Análise da música Acaí  -  Djavan

Por Givas Demore[1]

A música em questão trata da observação e pensamentos do artista naquele momento!

Vamos lá:

“Solidão de manhã,

Poeira tomando assento

Rajada de vento,

Som de assombração, coração

Sangrando toda palavra sã”.

Ao contrário do que muitos acham essa música possui muito sentido semântico e é bem descritiva. Aqui Djavan descreve o que vê e sente. Ele está sentado em algum lugar, empoeirado, pela manhã, sentindo o vento que, com som, supõe assombração. Esse ambiente o assusta o um pouco. É tanto silêncio que se ouve até o som do vento.

“A paixão puro afã,

Místico clã de sereia

Castelo de areia,

Ira de tubarão, ilusão”

O sentimento dominante é a paixão que é tratada por ele como um sentimento místico e instável (Um desejo) que pode desmoronar, como um castelo de areia, a qualquer momento.  Ele afirma que a paixão parece ser, ilusoriamente boa, mas é feroz.

“Açaí, guardiã

Zum de besouro um imã

Branca é a tez da manhã”.

Aqui ele invoca o termo açaí como alimento importante aos povos do Nordeste. "Zum de besouro" significa o besouro que é atraído pelo açaí, (sabemos que o açaí foi responsável por muitos casos das doenças de chagas transmitida pelo besouro chamado barbeiro que procuram as palmeiras de açaí para se hospedar). Tez é a “cara” da manhã. Tez significa pele. Aqui é a cor da manha depois de uma noite escura. Branco é o céu da manhã.

O autor usa metáforas para falar da solidão. Djavan declarou que seus versos são simples. Também acho, mas tem que pensar um pouco para entender.

Djavan declarou em um programa de televisão (O Som do Vinil), convencido da simplicidade de seus temas: “Não posso ser culpado pela ignorância e falta de conhecimento de algumas pessoas”

[1] Músico, cantor e compositor – givas.demore@gmail.com