BASEADO NO PARADOXO DE ZENÃO.

 

DEDUÇÃO DA EXISTÊNCIA DE DEUS.

 

RESUMO DA REFUTAÇÃO DO MECANICISMO.

 

A ideia principal da refutação do mecanicismo é demonstrar que o Movimento não é constante no Universo e, portanto não é necessário a ele, pois se o Movimento fosse necessário ao Universo o Universo não poderia existir por nenhum momento sem ele.

 

REFUTAÇÃO DO MECANICISMO.

 

A INCONSTÂNCIA DO MOVIMENTO NO UNIVERSO.

 

Para que um movimento fosse constante no tempo seria preciso que infinitos intervalos de tempo chegassem ao fim, pois antes que um tempo finito chegasse ao fim ele teria que chegar a metade do intervalo, depois a um quarto do intervalo, depois a um oitavo do intervalo e assim infinitamente. Porem o infinito não tem fim e por isso nenhum movimento pode ser constante no tempo. (Observação: O movimento na sua forma mais simples é imediato no tempo ou sem duração).

 

O MOVIMENTO É DESNECESSÁRIO AO UNIVERSO.

 

Como nenhum movimento pode ser constante no tempo há uma sucessão de repouso e movimento no universo de forma que o movimento não é necessário ao universo, pois se fosse o universo não poderia existir sem ele e, portanto não haveria momentos de repouso no universo.

 

REFUTAÇÃO DO MECANICISMO E AFIRMAÇÃO DA VOLUNTARIEDADE.

 

Como o movimento não é necessário ao universo, ele não tem uma tendência há existir, mas poderia nunca ocorrer. Portanto não existe uma predestinação inevitável para os fatos, mas diversas possibilidades para o movimento. Diante de diversas possibilidades para o movimento e nenhuma tendência para sua existência é necessário que ele seja gerado voluntariamente ou ele jamais ocorreria. Por isso todo acontecimento é voluntário.

 

RESUMO DA EXISTÊNCIA DE UM ÚNICO DEUS.

 

A ideia principal da existência de um único Deus é demonstrar que o movimento não é possível através do espaço, restando apenas aquilo que ocupa o espaço para ser mutável. Portanto é o espaço que muda de conteúdo e não o conteúdo que muda de espaço. Sendo assim a causalidade vem do universal e não do particular, pois se viesse do particular as partes mais simples seriam as mais fundamentais para o Movimento, porém elas é que são transformadas pelo espaço.

 

A EXISTÊNCIA DE UM ÚNICO DEUS.

 

É IMPOSSÍVEL MUDAR DE POSIÇÃO NO ESPAÇO.

 

Não poderia existir um menor deslocamento possível, pois toda distância possui frações, logo toda distância tem que possuir posições intermediárias e quaisquer posições intermediárias tem que possuir outras entre elas. De forma que a quantidade de posições entre a posição inicial e final de um movimento é infinita. Isso vale para o movimento de trajetória contínua, onde o móvel precisaria passar pelas infinitas posições que existem da posição inicial à posição final de um movimento. Também vale para o movimento de trajetória descontinua, onde o móvel precisaria percorrer uma trajetória pontilhada sem passar pelas infinitas posições intermediárias para chegar a uma posição infinitamente sucessora da inicial (Observação: uma posição não precisa ser ocupada por um móvel para existir, pois ela existe antes e depois de ser ocupada). Se entre duas posições existissem infinitas outras, então da posição inicial a posição final haveria uma sucessão infinita de posições, logo a posição final seria a última de uma sucessão infinita (infinito ordinal), ou seja, ela estaria no fim do infinito, mas como o infinito não tem fim é impossível mudar de posição no espaço, seja numa trajetória contínua ou descontínua. (Observação: Entre duas posições só haverá infinitas outras se houver mudança de posição no espaço, pois do contrário só existirão as posições das próprias coisas imóveis, que não possuirão posições intermediarias entre elas e suas vizinhas).

 

A INVERSÃO DA COMPREENSÃO DO MOVIMENTO.

 

Como nada muda de posição no espaço o que resta para ser mutável é o que está nele, ou seja, o seu conteúdo. Portanto não são as partes que transformam o espaço, mas o espaço que transforma as partes, pois não é o conteúdo que muda de espaço, mas o espaço que muda de conteúdo. Isso significa que a causalidade não vem das partes, mas do todo, pois se a causalidade viesse das partes, quanto mais simples fosse uma partícula mais fundamental ela seria para o Movimento, mais o Movimento não vem das partes, pois elas é que são transformadas pelo espaço, logo a causalidade é decrescente (que vem do universal para o particular) existindo um controle universal ou um ser que governa todas as coisas.

 

ESCLARECENDO MAIS.

 

Na parte do texto sobre a inversão da compreensão do movimento, o que eu pretendo demonstrar é que no movimento não são as coisas que mudam de lugar no espaço conservando o seu conteúdo, mas o movimento é exatamente a mudança de conteúdo do espaço. Portanto o movimento através do espaço é uma ilusão, pois na verdade não são as coisas que mudam de lugar no espaço, mas é o espaço que desfaz e refaz as coisas através da mudança de seu conteúdo. Ele desfaz algo num lugar e refaz em outro parecendo assim que é a coisa que está mudando de lugar. Funciona como uma animação ou a projeção de um filme onde não há ligação total entre as imagens, mas mesmo assim elas parecem formar uma trajetória contínua.

 

CONCLUSÃO.

 

Eu não quero afirmar que o espaço seja Deus, pois se o espaço for parte de algo mais abrangente, ele será submisso a essa coisa. Porque mesmo que haja uma hierarquia infinita no Universo, o domínio vem do universal, Pois se o domínio viesse do particular, quanto mais simples fosse uma partícula mais fundamental ela seria para o Movimento, mas como vimos no texto sobre a inversão da compreensão do movimento isso não é verdade, pois o Movimento não vem das partes, mas elas é que são transformadas pelo espaço. Isso significa que o domínio vem do universal, ou seja, existe um Deus que controla todas as coisas.

 

COMENTÁRIO.

 

A conclusão acima diz que existe um Deus que controla todas as coisas. Para controlar todas as coisas é preciso conhecer todas as coisas e para conhecer todas as coisas é preciso estar em toda parte, logo Deus é onipotente, oniciente e onipresente.

 

O PRINCÍPIO DA CRIAÇÃO.

 

PREMISSA UM: O MOVIMENTO TEVE UMA ORIGEM.

 

Se o Movimento sempre tivesse existido, então a série de movimentos anteriores a qualquer momento no tempo seria infinita, ou seja, para chegar a um momento qualquer no tempo seria preciso chegar ao fim de uma série infinita de movimentos. O que gera um paradoxo, pois o infinito não tem fim e por tanto o movimento teve uma origem.

 

PREMISSA DOIS: A EXISTÊNCIA NÃO TEVE PRINCÍPIO.

 

Para que a Existência pudesse surgir seria preciso que antes dela houvesse possibilidades. O que é um paradoxo, pois nada pode preceder a Existência, logo a Existência não teve princípio. (Observação: Se algo ocorre é porque é possível, logo se algo surge do nada, surgir do nada é possível e se surgir do nada é possível, então há possibilidades no nada e se há possibilidades no nada, no nada há alguma coisa. O que é um paradoxo, pois o nada não existe).

 

SILOGISMO: REFUTAÇÃO DO MECANICISMO.

 

Se o Movimento fosse necessário à Existência, então não poderia haver Existência sem Movimento e como a Existência não teve princípio o Movimento também não teria, mas como o Movimento teve uma origem ele não é necessário à Existência ou não acontece por necessidade, mas poderia não existir. Portanto não existe uma predestinação inevitável para os fatos, mas diversas possibilidades para o movimento. Diante de diversas possibilidades para o movimento e nenhuma tendência para sua existência, é necessário que ele seja gerado voluntariamente ou ele jamais ocorreria.

 

CONCLUSÃO.

 

Como vimos o movimento teve uma origem e isso significa que houve um principio para a Criação, pois nada surge sem movimento. Por outro lado a existência não teve um princípio e isso significa que a Criação não veio do nada, mas teve causa. Vimos também que o movimento no universo não ocorre por necessidade, mas que ele é gerado voluntariamente o que significa que a Criação tem um propósito.

 

COMENTÁRIO.

 

Na premissa um do texto sobre o principio da Criação foi demonstrado que o Movimento teve uma origem. Antes de haver Movimento o passar do tempo não poderia existir, pois o próprio passar do tempo é um movimento, logo antes do Movimento não havia decorrer de tempo e por isso não havia passado, mas apenas um presente sem origem ou um tempo primeiro. Portanto não faz sentido perguntar por que Deus não fez o mundo antes.

 

CONCLUSÃO FINAL.

 

                Como vimos às coisas não mudam de posição no espaço, mas são destruídas e recriadas em posições diferentes, permanecendo apenas a identidade delas, mas no Movimento até a identidade das coisas mutáveis pode deixar de existir. Vimos também que tudo que acontece tem como causa uma vontade. Por isso para que Deus criasse um ser diferente dele mesmo, ele teria que criar um ser dotado de uma vontade independente da sua ou ele não estaria criando um ser diferente dele mesmo, mas apenas manipulando um ser que seria sua extensão. Quando eu afirmo que tudo que acontece tem como causa uma vontade, seja a vontade de Deus ou das suas criaturas. Eu não quero afirmar com isso que a Criação não tenha leis, mas apenas afirmar que essas leis foram criadas e não são necessárias e imutáveis, pois todas as leis da Criação são regidas pela vontade soberana de Deus.

 

Observação: Eu não discordo que possa haver algo infinito. Inclusive creio que o Universo é infinito, mas discordo que o infinito possa ser atingido.

           

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