Resumo

Poder-se-ía iniciar esse estudo com uma breve reflexão sobre o que é ser adulto nos dias de hoje em que ainda não se consegue definir uma estrutura teórica sobre o conceito de adultez. No entanto, poderia correr o risco de perder-me diante de um universo tão amplo, tão complexo e que ainda busca compreender em que consiste a idéia de ser adulto num mundo de constantes mudanças de comportamento e atitude.

O século XXI é um período marcado por constantes transformações. E a educação tem sido alvo dessas transformações. Por isso, para se discutir a educação de adultos nos dias de hoje, é necessário compreendermos o que se significa ser adulto e ser maduro no contexto social em que vivemos.

Este ensaio tem como objetivo aprofundar minhas reflexões sobre o ser adulto, oferecendo não somente a mim mesma como ao leitor desta reflexão, a condição de construir conhecimentos os quais possam possibilitar-lhe uma emancipação de idéias e ações diante do universo humano, de pensar e realizar a partir de nossas próprias condições enquanto responsáveis pelo que somos e portanto representamos para nós mesmos e para os outros.

Assim, nos deparamos com alguns autores que tentam explicitar sobre essa tão questionada e conceituada condição, que é a de ser um adulto como: Jacques Racieré, Elliot Jacques, Castãneda, Fabbri,Sinay, entre outros.

            A partir do que diz Fabbri (1978), percebe-se que a adultez e a madurez são duas concepções apesar de diferentes, inseparáveis, visto que não é necessário ser adulto para ser maduro, pois a maturidade pode ser entendida por atitudes que tomamos frente à vida  da qual fazemos parte.  

 

           O pensar aqui é apresentado como um verbo substantivado sugerindo atividade, exercício. E é isso exatamente o que proponho para refletirmos juntos sobre o que é ser um adulto em sua aventura de se tornar um ser maduro.

           

 Apesar de existir uma extensa bibliografia sobre o tema da infância e da adolescência, o mesmo não se percebe quando se trata do tema adulto, pois, observa-se que o estudo da vida adulta encontra-se inscrito muito mais na idéia de conquistas ao longo da vida, do que na própria compreensão do que seja o ser adulto em sua essência. Talvez por conta de pensarmos o adulto do ponto de vista de uma concepção psico-social, não nos permitindo uma reelaboração do conceito e portanto da imagem de ser adulto, em uma mundo repleto de dúvidas, de respostas que muitas vezes não conseguem satisfazer-nos diante de atitudes e comportamentos que não podem e nem devem servir de modelos.

Este artigo é resultado de algumas reflexões realizadas a partir de leituras e discussões promovidas por um seminário cuja temática foi Processos de aprendizagem na idade adulta cursado no mestrado em educação realizado no ano de 2015 na Universidade Del Salvador em Buenos Aires – Argentina.

 

  1. Tentando conceituar o ser adulto

 

Mais do que uma necessidade de compreender o que é ser adulto, é a desconstrução da idéia de adulto como aquele que é capaz de entender e resolver tudo ao seu redor, com a mesma voracidade de um animal em seu instinto de sobrevivência. Isso implica em um exercício individual e coletivo de pensamentos e reflexões, pois, á medida em que tenta-se identificar elementos que norteiam o significado de viver essa fase de vida, ainda assim acabamos por recusar a escolha de não somente de nos vermos, mas de sermos adultos.

 

Talvez o modelo que vivenci-ase nos dias de hoje seja visto como algo que nos traz a sensação de estabilidade (profissional, familiar, etc) esteja sofrendo inúmeras mudanças, as quais resultam sobretudo das pressões que vivenciamos na sociedade,  das aspirações e dos resultados imediatistas, que nos fazem cada vez mais adiarmos nossas escolhas pessoais.

 

As mudanças as quais experimenta-se na sociedade, resultaram dentre outros motivos, do crescimento das aspirações à mobilidade social, da mudança no sistema familiar, assim como da possibilidade de se programar e adiar o momento da procriação, trazendo á tona um possível aumento da esperança de vida.

 

.Apesar do déficit conceitual sobre o que é ser adulto, a temática vem ganhando cada vez mais importância em seus estudos, pois, considerar a adultez enquanto categoria social é entender que esta  fase de vida implicam especificidades, problemas e características próprias, que por sua vez, devem ser objeto de  atenção, de estudo e sobretudo de compreensão das questões sociais que envolvem o contexto de ser adulto.

 

Poderíamos dentro desse universo de complexidade e inúmeras tentativas de chegarmos a uma melhor compreensão do “ser adulto”, pensarmos nessa etapa, se é que poderíamos chama-la assim, como um estágio dinâmico, algo que experimenta a mudança de acordo com o contexto histórico e social em que se encontra.

 

Sabe-se que o próprio conceito normativo e tradicional do chamado “adulto padrão” assenta-se na idéia de que é possível atingir uma maturidade e realização definitiva. Na verdade é um conceito que remete para a origem latina da palavra adulto - adultus que define aquele “que terminou de crescer”.

 

Esse conceito por sua vez, seria do ponto de vista de um quadro tradicional de exigências impostas e não questionadas desde os meados do século XIX até ao final da Segunda Grande Guerra, em que criou-se a  denominação “adulto padrão”, remetendo para a idéia de uma sociedade de produção, ou seja, o adulto da estabilidade profissional, financeira e familiar; que tem um percurso mais ou menos predefinido que projeta a longo prazo a idéia de um adulto “sério” e “formal”.

 

No entanto, após a Segunda Guerra Mundial, sobretudo nos anos 60 e 70, o termo adulto adquire novos significados. A partir dessa suposta estabilidade para se chegar a um possível patamar de ser adulto questiona-se o chamado adulto padrão, trazendo á tona discussões em torno da idéia de ser inacabado, um sujeito que encontra-se em um contínuo processo de construção e desenvolvimento.

 

Explicando melhor a ideia de adulto

 

Como bem coloca Castãneda (2002), através de vários meios don Juan sumerge a su discípulo en una realidad no ordinaria, inexplicable para nuestros esquemas de pensamiento pero no para la sabiduría antigua que trasmite el maestro.

 

Nesse sentido, entende-se o adulto como inacabado, pois, encontra-se numa        perspectiva de permanente evolução, a qual prolonga tempos de experimentação, vive as instabilidades do momento, tornando-se  o adulto das novas profissões e dos novos modelos conjugais que projeta a curto ou médio prazo os cuidados com a saúde, o copo e a imagem.

 

Assim, acaba por se estabelecer uma espécie de paradoxo entre o que se pode chamar de representação tradicional e representação do que é “ser adulto”, surgindo um outro adulto, o qual mistura, integra as duas representações.

 

Nesse sentido, pode-se afirmar que é incontestável que a valorização do trabalho na construção da identidade adulta e em especial a importância atribuída à estabilidade profissional, são requisitos importantes para assegurar essa identidade adulta que tanto buscamos hoje.

 

Existem outros parâmetros que poderemos considerar no processo de adultez, entre eles o lazer, o qual não se traduz necessariamente  nas representações de aventura, pois, o mesmo é visto como uma espécie de recompensa pela capacidade de manter (com relativa satisfação) a estabilidade no trabalho e na família. Esse tipo de atividade acaba por ganhar uma certa expressividade na vida adulta, exatamente porque promove uma conexão com os outros, trazendo um reconhecimento social.

Por outro lado, a família representa valores culturais que são essenciais para o adulto. Independentemente da sua forma, a mesma permanece a célula fundamental para o suporte afetivo dos seus membros. Na concepção da adultez eleva-se, a importância de uma coesão familiar forte e dos suportes afetivos e materiais que a família proporciona, entendendo-a assim como uma representação da diversidade de ser adulto.

Elliot (1965) explica que é importante entendermos que a antes de tentarmos avançar nas construções de novos conceitos e portanto de nossas reflexões sobre adultez, faze-se necessário antes de tudo amadurecermos nosso olhar e nossa escuta para a idéia de madurez, a qual acredita-se está intimamente relacionada com a adultez.

Dentro desse universo de pensarmos o adulto como um ser maduro, muitas vezes nos deparamos com o que chamamos de momentos de “crises”, oriundos de nossas práticas muitas vezes vivenciadas não como gostaríamos, mas como nos são mostradas, o que acaba por nos levar a uma auto exigência sobre nossas ações, levando-nos a uma tentativa de conceitualização de nossas fraquezas e fortalezas, enquanto parâmetro na construção de nosso autoconhecimento.

            Criar buscas permanentes de compreensão acerca de nossas convicções, pensarmos e sentirmos nossa existência não somente do ponto de vista do futuro, mas também do passado e do presente, nos faça talvez entendermos nossa busca incessante para a explicação do que é ser um adulto maduro.

Vive-se em uma sociedade pluralista em que, formada a partir de conjuntos de conhecimentos, habilidades e atitudes que possuem variadas interpretações e representações, com valores próprios.

Mais do que tentar conceitualizar o “adulto maduro”, é preciso entender as várias realidades que o cercam, contextualizando não somente o resultado das experiências vivenciadas, mas, sobretudo o processo no qual desenvolveram-se essas experiências.

Todos, possuem um projeto de vida e o desenrolar desse projeto consiste em construir, assim como uitlizar estratégias de vida, aprendendo que tornando-se adultos á medida em que reconhece-se dificuldades e se vê no outro não como um mero espectador da vida, mas sujeitos que constroem suas vidas e as dos outros.

É nessa sinfonia de viver, que aprende-se a aprender, a amar, a respeitar, a conviver com possibilidades e limites que nos são impostos e nos impomos todos os dias, mas que não esgotam jamais a condição humana de promover novas realidades e novos desafios.

Quantas vezes nos deparamos com situações as quais é preciso  responde-las, mesmo que nos sintamos incapazes de dar respostas, ainda assim, somos levados pelas condições momentâneas a amadurecermos ações e nos comprometermos com seus resultados, sejam eles positivos ou negativos.

Isso acontece por conta de não entendermos muitas vezes as próprias escolhas e acaba-se por cair em abismos que construímos diante da ignorância ao acovardar-se em tomar para nós mesmos o rumo de nossas vidas.

Parece que estamos constantemente em um processo de autodefesa, como se a todo momento estivéssemos nos preparando para uma “invasão”, que nos custa muito mais que nossas resistências em permitir-nos conhecer o “novo”, o “desconhecido”. Isso porque somos incrédulos em relação a nosso potencial enquanto ser adulto em busca de sua maturidade permanentemente, como algo que parece nunca ter fim.

  1. Conquistas e conflitos do mundo adulto

            Nesse cenário de buscas, envolvendo conquistas e conflitos que nos fazem refletir sempre, nos deparamos com uma prática intensiva, que nos coloca no caminho de construção de nossas próprias teorias, dando sentido a nossas necessidades individuais e coletivas e nos confrontando sempre com a idéia de que a aprendizagem na vida adulta nos proporciona situações impactantes, que nos levam cada vez mais a essa necessidade de aprender vista a partir de nosso desafio existencial.

         A discussão de ser adulto e maduro não se encerra no momento de nossa aceitação ao novo, pelo contrário, se inicia quando ao desconhecido nos é permitido  mergulhar  na aventura de aprender com  outro, de ouvir não o que desejamos, mas o que precisa ser. Pensa-se que a maturidade nos promove a sermos pessoas “superiores”, e esquecemos que representa um importante processo de tomada de decisão e posicionamento diante do que queremos e do que buscamos como realizações de vida.

          Agimos de acordo com nossas necessidades e assim vivemos sem nos darmos conta de que nos comprometemos o tempo todo com tudo que decidimos como nossas ações cotidianas. Portanto, á medida em que nos permitimos conhecer, nossas escolhas tornam-se mais reais, mais próximas do que pensamos e entendemos ser os melhores caminhos a trilharmos, pois, “somos peregrinos de um novo amanhecer”.

            Ao tentarmos construir uma reflexão acerca do ser adulto e sua madurez com importante requisito para pensarmos sobre os resultados de suas ações ao longo de sua vida, não poderíamos deixar de pensar também na idéia de ensinar e aprender, levando-se em consideração as questões existenciais anteriormente levantadas ao longo desse ensaio.

           Sabe-se que a escola sempre procurou estruturar-se baseando-se  nos princípios adotados pela sociedade, promovendo dessa maneira, a formação de um educando moldado a partir da manutenção de sua estabilidade e portanto da veiculação de uma ideologia.

        Sinay (2009) diz que não se pode negar as influências das estruturas sócio-políticas e econômicas presentes nas ações docentes como fator determinante de uma educação contraditória aos que nela acreditam como fator de mudança equidade social e que faz-se necessário o enfretamento dos desafios que o mundo adulto nos impõe. Assim, pensar a educação no contexto de mudanças nas relações sociais tem se mostrado uma necessidade urgente entre aqueles que atuam no processo de ensino. Nesse sentido, é conveniente refletir em princípio sobre a concepção de educação que por sua vez deverá fomentar todo um conjunto de objetivos, os quais estaremos dispostos a cumpri-los.

         Quando se fala de Educação de Adultos, nos vem a mente inicialmente as condições que estão sendo oferecidas aqueles que desse espaço precisam para verem-se como parte da sociedade. São muitos os programas oferecidos para o ensino de pessoas que mesmo tendo vivido parte significativa de tempo com relação a aprendizagem sistematizada ofertada nas instituições oficiais, possuem a necessidade de serem vistas em seu contexto de adultos e sociedade.

      Nos países europeus as propostas de educação voltadas a esses adultos, que em sua maioria são trabalhadores, construtores da sociedade, voltam-se para o mercado de trabalho, subsidiando como primeiro objetivo a qualificação para adentrar e se manter no mercado de trabalho, o que acaba subtraindo dos mesmos um importante tempo durante esse processo, que é o de reflexão em relação a si mesmo e ao mundo que o cerca.

         No caso dos países latino-americanos , o analfabetismo por exemplo sempre teve um forte apelo político e ideológico, pois, a medida que a sociedade crescia, com ela a idéia da alfabetização como um forte indicador de evolução. Com isso, acabou-se justificando o atraso de determinadas sociedade a partir da escolarização de sua população. Somente a partir da década de 80 com observações da UNESCO permitiu-se rever o conceito de alfabetização como elemento principal para se “julgar” a incapacidade de alguém frente as demandas sociais.

         A partir desse contexto, reformulações nas políticas educacionais voltadas para educação de adultos aconteceram levando em conta as relações existentes entre sujeitos do processo e necessidades sociais.

 

3.Educação e instrução para adultos

         Mais do que serem levados as práticas sociais da leitura e da escrita, o processo de ensino de adultos instaurado na maioria dos países do mundo, tem modificado seu olhar, visando sobretudo a inserção do mesmo na sociedade do ponto de vista das responsabilidades e compromissos sociais assumidos  em coletividade.

         Sendo assim, partindo da concepção de que um fenômeno concreto não pode ser analisado de um ponto de vista estático, devemos considerar que ao tratarmos das políticas públicas voltadas para a educação de adultos, não podemos esquecer de pensá-las também sob a ótica das estruturas construídas, refletindo também sob a atual conjuntura em que se apresentam.

        O trabalho coletivo é uma exigência da sociedade atual, que nem as, nem as sociedades e nem os governos estão preparados para essa real necessidade de mudança. Entretanto, é sabido que essa dita mudança de comportamento não seja tarefa fácil, pois, como bem coloca Freire (1968), para que essa mudança qualitativa aconteça, precisa se dar no nível de consciência, e para isto é preciso mudar nossas práticas.

        Fica-se então com um grande desafio: Pensarmos em como promover um ensino em que jovens e adultos possam encontrar-se como idealizadores de seus próprios destinos, deixando de serem somente reprodutores de um sistema vigente para tornarem-se aprendizes de uma nova sociedade, em que a tomada de consciência seja antes de tudo proclamada como parte indiscutível no processo de compreensão de suas possibilidade e limites, tendo como base seu desenvolvimento como pessoa e como adulto na busca de sua maturidade.

        Por um momento, a lembrança de uma breve leitura que realizamos durante nossa formação nos vem a mente, ”O maestro ignorante”,  de Jacques Raciére (2007), a qual nos traz uma importante reflexão sobre ensinar, nos mostra mais uma vez dentre tantas a necessidade de revermos conceitos, posições e metodologias, as quais estão repletas de intencionalidades e que na maioria das vezes não as usamos em benefício do ato de aprender, mas do ato de reproduzir ações e práticas edificadas em ideologias que pouco contribuem para nosso crescimento como pessoas adultas e maduras.

        Poderíamos dizer que os obstáculos podem servir de aprendizado? Em que medida podemos afirmar que a aprendizagem do adulto está ligada a sua emancipação? Porque pensamento e linguagem precisam estar sintonizados? Qual o sentido faz pensarmos que idéias são elaborações que requerem, acordos, dúvidas e buscas? Será que somos de fato capazes de superar nossas próprias dúvidas? Como entendermos nossas perdas como ganhos? Pensamos por nós mesmos? Ou pensamos pelo que os outros pensam sobre nós? São questionamentos que nos rodeiam, que nos fazem refletir sempre quanto a nossa capacidade de compreendermos nossas reais necessidades, enquanto adultos maduros.

                

        Em verdade,o sentido da aprendizagem pode acontecer a partir de dois importantes olhares, um está relacionado á questão filosófica quando se trata de saber de se o que o professor diz tem o mesmo significado para quem ouve e o outro é o político quando se trata de saber se um sistema de ensino tem como pressuposto a idéia de redução de uma desigualdade ou uma igualdade a ser verificada.

 

       Nos dois sentidos, percebe-se um discurso dicotômico imposto pelo jogo de forças que regem a sociedade das desigualdades, das contradições, da legitimação das diferenças sob um ponto de vista a tempos questionado, revelando assim as fraturas sociais. Sendo assim, concorda-se com Pierre Furter ( 1978), quando ele nos diz que o ser humano pode ser definido como um ser inacabado; afirmando também que o homem, por ser visto como um ser inacabado, tende a buscar a perfeição.

 

       Pode-se dizer que a educação é, um conjunto de modificações que formam um processo contínuo de formação.  Nesse sentido, pode-se afirmar que o homem é pré-maturo e que vive em contínuo estado de aprendizagem, de amadurecimento. Por essa razão, a educação de adultos tem sentido, pois, o mesmo sempre continuará aprendendo.  Isso significa que é possível, dividir a vida humana em duas partes distintas: o tempo da aprendizagem e o tempo da maturidade.  Assim, a própria noção de maturidade torna-se indefinida, podendo mesmo desaparecer. Sendo assim, ainda segundo Furter (1978), o adulto é, também, um ser aperfeiçoável, perfectível, mesmo dentro dos seus limites e limitações. Em suma, o homem é um ser que aparece imperfeito e inacabado no mundo, tendo como destino, pela sua história pessoal ascender à plenitude, pois, não há possibilidade de definirmos “ser adulto”.

 

4.Considerações para reflexão

 

Pensei em fazer essas observações finais para esse momento seguindo um interessante exemplo proposto pelo professor Helión durante sua aula quando da apresentação de material em forma de aportes que nos sugerem profundas reflexões sobre nós mesmos.

 

Nesse sentido e inspirando-me nesses materiais, resolvi escrever alguns pensamentos, partes inegáveis de minha necessidade de pensar e pensar, para então compreender como melhor compreender-me diante de tantos desafios que vivo e que hei de viver, afinal de contas, como não pensar em desafios se funcionam como nossa mola propulsora em busca de respostas para nossas dúvidas e conquistas.

Reuniu-se todos eles dividindo-os em parte, que por uma questão de organização ficaram reunidos a partir de uma numeração, sem claro que tivesse a intenção de mostrar por uma ordem numérica a importância de um pensamento em detrimento de outro.

A ideia incide em organizar o pensamento permitindo assim que o leitor possa melhor acompanha-las não necessariamente em um “estado de ordem”, sobretudo por não conter regras as quais possam limitar seu olhar e portanto sua interpretação.da adulta acabou por nos oferecer não somente leituras e interpretações sobre o conceito de adultez e madurez, mas nossa condição enquanto homem em tentar compreender esse amontoado de idéias que permeiam nosso mundo, nossas ações enquanto expectadores e partícipes de nossas vida.

 

Mais do que breves momentos de reflexão, o estudo nos proporcionou algo que talvez não tenhamos como explicar com palavras, talvez e creio que somente o tempo poderá nos responder aos resultados de um plantio que parece-me inicia seu processo de germinamento á medida em que suplantamos nossa condição de aprendizes e nos colocamos na condição também de ensinantes.

 

Plantamos e colhemos em seu tempo devido, esperando que os resultados desse plantio possam nos possibilitar frutos carnudos e doces, capazes não somente de nos alimentarmos, mas também a outras pessoas que se permitam e desejem participar desse grande e importante espetáculo que é ser adulto, num universo de idas e voltas que nos dão a possibilidade de amadurecermos diante dos limites e das possibilidades que construímos no percurso de nossa  infinita caminhada rumo a vida.

 

Convido-o agora ao desafio de tentar entender meu olhar e portanto minha compreensão acerca de ser adulto num universo de possibilidades, nunca de limites...

1-Somente seremos livres, quando pensarmos como pessoas livres;

2-O ideal não consiste em que sejamos os melhores, mas que pensemos como seres melhores e isso se torne algo real em nossas práticas;

3-Entender o outro como ser em construção, talvez pareça mais fácil que tentar entendermos a nós mesmos como seres inacabados;

4-Não posso olhar o outro se dificulto a mim mesmo essa possibilidade;

5-Eu quero e posso, mas é preciso se permitir;

6-Porque para construir julgamentos somos tão precisos e diante de nossas fraquezas somos tão lentos?

7-Em verdade, podemos ser como estrelas simplesmente que habitam ou que brilham na imensidão do universo. Essa é uma decisão que somente nós mesmos podemos tomar...

8-Se penso, logo existo, porque minha capacidade de tomar decisões implica em dizer sim ou não?

9-Minha vida de ser adulto não alcança minha maturidade;

10-Igualdades? Porque precisamos? Se temos a capacidade infinita de entendermos  suas condições;

11-Não posso e não devo somente planejar, é preciso concretizar e para isso preciso acreditar;

12-Como posso amar o outro se ainda não aprendi a amar-me em primeiro lugar?

13-Um dos grandes dilemas da humanidade é chegar a uma compreensão sobre o que não se pode entender;

14-Não se pode justificar ações insanas por necessidades humanas. Somos seres pensantes temos a obrigação de realizá-las com responsabilidade, caso contrário viveremos em um estado de caos absoluto;

15-O animal homem é como uma pedra bruta que ao ser lapidada se torna humano;

16-Mais antes voar como pássaros, que viver em terra uma realidade que não me fascina, só me alucina;

17-Porque o homem para umas coisas é um ser pronto e para outras ainda inacabado?

18-O que me faz pensar que posso não é o que os outros me dizem, mas o que me convence do que sou capaz de realizar;

19-Minha perspectiva de realidade muitas vezes de confunde com minha necessidade minhas atitude muito mais perante o outro do que a mim mesmo;

20-Porque insisto em ser o que os outros querem que eu seja? Talvez por não saber quem de fato sou? Assim me permito a manipulação tornando-me uma marionete com movimentos precisos;

21-Quanta hipocrisia num mundo de irrealidades tentando ser real.

   

 Referências

CASTANEDA, C. Las enseñanzas de don Juan. Una forma yaqui de conocimiento. México, Fondo de Cultura Económica, 2002.

ELLIOT, Jaques, “La muerte y la crisis de la mediana edad” (título original: Death and the Midlife Crisis), International Journal of Psychoanalysis, 1965.

FABBRI, Enrique. Adultez o madurez en el mundo de hoy. Buenos Aires. Editorial Latino americana, (1984).

FURTER, Pierre. Educação e reflexão. 5ª edição. Petrópolis : Editora Vozes Limitada, 1978.

FREIRE, P. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1968.

RANCIÈRE, Jacques . O mestre ignorante: Cinco lições sobre a emancipação intelectual. Belo, Horizonte: Autêntica, 2007.

SINAY, Sergio. La sociedad que no quiere crecer: cuando los adultos se niegan a ser adultos.  Buenos Aires, Guarda-Chuva, 1ª edição, 2009.