Por José Vieira da Silva1 vieirasilva875@gmail.com

Quase tão certo como o fato de um dia partirmos desta para uma melhor, como afirma o dito popular, é saber que algumas de nossas escolhas (boas ou ruins) hoje influenciarão seriamente o nosso futuro, esse um reflexo, uma imagem semelhante ao que praticamos no presente. Embora o futuro seja incerto, podemos manipulá-lo nessa constante transição temporal entre passado, presente e futuro, com a finalidade de obtermos um quadro aproximado daquilo que desejamos. Agora lembrei de um comentário “filosófico” que fiz em sala a respeito dessa constante transição temporal a qual denominamos presente. Afirmei que, quando alguém nos pergunta sobre a hora, jamais respondemos com exatidão. Jamais falamos a hora certa para quem pergunta, pois ao olharmos para o relógio e, em seguida, para a pessoa, alguns segundos se passaram, fazendo com que aquela resposta, embora dita no presente, já é parte do passado. Esse comentário é apenas um breve exercício filosófico, um preciosismo matemático, mas serve para refletirmos sobre o caráter transitório do presente em relação ao tempo cronológico. Voltando ao texto... Algumas escolhas exigem uma longa e penosa reflexão e, portanto, exige tempo, muito tempo. Longa reflexão tem a ver com estudo de caso profundo. Em determinadas situações, temos alguns dias ou semanas para. Em outras, ainda, precisamos decidir já. Seguramente somos conduzidos a alguma decisão, por simples e insignificante que possa parecer, todo santo dia. Qual sandália calçar? Qual perfume usar? Comer muito ou pouco? Qual roupa e cor usar? Estudo ou não hoje? Vou de ônibus ou de automóvel (muitos infelizmente não têm as duas opções)? Qual curso universitário eu quero? E por aí vai. Embora tudo isso faça parte de um processo automático no cérebro, não deixa de ser uma decisão. Quando o assunto é dinheiro, por exemplo, a coisa pode ser vantajosa ou não. Se empatar – sem perda ou ganho - menos ruim. Com a perda, e dependendo da quantidade envolvida, as consequências podem ser trágicas, mas sobretudo se for um grande montante. A perda pode ser excluída ou minimizada ao extremo se, antes, estudarmos o objeto do investimento. Para isso, dispomos de especialistas ou do vasto aparato conquistado pelas ciências econômicas. Lançando mão desses recursos (obviamente preciso conhecer e, para isso, tenho que estudar – praticar uma reflexão) as probabilidades de sucesso são potencializadas. Fora desse universo, o tal sucesso pode ser obra do acaso. É assim que aprendemos ou deveríamos aprender na escola. Se a arte imita a vida, (assim pensava Aristóteles), a escola segue ou tenta seguir o mesmo caminho, os mesmos princípios. Praticamos na escola previamente aquilo que a vida nos exigirá em termos de conhecimento. Estudar e aprender de fato é – e sempre será – potencializar probabilidades de sucesso. Quando não estamos baseados em algum fundamento técnico ou científico na resolução das questões que a vida nos impõe, o fracasso nos espera. Se seguirmos adiante, certamente ele nos pegará. Quando as decisões reclamam por um conhecimento instituído na escola ou mesmo nos livros, as chances de sucesso são bem maiores. 2 Como analogia, seja tomar um exemplo do cotidiano do aluno: resolver uma prova qualquer, composta de dez questões, cada qual valendo um ponto, tendo cinco alternativas cada uma. Fazendo um pequeno exercício matemático, teremos, então, cinco possibilidades para cada comando (pergunta), somando um total geral de dez questões vezes cinco alternativas, totalizando cinquenta possibilidades. Ficamos, na prática, diante de cinquenta decisões, embora haja apenas uma certa. Preciso decidir por apenas uma, mas fico diante de cinco caminhos distintos por questão. Se for um concurso importante, decidir pelo certo poderá definir nossa vida profissional. Não é nada fácil estimar o quanto estudou um determinado aluno que acertou todas as dez questões, mas é razoável afirmar que este indivíduo não é um “jogador de futebol” – que ganha a vida chutando. Podemos assim afirmar, que está acima, muito acima da média. Há muitos que, num teste, prova ou concurso, não se dão ao trabalho de pensar; apenas chutam. Para esses, está mais do que provado: as possibilidades de acerto (isso inclui o sucesso na vida) seguramente são as mínimas possíveis. Apreender, aprender, conquistar o conhecimento é, entre outras coisas, aprender a escolher; é encontrar, entre muitas opções, o melhor; é decidir pelo certo diante das inúmeras questões que a vida nos impõe a todo instante. O conhecimento das coisas, das instituições humanas ou não, nos torna poderosos, não no sentido de uma figura utópica produzida pela ficção e materializada no cinema, muitas delas superiores e completamente imunes às mazelas humanas. Nem em poderes sobrenaturais. Não! Absolutamente não! Falo do poder de controlar, de poder questionar baseado em fundamentos, de não ser manipulado, manobrado, levado de um lugar a outro. Falo do poder proporcionado pelo saber, pelo conhecimento, sobretudo o adquirido na escola. Assim, o conselho é: detenha esse poder. O poder de saber escolher. Aprenda a escolher; estude.