ACÇÕES ÉTICAS DURANTE A PRÁTICA DOCENTE

MSc. Luís Ramírez Tang

Universidade Católica de Moçambique

Doutorando em Humanidades

ltang@ucm.ac.mz

 

MA. Eduardo Marcelo Fernando

Universidade Católica de Moçambique

Doutorando em Humanidades

efernando@ucm.ac.mz

RESUMO

Neste ensaio analisam-se algumas acções que o docente pode realizar durante suas práticas pedagógicas para um tratamento ético e adequado aos seus estudantes. Partindo do pressuposto que as salas de aulas juntam personalidades comportamentais diversas. O docente deve estar preparado para em primeiro lugar descobrir quanto diferentes são seus estudantes uns de outros e seguidamente atender a tal diversidade a fim de garantir a igualdade de todos durante o desenvolvimento do Processo de Ensino Aprendizagem.

Sistemas elitistas de aprendizagem e o desenvolvimento tecnológico da sociedade contribuem a que em alguns casos seja atendida mais a formação técnica dos estudantes que a formação de valores como a honestidade, responsabilidade e patriotismos os quais devem constituir a máxima aspiração da sociedade para os cidadãos.

Considerando, que os estudantes com algumas limitações físicas ou de aprendizagem, necessitam de maior atenção afectiva, para que se sintam tratados de igual modo em comparação com os estudantes sem tais limitações, o docente deve reforçar acções com eles, para já inclusos, no sistema educativo, se sintam em igualdade de condições e não percam a motivação devido a suas limitações.

Contudo, o exemplo pessoal do docente é um elemento de muita importância. Os estudantes estarão sempre atentos a sua forma de vestir, de se expressar e até do seu comportamento, não só na escola, mas também nos diferentes contextos sociais onde se encontre em cada momento.

PALVRAS CHAVES: Ética, Moral, Inclusão

  1. INTRODUCÇÃO  

Começamos este ensaio com uma frase de uns dos mais relevantes educadores e filósofos Cubanos, José de La Luz y Caballero, que diz: Instruir pode qualquer um, Educar só quem for um evangélico vivo. Onde se interpreta de imediato a diferença entre Instrução e Educação.

Não é possível pensar que o Processo de Ensino-Aprendizagem (PEA) decorra sem referência educativa. Devem evidenciar-se simultaneamente os componentes instrutivos e educativos ou éticos. De nada valeria formar um individuo só com conhecimentos técnicos e não poder comportar-se correctamente de acordo com as normas sociais e o agir de sua consciência em correspondência com o entorno onde se encontre em cada momento.

Para o trabalho se fez uma revisão bibliográfica de autores e obras sobre aspectos éticos relacionados com o PEA, que unido a experiencia profissional do autor possibilita exemplificar algumas acções para contribuir ao tratamento ético dos alunos durante as práticas pedagógicas.

Actualmente não poucos estudiosos das Teorias Contemporâneas de Educação, consideram existir uma crise de valores ocasionada pelo desenvolvimento tecnológico da sociedade e as pessoas interessarem-se mais por este aspecto do que pelas relações de convivência entre elas.

Ao considerar as ideias de Yves Bertrand na sua Teoria Espiritualista de Educação, reconhece o problema criado pelo ser humano, isto é, uma sociedade de consumo e exploração de recursos e de pessoas, criticando o papel destruidor da Ciência e da Técnica. Valoriza a missão educativa como uma oportunidade de desenvolvimento das diversas dimensões da consciência e estimula o conhecer-se a si mesmo como o abro da sabedoria. (Bertrand, 2001)

Interpretando-se o papel destruidor mencionado pelo autor como as consequências do desenvolvimento científico sobre a contaminação do meio ambiente, o perigo para o homem e todo o eco sistema que implica por em risco a vida para as futuras gerações. Assim como a utilização dos avanços da ciência na construção de armas e todo tipo de artefactos que constituem potencialmente perigo para a humanidade.

Entre os objectivos comuns da maioria dos países do mundo quanto a alcançar uma sociedade de convivência adequada, justa e participativa está a de formar cidadãos: patrióticos, honestos e responsáveis. Conseguir a Educação Cidadã constitui na actualidade uma prioridade dos diversos Sistemas Educativos dos países do mundo independente das políticas educacionais imperantes neles.

Ser um cidadão na verdadeira acepção da palavra é ter consciência de seus direitos mas também de seus deveres. Deve-se ter consciência das responsabilidades enquanto elemento de uma coletividade, estado ou nação de forma a atingir o objectivo máximo da cidadania que é o bem comum. Ao longo da História, cada vez que é referido o termo cidadania, origina uma conjugação de obrigações e privilégios entre o indivíduo e a comunidade política. O uso da palavra cidadão prende-se com uma regulação entre os indivíduos que têm acesso livre ao território onde vive a comunidade política e os que não têm acesso livre (Brubaker, 1992).

Quando se trata de educação formalizada deve-se considerar que nas turmas juntam-se estudantes com diversas personalidades. A heterogeneidade dos estudantes numa turma se expressa em que os estudantes são diferentes: biologicamente, psicologicamente, socialmente e para o caso, uma característica muito importante, não tem o mesmo nível cognitivo nem aprendem ao mesmo ritmo. Não considerar este último aspecto pelos docentes na hora das práticas pedagógicas é uma forma de não dar um tratamento “Ético” adequado aos estudantes fundamentalmente durante as aulas.