Para compreendermos a importância da rotina na educação infantil precisamos desmistificar essa ideia que existe socialmente de que a rotina é algo rígido e pouco flexível, que pode até prejudicar as crianças, quando, na verdade, é justamente o oposto. O tema: rotina na educação infantil, já vem sendo discutido desde muito tempo, porém a grande maioria dos estudiosos não utiliza esse nome e sim cotidiano, ideias diárias, socialização entre outras nomenclaturas.

       A rotina na educação infantil é uma prática educativa presente no dia a dia das crianças, é uma característica própria do sistema de ensino. A rotina na verdade é uma forma prática de organizar o trabalho pedagógico. Devemos considerar também a idade das crianças, a rotina não é feita na educação infantil universalmente, temos as rotinas básicas da que são chegada, lanche, escovação, parque de areia, entre outras e aquelas que são feitas pelo educador e essa última respeita a individualidade de cada criança. Dessa forma, uma das funções da rotina é organizar o ambiente para receber as crianças seja na disposição dos materiais que ali se encontram, seja ao que vamos ofertar a elas.

       O ambiente, principalmente no início do ano letivo que ocorre a adaptação das crianças precisa ser acolhedor que transmita segurança para a criança e a sua família também, e que a criança sinta que esse foi pensado para ela. Pois como aponta Lima, 1989:

       O espaço é o elemento material pelo qual a criança experimenta calor, o frio, a luz, a cor, o som e, em uma medida segurança (...) é um espaço físico que na criança estabelece relação com o mundo e com as pessoas; e, ao fazê-lo, esse espaço material se qualifica. (Lima,1989, p.13)

       E ainda se levarmos em consideração as instituições de educação infantil que os bebês e crianças ficam em tempo integral a rotina se faz ainda mais necessária. Não apenas o ambiente em sala deve ser organizado, mas o ambiente físico também: mesas, cadeiras, banheiros, brinquedos todos voltados para as crianças. Quanto mais o espaço estiver organizado para as crianças, mais elas irão se desafiar e auxiliar na autonomia delas, se sentirem seguras e querer voltar sempre.

         Seguindo esse raciocínio, o uso do tempo também é importante para a rotina na educação infantil, pois dentro da Unidade existem vários espaços que são usados coletivamente como o parque de areia, brinquedoteca, pátio externo e para que haja essa organização faz-se necessária a rotina. Além disso, conforme o educador organiza a rotina e planeja as atividades escolhe atentamente aquelas que mais agradarem as crianças poderá ter uma previsão de quanto tempo cada atividade irá durar.

       As rotinas no cotidiano da sala de referência ajudam as crianças também a se sentirem seguras, pois lhe dão previsibilidade do que farão ao longo do dia. Como afirma Martín,1996:

       As crianças, portanto, de que os fatos se sucedam de uma forma mais ou menos estável, configurando um ciclo que lhes proporciona segurança e eficácia em suas ações (...) as percepções e sentimentos que configuram a vida cotidiana se organizam em torno de fatos passados (lembranças) e de predestinações futuras (espera) que se integram em esquemas de ação e estruturas mentais capazes de ir resolvendo os diferentes conflitos emocionais e de permitir adaptação ao meio. (Martin,1996 p.53)

          As crianças tendo essa previsibilidade do que vai acontecer com elas, colaboram mais e melhor. Quanto ao tempo de atividades precisamos estar atentos à idade das crianças já que tem tempos diferentes de atenção. Vale ressaltar que algumas rotinas são repetitivas como entrada, lanche e saída, enquanto outras podem ser alteradas e serem mais flexíveis de acordo com a necessidade de cada turma.

          Sendo assim, as rotinas devem ser usadas sempre pensando no bem-estar das crianças, e o que é melhor para ela e não voltadas para atender as necessidades básicas dos adultos como uma forma de controle já que a rotina não atinge apenas as crianças, mas são como rituais a todos aqueles que estão nesse ambiente. Que a rotina seja utilizada pelos profissionais de forma intencional, e não esvaziada e sem sentido, ou sem questionar também o “modelo” que já está imposto muitas vezes. Quando nos tornamos flexíveis com relação à rotina tudo fica mais leve, pois em alguns momentos devido às demandas que o professor tem ele acaba ficando “engessado” ou preso na rotina. Portanto, para que isso não aconteça é necessário que o professor esteja conectado com sua turma, atento aquilo que eles pedem e se for necessário mude a rota, tente outras rotinas, encontre o caminho do meio.

*Andréia Paula de Oliveira, Arlete Moreira, Daiane Cristina da Silva, Fabiani Dias dos Santos, Lucicleide Maria e Vânia Souza, Maria Edleuza da Silva Almeida, docentes  da rede municipal de ensino de Rondonópolis.