CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA E ALFABETIZAÇÃO: UMA RELAÇÃO FUNDAMENTAL PARA O DESENVOLVIMENTO DA LEITURA E DA ESCRITA

Por Cinara Gozzi | 28/11/2025 | Educação

CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA E ALFABETIZAÇÃO: UMA RELAÇÃO FUNDAMENTAL PARA O DESENVOLVIMENTO DA LEITURA E DA ESCRITA


Cinara Lisane Zucco Gozzi

Fernanda Ramos Siota

RESUMO - Atualmente, muitas crianças vem apresentando dificuldades no processo de alfabetização, principalmente na aquisição da leitura e da escrita de forma fluente e significativa. Diante desse cenário, portanto, a importância da consciência fonológica como base para o desenvolvimento das habilidades linguísticas torna-se essencial para que ocorra a alfabetização de forma eficaz. A consciência fonológica é reconhecida como uma habilidade essencial no processo de alfabetização, pois envolve a capacidade de perceber, identificar e manipular os sons da fala. Este artigo tem como objetivo mostrar a relação entre a consciência fonológica e o processo de alfabetização, considerando que o desenvolvimento dessa habilidade contribui para a aquisição e o desenvolvimento da leitura e da escrita nas fases iniciais da aprendizagem. Esta pesquisa está fundamentada em uma abordagem qualitativa, de natureza bibliográfica, apoiada em autores que abordam a relevância do desenvolvimento fonológico para o avanço da leitura e da escrita. Assim, busca-se analisar novas abordagens que reforçam o papel do professor na construção de uma visão ampla e diferenciada sobre a importância da consciência fonológica no desenvolvimento global das crianças. Os resultados mostram que atividades relacionadas à consciência fonológica contribuem para o desempenho das crianças e fortalecem a base para uma alfabetização mais efetiva e significativa.

Palavras-chave: consciência fonológica, alfabetização, leitura, escrita.


1. INTRODUÇÃO 

A alfabetização é uma das bases mais importante da educação, pois é quando a criança começa a entrar no mundo a leitura e escrita. Para que esse aprendizado realmente aconteça, a criança precisa desenvolver certas habilidades de linguagem, onde a consciência fonológica é fundamental neste processo.

Apesar de sua importância, muitas crianças chegam ao início da escolarização sem dominar bem essa habilidade, o que acaba dificultando a compreensão de como o sistema alfabético funciona e, assim, prejudicar o aprendizado no início do processo da leitura e escrita.

Essa habilidade ajuda a criança a perceber que a fala é formada por pequenos sons que podem ser separados, combinados e modificados. Quando ela entende isso, a relação entre os sons das palavras e as letras fica muito mais simples.

Nos últimos anos, pesquisadores e professores têm apontado que a consciência fonológica funciona como uma base essencial para que a alfabetização dê certo. Muitos defendem que é importante estimular essa habilidade antes mesmo de iniciar o ensino formal das letras.

Diante disso, este trabalho tem o objetivo de refletir e analisar sobre a importância dessa habilidade no processo de alfabetização, assim como de que maneira a consciência fonológica pode ser estimulada de forma eficaz no ambiente escolar, pois o desenvolvimento desta habilidade mostra ser uma das principais habilidades para que a criança compreenda o sistema de representação da linguagem e aprenda a manipular os sons da língua.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

As crianças começam a aprender as normas da língua ainda pequenas, apenas convivendo com a fala no dia a dia, sem precisar de uma aprendizagem formalizada. No ambiente em que vivem existe grande influência nesse processo, onde se apropriam do modo de falar das pessoas que estão ao seu redor. Portanto, quando chegam à pré-escola, já conseguem se comunicar bem e possuem um vocabulário amplo.

O fracasso escolar ainda é um grande desafio dentro das escolas. Muitos alunos avançam para as séries seguintes sem dominar habilidades básicas, como ler com fluência, entender o que leem ou produzir textos simples, e isso acaba afetando todo o caminho de aprendizagem. 

Diante deste cenário, propostas para minimizar tal problema devem ser desenvolvidas. Nas duas últimas décadas, os estudos têm oferecido maior atenção às pesquisas e ao treino da consciência metalinguística e fonológica como estratégias de prevenção e remediação das alterações na aprendizagem (ADAMS et al, 2006). 

Porém, consciência fonológica não é considerado um método de alfabetização, e sim uma habilidade precursora, um pré-requisito para um processo de alfabetização bem sucedido, tanto em crianças típicas quanto atípicas.

A consciência fonológica pode ser definida como uma habilidade de manipular a estrutura sonora das palavras desde a substituição de um determinado som até a segmentação deste em unidades menores (ELLIS, 1995). É, basicamente, a capacidade de perceber os sons que fazem parte da nossa fala, sendo importante no processo de alfabetização e pode ser trabalhada desde bem cedo, lá na educação infantil. Quando essa habilidade é trabalhada, as crianças passam a reconhecer rimas, identificar palavras que começam ou terminam com o mesmo som e brincar com a língua de um jeito muito mais natural. 

Segundo Capovilla e Capovilla (2004), essa habilidade não surge de uma vez só: ela vai sendo construída aos poucos. Primeiro, a criança identifica sons maiores, como as sílabas, e depois passa a perceber os sons bem pequenos que formam cada palavra, os fonemas. Para isso, trabalhar de forma oral e de maneira divertida, por meio de jogos, músicas e atividades que envolvem palavras ajuda a criança a explorar os sons da fala de forma natural e prazerosa.

Apesar de vários estudos já evidenciarem o valor do treinamento explícito da consciência fonológica no desenvolvimento de habilidades para a alfabetização, tanto a escola quanto os profissionais especializados promovem poucas atividades metalinguísticas. O enfoque maior, em geral, ainda recai sobre o treino de habilidades visuais (LAYTON, DEENY, 2004). 

2.1 CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA E ALFABETIZAÇÃO

A alfabetização envolve a aprendizagem do princípio alfabético e a compreensão de que as letras representam sons na fala. Crianças que desenvolvem boa consciência fonológica tendem a apresentar maior facilidade em estabelecer essa relação, o que as ajuda a decodificar palavras e compreender textos.

De acordo com Soares (2017), a aprendizagem da leitura e da escrita não é apenas um processo mecânico de memorização de letras, mas uma construção que exige compreensão sobre o funcionamento da língua. Assim, o trabalho com a consciência fonológica prepara o aluno para compreender o sistema alfabético e desenvolver estratégias eficazes de leitura e escrita.

O uso da habilidade de consciência fonológica na alfabetização permite à criança perceba que a fala é composta por sílabas e sons. Essa habilidade facilita a relação entre sons e letras, ajudando o aluno a compreender o princípio alfabético e a decodificar palavras com mais autonomia. 

Quando a criança desenvolve uma boa percepção dos sons, ela lê com mais segurança, escreve com mais precisão e tende a apresentar menos dificuldades. Portanto, trabalhar a consciência fonológica desde cedo é um passo fundamental para garantir um processo de alfabetização mais eficiente. 

Vários estudos mostram o quanto a Consciência Fonológica está ligada ao processo de alfabetização, deixando claro a importância de começar a estimular essa habilidade ainda na educação infantil, usando atividades simples e bem direcionadas para trabalhar os sons da fala. Quando esse desenvolvimento começa cedo, a criança tem muito mais facilidade para entrar em contato com a escrita e entender como ela funciona.

Assim, a consciência fonológica envolve a relação dos sons da fala com o jeito como eles aparecem na escrita, ajudando o aluno a desenvolver melhor suas habilidades de leitura e escrita e entendendo como as palavras se dividem e se organizam. Dessa forma, quanto mais desenvolvida a consciência fonológica, maior a facilidade para reconhecer palavras, ler com fluidez, evitar trocas de letras e escrever com precisão. 

Estudos sobre os processos fonológicos indicam que a habilidade de identificar e manipular os sons é um dos fatores mais favoráveis ao um bom desempenho na alfabetização, pois contribui para fortalecer o desenvolvimento da leitura e escrita de forma fluente e autônoma. A relação entre consciência fonológica e alfabetização na leitura e escrita é descrita por algumas teorias que apresentam como a criança entende o funcionamento do sistema alfabético, como a teoria do Princípio Alfabético que mostra que aprender a ler é necessário para a compreensão de que as letras representam sons da fala. Já a Psicogênese da Língua Escrita, de Ferreiro e Teberosky, destaca que a criança desenvolve hipóteses sobre a escrita até reconhecer essa correspondência entre som e letra. Essas teorias reforçam que a consciência fonológica é uma base essencial para o desenvolvimento da leitura e escrita.

2.2 ESTRATÉGIAS PEDAGÓGICAS PARA O DESENVOLVIMENTO DA CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA

Este trabalho não busca defender e nem discutir sobre os métodos de alfabetização, mas sim analisar como as crianças desenvolvem a consciência fonológica através de atividades que estimulam a consciência fonológica.

A escola tem um papel importante na aprendizagem das crianças, incorporando atividades de consciência fonológica ao processo de alfabetização de forma intencional nas práticas diárias de leitura e escrita. Atividades simples, como jogos de rimas, cantigas, trava-línguas, separar palavras em sílabas ou identificar os sons do começo e do final das palavras, além de brincadeiras que manipulam os fonemas, ajudam a desenvolver a consciência fonológica, fortalecendo a leitura e escrita de forma significativa. 

Segundo Morais (2012), essas práticas devem ser realizadas de forma lúdica e intencional, permitindo que a criança construa gradualmente a compreensão sobre o som e sua representação gráfica. Nesse contexto, para trabalhar a consciência fonológica, podemos utilizar de diversos recursos como jogos, cartas com palavras e imagens, letras móveis, livros, aplicativos de alfabetização, recursos visuais e objetos manipuláveis.

Nessa mesma perspectiva, ao falar sobre a consciência fonológica, segundo Silva e Rostas (2018, apud Guedes e Gomes (2010, p. 262) concluem que: 

Estudos abordando esse tema têm afirmado que o desempenho em tarefas de consciência fonológica pode predizer como a criança irá desenvolver as habilidades de leitura e de escrita, tendo sido correlacionado o sucesso quanto à consciência fonológica com o êxito no aprendizado da escrita alfabética. 

3. METODOLOGIA 

Para o desenvolvimento deste artigo, foi realizada uma breve revisão bibliográfica de literatura narrativa sobre o tema baseado em obras de referência, com o objetivo de reunir, analisar e organizar publicações de autores de livros, textos e artigos considerados importantes para a relação entre a consciência fonológica e o aprendizado da leitura e escrita. 

A escolha por esse tipo de metodologia justifica-se pela possibilidade de organizar informações já publicadas, permitindo a identificação de evidências consistentes, lacunas no conhecimento e possíveis aplicações práticas relacionadas ao tema. Por meio da análise dessas fontes, é possível associar diferentes contextos, avaliar a fundamentação metodológica e interpretar os resultados significativos, permitindo compreender o estado atual do conhecimento e identificar contribuições relevantes para o estudo.

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este artigo mostra que trabalhar a consciência fonológica na alfabetização traz diversos benefícios. Entre eles, está o desenvolvimento da habilidade em identificar e manipular sons da fala, entender melhor o princípio alfabético, facilitar a leitura e escrita, escrita de palavras com mais precisão e na segmentação de palavras, além de contribuir na leitura fluente e compreensão de textos. Portanto, desenvolver a consciência fonológica traz diversos benefícios para a alfabetização, evitando dificuldades e tornando o aprendizado mais consistente.

Quando a consciência fonológica não é bem desenvolvida, a criança pode enfrentar diversas dificuldades na alfabetização. Ela acaba tendo mais dificuldade para associar os sons às letras, deixando a leitura e a escrita mais lentas e cheias de erros. É frequente que troque ou omita letras, assim como dificuldades em separar palavras em sílabas ou sons, prejudicando a leitura porque a base do sistema alfabético não está bem construída. 

Este trabalho reforça a importância de trabalhar a consciência fonológica desde a educação infantil, mostrando que atividades lúdicas e direcionadas ajudam a criança a desenvolver habilidades essenciais para ler e escrever, assim como fornecer subsídios teóricos que ajudam a prevenir dificuldades de leitura e escrita, tornando o processo de alfabetização mais eficiente. Ele aponta estudos que mostram que crianças com uma adequada consciência fonológica aprendem a ler com mais facilidade, pois conseguem identificar os sons da fala e favorecer a compreensão do princípio alfabético.

Para pesquisas futuras, é importante explorar estratégias mais variadas e contínuas para estimular a consciência fonológica, considerando diferentes faixas etárias, contextos escolares e formas de intervenção, a fim de entender melhor como esta habilidade se desenvolve de forma integrada.

5. REFERÊNCIAS:


ADAMS MJ, FOORMAN BR, LUNDBERG I, BEELER T. CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA EM CRIANÇAS PEQUENAS.  Porto Alegre: Artmed; 2006 

CAPOVILLA, A. G. S.; CAPOVILLA, F. C. ALFABETIZAÇÃO: MÉTODO FÔNICO. São Paulo: Memnon, 2004.

ELLIS AW. LEITURA, ESCRITA E DISLEXIA: UMA ANÁLISE COGNITIVA. Trad. Dayse Batista. 2a ed. Porto Alegre: Artes Médicas; 1995. p. 85-104 

GALVÃO, Érica R. de S., PINHEIRO, Viviane C. De S., SANTOS, Adriana C. Dos. CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA E APRENDIZAGEM DA LÍNGUA ESCRITA:

INTERFACE TEÓRICO-PRÁTICA. Revista Brasileira de Alfabetização (nº 17, 2022). Disponível em: https://revistaabalf.com.br/index.html/index.php/rabalf/article/view/543?utm_source. Acesso em 10 de novembro de 2025.

GUEDES, M. C. R.; GOMES, C. A.  CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA EM PERÍODOS PRÉ E PÓS-ALFABETIZAÇÃO. Cadernos de Letras da UFF, n. 41, p. 263-281, 2010. Conforme citado em Silva, D. D. (2018). “Consciência fonológica e suas possíveis contribuições para o processo de alfabetização.” Revelli, v. 10, n. 4, p. 154-155. Disponível em: file:///C:/Users/chest/Downloads/cmagalhaes,+7448-pg+150-163%20(3).pdf. Acesso em 09 de novembro de 2025.

LAYTON L, DEENY K. PROMOÇÃO DA CONSCIÊNCIA FONOLÓGICA EM CRIANÇAS DE PRÉ-ESCOLA. In: SNOWLING M, STACKHOUSE J. Dislexia, fala e linguagem: um manual do profissional. Porto Alegre: Artmed; 2004. p.143-58 

MORAIS, J. A ARTE DE LER: OU COMO RESISTIR À ADVERSIDADE. São Paulo: Global, 2012.

SOARES, M. ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO. 7. ed. São Paulo: Contexto, 2017.

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VÉSPOLI, Ana C.T., TASSONI, Elvira C.M. A CONSCIÊNCIA FONOLOGICA E O PROGRAMA LER E ESCREVERSérie Estudos -Periódicos do Programa de pós graduação em educação UCDB, v.22, n.44/abril 2017. Dsiponível em: https://serie-estudos.ucdb.br/serie-estudos/article/view/927?utm_source. Acesso em 12 de novembro de 2025.


 


 

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