A organização burocrática

Roberto Ramalho é Relações Públicas, foi vice-presidente da Associação Brasileira de Relações Públicas, seccional Alagoas, [ABRP – AL], é Jornalista, Advogado e Servidor Público Estadual.
Blog: www.alemtemporeal.com.br
E-mail: beto-cavalcanti@hotmail.com

         Desde a criação da organização burocrática no início do século XX, o homem passou a se preocupar mais com o ambiente de trabalho em que vive. Não há dúvida que ela [organização burocrática] deu sua contribuição enquanto prevaleceu como um instrumento útil em seu tempo. Porém, com o advento da Escola de Relações Humanas na década de 30 a administração científica, a tecnocracia e a organização burocrática perderam seu espaço enquanto filosofia de trabalho. Porém veremos a seguir como surgiu à organização burocrática, como se desenvolveu e como e quando deixou de representar um modelo a ser seguido em todo o mundo, embora ainda esteja muito presente nas grandes corporações multinacionais e também nacionais privadas.

          Weber, citado por Bruce Cohen, viu a burocracia como um instrumento eficiente para que uma organização pudesse atingir suas metas com o máximo de utilização de pessoal bem como o mínimo de interferência provocada por interassões pessoais. Para atingir seus objetivos, ele [Weber] enumerou cinco características importantes da burocracia:

1.    Divisão do trabalho especializado – cada pessoa executa uma tarefa perfeitamente definida e confiada a ela;
2.    Hierarquia de autoridade, regras e regulamentos escritos – Significa que cada posição ocupada na hierarquia organizacional, tem responsabilidades e deveres específicos, e o indivíduo no nível subalterno deve dirigir-se à pessoa imediatamente superior, na hierarquia. Aqui, a autoridade repousa no cargo, e não no indivíduo que ocupa o cargo;
3.    Tratamento impessoal dos membros e clientes – Numa organização, os trabalhadores são tratados de acordo com a posição específica que ocupam.
4.    Qualificações técnicas e indicação por mérito – Nesse sentido, as pessoas só serão empregadas se satisfizerem o mínimo de qualificações para a posição a que se candidatam; e por último,
5.    Regras e regulamentos escritos – Aqui as atividades da organização e dos que trabalham nela são governadas por um conjunto explicito de regras e regulamentos.
6.   
          O tipo de modelo de organização burocrático, contudo, defendida pelo sociólogo e economista alemão Max Weber, nem sempre na atualidade as características aparecem juntas nas organizações formais. Hoje, na maioria delas, há certo grau de informalidade presente em sua estrutura formal.

          Mesmo que Max Weber tenha defendido a organização burocrática, Cohen lista 4 [quatro] problemas que podem afetá-la:
1º. Personalidade burocrática - Funcionários que têm uma personalidade burocrática são freqüentemente inflexíveis e incapazes de se adaptar a novas situações... [ ] e independente dos desenvolvimentos que venham a ocorrer, as regras escritas são escritas ao pé da letra;
2º - Ritualismo – Obediência cega as regras de uma organização sem haver um questionamento se elas são ou não benéficas e sem a compreensão do por que do surgimento delas. No ritualismo, o método do ritualismo é mais importante do que atingir o objetivo.
3º - Substituição do objetivo – Inúmeras vezes acontece dos indivíduos que trabalham numa burocracia não se importam com os objetivos de suas organizações e substituem-nos por seus próprios objetivos, mantendo seus status quo na organização ou a abstenção de trabalho e responsabilidade.
4º - Ética profissional – Os profissionais que trabalham nesse tipo de organização consideram que a lealdade à ética de sua profissão é mais importante do que a lealdade a organização para o qual trabalham.

          Para Max Weber, a burocracia constitui-se, para todas as organizações, num elemento incontrastável no mundo moderno devido às características intrínsecas ao seu funcionamento. Tal pressuposto seria válido especialmente em se tratando do Estado devido à sua complexidade. Nesse sentido tem como características o tipo puro burocrático e o modelo de dominação bem definidos como o vínculo prioritariamente profissional ao cargo, hierarquia, competências pré-estabelecidas, seleção por concurso e de acordo com a qualificação vocacional, mérito como norma ascensional na carreira, exclusividade no exercício da mesma nos cargos de alto escalão, disjunção entre o cargo ocupado e os meios administrativos para exercê-lo e o Modelo racional-legal.

          Como podemos observar não é mais a organização burocrática um instrumento a ser aplicado nas empresas privadas, nem tampouco, nas instituições públicas, apesar de sua definição e filosofia estar presente no Estado moderno e nas grandes e médias corporações multinacionais e também nacionais. O que tinha para contribuir já o fez em seu tempo. Hoje, prevalece à escola de relações humanas como um novo paradigma a ser seguido, dando plenas condições de trabalho ao ser humano como o vem fazendo, embora muitos ainda teimem em considerá-la uma filosofia muito democrática e importante para as grandes e médias corporações multinacionais como bancos, indústrias farmacêuticas, de automóveis, de laticínios, entre outras, e no ramo comercial, de grandes e médios supermercados, como o Walt Mart, no exterior, e dos grupos Pão de Açúcar, no Brasil, como exemplo.