Moacir Pereira comenta:

Data: 08.02.11. Logo cedo pela manhã, já na minha sala de trabalho (CGPC) lembrei da última conversa com o Delegado “Renatão” (Renato Hendges),  Presidente da Adepol (ex-Adpesc) e, a seguir, resolvi transcrever a nota do jornalista Moacir Pereira na sua coluna do dia (Diário Catarinense) que caiu como luva no atual momento procedendo a remessa a toda rede/PC com o título: “Autofagia X Autonomia institucional”:

SEGURANÇA POLITIZADA - Clima de muita intranquilidade e um certo pânico marcando o início da semana para milhares de famílias que residem nas comunidades de Florianópolis próximas à Casa da Agronômica. A inexplicável fuga de 79 presos do recém-inaugurado Centro de Triagem da Trindade provocou uma imediata mobilização das forças policiais. Helicópteros sobrevoando a imensa área de mangue nas imediações da residência do governador, viaturas das Polícias Militar e Civil tentando capturar os fugitivos, intensa movimentação de agentes e a costumeira curiosidade popular. Coisa de filme. Presos invadindo residências, outros entrando pelo mangue, alguns escapando pelas vias e servidões e outros subindo o Morro do Horácio. No Bairro João Paulo, famílias trancando-se em casa. Fugas em presídios e penitenciárias em Santa Catarina estão virando rotina. O Vale do Itajaí, por exemplo, recebeu alguma atenção nos dois mandatos de Luiz Henrique. Mas o ex-governador não conseguiu atender a principal aspiração de Blumenau: mais segurança. Este ano aconteceram várias fugas no presídio que, segundo a OAB local, não tem condições de operar. Na última, há alguns dias, foram nove os fugitivos. O novo comandante da Polícia Militar, coronel Nazareno Marcineiro, prometeu reforçar o policiamento. Anunciou um contingente com 199 homens para cobrirem mais de 40 municípios. Este era o batalhão ideal só para Blumenau. Pior: o número dos policiais que devem passar para a reserva deve ser superior a uma centena. O Oeste também demonstrou sua gratidão a Luiz Henrique, o governador que mais visitou a região. Mas sua gestão deixou um débito terrível: a segurança não funcionou. Era e continua sendo um dos maiores problemas da população. Até dramáticos manifestos foram lançados. Inauguração: Na hora em que os presos fugiam do Centro de Triagem da Trindade junto da Penitenciária Estadual, o secretário de Segurança Pública César Grubba estava reunido com empresários na sede da Associação Comercial e Industrial de Jaraguá do Sul. Tratava da delicada situação da segurança pública. O governador Raimundo Colombo vai hoje a Joinville para o início das comemorações do centenário de fundação da Associação Empresarial. Encontrará três delegacias de polícia fechadas. Por falta de efetivo. Se Colombo quiser perder alguns minutos, devia fazer escala em Itajaí. Vai constatar que o presídio inaugurado às pressas em dezembro de 2010 pelo ex-governador Leonel Pavan está fechado. A inauguração valeu para convocar a banda de música e descerrar a placa. O Centro de Triagem da Trindade, local das fugas de ontem, também é outra obra politiqueira, inaugurada por Pavan, dia 21de dezembro, com o tradicional foguetório. Segundo a OAB-SC, não tinha a menor condição de operar. O advogado João Moacir Corrêa foi profético: 'É um quadradão construído de qualquer jeito'. A OAB catarinense está cansada de apelar para que o comando da segurança pública seja técnico, distante dos partidos políticos. Ronaldo Benedet foi o penúltimo secretário de Segurança Pública. Deputado estadual do PMDB, recebeu um bombardeio de críticas de Blumenau, Joinville, Chapecó. Só o Sul, sua base eleitoral, não se queixava. Maurício Eskudlark, do PSDB, era o Delegado-geral de Polícia. A segurança pode não ir tão bem como a população esperava. Mas Ronaldo Benedet foi eleito deputado federal e Eskudlark está agora na Assembléia”

Delegado Júlio Teixeira:

Por volta das nove horas e vinte minutos liguei para Júlio Teixeira e acertei um encontro para o dia seguinte, pela manhã, para ultimar os preparativos da nossa chapa com vistas às eleições da Adepol. Não quis adiantar nada, mas Júlio relatou que tinha agendado audiência com o governador Colombo, por meio do seu parente Deputado Jorge Teixeira (DEM).

Delegada Sandra Andreatta:

Às quatorze horas liguei para a Delegada Sandra Andreatta e relatei a conversa do dia anterior com o Delegado “Renatão” (sem tecer comentários ao que foi dito sobre a sua pessoa, especialmente, em termos de ofensas...). Sandra Andreatta comentou que estava desconfiada que tinha colegas que não estavam recebendo e-mail e era possível que estivesse havendo algum tipo de boicote ou controle, o que me fez duvidar. Sandra Andreatta ainda pediu que ao invés de mandar correspondências para a rede “PCtodos” (acessível a todos os policiais civis), mandasse somente por meio do “PCDelegados”.

Delegado Adriano Kull Bini:

Por volta das quatorze horas e trinta minutos, liguei para o Delegado Bini (Joinville), nosso membro da cabeça de chapa (indicação do Delegado Dirceu Silveira) e fiz um breve relato a respeito da conversa com o Presidente da Adepol. Bini comentou que o Delegado Diego de Garopaba seria contatado considerando que é um dos “novos” que estaria apoiando o Delegado “Renatão”, já que foi negociada sua participação na chapa da “situação”.

Júlio Teixeira e Nilton Sché Neves em foco:

Data: 09.02.11. Horário: 09:40h. Fui até o ponto de encontro me avistar com o Delegado Júlio Teixeira, naquela mesma livraria localizada na Rua Jerônimo Coelho, na mente muitas coisas para serem tratadas. Logo que cheguei visualizei meu velho amigo no celular, ladeado por seu fiel escudeiro Escrivão Nilton Sché Neves. Aguardei alguns instantes e logo depois passamos a conversar sobre a montagem da nossa chapa. Júlio Teixeira estava formal, parecia que na sequência iria a algum encontro político, trajava terno e com o paletó sob o encosto da cadeira. Nesse cenário,  pude perceber em silêncio que Júlio parecia cênico ao intercalar uma  conversação com alguém, num vaivém tenso com a mão direita que vibrava em direção a sua face e o envolvia em nuvens de fumaças que fluíam do seu cigarro entre seus dedos feito tesoura ao mesmo tempo que alterava vezes e meia o volume da sua voz... Nilton Sché, em traje esportivo, fazia às vezes de analista político e assistia os lances do seu guru. Nesse clima relatei a minha preocupação com as “contra-informações”, em especial, porque havia recebido muita pressão de Delegados “novos” de que seu nome estava desgastado, que nunca fez nada pela instituição, em especial, quando foi Deputado... Fiz um relato sucinto da conversa que tive com o Delegado “Renatão” o que fez Júlio Teixeira e Nilton Sché comentarem que o Presidente da Adepol era do grupo do Deputado Maurício Eskudlark e Ademir Serafim. Depois, acabamos conversando sobre o Delegado Thomé e mencionei que acreditava que estava conosco pois havia recebido uma manifestação de apoio do mesmo. Júlio Teixeira e Nilton Sché comentaram que Thomé era  contra Maurício Eskudlark, razão porque poderia nos apoiar. A seguir conversamos sobre o Delegado Sala e meus companheiros relataram que era amigo de Maurício Eskudlark e Ademir Serafim. A certa altura da conversa Júlio comentou que eu ficasse bem à vontade e que se seu nome estivesse atrapalhando era para substituir por um outro. Argumentei que em certas situações não era pragmático e sim metafísico e que no presente caso essa seria a minha linha de pensamento pois acreditava em sonhos, utopias... Júlio Teixeira aproveitou a deixa e comentou que também era metafísico, dando a entender que naquelas circunstâncias não estava sendo testado ou descartado do nosso projeto, muito pelo contrário, percebeu que eu estava defendendo seu nome e lhe proporcionando uma forma de reverter contra-informações, os maus-juízos sobre a sua pessoa. Júlio Teixeira comentou que no dia anterior esteve com o Secretário Grubba e que ele mandou que escolhesse qualquer cargo de Diretor que exoneraria o atual titular para nomeá-lo, entretanto, rechaçou a proposta feito pelo Titular da Pasta da Segurança Pública sob o argumento que não era isso que queria... Argumentei que em se tratando de qualquer tratativa para cargos as negociações teriam que ser diretamente com o governador Raimundo Colombo. Júlio Teixeira concordou enquanto argumentei que as escolhas do seu nome e da Delegada Mariilsa para compor a chapa, além das ligações de amizade, tinham como motivo abrir portas para negociações com o governo. Cheguei a aventar a hipótese de Júlio Teixeira ser o candidato à presidência na nossa chapa e que deveríamos ver com muita cautela se realmente era o momento de sairmos candidatos ou se seria melhor esperar dois anos pelo desgaste (ou sucesso) do Delegado “Renatão”. Júlio Teixeira achou interessante a reflexão, porém, alegou que essa informação teria que ser muito bem conduzida na reunião dos membros da chapa para não dar  sinais de fraqueza, dúvida, incertezas... Concordei e Nilton Sché comentou que todo o modelo policial civil forjado na “Era Grubba” foi obra de três Delegados: Márcio Fortkamp, Marlus Malinverne e Valério Brito. Sobre o Delegado Marlus o Escrivão Nilton Sché comentou que se tratava de um “op./esp.”  porque era de Lages, jogou futebol com o Governador Raimundo Colombo e era o “assador de chucarrasco”, e agora... Acabei fazendo um relato do encontro que tive com Marlus por volta do ano de 2007 (em frente ao Supermercado Ageloni – Beira Mar Norte – Florianópolis), isso depois que o mesmo havia feito uma cirurgia cardíaca e estava aposentado, tendo desabafado que estava profundamento magoado com os Delegados, sentia-se esquecido, deprimido... Comentei que Marlus estava quase que chorando, criticando os Delegados por terem o abandonado e que nem podia mais ouvir falar em Polícia, estava traumatizado, em pânico... Por último, argumentei que foi uma surpresa muito grande saber que ele havia revertido ao serviço ativo, que estava ocupando cargo comissionado de gerente, parecia a mil, dava as cartas pelos bastidores, formava opinião dentre o pessoal da cúpula..., porém, procurei filtrar tudo o que ouvia.