A Implosão do "Sonho Americano"

Por Leôncio de Aguiar Vasconcellos Filho | 12/02/2026 | Política

O histórico político de determinado candidato à chefia de Estado e-ou de Governo pode, muito bem, nos dar a ideia sobre quem será mais atingido por determinadas ordens, emanadas do próprio Executivo, e, se durante a campanha, o agora líder máximo estava mentindo só para se eleger, ou falava a verdade de suas intenções.

No caso do atual presidente dos EUA, Donald Trump, foi visível, até demais, sua sinceridade em desfigurar a identidade étnica de um país de imigrantes, ao materializar o escopo de expulsão de cidadãos de diversos países que, lá, se encontram irregulados. E mesmo que seja às custas do próprio contribuinte americano, dentre os qais aqueles que Trump mais gosta: brancos, ricos, heterossexuais e puritanos. Trump faz isso para não ter que puni-los, conforme abaixo me expresso, mas somente admite aqueles cujos trabalhos manuais (claro, em consonância com os trabalhadores do ramo científico) forem essenciais à construção da potência que ainda serão os EUA.

Agora, vejamos. Expulsar cerca de 11 milhões de imigrantes irregulados custará bilhões em caçadas, processos, manutenções das respectivas prisões, centenas de voos de deportação e desgastes diplomáticos com os países aos quais pertencem estes nacionais. Os EUA poderiam, simultaneamente, manter a imagem de um país de imigrantes legais ao criminalizarem qualquer contratação, destes, por parte de pequenos, médios e grandes empresários. Os empresários seriam sujeitos à prisão e os EUA economizariam bilhões de eventuais caçadas, processos, manutenções das respectivas prisões, centenas de voos de deportação, desgastes diplomáticos e procedimentos de deportação, pois não seriam mais um mercado atrativo aos irregulares, vez que ninguém com um mínimo de autopreservação se atreveria a violar tão draconiana lei.

A fronteira do Rio Grande paulatinamente se esvaziaria de irregulados, que, sem mais a atração do “sonho americano”, ficariam no México ou em seus países de origem. Mas Trump não quer ajudar a prender seus apoiadores das indústrias de alimentos, da construção civil, e, principalmente, de armas e tecnologia, em todas havendo subalternos humilhados e cujo único crime, até a demissão pelos capitalistas no topo da pirâmide hierárquica, foi nascimento em outro país e a geração de lucro aos seus senhores escravocratas, na clandestinidade. Se pegam o ilegal que contribuiu para os lucros dos magnatas da América, estes também deveriam ser presos e ter faturamento confiscado pelos estados, ou pela própria União. E os ilegais teriam, em casos cada vez mais raros (já que a atração pelos EUA praticamente desapareceria), que retornar aos seus países por conta própria, ou com a ajuda de familiares e amigos.

Mas o poder da elite da América, que quer o máximo lucro sobre pobres peões, lançaria toda a sua ira sobre Trump. Mesmo que seu lucro venha dos irregulados, sendo o fim do ethos nacional do “sonho americano”, que, para a maioria, nada mais é que um intenso pesadelo, promovido pela arrogância, pela brutalidade e pelo mau senso de quem, toscamente pensa ainda ser aquele o melhor país do mundo (se equivocam, meu caros...se equivocam).