O “Pulo do Gato”:  

Ainda, sobre o manifesto (pró candidatura) o Delegado Luiz Vanderlei Sala se manifestou na rede se posicionando nitidamente favorável aos projetos defendidos por Renato Hendges. Na manifestação o missivista se posicionou no sentido de que qualquer candidatura contrária aos projetos defendidos pela direção da “Adpesc” naquele momento se constituiria a busca por “vaidades” e que meu objetivo seria ser eleito e “legislar em causa própria”, que não tinha perfil... Mas, afinal, será que alguém dentre nossos pares teria feito ‘a cabeça’ do Delegado Sala (com quem trabalhei no sistema prisional entre 1995-1997...), poderiam ter sido Lúcia Stefanovich, Lourival Mattos, Thomé...?. Aliás, noutras manifestações o Delegado Sala havia insinuado de forma reiterada que no meu caso estaria preparando um “pulo”, tipo do gato, para algum projeto pessoal..., o que me fez apresentar uma resposta reservada:

Manifestação dirigida ao Dr. Sala:

“Caro Delegado, Li suas manifestações na rede e quero fazer algumas considerações: 1. De início, conheço o nosso Presidente Renato desde a época que o mesmo foi Comissário de Polícia na cidade de Blumenau e eu respondia pela 3a DP daquela cidade (1985), com quem sempre tive uma boa amizade e respeito; 2. "Vaidades": nesses trinta e quatro anos de atividade policial civil (desde 1977), ocupei cargos comissionados apenas nos governos Pedro Ivo Campos (Procurador depois transformado em Assistente Jurídico/DGPC) e Vilson Kleinubimg. Desejo esclarecer que o governador Pedro Ivo antes mesmo de ser eleito havia me oferecido o cargo de Delegado-Geral (por meio do Secretário da Casa Civil Saulo Vieira) e eu rejeitei a proposta optando por me candidatar a Deputado Federal Constituinte (1986) pelo PFL já que o PMDB estava congestionado de candidatos. Não me elegi e mesmo estando filiado a outro partido me foi ofertado qualquer cargo na Polícia Civil (exceto o de Delegado-Geral que por ironia do destino acabou sendo indicado por mim ao SSP: Delegado Antonio Abelardo Bado), tendo optado pelo extinto cargo de Procurador Policial pois era onde poderia construir meu projeto de criação do que hoje é o Sintrasp e as associações regionais, inclusive a de Araranguá (época do Delegado Veraldo), quando foi construída a sede social com nossa ajuda financeira, além de poder apresentar alguns projetos importantes. Depois, no governo Kleinubimg, novamente, poderia ter escolhido até o cargo de Delegado-Geral, já que estava filiado no "PFL", mas optei em ficar apenas na "Assistência Jurídica" entendendo que seria mais útil nessa posição para atuar em projetos institucionais. No governo Raimundo Colombo, por meio de um Deputado Federal eleito, estive no Diretório do "DEM" na Capital para tratar de "interesses políticos institucionais", e ao invés de pleitear uma função na Secretaria de Segurança (qualquer indicação) fui enfático em afirmar que não "almejava" cargo, e que apenas se pudesse pretendia trabalhar em algum projeto para a nossa instituição, sendo que para tanto necessitava de apoio, o que percebi logo em seguida que seria inviável face a engenharia que estava sendo ativada na Segurança Pública (MP/PM), razão porque optei em me recolher a função em que me encontro atualmente (Corregedor). 3. "Legislar em causa própria"? (1):  sim, fiz muito isso, quando apresentei o projeto de criação do nosso primeiro Fundo da SPP/Polícia Civil no governo Pedro Ivo (aprovado), certamente que estava legislado em causa própria, leia-se: da nossa Polícia Civil. Quando apresentei o projeto para alterar a estrutura jurídica da carreira de Delegado de Polícia (por entrâncias), a fim de acabar com os Delegados Calças-Curtas (PMs) nas Delegacias de comarcas e municipais (o que era uma vergonha para nós...), além de propiciar um sistema racional na distribuição dos Delegados (concursos de remoção horizontal e vertical), certamente que mais uma vez legislei em causa própria, mas para dignificar nossa classe e a Polícia Civil. Mais ainda, quando apresentei outros projetos como a ‘vintenária’ e o  ‘adicional permanência’, contava ainda com dezesseis anos de Polícia, e muito distante dos vinte anos e dos trinta necessários à percepção dessas vantagens, portanto, também legislei em causa própria, ou seja, a favor da nossa instituição, agindo assim para que todos os policiais que tivessem direito pudessem auferir o benefício imediatamente (evidentemente que no futuro eu também). Legislei também em causa própria (junto com Alberto Freitas, Presidente da Adepol, Aberlardo Bado, Delegado-Geral) quando defendemos isonomia com o Ministério Público e tivemos êxito (Lei 7.720/89). O mesmo ocorrendo na constituinte estadual de 1989 quando atuei intensivamente com os Deputados para que pudesse assegurar conquistas institucionais como garantir os serviços de trânsito, a polícia científica, o escalonamento vertical, jogos e diversões, produtos controlados, o cargo de Delegado-Geral ser escolhido dentre os finais de carreira e a isonomia com os Procuradores (art. 196), tudo isso legislando em causa da Polícia Civil, além de outros projetos que nem vale a pena aqui elencar (reclassificação de carreiras, legislação/decreto que regula jogos e diversões no Estado e etc.).  4. "Legislar em causa própria" (2):  no ano de 1993 consegui aprovar um outro projeto que foi a "Lei de Promoções" da Polícia Civil (LC 98/93), acabando com o sistema de progressão funcional por decisão meramente política (não havia critérios no merecimento e o Secretário e o Delegado-Geral decidiam a quatro paredes quem seriam os promovidos). Nessa época eu era Delegado de Quarta Entrância e as primeiras promoções para Delegado Especial ocorreram no ano seguinte (início de 1994), sendo que havia cerca de 10 (dez) vagas (cinco na antiguidade e cinco no merecimento) e as promoções passaram a ter que serem requeridas. Os Delegados desconheciam a nova legislação (não leram) e não requereram a promoção (somente os Delegados Braga e mais uns outros poucos) que tiveram conhecimento das alterações e requereram a promoção dentro do prazo (nos primeiros dez dias do mês de janeiro/1994), restando várias vagas a serem preenchidas e que ficaram para o ano seguinte. Naquele momento tinha conhecimento disso pois atuei no projeto e se quisesse poderia também ter me inscrito que certamente seria promovido para Especial naquele certame. Não o fiz, justamente para que ninguém dissesse que eu tinha me aproveitado da situação e as vagas não foram preenchidas. Somente fui promovido para o final da carreira no ano de 1997, ou seja, quatro anos depois da vigência da lei. Sempre defendi que aquela legislação deveria ser aperfeiçoada, como de fato ocorreu. 5.  "Perfil": além do que fiz no atual ‘Sintrasp’ (antigamente os policiais civis eram como os Agentes Prisionais: desorganizados, sem liderança...) cada um tem a sua impressão, forma os seus julgamentos, desenvolve idiossincrasias (uma unanimidade pode não ser o caminho...). Hoje contando com trinta e cinco anos de serviço público reconheço que já está chegando a hora de partir (não pretendo sair na compulsória e, tampouco, ir ficando... com todo respeito a nossos colegas: vamos dar vez aos novos). Ocorre que em razão do trabalho que desenvolvi (e ainda desenvolvo) muitos me pressionaram a sair candidato, razão porque tomei essa ‘pré decisão’, até para que possamos ofertar uma segunda opção e dar legitimidade àquele que for vitorioso. 6. É verdade que nessa minha caminhada sofri muitas retaliações de autoridades e colegas: p.ex., o ex-Deputado Heitor Sché na época que foi Secretário de Segurança não aceitava oposição e como fui seu oponente na luta classista acabei sofrendo perseguições não só dele, mas de vários colegas que estavam no poder (apresentei mais de duzentas emendas ao projeto do estatuto da polícia civil quando estava em tramitação na Alesc/1985/1986, combati o sistema de promoções que era por critério político...), o ex-Deputado e Cel Sidney Pacheco - na época secretário de segurança - não me perdoou por ter sido responsável pelo fim dos delegados ‘calças-curtas’, muitos deles seus cabos eleitorais, como foi o caso do Sargento Mantelli, Delegado de Pouso Redondo (também os PMs que respondiam pelas Delegacias de Urubici, Trombudo Central, dentre outras) que teve que ser exonerado após a vigência da LC 55/92 que criou o sistema de entrâncias. O Cel. Pacheco ordenou minha exoneração e remoção para o oeste, o que não logrou êxito porque consegui me segurar politicamente. Também, tive problemas com o Delegado Lourival Mattos quando reivindiquei alteração da escala de plantão de vinte e quatro horas por quarenta e oito para vinte e quatro por setenta e duas (ele foi o único que não cumpriu a circular do Delegado-Geral o que gerou uma notificação judicial e em razão disso ressentimentos, mas não quis prosseguir com a demanda na Justiça...).  Mais, ainda, Lourival não aceitava que eu tivesse tanta força dentro da Delegacia-Geral e junto ao PMDB, sendo filiado a outro partido político e passou a apregoar que eu estava querendo ser candidato novamente a deputado. Cheguei a ser desafiado a retornar para o PMDB (não aceitei porque seria para garantiar a minha permanência em cargo comissionado...). De carona, Lúcia Stefanovich, até 1990 era Delegada da 6a DP (foi trazida pelo Secretário Álvaro Pille para ser a primeira mulher Chefe de Polícia) acabou se aliando politicamente a Lourival Mattos, entretanto, quando Vilson Kleinubimg ganhou o governo não me perdoaram por continuar prestigiado, inclusive, porque respaldei o nome de Jorge Xavier para o cargo de Delegado-Geral (até então compadre de Lúcia). A partir daí todos os projetos que fiz não eram bons, vigendo a máxima: quanto pior melhor. O resto você sabe, quando Paulo Afonso ganhou o governo eu acabei tendo que ir para o Sistema Prisional, em razão de retaliações na SSP...   7. Sempre defendi nossa instituição e - se possível e necessário - continuarei o fazendo, com amor e trabalho, sem ódio no coração ou desejando mal a alguém, muito menos a algum colega, o resto faz parte da história, e como escreveu K. Marx: "tudo que é sólido vira poeira no ar", e nós um dia também.  8. Sobre minha candidatura à Adpesc (Adepol), confesso que isso não estava nos meus planos e tenho resistido muito apesar da pressão que tenho recebido... prometi pensar e ainda não decidi nada. Farei o que for melhor para nossa instituição.   Att.

Dr. Sala respondeu:

LUIZ VANDERLEI SALA: Caro colega, Li e reli sua mensagem e após voltei a ler e reler a minha mensagem para verificar qual razão de tamanha e bela explicação e com certeza, não haveria necessidade de sua extensão, mesmo porque sei de seus atributos e também sei o quão útil foi sua participação em todos os nossos problemas. O caminho foi aberto e hoje, nós temos alguém nos representando e esse alguém se chama RENATO, vamos lhe dar o crédito e aguardar os acontecimentos. Nomes de colegas, democraticamente irão surgir, mas entendi e entendo que não é hora. Assim, doutor Felipe, tudo que escrevi contínuo repetindo, sem citar nomes e querer direcionar a este ou aquele. Recebi algumas mensagens pessoais de outros colegas, me pedindo apoio e a mesma mensagem que recebestes eles também receberam(um desses posso citar: Ricardo Thomé, meu amigo particular), mas nem por isso, deixei de manter o meu apoio ao delegado RENATO. Agora, a partir do momento, que eu entender diferente e que o presidente atual deixar de cumprir com sua missão, certamente mudarei minha posição. Quanto a questão de vaidade pessoal, legislar em causa própria e pensar em sí próprio, sabemos e estamos fartos destes que entendem que a polícia civil parece ser compostas somente de delegados e esquecem das demais categorias. Um forte abraço.