A obra literária de Dostoiévski

                                                                       Francisco Hermes Batista Alencar

                                                                                    Maria Cilene Gomes Vieira  [1]

 


 

Consoante Joseph Frank - As sementes da revolta (1821-1849): Além dos irmãos Betékov, Dostoiévski conheceu o renomado poeta, ainda estudante na época, Aleksiei Plescheiev, cujo nome é citado frequentemente nos anais da intelectualidade progressista da década de 1840.

 

Simpático e bem-educado, originário de família aristocrática, Plescheiev, com seu temperamento sensível, compassivo e emocionado, tornou-se amigo íntimo de Dostoiévski, embora a amizade, que se prolongou pelo restante de suas vidas, tenha adquirido, por razões políticas, uma feição mais formal do que cordial a partir de meados de 1860. Conforme Joseph Frank - As sementes da revolta (1821-1849):

 


 

Durante a década de 1840, porém, os dois jovens eram inseparáveis, não só em termos pessoais como políticos: participaram dos mesmos grupos até o momento em que foram presos, e, como demonstração de amizade, dedicavam um ao outro as histórias que escreviam (no caso de Dostoiévski, a pequena obra-prima Noites Brancas). 

Não resta dúvida de que o espírito da obra de Plescheiev impressionava profundamente Dostoiévski; sua poesia, nas palavras de P. N. Sakúlin, "mesclavam sutilmente a religião do socialismo com os ensinamentos do Evangelho sobre a verdade e o amor". 

Seus poemas evocam constantemente o Cristo do socialismo utópico. Num deles, que se tornou "o hino de várias gerações de revolucionários", o poeta exorta os companheiros, como ele condenados à tortura e à execução, a absolver "nossos insensatos algozes", com o perdão cristão.

Esse estado de espírito rebelde, mas abnegado, é provavelmente o que mais se aproxima do ideal social e moral de Dostoiévski naquele tempo. [Joseph Frank - As sementes da revolta (1821-1849) – Dostoiévski]

Segundo Lewis Carroll, em Alice no País das Maravilhas: Você me ama? Perguntou Alice.

 

— Não, não te amo! Respondeu o Coelho Branco. Alice franziu a testa e juntou as mãos como fazia sempre que se sentia ferida.

 

—Vês? Retorquiu o Coelho Branco.

 

Agora vais começar a perguntar-te o que te torna tão imperfeita e o que fizeste de mal para que eu não consiga amar-te pelo menos um pouco.

 

Sabes, é por esta razão que não te posso amar. Nem sempre serás amada Alice, haverá dias em que os outros estarão cansados e aborrecidos com a vida, terão a cabeça nas nuvens e irão magoar-te.

 

Porque as pessoas são assim, de algum modo sempre acabam por ferir os sentimentos uns dos outros, seja por descuido, incompreensão ou conflitos consigo mesmos.

 

Se tu não te amares, ao menos um pouco, se não crias uma couraça de amor próprio e de felicidade ao redor do teu Coração, os débeis dissabores causados pelos outros tornar-se-ão letais e destruir-te-ão. A primeira vez que te vi fiz um pacto comigo mesmo: "Evitarei amar-te até aprenderes a amar-te a ti mesma!"

 

Referências:

 


ALGO, Estranho está acontecendo: 2020, www.youtube.com/watch?v=qm3Gqgh9AoI

CURY, Augusto. As tempestades da vida. São Paulo: Editora Cortez, 2017. 3ª Edição. 281 p.



 

 [1] Vieira e Alencar são psicopedagogos, mestres em ciências da educação pelo IESCECAP – Instituto De Educação Superior do CACAP e FACSU – Faculdade Sucesso de São Bento PB: [email protected]