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CRÔNICAS DE MINHA CIDADE – PARTE XVII - Sobral A Cidade Princesa” –  A PELADA NA  MATRIZ DA SÉ.

 

POR: Wilamy Carneiro

 

O povo cearense é vocacionado de crendices e invencionices.  E Sobral faz parte desse espetáculo, nesse palco de criatividade com seu povo, claro.

Somos pioneiros no humor, nas invenções, nos causos criados por nossos maestros na arte de inventar, de fazer teatro e humor. Não que os outros artistas dos estados vizinhos mereçam todas as honrarias. Afinal, como dissemos por cá, “O Sol nasce para todos”.

Vou falar com o linguajá cearês, já que o causo é em minha cidade. A heráldica e pomposa Sobral.

Após o introito, o prelúdio, eis que vou lhes falar!

Já se fazia 8:00hs da manhã. O time estava completo. A molecada brincava de bola na calçada da Matriz da Sé. A trave era a porta principal da Catedral.

Naquela época eu me intrigava como um feitor (carpinteiro) conseguia fabricar uma porta daquele tamanho. Numa altura medonha e dava mais que três homens de boa estatura. Mas, intrigava-me ainda como ele conseguia levantar uma porta gigante e daquele tamanho com peso insuportável. A outra pergunta que vinha na minha mente era para que aquela porta tão alta se não encontrava homem daquela altura. Acreditava-me na vinda dos arcanjos descendo do céu e entrando pela porta principal da Matriz da Sé no lugar mais alto. Coisas de menino que perguntava por tudo e queria uma resposta na ponta da língua.

Mas, a porta gigante servia-nos como a trave para jogar. Se déssemos um chutão daqueles que nem perna de pau, deveras acertaria a porta fazendo o gol. Para isso, a porta tinha uma serventia quando chutava para aumentar o placar.

Nas manhãs de sábado era sagrado o “racha na Igreja”. De manhãzinha fazia-se presentes os artilheiros da Rua das Dores, Rua Randal Pompeu e Rua do Oriente. No Grupo A: A seleção era formada pelos irmãos Rodolfo e Ronaldo, os irmãos Luciano, Marcos e Tarcísio e eu (Wilamy), o maior goleador, he, he, he!

O time oponente do GRUPO B - Era formado por Biripou, Edson Frota (Nenem Papá), Carlinhos, Tupy, Eurico esquerdinha, que hoje por vocação é padre. A seleção estava pronta após chegarem um por um, com exceção dos irmãos que chegavam sempre juntos.

A Pelada na Matriz da Sé não tinha hora para acabar. Os fôlegos e aptidões dos jogadores não tinha fim. Do outro lado da rua, na casa paroquial aparecia na porta o Pároco da Sé, Monsenhor Domingos ignorando as gritarias quando saia um gole, ou outra coisa tipo maladragem de um dos grupos. Em outras horas num dia mais calmo, Monsenhor Domingos com seus afazeres fitava para nós um olhar de saudade dos seus tempos de outrora, contemplando nossa vivacidade de adolescente e meninos vadios.

Mas, nada podia dizer contra os jogadores. Pois, Marcos, Ronaldo e Tarcísio Filho eram filhos de um dos frequentadores da Igreja e membro dos Irmãos do Santíssimo da Paróquia da Sé.

Quem dizia as prosas era o Miltão. Seu Milton era o sacristão responsável pelos cuidados da Matriz da Sé. Um bom homem, que residia nas intermediações da Rua das Dores, parede meia da antiga casa do TIMBAL MODAS e da Serraria do Sr. Raimundão da Funcional.  

Quando o Sol levantava e quase chegando ao meio-dia, escapávamos do calor nos mergulhos do rio Acaraú, descendo a ladeira da Fábrica de Algodão de Dona Emilianinha, no beco do Randal.

 

TEXTO E CRIAÇÃO DE WILAMY CARNEIRO  

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