AS AVENTURAS DE ZURETA

 

Autores: Francisco Silva Júnior e Edmundo Diógenes Saldanha

Coautores: Francisca Regiana Adilino Freire, Wesley Gouveia Saldanha, Nildomar de Lima Rodrigues,  Mayane Saldanha Pereira.

 

I

Zureta é um menino

Muito levado e traquino

Não quer saber de estudar

Vive no zap ou dormindo

A mãe se apega aos deuses

Para mudar seu destino

II

Vez ou outra chega em casa

Mais uma reclamação.

Zureta brigou na rua

Se meteu em confusão

Lá vai a mãe resolver

Com aperto no coração

III

Não fazia muito tempo,

Na escola ele aprontou

Foi pego colando na prova,

Seu erro não aceitou.

Xingou, agrediu a professora

E a direção o expulsou

IV

Três dias ficou em casa

Em nenhum livro pegou

Logo cedo foi pra rua,

Somente a noite voltou.

Quando a mãe o interrogava

Nunca se justificou.

V

Festa, zueira e bebida

Era a sua curtição,

Quando falava em trabalho

Fazia era gozação

Trabalhar, se liga velha!

Isso é pra mim não!

VI

E assim ficou reprovado

Só vendo o tempo passar

No submundo do crime

Começou a se infiltrar.

Multiplicaram-se os problemas

E Zureta a se afundar.

VII

Logo começou fumar

Viciou-se na cachaça

Munido de arma de fogo

Tornou-se o terror da praça

Escrevendo sua história

No caderno da desgraça

VIII

Ao chegar na sua casa

E ver sua mãe amada

Desesperada a cobrar

O porque dessa desgraça

Pede ao filho pra escolher

Sua mãe, ou a cachaça!

IX

Zureta ainda lombrado

Lhe respondeu com rancor

Disse: Mãe eu só escolho

Aquilo que tenho amor

E digo, escolho a cachaça!

Que alivia a minha dor.

X

Com a decisão proferida

Um novo rumo tomou

Sem olhar para o presente

O seu futuro traçou

Renegou a tudo e todos

Até quem tanto o amou

XI

E tudo virou fumaça

Da família se afastou

Aquele menino meigo

Uma fera se tornou

Tornou-se logo um mito

Na terra que lhe criou

XII

Foram muitos que matou

Assaltou a sua gente

Assustando cercania

Se mostrando diferente

Sem saber que se findava

Sua fama de valente

XIII

Bateu num tal de Vicente

Um sobrinho do padeiro

Um rapaz pacato e frágil

Uma espécie de cordeiro

Sem saber que aquele fato

Era seu o ato derradeiro

XIV

O Vicente ao cangaceiro

Disse assim: Ninguém me afronta!

Nunca mexi com ninguém

Bandido não me desmonta

Quem bate em cara de homem

Tem que pagar essa conta.

XV

A zoeira estava pronta

Zureta foi à cintura

Vicente foi mais esperto

Desfez aquela armadura

E ainda quebrou seus dentes

Como arma, a rapadura.

XVI

Depois daquela tortura

Zureta se levantou

Pediu perdão a Vicente

Se ajoelhou e chorou

E desse dia em diante

Outro rumo ele tomou

XVII

Retornou pra sua casa

Sem dente, tudo quebrado

Pediu perdão a sua mãe

Sem jeito, envergonhado

Sua mãe logo o abraçou

Meu filho, tá perdoado!

XVIII

Zureta ficou em prantos

De tudo se arrependeu

Agradeceu a Nosso Senhor

Pela chance que lhe deu

Renasce um novo homem

Aos céus assim prometeu

IXX

E a partir desse dia

A sua vida mudou

Trabalhando honestamente

Os estudos retornou

Sr. Zureta, o cidadão

O exemplo que ficou

XX

Nunca perca a esperança

Se um dia desmoronar

Acredite no trabalho

Nunca deixe de estudar

Cultive os grandes valores

Que nascem dentro do lar.