A Dialética entre Niilismo e Ateísmo
Por Leôncio de Aguiar Vasconcellos Filho | 17/06/2026 | FilosofiaDesde que as filosofias surgiram, especialmente as desprovidas de crença teísta, houve embates sobre perguntas atemporais que cercam nossa existência. Existiu, e existe, uma doutrina que, erroneamente tida por religião, mais se consagra como filosofia de vida, eis que, em si, não há um deus constituído: o budismo. E, se o budismo não nos convida à contemplação de um deus, o ateísmo tampouco. São, assim, doutrinas completamente compatíveis, eis que expoentes dos mesmos valores, embora por razões diversas.
O ateísmo ganhou bastante força em meados do século XIX, com a publicação da teoria do naturalista britânico Charles Darwin, em especial no seu clássico "A Origem das Espécies", na qual narra serem os organismos resultado de complexos e duríssimos mecanismos de Evolução e Seleção Natural, sendo os fatores genéticos e o ambiente externo, combinados, responsáveis pelo aparecimento de diferentes formas de vida, cujas formas e modos de sobrevida dependem da sua localização geográfica. E todos, neste planeta, seriam descendentes de um mesmo ancestral comum.
O ateísmo, como se percebe, se aproveitou da Evolução e Seleção Natural para "matar Deus". Daí, num ambiente política e economicamente pessimista como o da Europa na segunda metade do século XIX, o niilismo ganha força, dizendo-se uma filosofia negadora todos os valores da civilização humana, por entender que nossas vidas não teriam um propósito real, tendo Darwin como "pano de fundo". A princípio, dita argumentação pode ter valia, mas ao fim se revela um blefe.
Se a Evolução e a Seleção Natural são uma eventual prova da inexistência de Deus, com a negação do Criacionismo, ainda assim não são suficientes a invalidar o sentido da vida, que seria apenas sobreviver. Sobreviver, e transmitir nossos genes às futuras gerações. E é isso o que temos feito, ao menos como espécie homo sapiens, desde cinquenta mil anos atrás (que se estendem, preteritamente, a de dois a oito milhões de anos, com nossos primeiros ancestrais, os australopithecus, na África Oriental).
Portanto, o niilismo é uma falsa filosofia. Afinal, como disse o Buda, para todas as circunstâncias concorreram diversas causas, com diferentes consequências. E, por isso, todos estamos aqui, a fim de embelezar este planeta com o milagre da vida. Por fim, deixo-vos uma frase do grande Albert Einstein: "Há duas maneiras de viver, crendo em milagres ou acreditando que tudo é um milagre".