Adriana Lopes PINHEIRO (UFMG) 1
Caroline P. F. de SOUZA (UFMG)2
Luiz Carlos da SILVA (UFMG) 3
Waliston RODRIGUES (UFMG) 4

RESUMO

A Estação Ecológica da UFMG (EECo/UFMG), com aproximadamente 140 ha de área em preservação, é localizada no campus da Universidade Federal de Minas de Minas Gerais, na Pampulha em Belo Horizonte, possui uma complexa interação entre dois ecossistemas, diversidade de fauna e flora inerente à ambos e é ainda localizadas em meio urbano. A EECo/UFMG por ser uma área de transição entre os ecossistemas Mata Atlântica e Cerrado, é um reduto de flora e refúgio de fauna remanescentes na região ou em fluxo migratório. Apresenta ainda, aspectos vegetacionais das savanas do Brasil central e da floresta estacional Semidecidual da Mata Atlântica. É uma área rica em fauna e flora, na qual são propiciadas atividades de cunho científico - educacional, turístico, lazer e sobretudo conservacionismo. O objetivo deste estudos em áreas com vegetação principalmente em Estações ou parques ecológicos tem no intuito de esclarecer a sociedade para promover a conscientização da importância de se conservar os parques ecológicos, áreas verdes próximos aos centros urbanos.
Palavras-chaves: Clima urbano, Parque ecológico, Áreas verdes e Estação Ecológica.

1. INTRODUÇÃO

A vegetação é um atributo muito importante na constituição física de uma cidade, pois pode contribuir para manter um ambiente mais agradável, do ponto de vista climático, estético, recreativo (lazer), dentre outros. Ela proporciona ainda a proteção do solo contra os possíveis efeitos da radiação direta, criando uma espécie de filtro natural que impede as incidências diretas dos raios solares, ajudando a estabilizar a umidade do solo através da retenção de água e do aumento concomitante da umidade do ar.
No processo da evapotranspiração, a vegetação absorve parte da energia que é consumida com a evaporação da água, ajudando na diminuição da temperatura local. Outro aspecto a se Licenciatura em Geografia/IGC/UFMG considerar, é a redução do impacto das precipitações chuvosas diretamente no solo, reduzindo significativamente possíveis processos erosivos decorrentes do escoamento superficial das águas da chuva e, também, o controle do transporte do solo provocado pela ação do vento, de modo a evitar enchentes e enxurradas que produzem grandes estragos, principalmente no contexto urbano.
A presença da cobertura vegetal também possibilita o aumento da infiltração da água, por produzir poros no solo pela ação das raízes das árvores, aumentando significativamente a capacidade de retenção de água pela estruturação do solo por meio desta incorporação da matéria orgânica (YOSHIOKA e LIMA, 2005).
Porém, essa importância promovida pela vegetação, costuma ser negligenciada e/ou desconsiderada por determinados gestores no processo de uso e ocupação do solo de determinados centros urbanos, quer seja pelo desconhecimento do assunto, ou por outros motivos implícitos, geralmente relacionados às estratégias específicas de uso e ocupação do solo para uma dada localidade.
O clima urbano tem despertado o interesse de pesquisadores em todas as partes do mundo, e a vegetação tem sido apontada como um elemento fundamental para a minimização dos efeitos negativos na alteração no micro e mesoclima provocada pela urbanização. O aquecimento das áreas urbanas pode ser, dentre outros fatores, a consequência da ausência de uma vegetação adequada. Além, é claro, de outros fatores, a exemplo do planejamento inadequado do uso do solo que privilegia de forma indiscriminada a utilização de materiais (concreto, asfalto, etc.) que pouco ou nada contribuem para a amenização do calor, pois, em geral, esses materiais mais absorvem o
calor do que o refletem, ora devido aos elementos que os compõem, ora devido ao seu baixo nível de albedo, ou seja, devido às suas colorações geralmente escuras que os fazem ser grandes absorvedores de calor ao invés de refletores.
A impermeabilização excessiva provoca o escoamento mais acelerado das águas das chuvas, diminuindo o tempo de evaporação. Esse processo reduz a umidade relativa do ar, que é cerca de 5% menor do que nas áreas mais arborizadas e menos povoadas. Outro fator que também contribui de certa forma para a sensação de calor nos grandes centros urbanos são as tipologias das construções. Em geral, as residências que apresentam suas paredes muito finas (pouco espessas), permitem que o calor externo originado do contato entre a radiação solar e a parede durante o dia atinja o interior das construções mais facilmente, proporcionando assim o seu rápido aquecimento durante várias horas, gerando o desconforto térmico (intensa sensação de calor).
No período da noite, onde teremos a ausência da radiação solar, o efeito da sensação térmica será ao contrário, pois, assim como as paredes pouco espessas permitem que o calor externo gerado durante o dia atinja o interior do ambiente mais rapidamente, durante o período noturno, esse mesmo ambiente perderá calor mais rapidamente para o meio externo, originando assim um outro tipo de desconforto térmico, que neste caso será o de sensação de frio. Logo, ambientes que possuem suas paredes mais espessas possibilitam que o calor gerado durante o dia leve mais tempo para atingir o seu interior, servindo como uma espécie de isolante térmico. Durante a noite, parte do calor armazenado nas paredes espessas levará mais tempo para ser dissipado ou perdido para o meio, proporcionando assim melhor conforto térmico (sensação de frio menos intensa) no interior do seu ambiente. A vegetação contribui de forma significante para o estabelecimento de um microclima mais agradável, tendo a estabilizar os efeitos negativos do clima sobre os arredores de tais áreas verdes, reduzindo os extremos ambientais.
Algumas medidas simples poderiam ser tomadas, como por exemplo, a implantação e conservação de áreas verdes distribuídas pela cidade. Desta forma seria possível proporcionar à cidade (enquanto um espaço urbanizado) um melhor conforto térmico, em relação ao equilíbrio da temperatura (reduzindo possíveis oscilações e/ou amplitude térmica) e consequentemente contribuindo para a melhora da umidade relativa do ar, em escala microclimática. A evapotranspiração, que é a liberação de água do solo e da vegetação; cede a umidade para o ambiente tornando o clima mais agradável, pois o clima seco tende a gerar péssimas condições de saúde (a exemplo das
doenças respiratória). A vegetação atua ainda na função de absorver os gases poluentes gerados por queimadas de combustível de automóveis e fábricas. O processo de transpiração e fotossíntese das plantas absorve o calor e a poluição, liberando oxigênio para o meio. A vegetação absorve quase toda a radiação incidente no ambiente refletindo toda a radiação solar incidente na copa da da árvore. Em um ambiente como da mata atlântica da estação ecológica, em que as árvores não deixam que boa parte da radiação solar incida diretamente no solo, absorvendo e refletindo parte do calor, a evapotranspiração deixa o interior deste biótopo mais úmido, o que torna o microclima do local mais agradável, em comparação com outros ambientes de clima mais seco.
Os elementos climáticos são aqueles componentes que em sua totalidade dão as características ao tempo e/ou clima atmosférico: umidade, pressão atmosférica, temperatura, a irradiação solar, o vento, a nebulosidade, dentre outros. Já os fatores climáticos, são aqueles que trazem alterações ao clima e aos elementos climáticos de uma determinada localidade. São eles: Latitude, relevo, altitude, massas de ar, vegetação, continentalidade/maritimidade, correntes marítimas e a intervenção antrópica.
Para a compreensão de assuntos relacionados a climatologia, é de grande importância entender as escalas de atuação de cada fenômeno, elemento ou fator climático. A escala diz respeito à dimensão ou ordem de grandeza espacial (extensão) e temporal (duração) segundo a qual os fenômenos são estudados. Essas escalas são subdivididas em, macroescala, mesoescala, microescala. Na macroescala são trabalhados os fatores ou eventos que alteram o clima em escala global, em grande escala, como por exemplo, o fenômeno do El niño.
Na mesoescala, falamos de fenômenos que agem em uma escala um pouco menor, em comparação à macroescala, entre 10 e 100 km de largura, a exemplo dos tornados. Já a microescala lida com os estudos voltados para a atuação da atmosfera logo acima da superfície terrestre e de áreas menores que 100 metros de extensão.
E aqui utilizaremos o exemplo da Estação Ecológica (uma pequena porção de área verde), que, além de se enquadrar ao contexto de microescala, será nosso objeto de estudo. Optamos pela Estação Ecológica da UFMG como objeto de estudo pelo fato de que, além de ser um espaço reservado ao estudo, à pesquisa acadêmica e/ou científica, e servir de ambiente para o processo da conscientização e educação ambiental para a comunidade UFMG e para a comunidade externa, ela ainda constitui-se como uma das poucas porções de área verde que podem ser encontradas nos grandes centros urbanos (a exemplo de Belo Horizonte), e que, de acordo com estudos climáticos recentes, podem influenciar significativamente a dinâmica climática local (microclima) desses espaços urbanizados.