou:

- “Sei, sei, é o Garcez, e daí Garcez, tudo bem?”

Logo corrigi:

- “Que Garcez, Wilmar? É o Genovez...!”

Meu objetivo era sondar Wilmar sobre as eleições da Adepol, saber com quem estava, se já havia se decidido e ele me deu uma notícia nada boa:

- “Ôh rapaz, o mundo desabou sobre mim. Não sei se tu soubesses, estou com um tumor encima do pâncreas. Vou fazer uma cirurgia no final do mês em Campinas, São Paulo, é de alto risco, vamos ver. Mas como eu estava te dizendo o mundo desabou, não sei se tu soubesses, também a minha filha está com câncer..., e assim a minha vida virou de cabeça para baixo, o amigo não imagina o que eu e meus familiares têm passado...”

Depois de ouvir aquelas revelações  fiquei  emudecido, sem saber o que dizer, para onde ir, o que pensar. Aquilo foi como se me jogassem de um arranha-céu e só restou emprestar toda a minha solidariedade, sem nada cogitar sobre projetos institucionais..., com um pressentimento nada bom. Lembrei que tinha encontrado o filho de Wilmar (que também é Delegado) dias antes na Corregedoria da Polícia Civil e senti que ele parecia indiferente, aéreo, distante... e com uma aura nada boa. Abreviei a conversa e só me restou desejar boa sorte para meu velho e dileto amigo. 

Não sei por quê, mas depois de encerrar a ligação lembrei do Delegado Redondo... e que talvez aquele fosse nosso último contato, portanto, nunca mais outra vez..., mas milagres acontecem?