1 INTRODUÇÃO

Sabe-se que a imobilidade pode causar várias complicações e influenciam diretamente no restabelecimento após os pacientes serem acometidos por doenças críticas, dentre essas alterações podemos citar a fraqueza muscular esquelética e atrofia muscular. Podemos minimizar esses efeitos através da realização de mobilização precoce no ambiente da unidade de terapia intensiva (UTI), levando em consideração que para uma realização segura precisamos respeitar a estabilidade hemodinâmica do paciente, garantindo uma mobilização que não proporcionará dano.1 Dentre as causas mais comuns que levam a hospitalização de pacientes críticos em UTI´s são os acometimentos do sistema respiratório, como insuficiência respiratória aguda, seguidas pelo sistema cardiovascular, sepse, alterações neurológicas e renais2 . Dentre as causas para internação na UTI, o uso de ventilação mecânica invasiva é um dos fatores para que os pacientes tenham indicação médica de restrição de movimento até que se atinja a estabilização do quadro. Quando ocorre a redução ou anulação da carga ofertada ao sistema musculoesquelético, associada ao uso da ventilação mecânica por período de tempo prolongado, resulta em piora do prognóstico dos pacientes, sendo essa a principal causa de fraqueza muscular adquirida na UTI. Essa fraqueza pode ser desenvolvida pelas atrofias musculares advindas do imobilismo ou até mesmo pela toxicidade de determinadas medicações ministradas ao paciente em doses altas e por tempo prolongado, como os sedativos agentes bloqueadores neuromusculares e corticoesteroides3 . Além dos efeitos funcionais a imobilidade no leito propicia a diagnósticos secundários como atelectasias, lesões por pressão, doença tromboembolítica, hipotensão postural, taquicardia. Sendo primordial a atuação do fisioterapeuta, podendo intervir na melhora respiratória, assim como no reestabelecimento motor funcional, diminuindo o tempo de ventilação mecânica, prevenindo e/ou reduzindo edema, trombose venosa profunda, assim como a redução do tempo de internação4 . Havendo uma linearidade de atividades, progressivas e de acordo com a estabilidade clínica, podemos citar sedestação beira leito, sedestação fora do leito, ortostatismo, transferências de decúbitos e por fim deambulação1 . Como recursos para mobilização precoce, utilizamos os exercícios físicos com finalidade de aprimorar a funcionalidade e reduzir as incapacidades. A estimulação elétrica neuromuscular (EENM) utilizamos quando os pacientes críticos estão incapazes de realizar a contração muscular voluntária. Outra técnica utilizada é o posicionamento funcional, que pode ser realizado de forma de passiva ou ativa para a estimulação do sistema neuromuscular esquelético, melhorando assim o controle autonômico, o estado de alerta e da estimulação vestibular além de facilitar uma melhor postura antigravitacional, prevenindo contraturas musculares, edema linfático e minimizando os efeitos adversos da mobilização prolongada no leito5 e 6 . A mobilização precoce e o posicionamento adequado no leito muitas vezes significam uma oportunidade única de interação do paciente com o meio ambiente, sendo fontes de estimulação sensório-motora e prevenção de complicações secundárias a imobilização. Quando adiamos o início dos exercícios estamos apenas colaborando para intensificar os déficits funcionais do paciente, senso assim a intervenção precoce é necessária para prevenir tanto os problemas físicos como evitar a hospitalização prolongada7 . Quando falamos no uso de ventilação mecânica, tratamos de uma intervenção importante no paciente com insuficiência respiratória aguda, mas não podemos esquecer dos riscos que ele está sendo submetido, podendo desenvolver inúmeras complicações em decorrência de sua utilização, aumentado assim sua morbimortalidade. Essa retirada da ventilação artificial invasiva deve ser feita o mais precoce possível, a fim de minimizar os efeitos deletérios que possivelmente podem ocorrer. A partir da criação de um protocolo de desmame, conseguimos inúmeras vantagens como: redução entre tempo de desmame e tempo total de ventilação mecânica, diminuição das chances de insucessos e re-intubações, diminuição da mortalidade, redução do período de internação na unidade de terapia intensiva e hospitalar e como consequentemente, diminuição dos custos hospitalares8 . Diariamente o fisioterapeuta deve realizar uma triagem sistemática a fim de recrutar os pacientes aptos a realizar o teste de respiração espontânea, seguindo o protocolo multidisciplinar da sua unidade de atenção, podendo assim, quando indicado realizar a interrupção da ventilação mecânica9 . Há cerca de 20 anos o profissional fisioterapeuta vem ganhando espaço dentro das unidades de terapia intensiva, e cada vez mais tem assumido o controle da ventilação mecânica, se aprofundando nos cuidados com o doente crítico. Esses profissionais atuam com os pacientes graves que necessitam de suporte ventilatório, inclusive na assistência pós cirurgia, evitando complicações respiratórias e motoras. Participa também no processo de desmame e na extubação9 . Além disso quando o paciente é submetido a um tempo prolongado de ventilação invasiva, o fisioterapeuta pode ajudar a evitar atelectasias, barotrauma e infecções respiratórias10 . Sabemos que a alta exerce grande influência na continuidade da assistência prestada ao paciente, sendo esses cuidados transitório ou permanente. Quando realizada as orientações para o pós- alta, diminuímos assim o estresse proveniente da alta, e receios no manejo independente com pacientes, reduzindo a probabilidade de reinternação 11 e12.Quando se trata de um doente crônico ou que passou por um período prolongado de internação recebem alta, as condições adquiridas no período hospitalar, afetam não apenas ele, mas a família e os seus cuidadores/familiares, portanto deve haver um preparo adequado do indivíduo e dos que os cercam. Devemos lembrar que o processo saúde-doença está interligado às condições vitais da pessoa, condições sócio-político-econômicas e culturais13 . A partir dessas melhorias que alcançamos até os dias atuais, em relação ao aumento da qualidade dos serviços de saúde, utilizamos as avaliações sistemática, como forma de contabilizar qualitativamente os cuidados prestados aos pacientes, acompanhantes/cuidadores, permitindo assim a identificação dos prováveis fatores que influenciam em um atendimento de alto nível ou visando melhorias a curto, médio e longo prazo em relação a assistência prestada14 . Utilizamos indicadores, que são definidos como as variáveis que mensuram de forma quantitativa, para promover melhorias proporcionando maior qualidade, a fim de comparar as alterações nos critérios anteriormente obtidos, sendo um dado que descreve uma realidade de uma setor ou serviço15 . Durante a gestão de um serviço, necessita-se de um meio para avaliar o seu desempenho de funções, sistemas ou processos. Utilizam-se então os indicadores, para conhecer valor estatístico, a fim de alcançar metas em um determinado tempo16. Normalmente os resultados são obtidos a partir de expressões matemáticas, em que o numerador representa o total de eventos predefinidos e o denominador a quantidade de eventos ocorridos, levando em consideração as características básicas de um indicador17 . Podemos dizer que esse modelo de análise de qualidade hospitalar foi adaptado dos conceitos de qualidade utilizados na indústria, através da prática de ferramentas de qualidade. Sendo assim, os indicadores são usados para verificar se os objetivos mensurados foram alcançados18 . Os estudos sobre qualidade em saúde datam do início do século XX, a partir da criação do Colégio Americano de Cirurgiões (CAC) quando em 1924, surgiu o Programa de Padronização Hospitalar- PPH19 . Se formos transferir para os dias atuais podemos dizer que a qualidade ou melhoria contínua caracteriza-se como sendo um processo continuo de aprimoramento, estabelecendo progressivamente os padrões, resultados dos estudos históricos de uma mesma instituição ou de comparação com outras instituições semelhantes, em busca do zero de imperfeições. Embora não atingível na prática, norteia toda conduta em relação a gestão da qualidade. Esses processos necessitam de um padrão cultural, diretamente relacionado com a motivação, compromisso e educação dos envolvidos20 . Esse trabalho tem como objetivo analisar a qualidade de um serviço de fisioterapia. [...]