Como lidar com eles?


Como é bom tirar férias, que momento desejado, vamos para a praia, visitamos parentes distantes ou fazemos aquela viagem programada. Agora vai sair! Está tudo certo! E, de repente tudo muda, nos vimos diante de uma situação nunca antes imaginada.

A pandemia enfrentada neste momento já é um desafio por si só para os adultos, preocupações com a saúde e economia tem ocupado boa parte dos nossos dias. No entanto, também é preciso entender como lidar com as crianças neste período, pois as escolas estão fechadas, os pequenos estão em casa com a família e precisam enfrentar os desafios desse isolamento social.

Neste momento, não estamos de férias, fomos forçados a ficar em casa com o intuito de proteger a nós, nossos filhos e todas as pessoas que amamos. Dessa forma, não tem: passeio na praia, colônia de férias, escolinhas e muito menos ajudas externas, principalmente dos avós. Nossos filhos, aqueles que iam na aula de inglês, no ballet ou no futebol, agora estão em casa com toda a energia do mundo. Como lidar com eles?

Além de muitos pais estarem trabalhando em home office, as crianças têm atividades diárias e precisam ser auxiliadas, pois ainda são pequenas necessitando de orientação. Estamos aprendendo juntos, porém, estamos atuando como pais, e para nossos filhos esse papel tem uma grande diferença, pois eles acabam nos testando a todo momento, dificultando o processo de ensino-aprendizagem, sem contar que não temos a didática de um professor. Diante de tal situação, o que a maioria dos pais estão sentindo é saudades dos professores, pois na escola, o comportamento e comprometimento dos filhos com as tarefas, geralmente é diferente do que apresentam em casa.

Assim, cabe aos pais ou responsáveis adaptar o dia a dia das crianças de acordo com a nova realidade. Dependendo da idade, também é importante conversar sobre o que está acontecendo no Brasil e no mundo.

Segundo o educador Vital Didonet, escola e casa tem funções diferentes: “Assim como cuidar da saúde em casa não substitui o serviço do profissional da saúde em hospitais, pois os pais não são médicos, nem enfermeiros, também não são professores, nem substituem a escola. Os espaços são diferentes. ”

Nesse sentido, somos acometidos pelo medo e a insegurança de não sabermos o que e como fazer, pois, de uma forma silenciosa e arrebatadora, esse período parece ter vindo para internalizarmos, que os filhos são nossos e que devemos sim dispensar momentos para brincarmos com eles, para que possamos estreitar nossos laços afetivos e perceber o seu desenvolvimento e crescimento em uma perspectiva familiar e não mais responsabilizando somente a escola por seus comportamentos.

Sendo assim, cabe a nós pais proporcionar brincadeiras para que os nossos filhos canalizem suas energias, pois o brincar é indispensável ao desenvolvimento social, emocional e cognitivo. Sabemos que as crianças criam brincadeiras, mas os pais podem participar para que esse momento seja mais rico e prazeroso, pois é a partir desse envolvimento do adulto que há uma aproximação entre ambos, aumentando o interesse e a motivação. E, além disso, o adulto pode auxiliar a criança a lidar com suas emoções e frustações.

Como forma de distrair seus filhos durante esse período de pandemia, e longe dos recursos tecnológicos que em excesso são prejudiciais a criança, uma ideia é retomar as brincadeiras de antigamente (cantigas de roda, pular amarelinha, três marias, brincar de esconde-esconde, criar brinquedos com materiais recicláveis). Outra sugestão, são as brincadeiras com bolas, qual é a criança que não aprecia este objeto, além disso podem realizar um treino em família. Na cozinha, com o auxílio dos pais, podem ajudar a preparar um bolo, produzir a própria massa de modelar ou preparar pipocas para uma sessão de cinema.

Neste período não é recomendado convidar amigos para brincar em casa, é um momento de isolamento social, mas é importante manter a rotina diária, com horários de sono, alimentação e banho, para que eles percebam que não estão de férias.

Contudo, não é difícil lidar com eles, mas é necessário limites e organização.



Artigo escrito pelas professoras: Andreia Ramos dos Reis, Karina Rech Herves e Lidiane Leonardelli, da Escola Municipal de Educação Infantil Amor Perfeito.