DE FOME EU NÃO MORRO!

Depois de uma manhã de muito trabalho no roçado, capinando, arrancando toco, brocando, encoivarando, e já exaustos, cansados, com uma fome que o bucho estava quase grudado nas costas. Os cinco trabalhadores resolvem buscar pra barriga e chegam de mansinho, desconfiados no alpendre da casa grande da fazenda.
O sol alto, já era pingo do meio dia e nada de oferecerem um agradinho. Quem sabe um café, fubá, rapadura, queijo, farinha, sei lá qualquer coisa, pois nem água parecia que tinha naquele lugar, já que nada saía.
O patrão deitado no alpendre, roncando, sinalizava que pro seu lado as coisas estavam bem.
E o pior é que não acontecia nada que pudesse dar esperança de que o rango estava pra sair. 
Um batido de tampa de panela, o cheirinho de carne assada, pratos batendo, tintilar de colher, movimento na cozinha, nada! Era um breu só.
Os homens se entreolhavam, e o único som mais latente além do ressonar do patrão, era o roncar das tripas dos seus estômagos.
De repente aparece na porta a patroa e pergunta:
- Vocês querem assistir televisão?
Eis que de pronto um deles responde:
- Minha Senhora! EU COMO É TUDO!

Professor Júnior Silva