Todo ser humano:

  1. Está sujeito a doenças conhecidas pelas medicinas ocidental e oriental e que podem ser natas ou adquiridas, cujo tratamento e terapias transitam entre as ciências ortodoxas e heterodoxas (Ser “Corpo”).
  2. Ao longo da sua existência têm assegurado plenas condições de moldar a sua natureza espiritual, a partir de graus de consciência, discernimento, evolução, experiências ao longo da sua jornada. Nesses pilares estão presentes quer de forma pontual, alternada,  ou regressiva variáveis como os “egos”, “alter egos”, sentir-se importante para si e para os outros, os sentimentos ligados a desejos, paixões, a capacidade nata ou desenvolvida de atrair ódios, invejas, vinganças, disputas por supremacia e poder, além da imanente e contínua necessidade de julgar nossos semelhantes próximos e distantes.  Antes mesmo de nascer passa a ser dotado de um espírito que se expande durante toda a sua trajetória existencial tendo que se defrontar de forma inexpugnável com as forças do bem e do mal (Ser “Espírito-Luz”).
  3. Desde a mais tenra idade traz consigo uma luz interior que o acompanha ao longo da sua existência e é responsável por sua energia vital. Convencionamos que esta última ponta da tríade se denomina a alma e está única e exclusivamente ligada a sua essência num sentido absoluto, acima de todas as coisas. Da mesma maneira que uma luz possui intensidade, brilho, contraste, ela pode variar de tons, como as cores de um arco-íris. Não podemos vê-la, porém, poderemos senti-la por meio da aura e do espírito de cada pessoa (Ser “Luz”).

Feitas essas considerações preliminares:

Do micro para o macro, o universo policial se constitui um grande celeiro para se entender como surgem, vibram e partem entidades em constantes estágios de vibrações. Ao ingressar na realidade criminal o policial passa a fazer parte de um laboratório experimental em que ele é protagonista de cena e ao mesmo tempo o próprio objeto de análise sob diversos prismas. Passados os primeiros momentos lúdicos de expectação e empolgação, deparam-se com outra realidade  fática que desconheciam ou ignoravam. A figura do herói dá lugar a um ser humano real e verdadeiro, ocasionado não só pelo convívio com a criminalidade baixa que permeia a sociedade, mas com outro tipo de ações ilícitas não tipificadas  que também, deveriam se constituir crimes:  o sistema financeira pratica condutas abusivas para explorar as pessoas na sua ingenuidade, passividade..., para exponenciar seus lucros crescentes; o Estado e suas instituições, ao invés de darem exemplos de Justiça, muito pelo contrário, obrigam o cidadão a essa condição, especialmente, quando eles deveriam fazer primeiro sua parte, e isso abrange diversos setores da sociedade, desde pagamentos de dívidas, reajustes de salários, multas, construção de obras...), os empresários possuem uma legislação altamente flexível quanto ao controle da qualidade de seus produtos, tudo com o propósito de fomentar o mercado de consumo e a lucratividade, os governos podem errar e dificilmente alguma coisa acontece, enquanto que o cidadão pode sofrer os reveses da lei e da Justiça...”

Então, diante dessa realidade nua e crua, o policial passa a perceber que sua vida profissional é totalmente projetada para controlar e reprimir a sociedade, distante daqueles princípios superiores que veio a nutrir nos seus sonhos de se transformar em instrumentos para melhorar e humanizar a sociedade. Pior, ainda, descobre que seus heróis viraram suco, porque eles também foram projetados para ser caçadores de humanos a partir de uma polícia das ideias, do controle de informações, da vigilância total, o desenvolvimento da linguagem e cultura policialesca, tipo: “teje preso!”, o “modus operandi”, “o bagulho”, “o meliante” (...)”. O que se vê é esse policial se “despoliciar” para se transformar em uma caricatura de seus próprios heróis. Com o passar do tempo esse policial passa a acreditar na verdade que permeia o seu imaginário, chegando a se confundir com o bandido, muito embora procure manter várias identidades ao mesmo tempo: o policial defensor da lei e da ordem e o policial que se transformou em agente da própria desordem  que deturpou valores sociais, a começar pela ideia de “Justiça”, também, o policial investido de autoridade se olha no espelho e se acha acima da lei se comparado com as pessoas comuns, de outra parte, acaba se aceitando como transgressor das leis ao praticar abusos que muitas vezes passam ao largo dos órgãos correcionais; o policial incorpora a imagem do protótipo de cidadão honesto, cobrando das pessoas condutas que ele próprio muitas vezes ignora ou extrapola, desenvolvendo atitudes sinistras (a violência...), bizarras (submeter pessoas a humilhações...), com relação a seus superiores, em razão dos princípios como hierarquia, disciplinar, deveres, obrigações e de um órgão correcional coercitivo, desenvolve a imagem de um servidor obediente, submisso... para sobreviver, ao mesmo tempo, ao longe dos olhos, acaba desenvolvendo outros mecanismos de rebeldia, indisciplina..., realizando suas tarefas sem acreditar no que está fazendo, não demonstra gosto pelo trabalho, não tem interesse em participar da vida institucional. Outra situação bastante comum, é o fato de que ao mesmo tempo que para sobreviver se porta de maneira submissa e obediente, por trás, é crítico, injuriante, rebelde... com relação a seus superiores que se revelam egoístas, parciais e apegados a seus cargos e a servir governos, não aos interesses do povo em geral. E, esse é um ciclo que se repete e se adapta aos novos tempos, sem que seus responsáveis possam fugir do seu determinismo político e administrativo. Dentro do meio policial existem também os agentes que acabam se distanciando de colegas por não aceitarem esse tipo de condutas ou por perceberem que seus sonhos de heróis morreram ou são utópicos.

Diante dessa realidade dual, as experiências criminal e prisional acabam moldando seus espíritos de maneira a elevar ou  baixar a autoestima, funcionar como motor de um sistema de dominação ou a sufocar os sentimentos bons...,  que abrem as portas para o agigantamento de outras variáveis decorrentes de frustrações, desânimos, falta de perspectivas, disputas internas, baixa estima, o moral coletivo visceralmente  atingido e, o que é ainda pior, a autofagia e pensamentos niilistas que acabam permeando o universo policial irracional (Justiça desacreditada, sistemas modelo policial ultrapassado, sistema prisional caótico, fomento à indústria do medo pelos alto-falantes midiáticos oficiais e privados...

Uma das principais consequências dessa realidade são as enfermidades (individuais e coletivas)  crescentes que vemos proliferar no nosso meio, desde psiquiátricas às doenças mais comuns, os vários tipos de câncer, além de outras.

Outro sintoma, especialmente, para aqueles que estão em cargos de confiança, é o envelhecimento precoce causado especialmente pelo excesso de cortisol nas correntes sanguíneas. Por isso é que ultimamente (com o recrudescimento da criminalidade e da corrupção generalizada) vemos pessoas no nosso meio - num curto espaço de cinco ou dez anos - envelhecerem assustadoramente.

Conclusão:

Portanto, a fórmula possível e imperativa é simples para se blindar e sobreviver neste mundo: dê o melhor de si (nos planos individual e coletivo) para a sua causa, sem ambicionar posições (desde poder, cargos, promoções, vantagens, favorecimentos...), defenda e apoie projetos que possam melhorar a vida das pessoas: a nossa maior razão de ser e existir.

No plano da alma, podemos inferir que o conjunto de luminosidade dos policiais pode variar entre as cores pretas, marrom e vermelha. Acreditamos que o grande desafio futuro seria a tomada de consciência para que se possam viabilizar mudanças nos planos individual e coletivo – a partir de novos paradigmas que envolvam projetos pessoais e institucionais que possibilitem mudarmos as cores do universo policial, para que as cores dos profissionais de polícia transitem com prevalência entre o verde, azul e, finalmente, a infinita luz branca.

E, assim, quem souber "Viver Verá" a luz na máxima expressão do criador que nos deu a "Terra" como presente.

*George Orwell  (1984 – pense “Wisdom” e liberte-se do “Ministério da Verdade”, da “Novilingua”...);

*Deepak Chopra (“Existe um Mago dentro de Você” – quem é você? Vença a batalha entre o “ego” e o “espírito”...).