A FUNCIONALIDADE DO MÉTODO ABA PARA TRATAMENTO DE AUTISTA 

Jaqueline Albano de Jesus 1 Carina do Carmo Couto2 


RESUMO: Estudos apontam que o método ABA (Análise Comportamental Aplicada), vem sendo hoje um dos mais eficazes no tratamento de crianças diagnosticadas com Autismo, Transtorno do Especto do Autismo, ou qualquer forma de desenvolvimento atípico, classificada no CID-10 (Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde ) e pelo DSM-V ( Manual Diagnostico de Saúde Mental ) como transtorno invasivo do desenvolvimento causador de déficits comportamentais. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica e elaborada a partir de materiais já existentes, como artigos, revistas, livros, teses científicas a respeito da funcionalidade do método ABA (Análise Comportamental Aplicada). A presente pesquisa teve como objetivo geral, averiguar os benefícios do método ABA para o tratamento de crianças diagnosticadas com autismo é específicamente, investigar os principais movimentos históricos no Brasil. Pode-se notar que a análise do comportamento deve ser aplicada ou utilizada para entender as necessidades do indivíduo e da sociedade, ou seja, o comportamento a ser estudado deve ser aquele socialmente relevante. Buscou-se analisar os principais movimentos históricos no Brasil, a utilização das técnicas por profissionais e a contribuição dos pais na aplicação do método ABA. Pôde-se observar, portanto, avanços significativos com a contribuição dos pais na aplicação do método ABA (Análise Comportamental Aplicada), indicando a importância da aplicação do método para melhorar a comunicação verbal e não verbal o que mostra a sua eficácia. Palavras-chave: ABA (Análise Comportamental Aplicada), Autismo, Pais. 1 INTRODUÇÃO O autismo é uma condição de saúde do desenvolvimento nomeado inicialmente por um psiquiatra suíço chamado Bleuler, em 1911, essa palavra etmologicamente advêm do grego “autos”, que significa “eu”. Nessa época, o termo ainda era associado à esquizofrenia, 1 Acadêmica do Curso de Psicologia do Instituto Luterano de Ensino Superior de Itumbiara – Ulbra; E-mail: [email protected] 2 Psicóloga, pelo Instituto Luterano de Ensino Superior de Itumbiara – Ulbra Professora do Curso de Psicologia do Instituto Luterano de Ensino Superior de Itumbiara – Ulbra, E-mail: [email protected] 2 mas Bleuler percebeu que havia um grupo de indivíduos que apresentavam dificuldades especiais de interação com outras pessoas e falta de contato com a realidade. Mais tarde, Leo Kanner, psiquiatra infantil austríaco, radicado nos Estados Unidos, mencionou a palavra autismo infantil para se referir a uma inabilidade inata de contato afetivo que acometia algumas crianças pequenas. Kanner (1943) estudou um grupo de 11 crianças com características de autismo e manteve o termo, inicialmente, proposto por Bleuler. No estudo de Kanner, foram identificados sintomas característicos em três domínios: comunicação, interação social e comportamento. Essas características continuam a ser consideradas até hoje como as que definem esta desordem. Já em 1944, Hans Asperger, outro psiquiatra austríaco, descreveu essas mesmas características em indivíduos com capacidade cognitiva normal, mostrando a possibilidade de um grau mais leve. Em 1981, a Dra. Lorna Wing, uma pesquisadora britânica, publicou o artigo intitulado: “Síndrome de Asperger: uma consideração clínica”. Somente em 1994, essa síndrome foi oficialmente acrescentada ao DSM- IV ( Manual Diagnostico de Saúde Mental ) como uma desordem do desenvolvimento. Um marcador biológico ainda não foi encontrado, mas há um consenso de que se trata de um transtorno de base biológica. Podemos definir a síndrome com base nos comportamentos observados. Sabemos que esses sintomas podem mudar com o avanço da idade da criança e que a intervenção precoce é muito importante para o tratamento. Esse distúrbio do desenvolvimento possui múltiplas etiologias e diversos graus de severidade. Na CID 10 (Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde ), apresenta-se o Transtorno Global do Desenvolvimento ( F 84), que inclui Autismo infantil (F84.0), Autismo atípico ( F84.1), Sindrome de Rett ( F84,2), Outro Transtorno desintegrativo da infância ( F84.3), Transtorno com Hipercinesia associado a retardo mental e movimentos estereotipados (F84,4), Síndrome de Asperger (F84.5), Outros transtornos globais do desenvolvimento (F84.8) e Transtornos Globais não especificados (F84.9). O autismo deve ser diagnosticado até os três anos de idade e inclui prejuízos nas interações sociais, na comunicação e a presença de comportamentos repetitivos e estereotipados. Observa-se uma incidência quatro vezes maior em meninos do que em meninas. O DSM 5 ( Manual Diagnostico de Saúde Mental ) propõe a nomenclatura Transtorno do Especto do Autismo, por englobar níveis de severidade e complexidade, assim como novas categorias definidoras da síndrome. Nesse manual, os indivíduos que no DSM-IV-TR foram diagnosticados como Transtorno Autista, Sindrome de Asperger ou Transtorno Global do 3 Desenvolvimento, sem outra especificação, devem ser inseridos em um mesmo diagnostico: Transtorno do Espectro do Autismo (APA,2013). Um aspecto importante é que o autismo passou a ser considerado, no DSM 5 ( Manual Diagnostico de Saúde Mental ), como um transtorno de neurodesenvolvimento, ao invés de transtorno do desenvolvimento. Originalmente, quando Kanner identificou os sintomas do autismo, este era considerado ineducável. Na década de 60, Lovaas e seus colegas mostraram que não só era possível ensiná-los, como também era possível, em alguns casos, normalizar o QI e inserir essas crianças em escolas regulares. A metodologia de ensino era o treinamento por tentativas discretas (discret trial training/ DTT), que consiste em um método comportamental de manipulação do ambiente para mudanças de comportamento. Esse método, ao invés de ensinar uma determinada habilidade de uma vez só, realiza esse processo em diversos passos e utiliza ensaios discretos que ensinam cada passo, um de cada vez. Cada “tentativa de ensino”, é chamada de “tentativa discreta” (Smith,2001) . Uma das principais perspectivas terapêuticas desenvolvimentistas e comportamentais, que apresentam resultados comprovados por pesquisas científicas e ABA, vem da abreviação das iniciais do inglês “ Applied Behavior Analysis” (Análise Aplicada do comportamento). A Análise do comportamento, também conhecida como Behaviorismo Radical ou comportamentalismo, é uma abordagem dentro da Psicologia, que teve como principal mentor Skinner (COUTO; DELGADO, 2015) A Análise do Comportamento é sustentada por um tripé: pesquisa básica, aplicada e teórica. A pesquisa básica busca, com experimentação baseada em controle de variáveis, responder a questões científicas importantes para embasar o escopo teórico; a pesquisa aplicada utiliza os conceitos básicos para intervir em questões sociais relevantes e, a pesquisa e reflexão teórica constroem os conceitos explicativos do comportamento. Assim sendo, a Análise Aplicada do comportamento (ou o termo ABA) nada mais é do que uma linha de atuação dentro da abordagem comportamental, aplicando seus conceitos teóricos e filosóficos às necessidades e os problemas da sociedade Pellegrini et al (2003. p. 120). Dentro dessa perspectiva, define-se o termo ABA como o impacto que o tratamento com Autismo alcançou na área aplicada dessa ciência, gerando associações incorretas, faz-se necessário entender o motivo pelo qual ABA não pode ser reduzida a um método, uma técnica ou um protocolo. Baer e Col (1968) discutem que, para garantir a cientificidade e a qualidade da ABA, os analistas do comportamento deveriam nortear-se por sete dimensões de ciência aplicada. Utilizando a terminologia dos próprios autores, ela deve ser aplicada ou utilizada 4 para entender as necessidades do indivíduo e da sociedade, ou seja, o comportamento a ser estudado deve ser aquele socialmente relevante. A intervenção deve ser, ainda, analítica demonstrando que a mudança comportamental foi produto dos procedimentos e programas comportamentais e não produtos de outras variáveis espúrias não controladas. O método ABA deve ser efetivo para melhorar as condições comportamentais do indivíduo em questão e produzir mudanças generalizadas, ou seja, que os novos padrões comportamentais sejam mantidos no tempo, apareçam em diferentes contextos e que novos comportamentos relacionados sejam desenvolvidos sem uma intervenção direta (GUILHARDI, 2016; ROMANO, 2016 ; BAGAIOLA, 2016). Skinner definiu o comportamento como a relação entre eventos antecedentes (1), as próprias ações dos indivíduos (2), e os eventos consequentes (3); essa contingência de três termos é a nossa unidade mínima de análise de qualquer comportamento. O comportamento, assim definido, foi denominado de comportamento operante; operante no sentido de que a resposta do indivíduo opera no ambiente e este, por sua vez retroage sobre as mesmas respostas. Para entendermos o porquê de qualquer comportamento (incluindo o das pessoas com Autismo), temos que olhar para os eventos que precedem à resposta, bem como para os eventos que a sucedem. Dessa maneira, buscou-se como problema da presente pesquisa: Qual a funcionalidade do método ABA (Appied Behavior Analysis – Análise do Comportamento Aplicada) para tratamento de autista? Partindo desse pressuposto, o Objetivo Geral deste trabalho é averiguar os benefícios do método ABA para o tratamento de crianças diagnosticadas com autismo e, especificamente, investigar os principais movimentos históricos no Brasil, a utilização da técnica por profissionais da psicologia e a contribuição dos pais na aplicação do método. Dentro dessa perspectiva, realizou-se uma pesquisa bibliográfica, com uma revisão teórica das metodologias citadas e das pesquisas que utilizam essa metodologia para a aplicação do método ABA. Assim sendo, o programa ABA constrói pré-requisitos de atenção e habilidades básicas de aprendizagem para que as crianças sejam capazes de aprender sem ajuda a fim de que estejam preparadas para desenvolver conhecimentos complexos. Isso é feito direcionando-se a potencialidade de aprendizagem já presente nas crianças, permitindo que ela seja efetivada de maneira apropriada. A terapia tem melhores resultados, pois “recorre-se” à observação e à avaliação do comportamento do indivíduo, no sentido de potenciar a sua aprendizagem e promover o seu desenvolvimento e autonomia. 5 Pode-se constatar que as características específicas dos principais movimentos históricos do método ABA no Brasil podem ser elencadas como fatores que influenciam as políticas nacionais de Proteção dos Direitos da pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Brasil, 2012), em que as pessoas com TEA são consideradas como pessoas com deficiência para os efeitos legais e têm garantia de atendimento especializado. As políticas de prevenção e intervenção para crianças em situações de risco e vulnerabilidade, como no caso das que apresentam alterações na interação e na comunicação, são preconizadas nas diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS) como essenciais (Brasil,2015). O eixo de atendimento de qualquer trabalho terapêutico estabelecido para atenção e reabilitação para autismo devem ser a ampliação de suas possibilidades comunicativas e a inserção social, com objetivo de estimular a autonomia desses indivíduos (Brasil,2015). Ainda, segundo as diretrizes do SUS, não há uma única abordagem a ser utilizada no atendimento dessa população e a escolha dos métodos a serem utilizados devem ser considerados entre equipe, atendido e família, recomendando que a escolha entre as abordagens considere sua afetividade e esteja de acordo com a singularidade de cada caso ( Brasil, 2014,2015). Embora se reconheça a necessidade das intervenções precoces pelos resultados positivos que alcançam, é reforçada também a importância do atendimento ao adulto e idoso com TEA, considerando que as dificuldades desses indivíduos ultrapassam os anos de infância e juventude (Brasil,2014). Entre as tecnologias de cuidado citadas para o atendimento na rede de atenção psicossocial do SUS como comprovadamente eficazes no casos de TEA estão a Análise do Comportamento Aplicada ( Applied Behavior AnalysisABA ), que tem sido amplamente utilizada para o planejamento de intervenções e, na área de comunicação, o sistema de Comunicação por troca de Figuras ( Picture Exchange Communication System- Pecs), que foi desenvolvido especificamente para pessoas com TEA e transtornos correlatos ( Brasil,2015 ). [...]