• CULTURA E HERANÇA BIOLÓGICA[1]

  • AS CARACTERÍSTICAS HUMANAS NA PERSPETIVA BIOLÓGICA

Já dissemos que o homem é o único no que respeita ao desenvolvimento de formas extrabiológicas de atuação, e que é o único animal que criou e manteve sistemas de cultura.

Na perspetiva biológica compreende-se ao que uma criança acaba de conceber faz ou desenvolve, somente com base nos elementos que recebe dos pais, por intermédio da herança genética dita “biológica”: características físicas: musculatura, forma do rosto, olhos, boca, altura, tonalidade de cor da pele, cabelo, entre muitos outros.

Estes elementos, segundo Titiev, 2009[2], refere-se a todos ingredientes químicos e físicos que permitem que uma criança viva, cresça e finalmente reproduza a sua espécie. Inclui também todas as substâncias originárias, no seu ambiente e disposição próprias, que completam a imperfeita estrutura anatómica da criança, todo seu sistema cérebro-neuro-muscular, e todo o conjunto dos seus órgãos fisiológicos, assim como a maneira como estes órgãos trabalham e interatuam.

Todos os núcleos destes componentes corpóreos, ou somáticos, são recebidos por cada futura criança no momento exacto da concepção (e não em qualquer outra altura), diretamente como consequência das relações sexuais entre o homem e a mulher que vão ser os seus pais.

Titiev, 2009, sustenta que “quando uma criança recém nascida, ou neonata, emerge do útero da sua mãe não tem recursos próprios para lutar pela vida, a não ser aquilo que provém dos ingredientes nucleares que herdou”, p.10.

São fatores biológicos hereditários que determinam quais os elementos que um embrião em vias de desenvolvimento extrairá do seu ambiente interuterino e como é que o fará. Os fatores biológicos hereditários também delimitam, logo no início da vida pós-natal, quais as interações que um bebé irá estabelecer com o seu novo ambiente exterior.

  • O CARÁCTER DISTINTIVO DO COMPORTAMENTO CULTURAL[3]

Para compreender o comportamento cultural do homem, devem-se conhecer as fases pelas quais a humanidade se transformou, do antropoide dominado pelo instinto humano adaptável culturalmente. Desde o tempo das origens primitivas da cultura, todo desenvolvimento humano foi biológico e cultural[4].

Em concordância com as proposições acima, deve-se reconhecer que o estudo do passado cultural do homem requer, para a sua mais fácil compreensão, que se conheçam as diversas fases adaptativas homem-meio.

O comportamento cultural do homem acha-se intimamente associado a sua evolução psicobiológica, o que lhe permitiu conquistas, cada vez mais aperfeiçoadas e complexas, no mundo cultural[5].

O homem se torna, então um ser cultural, capaz de produzir, ou seja, capaz de criar e acumular experiências e principalmente de transmiti-las socialmente. Desenvolve padrões de comportamento grupal, hábitos e costumes diferentes, sempre renovados, que foram de fundamental importância para a sua sobrevivência.

O comportamento psicobiológico do homem desenvolveu-se paralelamente ao componente cultural e, para melhor compreensão desse complexo, é necessário levar em conta alguns aspetos: o tempo, espaço geográfico e especialmente as manifestações culturais (indústrias, economias). É desta última que propusemos desenvolver.

  • As manifestações culturais

Nesta destacamos a presença de material lítico (pedra) manufaturado e associada a formas fósseis. Assim, o homem se desenvolveu culturalmente da seguinte maneira:

  1. Bipedismo (posição ereta);
  2. Liberação das mãos;
  3. Modificação funcional dos dentes;
  4. Humanização da face;
  5. Aumento progressivo do volume craniano.

Todos os animais reagem a forças da química, da física e da biologia; mas a humanidade tem além disso a responsabilidade adicional de reagir às forças culturais. Isto remete-nos a duas divisões de comportamentos:

1º Aquelas que são originárias do domínio e/ou herança biológica;

2º Aquelas que são de origem cultural.

Nesta base há três possíveis comportamentos/estímulos e reações nomeadamente:

  1. Estímulo e reações se inscrevem dentro do domínio dos fatores biológicos hereditários.

Exemplo[6]: Uma comichão que se desenvolve no corpo e que é aliviada ao coçarmo-nos com as unhas. Mesmo aqui o comportamento cultural, desempenha um papel importante, embora secundário, ao estipular as condições em que é próprio ou impróprio coçar-se.

  1. Estímulo para a ação pode ser originado pelo comportamento cultural, mas que pode induzir também a uma reação biológica.

Exemplo: Os horários alimentares: alimentar-se é consequência de um hábito biológico que é a fome. Mas a hora para comer, são geralmente determinados por comportamentos culturais de cada um.

Como é o caso das diferenças entre as formas de levar os alimentos à boca de uma rapariga coreana e uma Angolana. A coreana usa pauzinhos e a Angolana utiliza uma colher. Neste caso são visíveis os comportamentos culturais do que a biológica.

  1. Alguns estímulos surgem na biologia do homem, mas expressam-se sob formas culturalmente determinadas.

Exemplo: Uma pessoa pode sentir-se sexualmente desejosa, como consequência de atividades biológicas desenvolvidas no interior do seu corpo, mas pode suprimir esses desejos através de valores culturais (comportamento cultural). Outro caso distintivo do comportamento cultural é o seguinte: Um homem que pretende casar com uma rapariga, por consequência das suas necessidades biológicas, eles terão que cumprir com os seus hábitos cultural.

Portanto, sobre esta temático carácter distintivo do comportamento cultural, afirma-se que, “ a mais singular característica do ser humano é a sua capacidade para partilhar da experiência acumulada e transmitida pelos seus semelhantes. Esta deve, portanto, ser considerada a mais importante forma de adaptação do homem” (Brace,1970, p. 67 apud Marconi & Presotto, 2009, p. 77).

 

NOTA IMPORTANTE!

(O CARÁCTER DISTINTIVO DO COMPORTAMENTO CULTURAL)

As atitudes, condutas e comportamentos fazem parte intrínseca do complexo cultural e são ditados pelas normas e padrões adotados pelo grupo, como saudáveis ao desenvolvimento sociocultural. Todas as culturas estão sujeitas a mudanças, mas os padrões de comportamento, tanto individual quanto grupal, conservam-se mais ou menos estáveis.  

Portanto, são três entidades indispensáveis que cooperam na mudança comportamental, cultural do individuo: homem, sociedade, e cultura desenvolvendo-se adaptáveis no ambiente geográfico próprio.

O individuo, como membro da sociedade, tem um comportamento modelado em função de suas potencialidades hereditárias e das normas e padrões da sua cultura[7]. Participa desde o nascimento, de um sistema social, sendo herdeiro de uma tradição cultural mantida pelos seus antepassados e transmitida de geração em geração.

A partir do nascimento, a criança é submetida a um processo contínuo de aprendizagem, que se prolonga por toda a vida, com fases de maior ou menor apreensão.

Segundo (Hoebel e Frost, 1981)[8] “ Quando as crianças em crescimento ajustarem seu comportamento aos padrões de sua cultura, quando seus valores pertinentes, crenças e modos de agir se tornarem parte normal de seu pensamento e comportamento, terão interiorizado sua cultura e se tornado totalmente enculturadas. Suas personalidades amadureceram”.

  • A personalidade “EU

O termo personalidade implica tantos significados de acordo o campo de estudo. Assim, para o cientista social, todo o indivíduo socializado tem personalidade, entendida como os modos mais ou menos organizados de comportamento, tanto manifestos quanto cultos, que caracterizam um dado indivíduo.

Do ponto de vista mais generalizado, pode ser vista como o produto da inter-relação das potencialidades genéticas (hereditárias, inatas) do indivíduo, dinamizadas em função dos estímulos da educação (meio social) e das excitações do ambiente (meio físico).

Existem três componentes básicos da estrutura da personalidade[9], ou seja, do eu, a descrever:

  1. Biológico
  2. Sociocultural
  3. Ambiental
  • CULTURA E POVO: ALGUNS CONCEITOS BÁSICOS

 

Sem a cultura, tanto a sociedade quanto os seus membros não poderiam inter-relacionar-se funcionalmente. A cultura é a própria maneira de viver de uma sociedade”.

                                                                 (Marconi & Presotto, 2009)

 

2.1- Conceitos básicos: Cultura e povo em Antropologia

2.1.1- Cultura

O termo cultura (colere, cultivar ou instruir; cultus, cultivo, instrução) não se restringe ao campo da antropologia. Várias áreas do saber humano- agronomia, biologia, artes, literatura, história etc.

As vezes a palavra cultura é empregada para indicar o desenvolvimento do indivíduo por meio da educação, da instrução.

Quem é uma pessoa culta e inculta?

Nesse caso, uma pessoa “culta” seria aquela que adquiriu domínio no campo intelectual ou artístico. Seria “inculta” a que não obteve instrução.

Os antropólogos não empregam os termos culto ou inculto, de uso popular, nem fazem juízo de valor sobre esta ou aquela cultura, pois não consideram uma superior à outra. Elas apenas são diferentes em nível tecnológico ou integração de elementos. Todas as sociedades (rurais ou urbanas, simples ou complexas) possuem cultura. Não há indivíduo humano desprovido de cultura exceto o recém-nascido[10].

  • Conceituação

O primeiro a formular um conceito de cultura foi Edward B. Tylor (1871)[11], ele propôs:

Cultura é aquele todo complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos outros hábitos e aptidões adquiridos pelo homem como membro da sociedade (apud Marconi & Presotto, 2009, p. 22).

Segundo Ralph Linton (1936),

A cultura consiste na soma total de ideias, reações emocionais condicionadas a padrões de comportamento habitual que seus membros adquiriram por meio da instrução ou imitação e de que todos, em maior ou menor grau, participam. Este conceito leva-nos a aferir o seguinte significado: herança social total da humanidade (Ibid. Ibidem).

Franz Boas (1938) define como,

A totalidade das reações e atividades mentais e físicas que caracterizam o comportamento dos indivíduos que compõem um grupo social (Ibid. Ibidem).

Para Beals e Hoijer (1953) a cultura é,

Uma abstração do comportamento e não deve ser confundida com os atos do comportamento ou com os artefactos materiais, tais como ferramentas, recipientes, obras de arte e demais instrumentos que o homem fabrica e utiliza (Ibid. Ibidem).

Estes conceitos divergentes, ao longo do tempo, permitem apreender a cultura como um todo, sob vários enfoques. Pode ser analisada ao mesmo tempo, sob vários enfoques: Ideias (conhecimento e filosofia); Crenças (religião e superstição); valores (ideologia e moral); normas (costumes e leis); atitudes (preconceito e respeito ao próximo); padrões de conduta (monogamia, tabu); abstração do comportamento (símbolos e compromissos); instituições (família e sistemas econômicos); técnicas (artes e habilidades); e artefactos (machado de pedra, telefone).

Exemplo

A cruz, por exemplo, pode ser vista sob essas diferentes ideias[12]:

  1. Ideia: quando se formula a sua imagem na mente;
  2. Abstração do comportamento: quando ela representa, na mente, um símbolo dos cristãos;
  3. Comportamento apreendido: quando os católicos fazem o sinal da cruz;
  4. Coisa extra-somática: quando é vista por si mesma, independentemente da ação, tanto material quanto imaterial;
  5. Mecanismo de controlo: quando a Igreja a utiliza para afastar o demônio ou para obter a reverência dos fiéis.

 

  • Localização da cultura

As coisas e os acontecimentos que constituem a cultura, segundo White, localizam-se no espaço e no tempo, e são classificadas em:

  1. Intraorgânica: dentro de organismos humanos (conceitos, crenças, emoções, atitudes);
  2. Interorgânica: dentro dos processos de interação social entre os seres humanos;
  3. Extraorgânicos: dentro de objetos materiais (machados, fábricas, ferrovias, vasos de cerâmica) situados fora de organismos humanos, mas dentro dos padrões de interação social entre eles.

Qualquer elemento, seja ela, conceito, crença, ato, objeto, deve ser considerado um elemento da cultura, desde que:

  1. Haja simbolização (representação por meio de símbolos);
  2. Seja analisado em um contexto extra-somática.
  • Essência da cultura

A essência da cultura, para os antropólogos, de forma geral, consiste, em:

  • Ideias;
  • Abstrações;

 

  • Classificação da Cultura

A cultura pode ser classificada de diversas maneiras: material ou imaterial (não material, espiritual), real ou ideal.

  1. Cultura Material (ergologia)[13]: Consiste em coisas materiais, bens tangíveis, incluindo instrumentos, artefactos e outros objetos materiais, fruto da criação humana e resultante de determinada tecnologia.
  2. Cultura Imaterial (Aspetos Animológicos): Refere-se a elementos intangíveis da cultura, que não têm substância material. Entre eles destacam-se as crenças, conhecimentos, aptidões, hábitos, significados, normas, valores, etc.
  3. Cultura Real: Consiste naquela em que, concretamente, todos os membros de uma sociedade praticam ou pensam em suas atividades cotidianas.
  4. Cultura Ideal (Normativa): Consiste em um conjunto de comportamentos que, embora expressos verbalmente como bons, perfeitos, para o grupo, nem sempre são frequentemente praticados.
  • Aculturação

A aculturação é a fusão de duas culturas diferentes que, entrando em contato contínuo, originam mudanças nos padrões da cultura de ambos os grupos. Isto implica:

  1. Assimilação: É a fase da aculturação, seria o processo mediante o qual os grupos que vivem em território comum, embora procedentes de lugares diversos, alcançam uma solidariedade cultural.
  2. Sincretismo: Em religião, seria a fusão de dois elementos culturais análogos (crenças e práticas), de culturas distintas ou não.
  3. Transculturação: Consiste na troca de elementos culturais entre sociedades diferentes.

 

2.1.2- Povo

  • História

Do ponto de vista histórico, o termo "povo" (do latim populus) teve acepções bem diferentes. Para os gregos e romanos, o povo que tinha a capacidade de decidir sobre os assuntos do estado era composto apenas pelos cidadãos com disponibilidade de tempo e recursos para isso.

Na Bíblia, o "povo de Deus" referia-se aos hebreus e, a partir do Concílio Ecuménico Vaticano II, passou igualmente a referir-se aos seguidores da Igreja Cristã.

Na Idade Média, o povo era o "terceiro estado", ou seja, a plebe e/ou plebeus, sem direitos de cidadão, e ficou com esse "estado" até aos nossos dias, considerado como a massa de cidadãos sem capacidade psicológica para participar na gestão do estado.

Mais tarde, com os Descobrimentos e a colonização, quando se "descobriram" e submeteram outros povos, inventaram-se os "povos naturais", "povos primitivos" ou "povos indígenas" que, na segunda metade do século XX, passaram a ser designados por etnias.

  • Conceituações

Povo é, usualmente, concebido como um conjunto de indivíduos que, num dado momento histórico, constitui uma nação. Se, por vezes, esta coincide com a totalidade de um território a ela associada, como normalmente acontece, é também o conjunto dos cidadãos de um país, ou seja, as pessoas que, mesmo que constituindo-se de diferentes etnias, estão vinculadas a um determinado regime jurídico, a um Estado. Na linguagem vulgar, a palavra "povo" pode referir-se à população de uma cidade ou região, a uma comunidade ou a uma família; também é utilizada para designar uma povoação, geralmente pequena.

Finalmente, é o conjunto de pessoas conscientizadas de seus direitos e responsabilidades, integradas em seus grupos sociais.

 

4- CULTURA MATERIAL[14]

“Desde as suas origens, o homem vem, paulatinamente, criando um ambiente secundário com os materiais de seu habitat. Ele se adapta aos diferentes ambientes, mas também os modifica”.       

(Marconi & Presotto, 2009)

  • Meios de Existência: agricultura, criação de gado, caça, pesca e colheita
  • Metalurgia, tecelagem, entalhe, cestaria, cerâmica, esteiraria e escultura
    • A habitação e ambiente (a arquitetura e aglomerado habitacional, vestuário, alimento, viagem e transporte.

 

Etnólogos, arqueólogos, antropólogos culturais e outros estudiosos consideram os objetos materiais- ferramentas, utensílios, armas, construções, etc. – como cultura material.

Para Keesing (1961)[15], a cultura material “tem a distinção especial de ligar o comportamento do indivíduo a coisas externas feitas artificialmente: os artefactos”. Inclui, uma infinidade de objetos e coisas, feitas de matérias-primas as mais diversas, encontradas nos diferentes habitats da terra, resultantes de inúmeras técnicas. Os artefactos apresentam dois elementos básicos[16] :

  1. Forma: aspeto exterior distinto, padronizado e reconhecido como tal, embora possa ter acabamento simples ou requintado: machado, cesta, canoa, redes, etc.
  2. Função: utilizada, serventia, uso.

Nesta parte do presente material abordaremos os seguintes elementos da cultura material, não descartando os demais apontados nos pontos em epígrafe: habitação, transporte, indumentária[17] e adornos, recipientes e têxteis, instrumentos e armas.

 

  • Habitações

As habitações variam muito no tempo e no espaço e estão intimamente relacionadas com o habitat, o clima, a matéria-prima local e a tecnologia. A organização social, o tipo de economia e a segurança da sociedade também influem na estrutura da casa[18].

Nas construções das casas primitivas, paredes e tetos (foi empregada uma grande variedade de materiais: estacas, cascas de árvore, colmo, capim, esteiras, peles, couro, barro, pedras, ossos etc. Este material dependerá do existente no habitat, do clima e da cultura[19].

As habitações de grupos nômadas diferem das dos sedentários, na medida em que uma é transitória e a outra fixa. Também parece haver uma correlação quanto ao formato: os nômades, em geral, constroem casas circulares e os sedentários, oblongas ou quadradas.

Entre as principais habitações registradas entre sociedades simples ou ágrafas destacamos:

  1. Cavernas
  2. Anteparos[20]
  3. Tendas[21]
  4. Abrigos semi-subterrâneos[22]
  5. Cabanas (quadrados, retangular, circular, ovalada)[23]
  • Transportes

Entre as sociedades simples e/ou ágrafas, os meios de transportes são ser classificados em duas categorias: terrestres e aquáticos. Com as mesmas funções de transportar bens ou indivíduos de um lugar para outro.

O primeiro vestígio de transporte data do Mesolítico Escandinavo (Cultura Maglemosa), com um tipo de canoa. Já no Neolítico apontam-se aos aquáticos: canoas e pirogas (ver em dicionário ilustrado da L. P).

Um elemento importante a apontar é o facto da proteção dos pés, devido as invenções, pois antes o homem se locomovia a pé e descalço: a sandália (no Velho Mundo); a mocassina[24] (no Novo Mundo); a bota (cavaleiros da Ásia Central); a raqueta de neve[25] (hemisfério Norte); o esqui (Norte da Ásia e da Europa).

Entre os demais transportes, destacamos os seguintes: Terrestres (Pesquisar Trenó e Travois) [26]; Aquáticos (canoas, pirogas, balsas e jangadas). O material utilizado varia desde a madeira (troncos de árvores), bambu, junco, hastes de papiros, folhas de palmeira, cascas de árvores, cortiça, até o couro.

Destacam-se os seguintes barcos de pele: coracles (Irlanda, País de Gales e Tibete); barco-touro (Índios das Planícies, América do Norte); pelotas (habitantes dos Pampas, América do Sul); cortiça[27] (Ásia, América do Norte e Austrália).

 

  • Indumentária (vestuário)
    • A sua origem está relacionada ao Paleolítico Superior, correspondentes a época: botões e agulhas de osso e a raspadeira. O homem teria usado a pele de animal primeiramente, para se aquecer.
      • Exercício: relacione o vestuário com o status

Os adornos relaciona-se com a cabeça, o tronco e os membros. Pode indicar idade, estado civil, status social, ocupação.

Um caso particular é que em algumas regiões o adorno nem sempre representa vestuário. Decoram o corpo com pinturas, tatuagens etc. Esticam os pescoços, os lábios e as orelhas, colocam pedras no nariz, orelha, testa e rosto; moldam as cabeças e os pés das crianças, usam enfeites no cabelo, pintam as unhas etc. São feitos através dos seguintes materiais: penas, plumas, conchas, dentes, ossos, sementes, couro, fibras, folhas, metal, tecidos, pedras, madeiras.

  • Alimentos e estimulantes

Existem dois tipos de gêneros alimentícios: vegetais e animais, domesticados ou não, obtidos em dois ambientes diversos, terra e água.

Além da função fisiológica- manutenção nutricional-, o alimento pode ser importante em outros aspetos da cultura, relacionando-se com a religião, a magia, o totemismo, com a idade e o sexo, com os vivos e os mortos, com a política, arte e a recreação[28].

Além dos alimentos sólidos, o ser humano necessita da ingestão de líquidos (bebidas e os estimulantes)[29].

 

  • Recipientes e Têxteis
    • Entre os materiais e/ou objetos das sociedades ágrafas ou simples, destaca-se: cabaça, coco, pedaço de bambu, casca de árvores, conchas, cifres, pedras para servirem de receptáculo a comidas e bebidas.
    • Além do mais, destacamos também: a cestaria (cestos, esteira, caniçadas)[30]. No trabalho de cestaria, são empregadas três técnicas fundamentais: tecido, torcido (enrolado), em espiral (entrecruzado ou costurado); Cerâmica (molde de argila);Tecidos[31] (os primeiros indícios de uma indústria têxtil encontram-se entre os restos das mais antigas aldeias neolíticas do Egito e Ásia Menor[32]).
  • Instrumentos e Arma
    • Dentre os principais instrumentos e armas destacam-se:
  • Ferramentas/artefactos: são os objetos inventados ou utilizados pelo homem, desde os tempos paleolíticos. Utilizavam ferramentas simples, naturais, sem modificações ou com pequenas adaptações, para cortar, raspar ou bater: dentes de javali, conchas, pedras, madeira, concha, metais etc.
    • Os principais tipos de ferramentas simples são classificados em:
  1. Bater e cravar: martelo, malho e maça, flecha e propulsor;
  2. Cortar e partir: faca, machado, serra, cunha, enxada;
  3. Esfregar: raspador, ralador, cinzel, plaina, lima;
  4. Furar: faca, sovela, verruma;
  5. Prender: tenaz, alicate etc.
  • Armas[33]: as primeiras armas ofensivas consistiam em porretes, machados e algumas peças de arremesso[34]. Mais tarde surgiram: a lança, fundas, arpões. Escudos e armaduras de fibra, madeira ou metal, foram inventados como meios de defesa.
    • Em suma, os diversos aspetos da cultura material de um povo são importantes por si mesmos, por sua utilização, pelas informações que encerram as relações com muitas práticas rituais e como demonstração de um processo tecnológico. O assunto a seguir destacamos aspetos da cultura espiritual.

 

 ELABORAÇÃO CONJUNTA (INVESTIGANDO)

  • Desenvolva de forma resumida os principais componentes da cultura (Conhecimentos, Crenças, Valores, Normas, Símbolos).
  • O que é o relativismo cultural?
  • O que são traços culturais?
  • Desenvolva os temas: “Padrões Culturais; Etnocentrismo; Função da Cultura; Traços culturais; Difusão cultural; Qualidades da Cultura (social, seletiva, explícita ou manifesta, implícita ou não manifesta) ”[35].
  • Os temas 1.3- A relação entre a constituição física (do homem) com o seu ambiente e a cultura; 1.4- Avaliação orgânica e diferenças culturais. São administradas pelos alunos por meio de trabalhos (elaboração conjunta).
  • Tema 3- A cultura no Espaço: A terra como “habitat” do Homem; O ambiente físico e a cultura; Distribuição geográfica da Cultura.

 LEITURA RECOMENDADA

  • ARMINDO, dos Santos (2002). Antropologia Geral: Etnografia, Etnologia, Antropologia Social. Lisboa: Universidade Aberta.
  • BEALS, Alan R. (1971). Antropologia Cultural. México: Pax-RTAC.
  • CHIELDE, Gordon V. (1966). A evolução cultural do homem. Rio de Janeiro: Zahar. Capítulos: 4, 5 e 6.

HOEBEL, E. Adamson; FROST, Everett L. (1981). Antropologia Cultural. São Paulo: Cultrix. Capítulo 7.

MARCONI, Maria de A; PRESOTTO, Zelia Maria N. (2009). Antropologia uma Introdução. 7ª Edição. São Paulo: Editora Atlas.

TITIEV, Mischa. (1963). Introdução à antropologia cultural. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian. 10ª Edição. Capítulos 6, 7 e 10.

 

[1] Compilado por SIMÃO, Santos Garcia. Licenciado em História pelo Instituto Superior de Ciências da Educação da Universidade Agostinho Neto| Técnico em Biblioteconomia- Pelo SENAC-São Paulo-Brasil | Pós-Graduado em História e Cultura Afro-Brasileira- pela Universidade Leonardo da Vinci/Indaial/Brasil| Mestre em Ciências da Documentação e Informação (variante Arquivística), pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Correio eletrónico: mestrearquivosflul@outlook.pt | celular: (+244) 923692583.

[2] TITIEV, MISCHA (2009). Introdução à Antropologia Cultural. 10ª ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.

[3] Comportamento bio cultural.

[4] Hoebel e Frost (1981, p. 77) apud Marconi & Presotto (2009, p. 76).

[5] Marconi & Presotto (2009, p. 77).

[6] Ibid, p.p. 17-18.

[7] Ibid, p.p. 184.

[8] HOEBEL, E. Adamson; FROST, Everett L. (1981). Antropologia Cultural e Social. São Paulo: Cultrix. Capítulo 4.

[9] Mais informações consultar: MARCONI, Maria de A; PRESOTTO, Zelia Maria N. (2009). Antropologia uma Introdução. 7ª Edição. São Paulo: Editora Atlas. p.p. 186-191.

[10] Pois ainda não sofreu o processo de endoculturação.

[11] Na sua obra Cultura primitiva.

[12] (Marconi & Presotto, 2009).

[13] Assunto que veremos no capítulo 4- Cultura Material.

[14] A Cultura material, tal como já foi dito antes, consiste em coisas materiais, bens tangíveis, fruto da criação humana (Marconi & Presotto, 2009, p. 167).

[15] Apud (Marconi & Presotto, 2009, p. 167).

[16] (Marconi & Presotto, 2009).

[17] Vestuário.

[18] Os primeiros indícios de habitações encontradas pelos arqueológos reportam ao Paleolítico. Mas tarde no Neolítico surge novas evidências: casas de ossos, de paredes de pedra e as semi-subterrâneas, simples ou ornamentadas etc.

[19] (Marconi & Presotto, 2009, p. 168).

[20] Consiste em uma armação semicircular, provisória e de estrutura frágil, constituída de ramos entrelaçados, cascas ou lascas de árvores, as vezes coberta de erva. Serve de abrigo contra o vento (Marconi & Presotto, 2009, p. 169).

[21] É uma construção de forma cônica, com armação de varas unidas na extremidade superior e revestida de peles ou de casca de árvores superpostas, chegando a medir 8 metros de altura. Relaciona-se com povos nômadas (pastores e caçadores). Encontrados no Norte da Ásia, no Norte da América até o Texas.

[22] Paleolítico Superior, que facilitava a caça em zonas de neves altas.

[23] Ver casas de Neve (iglus).

[24] Pesquisar o significado do conceito.

[25] Redonda ou Ovulada.

[26] Os mais antigos remontam no Mesolítico da Finlândia. Veio a seguir o carro de duas e quatro rodas, que se estendeu da Europa Ocidental até a China, antes de 3. 000 a.C.

[27] Feitas de madeira.

[28] (Marconi & Presotto, 2009).

[29] Destaca-se o fumo (cigarro, charuto, cacimbo- originário da América do Sul, Central e do Norte, Europa).

[30] Feito de: junco, bambu, folhas de palmeiras, palhas, raízes etc.

[31] Ver origem da tecelagem.

[32] Segundo Childe (1966) apud Marconi & Presotto (2009, p. 178).

[33] Em algumas armas, são aplicados venenos, feitiços e amuletos. Nesse caso, realizam-se cerimônias e rituais mágicos apropriados.

[34] Entre as mais importantes armas de arremesso utilizados na caça apontamos: lança, o arpão e o arco-e-flecha.

[35] (Marconi & Presotto, 2009).