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Como entender o significado da inexistência em Sartre.

 Existe um momento que o homem pára e percebe que existe algo de errado com a sua existência, ele descobre as limitações da sua existência, o limite da própria vida, o insignificado dela. Quando tudo encera com a morte, o seu desaparecimento, isso significa que não somos absolutamente nada.  

 A angústia toma conta da consciência, nesse momento o ser percebe a sua insignificância o que significa a percepção do seu nada. O homem é de certa forma a sua inexistência, a mesma não tem significação. A vida é um projeto absurdo, a única coisa exclusivamente sem sentido.

A angústia resulta da consciência quando o ser percebe que é temporário, limitado, que sua realização se processa por algo frágil e inacabado, sem finalidade, a vida é incapaz de ser construída em direção à perfeição, tudo é apenas um processo falho, fragmentário, preso ao limite do tempo, a questão  histórica. A realização do tempo é o fragmento.

 O que é a mudança nada mais que realização desse fragmento, o parcelado, rumo ao entendimento, que jamais chega a sua completude, o entendimento da perfeição é apenas uma ideologia. O ser humano é por natureza falho, não tem sentido na história, a vida é a continuidade da infinidade, que se processa em atos isolados e contínuos, mas sem completude do próprio ato isolado.   

O que é o nada para Sartre, a sua realização como pessoa, o nada é o oposto a possibilidade da realização a plenitude, a realização total do ser é a composição da distância onde se encontra cada espaço ao qual é realizado, as sequências jamais se completam rumo a sua finalização, esse é o destino comum da materialidade de cada realização, o que na verdade não se realiza. Com efeito, a vida é a  mais pura insatisfação.

  Onde gostaríamos de chegar, realmente estamos à busca da forma da consciência plena e a sua não realização destina se a frustração.  Por esse motivo a consciência aponta o homem para o seu destino comum que é o nada em relação aos projetos em busca do futuro, o que de certa forma não existe, porque o que realiza parcialmente acontece na perspectiva do momento.  

 Tudo o que o ser deseja é chegar a um ponto, que é em lugar nenhum, isso por que em determinado momento, o ser não se chega a um ponto, a estabilidade de sua existência, é a relação do ser e o nada na concepção de Sartre a respeito do seu existencialismo.

O ser é apenas o farol da sua trajetória o caminho o qual deverá ser indicado, a distância onde cada qual se encontra e define ao homem o que é como sinalização do seu limite, sendo que o mesmo é apenas o tempo processado.  

Gostaríamos de estar em um determinado ponto, mas na prática estamos em outro e sentimos a impossibilidade do ser realizar-se como projeto, o homem é apenas a ilusão da sua perspectiva sonhada.

 A frustração do seu desejo, não é possível ser como o homem deseja realizar-se.  A perspectiva em última instância é o nada, não tem como o ser realizar-se como ser, com efeito, é uma tarefa perdida.  Uma ilusão do espírito perdido e solitariamente sem direção nesse planeta. Qual a razão lógica de alguma coisa a não ser a construção dela mesma pela imaginação em desregro.  

Por esse motivo a consciência determina o homem como o Nada em relação seus desejos, suas vontades, seus projetos em direção ao seu futuro, reclama a insatisfação com o presente que vive e busca o futuro que não se tem, e que não poderá ter, porque no fundo a vida é apenas a sua não realização da vontade humana.

Essa proposição  complexa é definida numa situação que não poderá ter significação, situa se simplesmente como algo sem nenhuma razão de ser, o nada é o ser, que gostaria de ser, como de fato deveria ser, mas que é apenas a realização da sua não realização,  isso no ângulo da parcialidade, tudo que acontece tem fundamento nessa perspectiva.

O que existe em relação ao ser, é apenas a mobilidade do estagio de potência, para a própria potência, sem nenhuma lógica de ato, o ser é sua incompletude por natureza.

 Não é possível a ideia, que o homem um dia poderá sair do seu estagio da potência e ser a realização máxima, a superação das condições precárias é uma ilusão do espírito, o homem no máximo caminha rumo apenas ao parcelamento  do tempo, do seu limite histórico.  A história é a realização desses atos incompletos. A perfeição é apenas um delírio da imaginação.

O nada na fenomenologia de Sartre desenvolve se numa dimensão referencial da incompletude humana, os aspectos os quais não se podem realizar, o homem é de certa forma suas falhas, seus limites, suas permanências, o que é o ser, a não ser sua negação.

 Os simbolismos dessas negações.  Motivo pelo qual o homem é a fuga do nada, aproximação de Deus é essa realização, o fato do homem não ser, ter apenas a dimensão do nada, ele constroi Deus para tentar salvar daquilo que ele não é.  Deus é imaginação da má fé, uma ideologia falsa, por não ser real e por justificar uma situação de vida lastimável pela natureza da existência.  

Acreditar em Deus, de certo modo é aproximar da loucura, como acreditar na alma, outra vida, como se o mundo fosse feito por mãos divinas, o futuro da vida de um homem, como esse estivesse nas mãos de Deus, qualquer crença nesse nível retrata irregularidades na razão.  A razão é louca, absolutamente despropositada.  

A dimensão da inexistência situa-se como referencial de analise, que se determina pela incompletude humana.  O homem é na essência o seu vazio, a vontade permanente de fugir de si mesmo, o que acontece na prática quando aproxima do elemento da metafísica.

 O homem projeta para construir atitudes que levam ao mesmo, a mística de algum movimento transcendental, como a realidade é o nada, então o homem transforma o nada na realidade, uma ficção do oposto.  Algo do engano a si mesmo, o desejo da má fé em sua defesa na perspectiva da mentira.

Quando o homem procura fazer a sua consciência de interrogação funcionar, ele encontra em sua frente apenas o nada, tudo o que é não tem perspectiva, o homem é a ausência da sua realização, esse fenômeno é a elaboração  do insignificado,  a não razão de ser do homem enquanto projeto de vida.

 Então o homem encontra o nada como sinal de seu desejo de ser. Ele é um projeto limitado, o nada não tem lastro, a vida é vazia, não existe uma razão para o significado da existência humana, tudo no plano da existência é alienação, o que é o homem, a não ser a sua própria ausência, a não razão de ser. A nossa trajetória é uma perda de tempo.

 Tudo é oposto à plenitude do ser, se desejar saber quem é cada um de nós, basta analisar o que o ser não é. O homem não tem sintonia com ele mesmo, disse Sartre, é um ser cujo fundamento último sustenta-se pela inércia ao antimovimento no sentido da sua não realização.

Na verdade Sartre pretende não associar o discurso ideológico a ideia de funcionar aquilo que o ser está sendo nesse tempo histórico, isso nos planos da contemporaneidade. Para funcionar a ontologia, é necessário descrever a verdadeira fenomenologia da existência humana, sendo que a mesma de certa forma é a inexistência.

 Seria como entender a existência a um procedimento cuja natureza dele em última instância não tem fundamento. Então o que não seria a ilusão apenas o entendimento da formulação não ilusória, no sentido que a realização de qualquer movimento é parcial e não tem finalidade histórica.  

 Sartre explica o significado da sua obra, O Ser e o Nada. O foco principal do seu livro é o que reclama a ideologia da obra, quando o homem imagina a permanente transcendência em forma da consciência que deseja e a intencionalidade desse movimento efetiva se o nada.

Esse é o aspecto cruel da existência, e não tem como ser diferente, entende perfeitamente Sartre, como compreendeu  Nietzsche e qualquer existencialista. O mundo é a própria ilusão a sua natureza metafísica, o insignificado de tudo, da natureza da própria da falta de  significação

O chamado ser para-si, ou seja, o homem na sua realização de carência de um ser que deseja ser completo, satisfeito, o em si. O que na verdade não é, porque essa realidade de totalidade não existe.

 O homem é a apuração daquilo que deseja ser, mas não se pode chegar a esse ponto sonhado, o homem é a sua negação, isso enquanto se referir ao caminho da não realização, que é o mecanismo superativo do próprio entendimento.  

A grande questão é que o homem sonha ser o desvelamento da sua ausência, por outras palavras o homem não pode ser exatamente sua realização, por isso a existência não tem significado. Nada de maneira uniforme desenvolve na intencionalidade da consciência.

 Isso quer de certo modo afirmar não existe consciência o que existe é a tentativa do entendimento de algo, e não a consciência do nada, mais que por intuições derivativas chega se a consciência do nada, não para aqueles que vivem o espírito da alienação pura. A cegueira total que se prende a outras explicações algumas delas resultadas do puro delírio.

 É por isso que a consciência pergunta e faz avaliação. Atitude que interroga a essencialidade da consciência, do comportamento voltado para o ser e não apenas a sua negativa, o seja o não ser. Isso não significa que o ser seja sua proposição de afirmação, porque por outro lado, é exatamente essa negação.

O caminho do não poder ser,  traz o nada através de processos interrogativos e negativos, já que o nada deriva da negação do ser. Conforme Sartre, mas essa negação vista de mais perto, remete-nos ao nada como sua origem e fundamento, para que haja negação no mundo e, por conseguinte, possamos interrogar sobre o ser, é necessário que o nada se dê de alguma maneira. Exatamente, o que acontece na essencialidade da existência.   

A definição do ser que não é, determina o fundamento do conceito do nada, o homem antes de ser alguma coisa, a sua distância desenvolve uma dinâmica de superação,  o homem é primeiramente o nada, por que essencialmente não poderá ser alguma coisa.  O nada tem sentido por sua consciência negativa, por meio de atitude interrogativa.

A consciência sempre reage a procura do ser que não poderá ser o que ainda não foi realizando o movimento transcendental, o nada que afirma não ser realidade humana, transportada ao seu significado distante do entendimento da realidade material, que sustenta o ser sendo o próprio nada.

 Assim como o homem é apenas o sintoma de sua não existência, ele busca fora da vida, como se a ilusão pudesse ser alguma coisa. Só deseja outra vida, quando não se tem a vida que imagina ter.  A  vida real é a negação da realidade da vida enquanto manifestação dela.

 Com efeito, a consciência se exterioriza fora da existência do homem, ou seja, o nada que consiste num primeiro momento a identificação do homem que o direciona a fazer-se ao invés de ser. Projeta se na direção da potência e ato, mas como cada estágio é apenas potência, a existência não consegue sair do círculo da dialética hegeliana.

Onde a consciência começa, localiza-se o território do nada, enquanto o homem não é, ou procura ser o que não pode ser na construção de sua própria essência, o que na verdade também não existe.

Com efeito, a existência precede a essência. Primeiro o homem existe como nada, posteriormente constroi passo a passo o esboço de sua vida, definindo a sua essência, que é o seu não significado.

 Diferente da dimensão da inexistência, daquilo que realiza, mas de certo modo não atinge nenhuma perspectiva, o nada aparece como um ser que se caminha em direção a ideia de ato puro, com um olhar investigador em direção a distância,  concebe-se ontologicamente precedido pelo ser, porque ele não pode ser concebido fora da sua essência,  mas está contido no mais íntimo do ser.

O nada não pode nadificar-se, a não ser na perspectiva do ser, no entanto, o nada existe tão somente, não é antes muito menos posterior ao ser, não acontece de modo sintético fora dele, mas no seu devir, nesse mecanismo surge à alienação para o ser não ir à loucura, teria que construir uma lógica de Nietzsche.  Essa proposição é para poucos.

 Exatamente por esse motivo,  que a consciência pode determinar, onde inicia de forma coerente, o que a ela é possível ao entendimento. A pergunta fundamental de onde vem o nada? Qual é sua lógica, o conceito subjetivo da sua derivação. Todas essas formas são improcedentes, isso a respeito da sua dialética ontológica.  

 Quem possibilitou nascer seu significado, o homem atravanca a si mesmo, por não ser capaz de perguntar a respeito da existência, entender a dimensão profunda da sua não razão de ser, como tudo isso aqui é apenas uma grande ilusão, o ser não realiza, desaparece como se nunca tivesse nascido, esse ato é a grandeza do não motivo da nossa existência.

 Na verdade Sartre procura compreender a relação existente entre a ausência de alguém e o nada. No fundo, seriam em complexas análises os mesmos fundamentos, o desaparecimento humano e sua natureza, refiro-me a morte, a maneira como realiza a ausência.

 O homem não é potencialmente o ser, o que parece ser é naturalmente uma ilusão de tudo que parece acontecer então à realidade é uma ficção.  

 É necessário compreender que a presença do existir confere uma lógica essencial, entre as realidades humanas e o fundamental pressuposto do caráter de sua ausência.

 O desejo derivativo da intuição da ideia do nada, da natureza essencial da inexistência, apresenta-se como a formalidade da presença e da ausência. E o ser esperado habita na consciência como lembrança e não como realização das suas complexidades.

 O homem enquanto tal na perspectiva da história e da realização de suas potencias, caminha definitivamente,  para sua própria superação com a  finalidade de ausentar de si mesmo, esse caminho é a mais  absoluta negação de si mesmo.

Edjar Dias de Vasconcelos.

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