Chama de atenção ao amigo cinzentinho

Quando vemos cenários tristes, com catástrofes e desilusão, como os episódios que acontecem com os moçambicanos, há duas grandes reações: ou se perde o sentido de o próprio viver ou se ergue a cabeça para enfrentar a realidade dura e crua. Imagino ser a segunda via pela qual este povo seguirá, ou seja, de enfrentamento e da coragem em se reerguer. Infelizmente esse não tem sido o caminho aderido por uma boa parte dos jovens policias, assim apresentado em Mídias sociais e jornais moçambicanos, pois se baseando na história da nossa nação, sabemos do confrontamento das situações terríveis para começarem suas vidas nas grandes cidades moçambicanas ou mesmo em zonas suburbanas, onde se desconhece a existência da corrente electrica que popularmente é nossa, em controverso está o preço alto para o consumo da água potável.

Portanto, nestes instantes de dificuldades ou quando há ambientes ruins ou não propícios ao nosso planejamento, deveríamos refletir e com determinação obter decisões em relação da própria existência! Um dos primeiros aspectos é não esperar para amanhã a tomada de ação, principalmente em relação à essência do viver! Talvez, muitos perdem a oportunidade de sentir o sabor da vivência, justamente por adiar a sua busca de ser feliz e intensificar sua permanência neste planeta.

Por quais razões relutamos em não valorizar os pequenos gestos simples e corriqueiros de cada dia? Quantos gostariam apenas de poder saborear um prato de comida em seu almoço ou jantar? Inúmeras criaturas não têm ao seu lado quem os ame! Portanto, em tudo devemos expressar gratidão, e neste quesito quanta coisa para agradecer! Muitas vezes somos exigentes connosco mesmo, pois desejamos sempre o ‘bom e o melhor, mas, as lições pelas quais nossa longevidade mostra, permite entender o verdadeiro sentido de estarmos neste mundo!

Existe uma máxima certeza: não são riquezas materiais que permitem a plena felicidade! Então, aonde encontrar a razão para ser feliz? Essa resposta é pessoal e intransferível, contudo, quando nos fechamos em nosso mundo, nos problemas, nas dores e somente no errado, perdemos a motivação e o entusiasmo!

Atenção, que para se cometer erros, os bens materiais são evocados, o enriquecimento ilícito inalado, as dividas consumadas, dessas dividas uma justificativa que não se cala na mente dos moçambicanos, vem “se o país esta em divida, quem sou eu para isentar-me disso” como se, esse fosse o quesito básico para possuir sangue mamba. Engraçado mesmo é uma rapariga se comprometer em xitiques semanais, sem possuir emprego.

Solução rápida do meu amigo cinzentinho, jogos virtuais de apostas rápidas, que dão duas possibilidades em menos de um minuto, respectivamente em ser milionário ou mendigo. Já ouvi que moçambicano precisa ser estudado. Nos meados do ano passado, fomos acampar toda nossa e fortuna emprestada em bancos de microcrédito e agiotas ou os 30% no Kampar. Esse Kampar não suicidou tanto como o aviãozinho de 2024, aos meus compatriotas cinzentinhos.

Em Moçambique, há quem trabalha com salário hipotecado, hipotecado com os bancos de microcrédito, hipotecado com os 30%, com a tal namorada dos xitiques semanais, da ostentação da vida luxuosa, essa vida dos filhos de Samora é complicada, é complicada desde o desaparecimento físico do Marechal Samora Moisés Machel. Ser Mwana mpawe[1], não é fácil.   

Convido você amigo cinzentinho a olhar para o ‘outro’ e fazer algum gesto de caridade sem esperar nada em troca; motive alguém desanimado, enfim, saia de sua bolha e de seu mundinho tão pequeno e, se lance na vastidão do universo determinado em receber a sua contribuição.  Em suma, viemos de outra vida e para outras dimensões seguiremos, consequentemente, além de não esperar para amanhã, evolua hoje, conscientizando-se do imenso valor de sua vida, com ela você carregará o fardo de suas ações!

Como seria diferente a forma de viver em sociedade caso cada criatura primasse por sua parte, não tendo preocupação com a vida alheia e, alavancando por meio da sua religiosidade, busque mudar a dimensão do viver de tantas criaturas desejosas de palavras de encorajamento, aperto de mão, abraço, aconchego, ternura, prato com comida, coberta, roupa, enfim, não é preciso muito, com o pouco feito, muitos deixariam de ser necessitados. Conquanto, não faça nada sem abertura de seu coração, sem amor e sem pedir para Deus te iluminar e abençoar o feito para o outro!

Não espere pelo amanhã para mudar seus hábitos e gestos, eles vão levá-lo a outro destino, quem sabe, por meio deles você vai se tornar uma criatura feliz e realizada!

Pense nisto e até o próximo!

 

 

[1] Mwana mpawe: Filho órgão, em língua Echuabo, frequentemente falada em Quelimane, Nicoadala e Namacurra.