A importância da arte na construção de identidade

Francisca de Kassia Carvalho Silva

  Discente do curso de Pedagogia (UFT)

Kassia_carvalho2012@hotmial.com                                         

Resumo

O objetivo do trabalho é evidenciar valor que todos os segmentos culturais têm selecionando para isso chamar a atenção para seus respectivos segmentos de artes como dimensão tão importante quanto o todo complexo cultural, pondo que a escola moderna está em grande dívida com as próprias histórias do mundo uma vez que desconhece ignoram solenemente as contribuições de vários povos que contribuíram e contribuem ativamente para chegarmos a ser o que somos e para tornar o mundo o que ele é hoje. Para tanto colocamos em destaque as culturas e as artes indígenas como elemento que ajuda a pensar a construção indenitária no contexto educacional como um todo, tendo estas realizado (e ainda realizam) grandes contribuições para/na formação histórico-social brasileira. Constatação que se choca com o fato de a temática ter sido assegurada a obrigatoriedade no currículo apenas recentemente com a promulgação da lei 11. 645, de 10 de março de 2008, que versa em seu “Art. 26-A. § 2o Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras.”

Palavras-chave: Cultura; Arte Indígena; Educação; identidade

INTRODUÇÃO

O presente trabalho faz um pequeno tour por conceitos de cultura nas sociedades em que vivemos, acompanhando suas transformações enquanto dosa o texto com críticas pertinentes à escola moderna, no que se refere ao ensino de arte, tem privilegiado o segmento, dito, erudito em detrimento de outros tão ricos quanto este. O trabalho da ênfase à arte indígena; busco assim descrever e analisar um apanhado de como é vista a arte para os indígenas e como esse conteúdo é ministrado nas escolas indígenas. Evidenciando assim quais as dificuldades percebidas em ser implantada nesse ambiente, bem como foi posta essa temática no currículo em si.

Tendo a ciência de que a arte de um grupo só pode ser compreendida em sua totalidade se analisada dentro ou a partir de seu contexto cultural específico, temos uma pequena noção do quão parcial tem sido nosso conhecimento acerca do mundo, pois o sistema educacional de certa forma renega ou rejeita muitos segmentos de arte e o fazendo priva alunos e alunas desses outros conhecimentos. Um exemplo bastante contundente, no que refere à privação de acesso a outros conhecimentos e saberes é o tratamento dado às culturas indígenas no nosso país, e de forma bem mais próxima é a que diz respeito a um povo tão importante para a formação histórica do estado do Tocantins que são os Apinajé, a quem viramos as costas. Nesse sentido, ignorando quase que totalmente sua história e suas contribuições de suma importância para o que somos hoje revela que, mesmo com a instituição do ensino de arte no Brasil, ainda assim, trabalhar com outras perspectivas, gera debates bastante polêmicos.

Para analisarmos a arte indígena de povos tão diversos em conhecimentos, precisaremos abandonar os padrões artísticos ocidentais e tentar ao máximo ver esta arte através da lente como afirma Ruth Benedict apud (LARAIA [200-] p. 01) em seu livro O crisântemo e a espada que “a cultura é como uma lente através da qual o homem vê o mundo”. Os nativo não veem o mundo tal como é, e sim através das concepções do grupo em que vivem, pois desde de que vem ao mundo eles já o encontram como tal e se adaptam de forma natural a ele, incorporando seus códigos e agindo assim, conforme manada a tradição, captando de forma mais próximas suas nuances.

Pois, como sabemos, a arte (entre outras coisas) expressa a identidade cultural de um povo, suas raízes, valores, história. De modo que, para a maioria dos povos indígenas conhecidos ela se combina de maneira quase inseparável do resto da vida social, pois a arte está presente e organiza o dia a dia das aldeias e comunidades, e é passada de geração a geração por mediação tanto dos mais velhos (anciãos e anciãs), como acontecia tradicionalmente, quanto, mais recentemente, através dos professores por meio da educação escolar indígena. Sendo assim aprender arte para eles não é só conhecimento em si, mas remete à sua cosmologia, ou seja, conjunto de significados das coisas para o grupo. [...]