A LUDICIDADE NAS PRÁTICAS ESPORTIVAS

 

GRANADO, Lucylene Aparecida Lamera  [1]

OLIVEIRA, Sueli Lopes  [2]

ROSA, Fátima Oliveira [3]

SILVA, Divina Xavier    [4]

SILVA, Maria do Amparo [5]

SILVA, Valdinete Nunes [6]

LOPES, Valquiria Ribeiro da Cruz [7]

 

 

 

RESUMO-  O modelo de educação vem mudando constantemente, buscando sempre ferramentas que tornem o saber mais atrativo, uma vez que a Ludicidade é vista como ação educativa integrada e fundamentada na comunicação, na linguagem e nos movimentos naturais da criança. Ela tem como finalidade normatizar e aperfeiçoara conduta global do ser humano, através das experiências sensório-motoras, emocionais, afetivas, cognitivas, e sociais como um todo. Em um monto em que a tecnologia digital vem tomando conta das casas e sendo prioridade na vida das crianças que antes brincavam as ruas e quintais e pensando nisso as escolas precisaram adaptar-se para manter atividades simples mas que auxiliam muito no desenvolvimento físico e pedagógico dos alunos. Nas práticas esportivas por exemplo, a ludicidade é usada como uma ferramenta e auxilia na aprendizagem bem como, tornando mais atrativa a pratica e consequentemente obtendo-se o resultado esperado. O artigo tem como principal objetivo apresentar a ludicidade e seus benefícios quando aplicada nas práticas esportivas  

 

PALAVRAS-CHAVE: Práticas Esportivas;  Ludicidade. Educação.

 

 

 

 

1INTRODUÇÃO

O lúdico a muito tempo vem se tornando indispensável para o desenvolvimento dos alunos da educação infantil, uma vez que torna a aprendizagem uma atividade prazerosa e atrativa, e ainda tem uma efetividade muito maior dos seus resultados.

Ainda que um tema muito falado na atualidade é necessário que se entendam muito mais do que ver o lúdico como brincadeira, mas usando como uma ferramenta que poderosa que venha beneficiar tanto alunos quanto aos profissionais da educação.

Piaget (1987 apud PNAIC 2012) deixa claro que a ludicidade é essencial para o desenvolvimento intelectual das crianças, tornando-se assim, indispensável à prática educativa.

A partir desta afirmação reforça-se o que o trabalho busca apresentar a importância do lúdico no processo de ensino-aprendizagem dos alunos das séries iniciais, levando em consideração a compreensão de Barrozo (2010) quando ele coloca o lúdico como uma ferramenta de aprendizagem podendo proporcionar ao aluno um desenvolvimento integral e otimizado.

Ainda ficara claro que o trabalho vem colocar em discussão que a escola também necessita de atividades que trabalhem tanto a mente quando o corpo para que ambos estejam saldáveis para o melhor desenvolvimento das crianças, evidenciando brincadeiras simples que trarão benefícios imenso desde o desenvolvimento cognitivo até a capacidade de dividir partilhar ou até mesmo lidar com as possíveis perdas que no decorrer da vida essa criança possa ter.

A escolha do trabalho partiu-se desde que observou em loco a necessidade de que os professores tenham uma visão mais ampla das novas maneiras de se proporcionar o aprender sem tornar o tempo passado na escola maçante ou cansativo. Ainda sobre a escolha do trabalho, a partir de visitas em campo, aflorou-se o desejo de desenvolver um método de ensino mais assertivo e o lúdico através de atividades física mostrou-se uma realidade possível e que não está totalmente ligado a recursos materiais, podendo ser utilizados matérias de baixo custo ou até mesmo, somente a criatividade do professor na condução das brincadeiras.

O artigo traz como objetivo principal a importância do lúdico em atividades físicas e objetivos específicos abordará o lúdico como ferramenta para a integração entre as crianças, a importância do lúdico no processo de alfabetização e o papel do professor na utilização do lúdico como ferramenta de desenvolvimento. Estruturamos este trabalho em introdução, referencial teórico, material e métodos, resultados e discussão, e considerações finais.

A construção do artigo partiu-se de uma pesquisa bibliográfica, através de artigos da internet preferencialmente os encontrados no Google acadêmico. Foram citados autores que fomentaram as ideias apontadas do tema proposto e utilizou-se dos critérios de inclusão artigos científicos de língua portuguesa e relacionados com o tema. Como critérios de exclusão foram de artigos sem fundamentação formadas por referências bibliográficas e de línguas estrangeiras.

2DESENVOLVIMENTO

O desenvolvimento do artigo vem de encontro a uma realidade atual onde crianças iniciam cada vez mais cedo sua integração nas escolas, levadas pela necessidade de seus pais ou cuidadores de provem o sustento das suas famílias.

Nas series inicias, utilizam-se do lúdico para trazer situações do dia a dia e proporcionar uma compreensão o que acontece no ambiente que estão inseridos, desenvolvendo diretamente suas habilidades como, criatividade, comunicação, independência, respeito mútuo entre outras diversas.

O termo lúdico traz como significado brincar, e nesse brincar estão incluídos os jogos, brinquedos e brincadeiras, e é relativo também à conduta de quem joga, brinca e se diverte (SANTOS, 2011, p. 57). Nesse sentido, desde muito tempo a ludicidade faz parte da humanidade, para Santos (2011, p.57) “as atividades lúdicas fazem parte da vida do ser humano e, em especial, da vida da criança, desde o início da humanidade, porém, essas atividades eram vistas como sem importância.” Assim, a ludicidade era apenas uma forma de diversão e passatempo, como algo oposto a educação, não havia uma visão de que através dos jogos e brincadeira fosse possível educar.

É papel da escola, considerar o quadro concreto das condições e desenvolvimento dos alunos e de suas necessidades, bem como garantir as condições apropriadas ao processo de ensino-aprendizagem. Assim, as expectativas da escola, por exemplo, devem refletir não uma disposição autoritária elaborada por um determinado grupo responsável por processos decisórios na escola, mas uma orientação de base consensual que reflita a contribuição de toda a comunidade ligada à escola, e não apenas dos profissionais da educação que nela atuam.

De acordo com as ideias de Frabboni (1998),

A ideia de que se aprende brincando e brincando se aprende está diretamente ligada a Educação Infantil. A criação de espaços e tempos para os jogos e brincadeiras é uma das tarefas mais importantes do professor da Educação infantil. Cabe a eles a organização dos espaços de modo a permitir as diferentes formas de brincadeiras e criar o sentido de respeito entre elas para que uma brincadeira mais sedentária não seja atrapalhada por uma brincadeira que exige mais movimentação. O brincar permite ao educador diagnosticar o estágio de desenvolvimento da criança.

É importante ressaltar que o professor atuante na educação infantil precisa estar sempre em constante busca por conhecimento para aperfeiçoar o processo de educar, e principalmente alunos iniciantes no convívio escolar, pois o “novo” deve ser apresentado de uma maneira que seja agradável e motivadora.

Cada criança tem um perfil próprio e uma forma de encarar os desafios e novas etapas que surgem no decorrer de sua vida. Isto deve ser observado pelo educador, onde ele desenvolve o importante papel de amenizar e prevenir possíveis problemas ou dificuldade que está criança encontre no dia-a-dia escolar. O professor passa a ser um referencial para esse aluno e sua atitude torna-se peça chave para a adaptação do aluno neste novo mundo.

A criança tem o direito de usar seu mundo imaginário e construir com autonomia sua própria visão da brincadeira. Santos (2011) nos diz que: Segundo Vigotski (1984, p.162), “ao brincar, a criança está acima da própria idade, acima de seu comportamento diário, maior do 17 que é na realidade”. A criança reage imitando pessoas adultas, no que ela percebe no dia-a-dia, sendo assim ampliando seu vocabulário e socializando-se com as outras crianças.

A educação infantil deve desenvolver um trabalho pedagógico tenho como objetivo o desenvolvimento físico emocional e intelectual de seus alunos. Além de atender as necessidades alimentícias, também atendem as necessidades pedagógicas.

A educação tem como objetivo oportunizar para que possa-se satisfazer as necessidades básicas da criança, proporcionando que a escola transmita um clima de bem-estar físico, afetivo, social e intelectual, mediante a proposição de atividades lúdicas, que levam a agir com espontaneidade, estimulando novas descobertas e o estabelecimento de novas relações, a partir do que já se conhece (MATTA 2001). A

A proposta pedagógica deve ter como objetivos a integração da Educação Infantil no ambiente da Educação Básica como direito das crianças e suas famílias e dever do Estado. Sendo importante que as propostas pedagógicas de Educação Infantil definam-se a respeito dos princípios éticos de autonomia da responsabilidade da solidariedade, do respeito ao bem estar comum e princípios estéticos da sensibilidade, da criatividade, da ludicidade e da diversidade de manifestações culturais e Artísticas.

De acordo com Sant’Anna (2001, p.4):

Na história antiga há relatos de que o ato de brincar era desenvolvido por toda a família, até quando os pais ensinavam os ofícios para seus filhos. Destacamos que para cada época e sociedade a concepção sobre educação sempre teve um entendimento diferenciado, logo o uso do lúdico seguiu tal concepção. Os povos primitivos davam à educação física uma importância muito grande e davam total liberdade para as crianças aproveitarem o exercício dos jogos naturais, possibilitando assim que esses pudessem influenciar positivamente a educação de suas crianças.

A instituição de Educação Infantil deve oferecer as crianças condições para as aprendizagens que ocorrem nas brincadeiras e também aquelas advindas de situações pedagógicas intencionais aquelas orientadas pelo educador.

Winnicott (1975 apud Valle 2011, p. 32) referência que a criança ao brincar aprende sobre o mundo em volta e tem a oportunidade de procurar a melhor maneira de integrar-se a esse mundo que já se encontra pronto ao nascer. Independentemente da idade, a criança sente enorme satisfação ao brincar, sendo viável unir brincadeira e aprendizagem.

O profissional da educação quando trabalha como lúdico e utiliza de expressões corporais beneficia tanto quanto seus alunos, bem como facilita o trabalho de seus colegas, uma vez que todos os profissionais que atuam no âmbito escolar, devem vem a arte de educar como um trabalho multidisciplinar, pois entende-se que toda atividade que proporcione desenvolvimento é benéfica e reflete positivamente em todas as áreas.

Santos (1999) esclarece que ao brincar a criança ordena o mundo à sua volta assimilando experiências e informações, e ainda mais, incorpora comportamentos e valores. Nesse sentido, o lúdico permite que a criança aprenda brincando, fazendo-se necessário que o professor saiba que as brincadeiras devem dispor de teor pedagógico, ou seja, devem ser planejadas e mediadas pelas linhas teóricas da pedagogia.

Em tempos modernos, certos princípios estão em pauta gerando preocupação sobre a ação docente perante os valores que devem ser construídos no processo educativo. Destacamos em especial a indisciplina na Educação Infantil e como o professor está lidando com a falta de limites em sala de aula. Temos que estar consciente que vamos trabalhar com crianças nossos atos pode refletir no comportamento infantil, a ausência de carinho, afetividade traz uma imagem negativa. Com estes conhecimentos teóricos e práticos, o professor vai estar capacitado a identificar as etapas do desenvolvimento e a potencialidade de cada aluno:

“O desenvolvimento é um processo que se dá de fora para dentro. É no processo de ensino aprendizagem que ocorre a apropriação da cultura, a objetivação do homem e o consequente desenvolvimento do indivíduo e a transformação permanente do mundo”. (VYGOTSKY 2008)

 

As escolas ainda que com a evolução tecnológica pode e deve utilizar das brincadeiras que embora estejam enfraquecendo, contam histórias de vida, tanto para manter viva a referência e a tradição que carregam jogos como, amarelinha, morto e vivo, queimada, pular elástico entre tantas outras brincadeiras que desenvolvem a coletividade o senso de responsabilidade e a capacidade de lidar com perdas e frustrações.

“Os jogos e as brincadeiras são elementos privilegiados de desenvolvimento das crianças, mas cabe aos professores criarem propostas pedagógicas que aliem o aprendizado à grande diversão que o jogo e a brincadeira proporcionam” (VALLE 2010, P.68).

Percebe-se o quão importante o papel do professor no ensino aprendizagem, norteando o aluno na prática esportiva, sem o objetivo de torna-lo um especialista, e sim uma pessoa que opte pela melhora qualidade de vida.

 Segundo (Kishimoto, 2001, p.83) ao permitir que a criança manifeste o imaginário da cultura infantil, por meio de objetos simbólicos dispostos intencionalmente, à função pedagógica subsidia de forma integral desenvolvimento. Enfatizando, que todo jogo desenvolvido na escola, respeitando a natureza do ato lúdico, torna-se educativo. 

Para os professores de educação física é necessário que estes compreendam que o seu papel educacional vai muito mais além do que oportunizar atividades corporais a seus alunos, sendo que através de atividades físicas de forma lúdica é possível contribuir com outras disciplinas, bem como nas relações pessoais e na formação do caráter do indivíduo.

As habilidades trabalhadas na atividade são inúmeras, entretanto ela não está preocupada com o deslocamento do basquete, do futebol ou ainda com a velocidade do atletismo. Para a criança, o pega-pega é apenas uma brincadeira divertida e que pode ser repetida muitas vezes, com diferentes colegas e em vários espaços. Segundo Pereira (apud PORTO, 2004, p. 82-83)

 

As atividades lúdicas permitem que vivenciemos com inteireza um espaço-tempo próprio, que estejamos plenos na experiência, nos entregando a ela sem julgamentos, sem coerções, sem imposições e direcionamentos controladores, com abertura para novas possibilidades. Assim, considero como lúdicas não apenas as atividades que envolvem brincadeiras e jogos, mas também aquelas que possibilitam que se instaure esse estado de inteireza e entrega.

 

Para que as atividades tenham sentido na vida do aluno, o professor deve conhecer o mesmo, juntamente com seus interesses e necessidades, para que a aula tome um caminho prazeroso. Somente assim, o aluno conseguirá relacionar o seu cotidiano com as atividades propostas em aula.

    Cada aluno é único e este aprende de acordo com suas necessidades. Desta forma, o papel do professor é proporcionar diferentes formas de jogo para que o aluno consiga solucionar as situações problemas do seu cotidiano. Utilizando sempre o diálogo como ferramenta principal do seu processo de aprendizagem crítica e social.

 

3CONCLUSÃO

O desenvolvimento deste artigo proporcionou uma reflexão sobre o tema apresentado, obrigando a acadêmica aqui citada a buscar conhecimento teóricos e práticos que lhe fizessem de fato confirmar que nos tempos atuais é imprescindível que professores tornem as atividades escolares prazerosas para que o aprendizado seja mais efetivo.

Compreendeu que o lúdico, beneficia todas as áreas de aprendizado e reforça que na educação infantil eleva-se ainda mais sua importância, haja visto que as crianças estão iniciando sua vida escolar mais cedo nos últimos anos, e precisam ver na escola um lugar agradável e atrativo. Porém ainda que pareça só permitir que os alunos brinquem, ficou claro que é preciso entender o propósito de cada atividade desenvolvida com o aluno e sempre partir de um planejamento previamente estruturado juntamente com toda a equipe de profissionais que a escola ofereça, levando sempre em consideração que cada indivíduo é único.

Concluiu-se também que as brincadeiras beneficiam o corpo bem como a mente e podem ainda trazer um entendimento acerca do ambiente que o indivíduo está inserido, uma vez que ainda que não saiba expressar sentimentos e emoções podem se beneficiar de um momento de ludicidade para permitir que o educador compreenda suas emoções bem como, ainda os pontos emocionais que devem ser levado em consideração para que no futuro estes não venham a influenciar negativamente no desenvolvimento e formação do caráter.

4REFERÊNCIAS

 

BARROZO, Vanderléia Moreira. O lúdico e a alfabetização: a importância das atividades lúdicas nas práticas educativas do ensino infantil.

KISHIMOTO, M.T. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. Cortez editora. 5º ed. São Paulo, 2001. 

BRASIL. Secretaria de Ensino Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais

Introdução. V.1. Brasília: MEC, 1997.

RABELLO, E; PASSOS, J. S. Vygotsky e o desenvolvimento humano. Rio de Janeiro, 2006. SHAFFER, D. R. KIPP, K. Psicologia do desenvolvimento: infância e adolescência. São Paulo: Cengage Learning, 2012. STERNBERG, R. Psicologia cognitiva. Porto Alegre: Editora Artes Médicas Sul, 2012. VYGOTSKY, L. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 2007.

SANTOS, Santa Marli Pires do. Brinquedoteca: a criança, o adulto e o lúdico. Petrópolis, RJ: Vozes, 2011.

SANT’ANNA, Alexandre. A história do lúdico na educação.

VALLE, Luciana de Luca Dalla. Jogos, recreação e educação. Curitiba: Fael, 2010. WINNICOTT, D. W. O brincar e a realidade. Rio de Janeiro: Imago, 1975.

 

[1] Graduada em Pedagogia pela UFMT, 2020. E-mail: : [email protected]

[2] Graduada em Pedagogia pela UFMT, 2020. E-mail: [email protected]

[3] Graduada em Pedagogia pela UFMT, 2020. E-mail: [email protected]

[4] Graduada em Pedagogia pela UFMT, 2020. E-mail: [email protected]

[5] Graduada em Pedagogia pela UFMT, 2020. E-mail: [email protected]

[6] Graduada em Pedagogia pela UFMT, 2020. E-mail: iracemaevangelista184@gmail

[7] Graduada em Pedagogia pela UFMT, 2020. E-mail: iracemaevangelista184@gmail