INSTITUTO LUTERANO DE ENSINO SUPERIOR DE ITUMBIARA-GOIAS

 

A INFLUÊNCIA DA MÍDIA NA FORMAÇÃO DA IMAGEM

DO PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA

 

NOVEMBRO 2019

HEBERT OLIVEIRA FAGUNDES

ALVARO DE PAULA BASTOS

GERALDO ESMAEL DE OLIVEIRA

 

 A INFLUÊNCIA DA MÍDIA NA FORMAÇÃO DA IMAGEM DO PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA

 

NOVEMBRO 2019

Cada vez mais, informações e discussões sobre esporte e atividade física vêm sendo divulgadas à sociedade, que é atraída por imagens relacionadas à saúde, corpo, competição, paixão e nacionalismo (MAZO E GOELLNER, 1990, p.9). Essa difusão de informações tem como maiores responsáveis os veículos de comunicação de massa, que segundo Betti (1998, p 9) em seu estudo sobre televisão e educação física, têm promovido uma “espetacularização” do esporte, que hoje está mais ligado ao consumo do que a prática de modalidades.

Não é raro a imagem e assuntos relacionados ao esporte aparecerem na mídia, tanto em programas, jornais e revistas específicos, como também em propagandas, novelas, filmes, desenhos animados. Se por um lado há a vantagem de uma maior divulgação das práticas esportivas, novas modalidades, forma correta de praticar exercícios, que podem gerar maior adesão, por outro lado percebemos falta de rigor e comprometimento com as informações passadas, que vem a provocar uma distorção da intenção e realidade do esporte, e que segundo Betti (1999), se sobrepõe pela baixa capacidade crítica da maioria dos receptores.

Um exemplo disso é o que constataram Santos e Tenucci (2004, p.27), sobre a grande associação de atletas e eventos esportivos ao marketing de bebidas alcoólicas, principalmente na Austrália. “Isso porque esse tipo de marketing dá uma sanção informal e suporta a idéia de que o consumo de álcool é viril, saudável, conduz ao sucesso”, já que “(...) parece haver um consenso que indivíduos envolvidos em atividades esportivas são mais saudáveis e mais preocupados com seu bem-estar.” Essas propagandas de bebidas alcoólicas “tornam-se cada vez mais atrativas para crianças entre 10 e 14 anos. Adolescentes até os 16 anos tendem a acreditar que os comerciais de cerveja promovem masculinidade, sociabilização e valores da classe trabalhadora” (SANTOS E TINUCCI, 2004, p. 27). Até há alguns anos, antes de terem a divulgação proibida, as propagandas de cigarro entremeavam o uso do tabaco à sensação de liberdade, autonomia e bem-estar da prática esportiva.

A atividade física também tem sido atualmente diretamente relacionada ao culto do corpo belo e ideal, principalmente na mídia impressa. Tem-se estabelecido um modelo corporal padrão e subtende-se que aqueles que conseguirem segui-lo serão símbolos de pessoas saudáveis, com boa forma e qualidade de vida.

(...) o corpo musculoso, sarado, restrito a uma parcela muito pequena da sociedade, limitada principalmente pela condição financeira. Porém é esse corpo que serve de padrão, norma de beleza, modelo e sinônimo de saúde e higiene (...) (PAIM E STREY, 2004, p. 3)

Esse apelo ao corpo bonito, magro e ideal tem atingido cada vez mais aos jovens, em especial às adolescentes. Um fato polêmico na atualidade são as mortes que vêm ocorrendo principalmente no “mundo da moda”, de modelos que sofrem de distúrbios alimentares almejando alcançar o padrão corporal necessário para esses trabalhos. Segundo Maldonado (2000, p. 63), em seu estudo comparativo entre duas revistas voltadas ao público feminino, essas revistas usam mulheres na capa com um padrão europeu. Asiáticas, negras e pardas são ignoradas. “A garota da capa tem sempre o mesmo padrão corporal, repetido mês a mês”. Para a autora, os meios impressos analisados “respondem certamente a uma necessidade da leitora, oferecendo a ela este corpo imaginário, este ideal a atingir”.

Betti (1999, p.216), afirma que a mídia (a televisão em especial) torna o esporte fator de espetacularização. Há muita “falação” sobre jogos (de futebol, na maioria das vezes), sobre jogadores, técnicos, seus erros, acertos, salários, suas vidas pessoais, enfim, “a falação informa sobre literalmente tudo” (BETTI, 1998, p.68), e muitas vezes deixa-se de enaltecer fatos e informações mais importantes, como por exemplo, a divulgação de uma nova modalidade esportiva.

Diante desse quadro, percebemos o quanto a mídia pode influenciar no comportamento das pessoas. Para a sociologia, as atitudes humanas são resultados de suas crenças, valores, conhecimentos, normas, que são frutos dos códigos sociais, do seu processo de socialização. Apesar de serem responsáveis pelas suas atitudes, as pessoas, dependendo de fatores sociais, do seu nível de análise crítica, do contexto em que vivem, podem vir a ser influenciadas pelo apelo midiático e formar opiniões, crenças e valores sobre o esporte, e que como já vimos, podem não ser muito reais e apropriados.

Para Knijnik e Souza: A mídia, dada sua capacidade de filtrar os eventos e de atirar imagens sobre as pessoas, se transformou, nas últimas décadas do século XX e início do século XXI, na grande chave utilizada pela sociedade para desvendar o mundo e criar seus códigos sociais. (2000, p. 194)

Desse modo, como o esporte e atividade física têm um importante significado na atual sociedade tendo se tornado populares e penetrantes no cotidiano do homem moderno, há também uma maior demanda por serviços especializados nessa área, cabendo ao profissional de Educação Física o papel de desempenhar essas atividades com a sociedade, incorporando não só os atributos físicos, mas os valores que podem ser demonstrados nessas atividades. Porém com o poder que a mídia tem de expor opiniões, preocupamo-nos com a imagem e repercussão que a mídia possa empregar a essa classe profissional e assim o julgamento da sociedade. Nesse contexto, chegamos à reflexão sobre qual seria então a imagem do profissional de educação física que vem sendo vinculada pela mídia, se é que em meio a toda essa especulação sobre esportes fala-se sobre o profissional e a importância do seu papel social na sua intervenção e orientação de práticas esportivas. Quais serão os possíveis desdobramentos de uma imagem formada equivocadamente do profissional pela sociedade na sua atuação profissional?

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

BARROS, José Maria de Camargo. Educação Física: Perspectivas e tendências na profissão. Revista Motriz, v.2, n. 1, 1996. p. 49-52.

BETTI, Mauro. A janela de vidro-Esporte, televisão e educação física. 11. ed. Campinas: Papirus, 1997.

FERRAZ, Osvaldo Luiz et al. Pedagogia do movimento humano: pesquisa do ensino e da preparação profissional. Revista Paulista de Educação Física, v. 18, 2004. p. 111-122.

FREIRE, Elisabete dos Santos; VERENGUER, Rita de Cássia Garcia; REIS, Marise Cisneiros da Costa. Educação Física: pensando a profissão e a preparação profissional. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, ano 1, n. 1, 2002. p. 39-46.

ISTOÉ. São Paulo Editora Três - jan a jun 2007 Edições

KNIJNIK, Jorge Dorfman; SOUZA, Juliana Sturmer Soares de. Diferentes e desiguais: relações de gênero na mídia esportiva brasileira. In: SIMÕES, Antonio Carlos; KNIJNIK, Jorge Dorfman (Org). O mundo psicossocial da mulher no esporte - Comportamento, gênero e desempenho. São Paulo: Aleph, 2004.

MALDONADO, Gisela de Rosso. A Educação Física e o Adolescente: a imagem corporal e a Estética da transformação na Mídia Impressa. Revista Mackenzie da Educação Física e Esporte, ano 5, n.1. 2006.

MASSA, Marcelo. Caracterização acadêmica e profissional da Educação Física. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte, ano 1, n. 1, 2002. p. 29-38.

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MAZO, Janice Zarpellon; GOELLNER, Silvana Vilode. Esporte e meios de comunicação: Uma reflexão crítica. Revista Kinesis-Centro de Educação Física e Desportos. V.6. n.1. jan- jun/ 90. p.14

RANGEL-BETTI, Irene C.; BETTI, Mauro. Novas perspectivas na formação profissional em educação física. Revista Motriz, v. 2, n. 1, 1996. p. 10-15.