Uma professora do sistema estadual de ensino publicou na rede social que não via violência no caso. Se a menina não reclamou durante quatro anos, é porque... De forma parecida, um padre de Mato Grosso também assim se manifestou, apoiando a fala do presidente da CNBB., contra o aborto. Para completar, a Damares, ministra não sei do que, resolveu teorizar sobre a sexualidade da criança, com todo o seu cabedal de conhecimentos.
Por essas e outras estamos chegando a conclusão de que as redes sociais permitem a livre expressão de ideias para todo tipo de pessoas e também para os imbecis, que podem expressar coisas que antes só seriam possíveis em banheiros públicos ou conversas de botequins.
Sem dúvidas, causa revolta uma violência ser cometida contra um ser incapaz de reagir durante tanto tempo numa casa e ninguém perceber, a não ser que os demais moradores sejam cegos ou incapazes. Caberia sem dúvida a punição, depois de investigar, por que ninguém tomou providências nesse tempo todo.
Outra questão, que deverá ser examinada pelas autoridades competentes, foi a forma que esse indivíduo doente mental usou para seduzir a criança. Além das ameaças de violência, deve ter usado outras formas perversas de sedução, como promessas de presentes, alimentos e guloseimas. A pessoa responsável pela criança pode também ter sido chantageada pelo poder econômico do estuprador, que usou sua condição de provedor para praticar tais barbaridades.
O que terá acontecido durante todos esses anos no âmbito de uma pequena residência, talvez um cortiço, sem sanitário privativo, onde num mesmo quarto dormem na mesma cama, adultos e crianças?
Esse é o retrato dramático das condições em que vivem milhões de famílias pelo Brasil adentro e ninguém duvide que o criminoso poderá se defender dizendo que foi intimidade consentida, jogando a responsabilidade para a criança a exemplo da professora e do padre.
Que capacidade de discernimento tem uma criança de seis anos ou mesmo dez sobre o seu corpo?
Depois dessa triste história, a dor é maior quando vem à tona que essa criança é apenas uma pequena amostra de uma tragédia que ocorre diariamente em todo o nosso imenso território, onde o estado está sempre ausente.
Além de tudo isso, ainda temos a hipocrisia daqueles que são contra o aborto, mesmo nessas condições, como essa figura de piada de mau gosto chamada Sara Giromini.