COVID-19: CONSIDERAÇÕES INFORMATIVAS E DESENCANTOS

Saulo Barbosa Santiago dos Santos1

INTRODUÇÃO

      As doenças sempre foram um dos grandes vilões da humanidade, antigamente, não era difícil morrer por causa de alguma virose, e a coisa se tornava mais catastrófica quando havia epidemias. Só basta pensarmos o quanto a peste negra matou no século 14 na Eurásia, mesmo nesta época não tendo eficientes meios de transportes, sob animais e pulgas, este vírus conseguiu matar entre 75 milhões a 200 milhões de pessoas em 20 anos. Pouco se podia fazer, a impotência médica era tão grande quanto à capacidade das pessoas acreditarem em gnomos e duendes, era muito mais fácil culpar personagens fabulosos ou castigos divinos do que imaginar que doenças poderiam viajar sob animais. Será que a morte de 500 milhões de contaminados pela “gripe espanhola”, que de espanhola só tinha o nome porque não veio da Espanha, foi punição divina pela morte de 20 milhões de pessoas na primeira guerra mundial? Não mesmo! Nossa vulnerabilidade veio da engenhosidade humana: centros populosos e diversidade dos meios de transportes.

      Na batalha contra doenças infecciosas a humanidade está vencendo paulatinamente à medida que pesquisas médicas avançam, no entanto, não quer dizer que chegamos ao ápice da imunidade ou da eliminação completa dos patógenos, infelizmente estamos bem longe disso,

 

de tempos em tempos ficamos alarmados com a irrupção de uma nova praga potencial, como Síndrome Respiratória Aguda Grave (na sigla em inglês, Sars) em 2002-3, a gripe aviária em 2005, a gripe suína em 2009-10, e o Ebola em 2014. Mas, graças a contramedidas eficientes, esses incidentes resultaram, até agora, num número comparativamente menor de vítimas. A Sars, por exemplo, suscitou de início temores de uma nova Peste Negra, mas provocou a morte de mil pessoas no mundo inteiro. (HARARI, 2016, pos. 204).

 

      Os vírus da família Corona são conhecidos desde a década de 60, contudo, o último deles sofreu mutação e se tornou um patógeno pandêmico fatal e contagioso denominado COVID-19, com isso, o objetivo do texto é fornecer informações acerca do vírus sob a justificativa de separar o mito dos fatos que tanto confundem àqueles que estão sendo atingidos, direta ou indiretamente, por esta doença.

 

O INÍCIO DE TUDO

 

      Até dezembro de 2019, só havia algumas pessoas hospitalizadas na cidade de Wuhan, China, com sintomas de pneumonia, no entanto, não havia motivos para desconfiar que algo estava errado, porém, à medida que os casos aumentaram, coincidências foram descartadas e os médicos começaram a fazer testes mais específicos. No dia 30 de dezembro de 2019 descobre-se que se tratava de uma doença desconhecida. Inicialmente suspeitavam que seriam uma Sars, mas no dia 31 perceberam que não era. Começa-se o processo de mapeamento genético que finalizou no dia 9 de janeiro e constataram que era um novo vírus da família Corona. O governo chinês inicia medidas contra esta ameaça a partir do dia 21 de janeiro, três dias depois bloquearam áreas contaminadas para impedir que se alastrasse e começou a avisar ao mundo sobre o vírus. Deve-se entender que o governo chinês fez todas as medidas possíveis em menos de um mês para resolver controlar este vírus e, neste curto tempo, era impossível saber da letalidade e capacidade de contágio, não existe um processo logístico rápido o suficiente para obter resultados precisos. Obviamente o prefeito de Wuhan cometeu erros, entretanto, seria injusto culpar um prefeito de uma cidade chinesa por todo o caos que a pandemia causou, é impossível!

      Por mais que afirmem que este vírus seja de origem chinesa, ainda não há qualquer estudo conclusivo que aponte para2 porque pode ter vindo de outra região, no processo de mutação que acontece em dias, chegou à China de forma diferente da inicial que, provavelmente, era menos letal.

 

O QUE É O CORANA VÍRUS

 

      Coronavírus é um grupo de vírus que se parece com uma coroa (corona, em espanhol), que causa infecção respiratória. O Covid-19 foi o último da família dos coronavírus a ser descoberto e é o que está assolando o mundo. Existem oito tipos de coronavírus, quais sejam:

 

  • Alpha coronavírus 229E;

  • Alpha coronavírus NL63;

  • Beta coronavírus OC43;

  • Beta coronavírus HKU1;

  • SARS-CoV;

  • Mers-CoV;

  • Sars-CoV-2; e

  • COVID-19.

 

SINTOMAS

 

      É bastante relevante entender os sintomas para não buscarmos tratamento nos hospitais quando podemos fazer isso em casa, consequentemente, desafogando o sistema de saúde. Os sintomas são mais atenuantes em adultos do que em crianças3, podem variar em cada indivíduo, não existe cura, vacina ou algum tratamento preventivo sob uso de medicamentos ou vitaminas. Há quem se medique com antibióticos, hidroxicloroquina4, vitamina C e D, infelizmente nada disso tem qualquer efeito eficaz cientificamente comprovado, mas em regra são estes os sintomas5:

 

  • Febre alta (Comum);

  • Tosse seca (Comum);

  • Dores (às vezes);

  • Dificuldade para respirar;

  • Fadiga (às vezes);

  • Diarreia (raro);

  • Falta de ar (às vezes);

  • Inflamação na garganta (às vezes)

 

      Entre diversas características do Covid-19, e que certamente facilitou a propagação, é a capacidade de ser assintomática e a velocidade de contágio, para piorar, quase 80% dos doentes foram contaminados por aqueles que não sentem os sintomas. Como não há vacinas e nem testes suficientes, a melhor maneira de se proteger e diminuir a proliferação deste vírus é o isolamento, que também pode ser chamado de “distanciamento social”.

 

ISOLAMENTO

 

      Isolamento é a ordem de todos permanecerem em suas casas por algum tempo, desta forma, fecha-se as escolas, comércio e indústria e todos os serviços não essenciais. Infectado ou não, uma pessoa em casa pode esperar o fim da encubação do COVID-19, com isso, o contágio e lastração, que é bastante rápido e atípico, do vírus para outros lugares diminui drasticamente. Um outro fator é que diminui os acidentes nas ruas por diversos motivos, com isso, diminui-se a procura de atendimento hospitalar. Uma vez que os atendimentos hospitalares diminuem, não haverá superlotação de acidentados ou com sintomas não graves do COVID-19, o que dá mais tempo aos médicos para realizar atendimento rápido para doentes mais graves, como alguém que sofreu AVC, infarto ou chegam com problemas respiratórios devido ao vírus.

      Há dois tipos de isolamentos: horizontal e vertical. O isolamento vertical é dado para um determinado grupo de pessoas, no caso da COVID-19, seria a idosos e pessoas com saúde debilitada, enquanto o restante da população mantém a vida normal. O isolamento horizontal não tem limitações, vale para todos, exceto àqueles que desenvolvem serviços que não podem parar, tais como segurança pública, saúde, serviço funerário, etc.

      A Imperial College6 fez um relatório sobre o Brasil caso não tomasse medidas de isolamento, as projeções de mortes seriam desta forma:

 

  1. Isolamento social intensivo → 44 mil mortes;

  2. Isolamento apenas de idosos → 529 mil mortes;

  3. Isolamento social leve → 627 mil mortes;

  4. Sem qualquer ação de isolamento → 1,1 milhão de mortes

 

      Por questões ideológicas, há críticos que discordam do isolamento horizontal, como se no mundo houve algum exemplo de isolamento vertical que funcionou. O isolamento não protege somente aqueles que estão em casa, mas também os que não estão em casa porque diminui a capacidade de contágio.

 

CONTÁGIO, INCUBAÇÃO E LETALIDADE

 

      O nível de contágio é moderado, para cada pessoa contaminada, ela pode infectar 5 ou 6 pessoas e assim sucessivamente. No entanto, devemos nos atentar a forma que ele se transmite porque a população pensa que a contaminação se dar pelo ar, o que não é, exceto se for numa distância de 1 a 2 metros. Em regra o contágio se dá pelo contato direto com pessoas infectadas, seja pela saliva (que pode ser expelida por espirros, tosse, conversa, etc) ou alguma parte do corpo contaminada. O contágio se dá em três fases:

 

  1. Casos importados: Quando doentes vieram de países contaminados e trouxeram a doença;

  2. Transmissão local: Pessoas, que podem ser identificadas, transmitem o vírus e elas não vieram do exterior;

  3. Transmissão comunitária: Perde-se a capacidade de identificar os transmissores e o número de casos aumenta bastante.

     

      A taxa de letalidade é baixa, média de 3,5%, porém, os números de mortos podem aumentar caso os países não adotem medidas em tempo hábil, como foi o caso da Itália, pois, com a campanha “Itália não pode parar”, alusão para os italianos não entrarem em quarentena e não ficarem em casa, a vida correu normal e o vírus foi subjugado, resultado, 30% de todas as vítimas fatais no mundo são da Itália e choros de arrependimento não faltaram.

      Período de incubação é o tempo que o vírus permanece no corpo, o COVID-19 pode ficar entre 1 a 14, sendo que os sintomas podem surgir a partir do quinto dia.

 

CONCLUSÃO

 

      O mundo terá que ser reinventado depois da pandemia causada pelo COVID-19, culturas serão repensadas, a forma de sociedade que conhecíamos passará por mudanças, as consequências que esta doença causou não serão facilmente resolvidas a curto e médio prazo, para ser ter uma ideia, a vacina mais rápida a ser criada foi contra o Ebola e durou 5 anos para ser concluída. Sem a ciência e a coletividade, certamente a catástrofe atravessaria bilhões de vidas. Nós evoluímos e sempre buscamos maneiras para sobreviver, batalhas são perdidas, mas no final a guerra será vencida, mesmo que para isso requeira sacrifícios onde a maioria das pessoas estão se dispondo a passar. Finalmente estamos conseguindo ver a essência da humanidade, malgrado exceções, colocamos nossas economias, liberdades, fetiches e o rolo compressor do capitalismo em muitos planos abaixo por um bem maior: a vida.

1Graduado em filosofia. Especialista em educação e em segurança pública. [email protected]

 

REFERÊNCIAS

 

2https://www.nature.com/articles/s41591-020-0820-9

3https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/2760782?fbclid=IwAR0In8ZfUsLF03kMgnJ0ISxPhyu0knYrW5vHYXnuptNrhgQTG6NzOigkBoI

4VIDALE,G. Hidroxicloroquina funciona contra coronavírus?. Veja Abril. 20 de março de 2020. Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/hidroxicloroquina-funciona-contra-coronavirus-veja-esclarece/. Acesso em: 2 de abril de 2020.

5Coronavírus: Tudo sobre o COVID-19. Disponível em: https://dasa.com.br/coronavirus. Acessado em: 2 de abril de 2020.

6REIS, F. Estudo propõe mais de 1 milhão de mortes por COVID-19 se Brasil não tomar ações adequadas. Disponível em: https://pfarma.com.br/imperial-college-mortes.html. Acesso em: 2 de abril de 2020.