A IMPORTÂNCIA DA MÚSICA PARA O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA NA EDUCAÇÃO INFANTIL

ALVES, Jessica dos Anjos

ANJOS, Rosa Gonzaga

RESUMO

A música é uma linguagem universal, utilizada para expressar, comunicar sensações, pensamentos e sentimentos e ganha ainda mais relevância por deslumbrar não só as crianças, mas também os adolescentes e os adultos. Assim o presente estudo bibliográfico, objetivou averiguar a importância da música como instrumento de apoio no processo de ensino aprendizagem na Educação Infantil. Ao final da pesquisa pode-se perceber que a música desenvolve na criança sensibilidade, criatividade, senso crítico, ouvido musical, prazer em ouvir, expressão corporal, imaginação, memória, atenção, concentração, respeito ao próximo, autoestima, enfim, uma infinidade de benefícios são proporcionados à criança que passa pela experiência e pela vivência dos momentos de educação musical.

Palavras-chave: Música. Ensino. Aprendizagem. 

1 INTRODUÇÃO

A música é, sem dúvida, uma fonte inesgotável de estímulo, e sua prática estabelece no indivíduo uma sensação de felicidade.

A música na vida do ser humano é tão importante como real e concreta, por ser um elemento que auxilia no bem estar das pessoas. No contexto escolar a música tem a finalidade de ampliar e facilitar a aprendizagem do educando, pois ensina o indivíduo a ouvir e a escutar de maneira ativa e refletida.  

Assim, a música, além de contribuir para que os diversos conhecimentos sejam mais facilmente apreendidos pelo aluno, faz com que ele desenvolva sua criatividade, sua subjetividade e sua autonomia.

Dentro do exposto, teve-se como objetivo principal averiguar a importância da música como instrumento de apoio no processo de ensino aprendizagem na Educação Infantil. Escolheu-se o tema música na Educação Infantil, para constatar se o mesmo é utilizado pelos docentes como uma ferramenta educacional em sua prática pedagógica.

Assim, espera-se que com as informações obtidas neste estudo, obtenha-se um resultado melhor em termos de desenvolvimento e aprendizagem.

2 O LÚDICO NO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA

 

E muito difícil justificar a importância da atividade lúdica na criança. Poucos são os que reconhecem que brincar e jogar são importantes para a educação de qualquer pessoa. Se fosse feito uma experiência de acompanhar o cotidiano dos alunos que não fossem submetidos a obrigações pelos adultos, cansar-se-ia de observar o lúdico e seria encontrado vários valores embutidos nestas brincadeiras. Naquilo que tem de mais rico e pensando na educação da criança em sua totalidade, pode-se integrar valores morais, estéticos, racionais e sociais.

Na ação escolar, segundo Brescia (2003), as atividades lúdicas podem ser bastante úteis em diversas situações pedagógicas, dado o seu caráter motivacional. Imbuídos de ludicidade, conteúdos de Matemática, Português entre outras disciplinas, podem ser mais bem dirigidos. E possível brincar de pular corda e aprender português, desde que a aprendizagem da língua não seja o único objetivo, mas que as coordenações de espaço e tempo, as relações sociais, a diversão, a alegria, entre outras coisas, tenham igual grau de importância.

E interessante atentar como as crianças repetem várias vezes certos gestos, geralmente aqueles que acabaram de aprender, sentindo prazer em fazê-lo. Acontece que dificilmente considerar que o ato de aprender não se extingue quando se domina as dificuldades que se apresentam nas situações novas. Não basta assimilar algo novo, como uma operação matemática. A aprendizagem acontece em seguida, pois o que se aprende não pode ser esquecido, e só há um meio para isto: continuar a praticar, ou praticar constantemente.

E muito bom entregar-se à brincadeira, a algo que já está assimilado, basta se deixar levar, usufruindo do prazer que toda a ação coordenada confere; coordenação esta que, se não for exercitada, atrofia-se. Alguma coisa aprendida, se deixada de lado, sem exercício, é esquecida.

A criança que passa pelo processo de estar sempre utilizando seu aprendizado, principalmente quando se fala em regras de brincadeiras, sente-se forte para tentar um passo adiante, o desafio de aprender algo novo. É assim que concretiza-se o processo de aprendizagem, utilizando o conhecimento já internalizado para aprender o novo, fazendo suas próprias relações.

2.1 A Educação do Símbolo

O mundo nos chega pelos sentidos. De várias maneiras o mundo é sentido, cheirando-o, vendo-o, ouvindo-o. De outro lado, quando precisa-se manifestar, sair para o mundo, é pela expressão linguística e motora que é feito. Entre uma coisa e outra é construído os símbolos.

É no movimento de intemalização dos signos e símbolos, que se faz as representações mentais que substituem os objetos e situações reais; é isso que possibilita libertar do espaço e do tempo presentes, fazendo relações mentais na ausência de fatos, pessoas e objetos, simplesmente imaginando.

Segundo Joly (2011, p. 118) “não é só porque corremos, ouvimos, rimos é que somos humanos. Somos diferentes porque aprendemos a aperfeiçoar a arte de trazer para dentro de nós todas as experiências externas e usá-las com criatividade”, conceito este esquecido, muitas vezes, pelos professores.

A criatividade é um dos requisitos mais reverenciados nos planejamentos educacionais. Entretanto, é apenas mais um dentre os objetivos declarados e nunca realizados, fazendo companhia a outros como autonomia, cooperação ou ética.

Ninguém cria se não for livre para fazê-lo. Amordaçados não se fala. As rígidas disciplinas escolares não favorecem a criatividade. O mundo está cheio de problemas, os mais graves de toda a história, e não há quem tenha criatividade para encontrar soluções. Não é somente a atividade lúdica, com jogos e brincadeiras, que pode contribuir para formar inteligências criativas, mas é dela que estamos falando, e é ela que pode fertilizar a liberdade, a criatividade e a ruptura com as velhas fórmulas educacionais.

2.2 A Música

Cada povo, em cada momento da história, tem o seu próprio sistema de organização musical. Ao pensar uma ideia e ao expressar verbalmente essa ideia, a criança se encontra num processo de representação. Quando canta, numa conceituação mais ampla, está fazendo uma apresentação da representação construída através de uma leitura do mundo. Ela utiliza a linguagem verbal e corporal

O educador que pretende trabalhar o desenvolvimento de seus alunos através da música, deverá proporcionar atividades em que a criança possa ouvir, escutar, perceber, descobrir, imitar, repetir os sons, enfim encorajar atividades relacionadas com a descoberta e com a criação de novas formas de expressão.

Tudo isto deve ser realizado respeitando-se o nível de desenvolvimento em que a criança se encontra, adaptando as atividades de acordo com sua aptidões e seu estágio auditivo. Assim será atingida diretamente sua sensibilidade afetiva e sensorial.

O professor é fator fundamental na aprendizagem. De uma forma lúdica, alegre e criativa, ele deverá apresentar a música à criança fazendo com que ela desperte em si mesma o gosto e o prazer por cantar. Utilizando de alguns recursos de uso diário da história, brincadeira, dramatização, expressão corporal e fará com que as crianças se encantem com o maravilhoso mundo da música e sons.

2.3 A Importância da Música na Educação Infantil

Sabe-se que a música tem a capacidade de acalmar, concentrar e disciplinar. Entretanto, tem-se na musicalização uma riqueza que deve ser explorada em sua totalidade.

A música pode contribuir para a formação global do aluno, desenvolvendo a capacidade de se expressar através de uma linguagem não verbal e os sentimentos e emoções, a sensibilidade, o intelecto, o corpo e a personalidade [...] a música se presta para favorecer uma série de áreas da criança. Essas áreas incluem a 'sensibilidade', a 'motricidade', o 'raciocínio', além da 'transmissão e do resgate de uma série de elementos da cultura' (HUMMES, 2010, p. 22).

Beyer, pesquisadora em educação musical infantil, é enfática ao se referir ao ensino de música para crianças. A autora constatou que várias das concepções reveladas em relação à música são voltadas a um pensamento utilitarista:

Música é importante coadjuvante no trabalho psicomotor, inglês, aprendizagem de números, cores, etc [...] música vai ajudar a acalmar as crianças [...] música vai organizar as crianças /.../ música alegra as crianças [...] música é excelente marketing para a escola. (BEYER, 2005, p. 46-47 apud HUMMES, 2010, p. 23).

Precisa-se entender que a educação musical não visa à formação do músico profissional.

Segundo o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (BRASIL, 1998, p. 65), a apreciação musical refere-se à audição e à interação com músicas diversas:

- escuta de obras musicais variadas;

- participação em situações que integrem músicas, canções e movimentos corporais;

- escuta de obras musicais de diversos gê­neros, estilos, épocas e culturas, da pro­dução musical brasileira e de outros povos e países;

- reconhecimento de elementos musicais básicos: frases, partes, elementos que se repetem etc. (a forma).

- dados sobre as obras ouvidas e seus compositores para começar seus conheci­mentos sobre a produção musical.

Portanto, a música deve estar presente na escola como um dos elementos formadores do indivíduo. Para isso o professor precisa ser capaz de conhecer as necessidades das crianças com o objetivo de planejar sua ação educativa de maneira a promover a aprendizagem pela interação do grupo no fazer musical.

Na escola, a música pode acontecer por meio das inúmeras atividades, mas é mediante a musicalização, ou seja, o processo de desenvolvimento da musicalidade, que esta tem acontecido. Construir materiais sonoros com as crianças é um experimento prazeroso, lúdico e que traz muita aprendizagem. Tão importante quanto confeccionar instrumentos é poder fazer música com eles.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Percebeu-se no decorrer do trabalho, que a música, está presente no nosso dia a dia e nós, educadores, precisamos refletir sobre o valor do ensino da música nas escolas. A vivência musical promovida pela musicalização permite na criança o desenvolvimento da capacidade de expressar-se de modo integrado, por meio do brincar com a música, imitar, inventar e reproduzir criações musicais.

Nesse sentido, a música desenvolve na criança sensibilidade, criatividade, senso crítico, ouvido musical, prazer em ouvir, expressão corporal, imaginação, memória, atenção, concentração, respeito ao próximo, autoestima, enfim, uma infinidade de benefícios são proporcionados à criança que passa pela experiência e pela vivência dos momentos de educação musical.

Que este trabalho possa auxiliar docentes que esperam fazer a diferença na vida de das crianças da Educação Infantil e tenham a musicalidade ligada no processo de ensino aprendizagem.,

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Educação. Referencial curricular nacional para a educação infantil. Brasília: MEC/SEF, 1998.

BRÉSCIA, Vera Lúcia Pessagno. Educação musical: bases psicológicas e ação preventiva. São Paulo: Átomo, 2003.

BRITO, Teca Alencar de. Música na educação infantil. São Paulo: Petrópolis, 2003.

HUMMES, Julia Maria. Por que é importante o ensino de música?: considerações sobre as funções da música na sociedade ce na escola. Revista da Abem, n. 11, p. 17-25, set. 2010.

JOLY, Ilza Zenker Leme. Musicalização infantil na formação do professor: uma experiência no curso de pedagogia da UFSCar. Série Fundamentos da Educação Musical, Salvador, n. 4, p. 115-125, out. 2011.

Revisado por Editor do Webartigos.com