Os mapas são elementos essenciais na história da evolução das sociedades. “O papel do mapa ao longo da história da humanidade tem sido múltiplo. Trata-se de uma projeção intelectual que ocupa um espectro que vai das atividades mais funcionais até papeis de significados políticos e simbólicos diversos” (FONSECA; OLIVA, 2013, p. 13). Os mapas amparam as atividades humanas com forte componente espacial, como a exploração, a guerra, o controle estatal e as decisões econômicas, mas também atividades como o turismo. Os avanços tecnológicos possibilitam uma grande quantidade de confecção e impressão de mapas. A escassez dos estudos na área da Cartografia, bem como acerca de seus produtos, criou uma cultura onde os mapas são subutilizados. A Cartografia, e os mapas, adquiriram um caráter meramente técnico, onde as reflexões teóricas foram deixadas em segundo plano. Há uma ausência de textos teóricos sobre a Cartografia e sobre os mapas. Por isso, entende-se que há uma CRISE DO MAPA.

São aspectos que se relacionam com a crise do mapa:

  • Condição de veículo ideológico associado à geopolítica e aos poderes hegemônicos;
  • Dificuldades no domínio das informações reduzidas;
  • Concorrência de outras mídias de alto teor tecnológico;
  • Incompatibilidades do espaço euclidiano (submersão das cidades e das redes).

 

Segundo Fonseca; Oliva (2013, p. 15) “as contribuições que os mapas trazem atualmente à vida social são menores do que as dificuldades para usá-los e controla-los”.O mapa acaba parecendo inútil diante de tantas tecnologias disponíveis. Dois pontos centrais sobre alguns dos principais problemas dos mapas em relação a observação da realidade: 1) A atrofia das cidades e do mundo urbano: as cidades são representadas como pontos no mapa, enquanto as demais áreas são representadas como extensos vazios. Nos mapas, o espaço das cidades é anulado, quase eliminado, e o “ponto” no mapa significa meramente concentração. “Os mapas dominantes escondem o mundo urbano, concentrado, pleno de objetos e relações intensas e mutantes, que são os verdadeiros espaços onde vive a maioria da população” (FONSECA; OLIVA, 2013, p. 17).2) Incapacidade de incluir as redes geográficas: os elementos nos mapas são representados a partir de pontos isolados, o que na prática não ocorre, pois todos os espaços estão interligados por uma lógica reticular. Não há ponto que esteja desarticulado do todo. “Ora, pontos e ligações (articulações, linhas) remetem à figura da rede, e, no espaço, a uma rede espacial (ou geográfica)” (FONSECA; OLIVA, 2013, p. 17).

 

Para pensar: Qual a funcionalidade do mapa, se ele não reflete a realidade da organização espacial e das relações sociais? Ele ofusca o urbano e as redes, que são os símbolos primordiais da organização do espaço atual?

 

Tipos de Mapas:

  • Mapas Físicos;
  • Mapas Políticos;
  • Mapas Humanos.

 

MAPA FÍSICO: Mapa geomorfológico - representa as características do relevo de uma região. Mapa climático - indica os tipos de clima que atuam sobre uma região. Mapa hidrográfico - mostra os rios e bacias que cortam uma região. Mapa biogeográfico - apontam os tipos de vegetação que cobrem uma determinada localização. Mapa topográfico - estuda o relevo em níveis de altura (também inclui os rios mais importantes do local).

MAPA POLÍTICO: São mapas que apontam as divisões do território em países, estados, regiões, municípios. Nos mapas políticos, além de mostrar a divisão dos países, estados e etc. também é mostrado o nome destes locais. Neste tipo de mapa, as capitais (tanto dos países quanto dos estados) ganham um destaque maior.

MAPA HUMANO: Mapa econômico - indica as atividades produtivas do homem em determinada região. Mapa demográfico - apresenta a distribuição da população em determinada região. Mapa histórico - apresenta as mudanças históricas ocorridas em determinada região. Mapa rodoviário - estuda as rodovias e as estradas de um país.

 

Elementos do Mapa

  • Título
  • Convenções utilizadas (símbolos)
  • Base de origem (qual o mapa básico, quais os dados?) – Fonte.
  • Referência (autoria)
  • Indicação da direção Norte
  • Escala
  • Sistema de Projeções utilizado.

Título: O título é o elemento que identifica o conteúdo do mapa. Ele deve fazer referência ao assunto apresentado/representado por meio do mapa. Pode conter a data do fenômeno/momento representado. O título do mapa é muito importante, porque geralmente é a primeira coisa para onde um leitor vai olhar num mapa. É comparável ao título num jornal. Deve ser curto, mas dar ao leitor uma primeira ideia daquilo que representa.

Convenções cartográficas: Os símbolos cartográficos têm o poder de comunicação. São os símbolos cartográficos que darão sentido ao que está sendo representado, demonstrando organização, hierarquia, distribuição, etc. Quando mal-empregados, eles podem originar danos entre a mensagem que o emissor quer transmitir e o que o receptor irá entender (Teoria da Informação – Telefone sem fio). As convenções são símbolos padronizados utilizados para representar elementos da paisagem em documentos cartográficos.

Legenda: A legenda é o elemento chave descodificador da simbologia utilizada no mapa. Os símbolos devem ser apresentados na legenda com as mesmas características com que aparecem sobre o mapa. A legenda pode, ou não, ser inserida em “caixa” e posicionar-se fora ou dentro da esquadria, devendo tendencialmente aparecer na metade inferior do mapa e dependendo a sua posição precisa dos outros elementos do mapa, do espaço disponível e da procura de equilíbrio visual.

Base do mapa: O primeiro passo para representarmos cartograficamente o espaço geográfico é a elaboração do mapa base. Este deve conter informações topográficas do terreno, julgadas importantes pelo mapeador, como hidrografia, sistema viário, hipsometria, elementos pontuais (imóveis) e outros, que auxiliarão o leitor no processo de leitura e interpretação do espaço através do mapa. O mapa base pode ser elaborado a partir de diferentes tipos de documentos de base, sendo que as cartas topográficas, as fotografias aéreas e as imagens orbitais, certamente são os documentos mais utilizados na atualidade.

Indicação de direção: Necessária para se posicionar o mapa, a orientação é explicitada por uma seta com a indicação de uma das direções da rosa-dos-ventos, normalmente a direção do Norte, devendo optar-se por soluções gráficas simples, com pouco “peso” visual. Há contradições entre os autores quanto a obrigatoriedade de indicar a direção em todos os mapas. Ou se seria necessário apenas naqueles em que o Norte não se encontra no topo do mapa. O padrão encontrado nos mapas é um indicador de direção que aponte para o norte. É comum ainda que ele seja colocado na parte inferior do mapa, apontando para a parte superior do mesmo. Mas isso não é uma regra, porque o indicador pode ser colocado em qualquer ponto do mapa. “É um equívoco muito comum: imaginar que o Norte deve sempre estar na parte ‘de cima’ do mapa. Isso não tem o menor fundamento, pois o mapa é a representação de uma área como se ela estivesse sendo vista de cima para baixo” (VESENTINI, 2011, p. 30). A melhor posição para examinar um mapa é na horizontal, olhando-o de cima.

Escala: A escala corresponde a proporção ou relação numérica entre o mapa e a realidade que ele representa. Escala numérica - Mostra a relação entre dois números. O numerador (1) e o denominador (que varia dependendo da proporção representada). Escala gráfica - Representada por meio de desenho ou gráfico.

Sistema de Projeção Cartográfica

As projeções cartográficas são técnicas de representação de um objeto esférico (globo, com três dimensões) em uma folha de papel. A Terra possui um formato geoide, ou seja, arredondada com os polos achatados. Como não é possível representar com perfeição uma realidade esférica numa superfície plana, foram desenvolvidas algumas técnicas para conseguir representar com um número menor de inadequações. As projeções são, portanto, técnicas para amenizar os problemas de se representar uma realidade esférica num plano. Um dos problemas das projeções é que não se pode ter exatidão no tamanho e nas formas representadas, ou seja, um dos dois elementos será prejudicado. Quando a representação exige precisão no tamanho, a projeção é denominada de equivalente. Quando a representação exige precisão nas formas, mas não nos tamanhos, tem-se projeções conformais.

Projeções Cartográficas: Cilíndrica - Esse tipo de projeção procura envolver a Terra num cilindro, como se existisse uma luz na Terra e essa iluminação se propagasse para o cilindro, que será desenrolado e colocado sobre a superfície plana.

Projeções Cartográficas: Cônica - É parecida com a cilíndrica, no entanto, no lugar do cilindro, coloca-se um cone envolvendo o planeta.

Projeções Cartográficas: Plana - É feita da mesma forma das anteriores, no entanto, coloca um plano no lugar do cilindro ou do cone.

Referências

FERNANDES, Mário Gonçalves. Cartografia: programa, conteúdos e métodos de ensino. Departamento de Geografia. Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2008.

FONSECA, Fernanda Padovesi; OLIVA, Jaime. Cartografia. Como eu ensino. São Paulo: Melhoramentos, 2013.

VESENTINI, José William. Geografia: o mundo em transição. São Paulo: Ática, 2011.