A BIBLIOTECA ESCOLAR E SUA FUNÇÃO EM TEMPOS CONTROVERSOS

Por Werner Schror Leber | 24/02/2026 | Educação

A BIBLIOTECA ESCOLAR E SUA CONTRIBUIÇÃO AO ENSINO E À APRENDIZAGEM EM TEMPOS DE MUDANÇAS E INCERTEZAS

 

Werner Schrör Leber

 

RESUMO

 

O escrito abaixo visa trazer aportes sobre a importância da biblioteca escolar em tempos de mudanças constantes, seus usos e necessidades, sobretudo àquelas de escolas públicas. Considera-se também que, não poucas vezes, problemas ideológicos possam trazer entraves e tensões nessa jornada. A biblioteca escolar é, ou deveria ser, uma ponte entre professores, coordenadores e estudantes, com o objetivo de contribuir complementarmente ao ensino e à aprendizagem. O acervo da biblioteca escolar, seja ele em livros físicos tradicionais, em livros eletrônicos, quando houver tecnologia que disponha textos nesse formato, ou ainda em pesquisas online quando o acesso à Internet for viável, deve contribuir para ampliar o saber do educando, colocá-lo em posição de protagonismo ao mesmo tempo que representa um desafio a professores no desenvolvimento de uma maneira alternativa e complementar de ensino.

 

Palavras-chave: biblioteca escolar; ensino; livro físico; currículo;  

 

1.0 PALAVRAS INTRODUTÓRIAS

 

Embora fale-se aqui do livro e de bibliotecas, o objetivo é modesto. Visa-se somente as bibliotecas escolares, que são  bibliotecas também em sentido restrito, mas menos pomposas, em geral, que as grandes bibliotecas públicas ou as bibliotecas de grandes universidades. Mas não menos importante nos contextos em que estão inseridas. Esse recuo metodológico, ou esta circunscrição de pesquisa, se dá porque o texto inicialmente foi escrito para a conclusão de um curso de pós-graduação em biblioteconomia e bibliotecas escolares. Agora revisado e modificado, com novas notas e novo arranjo.  

Entre as coisas que aqui se analisa, destaca-se que as bibliotecas escolares, longe de estarem em desaparecimento, ainda ocupam lugares centrais na vida escolar de professores e estudantes. Em muitas situações, é na modesta biblioteca da escola que os estudantes tem o primeiro contato com autores ficcionais da língua portuguesa e de outros idiomas também. As crianças, em um acentuado número de vezes, tem o primeiro contato com textos infantis, com histórias que as encantam e despertam a imaginação  na biblioteca escolar. É na biblioteca que acontecem as contações de histórias - interpretação e dramatização de narrativas - para as crianças. A biblioteca também, em um sem número de casos, constitui-se em um espaço de estudo de realizações de trabalhos que completam os estudos oferecidos em sala para as classes juvenis de final do Ensino Fundamental e de adolescentes do Ensino Médio.  

Observa-se também que os livros são, em regra, expressões das prospecções de temas políticos circundantes. E poderiam esquivar-se desse espinhoso legado? Em outras palavras, estamos a dizer que nenhuma educação é neutra, nem um currículo é neutro nem um romance é neutro, nenhuma ciência é neutra. Não existem textos neutros justamente porque não existem pessoas neutras. Qualquer texto, inevitavelmente, refletirá uma situação determinada e estará como que impregnado pela intencionalidade autoral (SCHOPENHAUER, 2013). Justamente pelo fato disso não poder ser evitado, é que a tarefa de ensinar exige critérios e cuidados nas escolhas do que ler e pesquisar.   

As sociedades, em geral, enfrentam momentos em que as questões políticas tem maior animosidade (tensões internas e externas) e outras em que as tensões afiguram-se menos proeminentes. Tempos polarizados, em regra, geram narrativas e duelos pelo discurso que deverá se impor, independentemente de ser verdadeiro ou não (SCHMITT, 2023). Nesse quesito, por exemplo, surge, inevitavelmente, a necessidade de perceber a polarização política que estamos a viver no mundo atual, com os embates comerciais e políticos entre China e USA, o que nos traz prós e contras em todas as direções de nosso viver e estar o mundo. De nada disso a escola, o ensino e a aprendizagem escapam, estejam professores e estudantes cônscios ou não do problema. Os filósofos existencialistas, nesse sentido, tem nos ensinado que é preciso saber escolher e arcar eticamente com as escolhas (TAYLOR, 2016). O que resta disso é que a biblioteca escolar, como espaço auxiliar e complementar ao ensino regular, terá em suas fileiras o reflexo das questões que se passam na comunidade escolar, na sociedade em geral e no mundo todo.

 

2.0 OBJETIVO PRINCIPAL

 

Apontar a importância e as formas de utilização das bibliotecas escolares em tempos políticos polarizados, de declínio do livro físico em detrimento de tecnologias virtuais, e ameaças à democracia.   

 

2.1 Objetivos específicos

 

a) definir o que seria uma biblioteca escolar e o que a diferencia de outras;

b) descrever a importância da biblioteca escolar para o processo de ensino e aprendizagem conforme a análise de autores e autoras pesquisadas;

c) mostrar possibilidades e caminhos que permitem fazer da biblioteca escolar uma ponte entre os professores, estudantes e a direção escolar;

d) verificar em que medida e polarização política brasileira atual afetas os possíveis usos das bibliotecas escolares e que aprendizagens tal situação proporciona.

 

3.0 TECNOLOGIA, POLARIZAÇÃO POLÍTICA E O FIM LIVRO FÍSICO

 

Não deveriam a bibliotecas escolares e seus acervos físicos já estarem extintos em face dos novos aportes tecnológicos como, por exemplo, o E-book,  Epub, Kindle? Não deveriam elas já estarem em um remoto canto de saudade depois que tudo é conservador e antigo ter sido declarado anacrônico? Pode não parecer, mas não é tão simples.  

Desde tempos ainda imemoriais, por razões várias que agora não podem ser analisadas pela extensividade e problemática, a humanidade deixou inscrições e vários lugares onde habitou. Há, pelo 30 mil, é possivel remontar e encontrar escritos e registros humanos na face da terra. São essas marcações que chamamos assim genericamente de escritas rupestres. Seriam elas o início da escrita, o início do livro? Grosso modo, sim. Livros, é notório, mudam as pessoas e suas formas de relacionamento. 

A face da terra mudou depois que o acesso a livros tornou-se comum às pessoas em larga escala. Se para melhor ou pior, é sempre uma questão de julgamento ético que, por seu turno, também não aceita respostas fáceis e rasteiras. Livros, por via de regra, representam a condensação do conhecimento das civilizações, o que significa sucintamente, que os livros, representados por várias matizes de conhecimentos e informações (científicas, antropológicas, históricas, teológicas, literárias, linguísticas, filosóficas, poéticas, esotéricas e ainda outras), trazem os elementos representativos - as ideologias - de quem os escreveu. Diante da inevitabilidade dessas determinações, cabem somente as escolhas. Quem escolhe? Eis a questão central.

Seja como for, especialmente o livro físico parece que, no dizer de futuristas apressados, estaria com dias contados. Por que então ainda existem bibliotecas físicas? Por que ainda existem bibliotecas escolares com livros físicos? Seria a extinção do livro físico uma miragem na qual caímos facilmente e essas perguntas derivadas do senso comum que, por certo estaria equivocado? Pode ser.

Algo estranho acontece entre nós. Se, por um crivo, não é difícil ouvir-se que livrarias brasileiras estão cerrando suas portas dia após dia, por outro, percebe-se também que o Brasil está andando na contramão das tendências mundiais. 

E o quanto a IA colabora para a extinção do livro físico, se é que colabora, ainda não é possível determinar com dados seguros. No entanto, parece-nos que seja óbvio que a IA (inteligência artificial) ronde nossas escolas, o que causa medo e aflições, e os livros eletrônicos estejam cada vez mais presentes entre professores, pais e estudantes. Mesmo assim, as bibliotecas em geral e, de modo restrito, as bibliotecas escolares, continuam a ter funções e a oferecer espaços que se mantém importantes e ainda são fundamentais ao ensino e à aprendizagem em nossas escolas. No mais a tecnologia, antes de ser uma ameaça, pode ser também uma aliada. Sabemos a complexidade de fatores envolvidos e nem de longe poderemos abordar todos os problemas pertinentes às questões que levantamos. Para nós, ainda assim, é notório que vive-se entre o apocalipsismo - pela ameaça ao que é tradicional - e a aceitação menos preocupada sobre as mudanças e transformações que a tecnologia traz. Conta também os tempos políticos polarizados pelos quais o Brasil e o mundo passa. A sensação que se tem é que tudo está sendo questionado. Porém, os pontos de vista sobre esse fenômeno são também variadas e nem sempre coincidentes. 

 

3.1 Biblioteca e Cultura: ideologia e conflitos

 

Bibliotecas estão diretamente ligadas à cultura de um povo, nação ou civilização (MORO, et al, 2015). De modo sucinto, elas refletem as produções literárias, científicas, filosóficas e estéticas de nossas vivências sociais. É nelas que permanecem armazenado, por via de regra, o legado cultural em forma de registro, seja de modo físico, seja de modo eletrônico, as produções acadêmicas e literárias que são produzidas ao longo de nossa trajetória (MORO, et al., 2015).

Como sabemos também, não existe civilização sem ideologia e, por conseguinte, não existe sociedade, nação, sem tensões e discordâncias, que às vezes são mais agudas e outras vezes mais brandas. Nesse sentido, a ações humanas, entre elas, todos os elementos políticos, legais e governamentais que envolvem o ensino e a aprendizagem,  encontram-se ora entre otimistas e até dogmaticamente esperançosos e os céticos e pessimistas. Esse últimos consideram que vivemos tempos tão antagônicos e perigosos que a esperança ainda tem sentido, mas o otimismo precisa ser impugnado, como pensa o crítico literário Eagleton, (2023). Ele abre seu texto com uma afirmação que vai cabalmente em direção oposta à dos otimistas, que ele considera ingênuos ou simplesmente ou mal-intencionados. Assim escreve ele, em tom dramático e cômico também:

 

Pode haver inúmeros motivos aceitávies para acreditar que uma situação acabará bem, mas esperar que isso acontecerá porque você é otimista não é um deles. Isso é tão irracional quanto acreditar que tudo dará certo porque você é albanês ou porque choveu três sem parar (Op. Cit, p.13).

 

Se uma biblioteca escolar está para o ensino e a aprendizagem, o que é óbvio, é também notório que a pedagogia, os componentes escolares e estruturais de um sistema de ensino ao qual ela serve, não estão isentos de dicotomias e visões opostas (GONÇALVES, 2010). As produções acadêmicas, literárias e científicas são elaboradas por escritores e escritoras de diversos matizes políticos e de diferentes bandeiras ideológicas. Nenhum sistema de ensino está imune a essas tensões. Se ao bibliotecário ou o responsável pela biblioteca escolar cabe o direcionamento técnico do acervo e suas possíveis aplicações na ajuda e colaboração com professores, é preciso também lembrar que escolhas técnicos se dão sobre um acervo cujos autores nunca foram apolíticos e apartidários.

Cabe aqui dizer que autores considerados conservadores alertam para o perigo que ameaça nossos substratos culturais, civilizatórios e ocidentais. Por exemplo, Scruton (2024, p. 101) afirma que vivemos uma “guerra cultural” com consequências devastadoras à cultura tradicional. Xavier e Cysneiros (2023, p. 12), em tom profético, vaticinam que “estamos diante de algo que é, em larga medida, pior do que a simples mentira”.

Se é mesmo assim, ainda não sabemos. Seja como for, sem arrogância mas não sem coragem, nos propomos examinar a função das bibliotecas escolares, sua importância e aceitação entre pais, professores e estudantes. Mesmo que estejamos a viver tempos tão complexos e paradoxais sobre praticamente tudo que nos ronda nos presentes dias, modestamente tentaremos trazer algumas considerações que julgamos pertinentes. Não sabemos se outras culturas, que não seja a ocidental, com forte influência judaica-cristã, como a nossa, sofrem também ataques e questionamentos que vem não dos outros somente, mas também de dentro, de nós mesmos sobre nós mesmos, como ocorre hoje com o legado ocidental.

 

4.0 AFINAL, O QUE É UMA BIBLIOTECA ESCOLAR?

 

De uma maneira sucinta, pode dizer-se que a biblioteca escolar, pensando aqui em bibliotecas de escolas de Ensino Básico, são espaços nos quais ficam armazenados livros, brochuras, mídias, catálogos e diversos materiais de pesquisa destinado ao uso de estudantes e professores. (SALCEDO; STANFORD, 2016). No mesmo sentido, de um estudo especializado e sistemático, que analisa progressos e dificuldades na concretização das bibliotecas públicas e escolares nos termos da LEI federal 12.244, de 2010 e que instituiu as bibliotecas escolares, surge a seguinte afirmação:

É preciso ponderar que um dos requisitos principais para a constituição de uma biblioteca  escolar, hoje, é a existência de acervo que contenha suportes físicos e virtuais, complexos  e dinâmicos, que deve possibilitar ao usuário variadas formas de acesso à informação, deve ser aliado do processo ensino-aprendizagem (MORO, et. al., 2015, p. 31)

 

Nesse sentido, uma biblioteca escolar tem as mesmas funções que bibliotecas públicas municipais, estaduais ou federais, ou de universidades publicas e privadas, destinados para os mais diversos usos de seus habitantes e estudos os mais diversos. No entanto, uma biblioteca escolar, pelo menos no Brasil, geralmente é muito menor que uma biblioteca universitária ou pública de grandes centros, como, por exemplo, a Biblioteca Nacional, que fica na cidade do Rio de Janeiro. Biblioteca escolar também tem acervos muito menores que bibliotecas universitárias e o acervo, em regra, reflete as necessidades locais e as faixas etárias dos aprendentes. De acordo com o comentador, a biblioteca escolar pode ser descrita como sendo a

primeira oportunidade concreta de acesso ao patrimônio científico e cultural. É um espaço ativo de ação pedagógica, com inserção de atividades lúdicas complementares ao processo tradicional de ensino-aprendizagem.(CASTRO FILHO, 2018, p. 362, Apud CALDAS, 2020, p. 95)

 

Já as comentadoras de Universidade Federal da Bahia (UFBA) oferecem uma explicação mais sofisticada, qual seja:  

Na concepção da Biblioteconomia e da Pedagogia, a biblioteca escolar é um laboratório de aprendizagem, isto é, um local onde ocorrem experiências baseadas no uso de fontes diversas de informação. Precipuamente, é um espaço de ensino-aprendizagem vinculado a uma instituição educacional, com o objetivo de dar suporte informacional aos professores e estudantes, acompanhando e ampliando os conteúdos desenvolvidos em sala de aula (LUBISCO; SANTANA; FERREIRA, 2021, p.08-09).

 

 Bibliotecas escolares são espaços que precisam participar da educação dos discentes, e devem a eles oferecer oportunidades de vivências paralelas e complementares à educação propedêutica desenvolvida em sala de aula. O que elas não podem ser é o que as comentadoras CALDAS e SILVA (2020, p. 98) chamam de “depósito de livros ou armariotecas”.  

 

4.1. Tensões e a necessidade da busca constante pela isenção pedagógica

 

Em espaços interativos de aprendizagem, nunca há isenção ou neutralidade, ainda que sua busca deve ser sempre uma meta categórica. Porém, o naturalismo ingênuo vindo do positivismo europeu (LUBISCO; SANTANA; FERREIRA, 2021) não pode estar entre nós. Ao apontarmos acima certos antagonismos e tensões em nossa cultura ocidental, isto é, visões pedagógicas e políticas divergentes e até opostas, estamos tão somente indicando que elas inevitavelmente sempre estarão entre nós. Não há como ser diferente porque não há pessoas neutras, como já dito antes.

Quem ensina e organiza bibliotecas visando ao ensino de crianças, jovens e adolescentes tem também suas próprias convicções. De um modo ou outro, elas aparecerão em sua prática e podem influenciar de diversos modos, sobretudo em crianças. Nesse sentido, dizem as articulistas:

O professor ou qualquer outro agente mediador da leitura traz consigo a grande responsabilidade de formar e desenvolver leitores competentes a partir da postura que assume  diante deles como facilitador e, principalmente, um leitor mais experiente.Formar leitores a partir da literatura é tarefa que exige dedicação, pois todo o sentimento de prazer ou desprazer emitido pelo mediador no ato de ler é transmitido à criança, e qualquer deslize na prática da leitura poderá interferir no sucesso ou insucesso para alcance dos objetivos esperados (FURTADO; SANTOS, 2013, p. 04).

 

Mesmo que sejamos otimistas, e ainda que compartilhemos daquilo que a pesquisadora chama de “otimismo pedagógico”, depreendido da filosofia pragmática de John Dewey (GONÇALVES, 2010, p. 98), é preciso policiar-se para não influenciar e direcionar as descobertas e entendimentos que o estudante consegue construir por si só. O bibliotecário, o mediador, o professor, o organizador de conteúdos, o proponente de leituras e pesquisas em geral precisa estar cônscio de suas limitações e do perigo de suas convicções pessoais, não deixando-as, até onde é possível, contaminar ou influenciar perigosamente a opção do estudante (LOPES; MÜGGE, 2021). Precisa-se, como lembra o reconhecido escritor e ensaísta britânico Eagleton (2023, p. 19), manter “uma tentativa de permanecer friamente lúcido em nome da ação construtiva”. Quem estiver diante do ensino, seja na orientação da biblioteca e seus usos pedagógicos para a aprendizagem ou mesmo em indicações de leitura para afazeres escolares ou retiradas para leitura fora do ambiente escolar, precisa manter a honestidade intelectual e não praticar a desonestidade que certa ala da imprensa pratica hoje ao fingir isenção, neutralidade e, no fim das contas, conduzir e enganar o leitor, o telespectador com discursos tortos, enviesados, ardilosamente recheados de perigos imperceptíveis por causa da militância desmedida e hipócrita.

A jornalista chama essas atitudes de “a era da manipulação e os ataques de falsa bandeira” e de “capitalismo de Estado e a urina de Midas” (SCHMITT, 2023, p, 13 e p. 51). Os temas que a jornalista apresenta e comenta dizem respeito à relação entre informar e não deixar as convicções e militâncias pessoais contaminar ou sobrepor-se à informação e o irrestrito e ardiloso uso de militância para distorcer e omitir informações relevantes. Do mesmo modo que um inteligente mas mal-intencionado jornalista pode levar seus leitores e expectadores a entendimentos pouco verdadeiros, um bibliotecário, professor ou orientador de pesquisa pode também, e por motivos idênticos, levar seus estudantes a entendimentos questionáveis. Infelizmente, seja no jornalismo, seja na educação, em muitos aspectos empresariais e na política, a militância se sobrepõe em um sem número de casos. Transpondo a situação para o caso que estamos a analisar, ou seja, a biblioteca escolar como espaço interativo de ensino e aprendizagem, tal postura pode levar os estudantes a fazer opções que não seriam naturalmente deles. Ser critico, a nosso ver, implica, acima de tudo, humildade e honestidade.

 

5.0 OS PROBLEMAS CULTURAIS ANTAGÔNICOS DE NOSSO TEMPO E SEU REFLEXO NOS USOS DA BIBLIOTECA ESCOLAR

 

O livro e as bibliotecas escolares sobrevivem em meio a muitos ataques políticos bipolarizados que, por seu turno, desembocam em questionamentos sobre temas sensíveis, por exemplo, o meio ambiente, a igualdade econômica, a segurança alimentar, o garantismo jurídico e a inclusão social. Seja como for, as bibliotecas e as escolas continuam a exercer suas funções e a participar da formação de crianças, jovens e adultos. É, portanto, muito óbvio que as bibliotecas escolares encontram-se nos limiares de todas essas questões que perpassam a formação escolar e suas respectivas tensões. A nossa cultura ocidental está, como frisamos, por vários motivos, sob ataques constantes de seus adversários que a acusam de ter promovido injustiças que devem ser reparadas.

Autores contrários à visão antiocidental consideram que há exageros e distorções discursivas que são meticulosamente construídos por enviesamentos e distorções (SCHMITT, 2023). Sowell (2023) tem alertado que pode ser perigoso sacrificar um legado que levou séculos para ser construído às custas de reparos caríssimos e cujos resultados são altamente improváveis. Ainda nessa perspectiva, Murray (2022) traz uma série de apontamentos e descrição de problemas que impactam o ensino, o conhecimento e toda literatura ocidental uma vez que afeta a ideologia que a formou, sua disseminação, armazenamento e disposição ao público.

Para outros autores, amplamente favoráveis a desocidentalização e declaradamente anticapitalistas e antiliberais, como Souza (2018), é mais que necessário que haja essa sacudida para que fique evidente o quanto o capitalismo e o individualismo são nefastos. Nos livros didáticos da área de ciências humanas e sociais aplicadas não é difícil encontrar defensores desse ponto de vista. Em regra, as pedagogias ali arquitetadas, refutam o legado ocidetal por considerá-lo conservador e pouco crítico antes as novas visões de mundo. Como, por exemplo, podemos mencionar Junior editor (2020) e Machado; Barros; Amorin (2020).

De todo modo, os desafios imensos que surgem afetam as nossas fontes culturais, nossa produção bibliográfica e seus respectivos registros formais. Afeta e impacta também a pesquisa e seu direcionamento. Eagleton (2023) é mais pessimista seja qual for a direção e a ideologia que se escolha. Segundo ele, precisamos a aprender a viver com esperança, mas sem otimismo. Seu texto, em linhas gerais, é uma crítica ao que ele denomina “banalidade do otimismo” (Op. cit., p. 13).

Estamos cientes de que há muito em jogo e sabemos também o quão difícil é encontrar respostas. Se é que as há. Mas, como depreendemos, deve haver razões, motivações e funcionalidades que mantém as bibliotecas escolares ativas e que, ao mesmo tempo, as impede de sucumbir por completo ante as tecnologias, mídias modernas e profetas de sua completa extinção. Deve haver também razões que as mantém de modo físico e com livros e textos físicos, mesmo vivendo sob o ângulo pedagógico, visões antagônicas sobre nossa sociedade, seu surgimento, sua importância e a forma como se produz saberes e ciência.

O que se percebe é que as bibliotecas, as escolares em particular, continuam vivas e com apreço entre os estudantes e professores. E, nesse caso, fala-se do livro físico, do livro tradicional, mesmo tendo, em muitos casos, acessos à internet instalados para pesquisar em livros de formatos eletrônicos ou fazer consultas em sítios especializados sobre os temas que se estiver a estudar. E por qual motivo? É o que será aportado em alguns passos na sequência de nossa investigação.

 

 

6.0 FUNÇÕES E USOS DA BIBLIOTECA ESCOLAR

 

Uma importante função da biblioteca escolar é servir de apoio, de ponte, para que professores possam organizar suas aulas, desde o planejamento e escolha temática como também na execução. O auxiliar de biblioteca ou o bibliotecário não substituem os professores. Mas podem sim ser auxiliares na sugestão de materiais (textos, mídias) que colaborem para a aprendizagem. Simões, et. al (2019, p. 02) dizem que a “[…] as bibliotecas apresentam-se como algo a mais para qualificar a educação”. Entre esse “algo a mais” podemos citar a Metodologias Ativas, das quais hoje tanto se fala. Por que elas surgiram? As autoras trazem uma consideração que colabora para apontar a direção dos novos tempos educacionais:

No final do século XX, o avanço da tecnologia trouxe mudanças culturais, sociais e  tecnológicas remodelando as formas tradicionais de acesso à informação. Tais mudanças impactaram na prática escolar e no processo de ensino e aprendizagem, pois a informação agora está em toda parte. A construção de novos conhecimentos é, agora, atravessada pela multiplicidade de informações e pelo dinamismo dos meios de acessá-las. [...] Buscando remodelar a forma de transmitir o conhecimento, histórica e estruturalmente conteudista, entraram em cena as metodologias de aprendizagem ativa. Um processo de ensino no qual o estudante é protagonista do seu próprio aprendizado e o professor, por meio de sua prática, se torna o mediador do conhecimento (ESTÉVÃO e SILVA, 2024, p. 01).

 

A biblioteca escolar pode e deveria ser uma ferramenta dialógica entre os profissionais da educação e os estudantes. O que isso significa? Em linhas gerais significa estabelecer formas mais interdisciplinares e que exijam um outro jeito de fazer educação. Tais procedimentos exigirão também compromisso de todas as partes envolvidas. Romper com laços dogmáticos arraigados da tradição, romper com o comodismo, com a visão tradicional é sempre um desafio para professores, orientadores, coordenadores, diretores. Nesse sentido, a biblioteca escolar, se bem equipada e com um corpo diretivo que também quisesse agir de modo dialógico, popela biblioteca escolar estabelecessem estudos mediados pela tecnologia, pelo uso do acervo de uma forma inovadora e desafiadora. 

Um bom acervo de bibliotecas escolares pode ser muito útil para produzir coisas novas, descobrir outras possibilidades e inovar na maneira de ensinar e aprender, em poucas palavras, arriscar-se no desconhecido. Ainda na perspectiva dialógica que mencionamos, cabe também que frisar que, em regra, a biblioteca assume ou deveria assumir a função de “mediadora no processo” e também a função de “a motivação da pesquisa” (ESTÉVÃO e SILVA, 2024. p 03).

Outra prática, já muito conhecida, mas muito relevante é a contação de histórias. Nesse caso, como é óbvio, a prática alinha-se mais com crianças e pré-adolescentes, mas não exclui estudantes de idades maiores, isto é, adolescentes das fases finais de Ensino Fundamental e Ensino Médio. Em nosso entendimento, o livro físico torna a contação de histórias mais aprazível porque permite ao contador um traquejo que o livro eletrônico não permitiria. Contação de histórias podem teatralizadas sem a internet. Nem sempre a internet está presenta nas bibliotecas. No mais, ela pode também estar com sinal falho ou simplesmente com problemas de acesso. O livro físico sempre é um bom companheiro porque na contação de histórias há emoções envolvidas. Nas leituras de livros os estudantes tê contato direto com o texto sem precisar de um suporte tecnológico que o transporte.

Mais um aspecto que a biblioteca escolar pode desenvolver diz respeito à sua organização física, o que envolve seus espaços, a forma com as estantes estão enfileiradas, as mesas para estudos e leituras e o envolvimento dos estudantes na organização e necessidades que surgem. Nesse sentido, os estudantes podem ser levados à biblioteca para encontrarem os assuntos e problemas que devem ser investigados. As especialistas dizem que

A participação dos alunos como ajudantes da biblioteca também é uma iniciativa simpática e que pode interessar e atrair crianças e adolescentes para se familiarizarem com o ambiente. Destaca-se a relevância da biblioteca para apoiar e participar do desenvolvimento da pesquisa escolar demandada e orientada pelo professor, visando a que os estudantes ampliem seus conhecimentos a partir dos conteúdos estabelecidos no currículo escolar; mas ela pode ir além, passando a ser um estímulo ao desenvolvimento do espírito investigativo, o que se considera um processo natural, tendo em vista a curiosidade inerente ao ser humano (LUBISCO; SANTANA; FERREIRA, 2021, p. 09).

 

Mesmo que viva-se em tempos que chamamos de “extinção do livro físico”, isso pode ser apenas parcialmente verdadeiro. O motivo central de as bibliotecas escolares sobreviverem encontra-se nos custos. Tecnologia é muito cara. Manter rede de internet de boa qualidade tem custos. Um tablet, por exemplo, para ler no formato Kindle é caro e precisar-se-ia uma série deles para uma turma de estudantes. Precisamos levar em consideração que a grande maioria de nossos estudantes brasileiros dependem de escola pública. O livro físico para pesquisas e leituras em geral, romances, séries de filmes, ficções as mais diversas e mesmo livros das áreas de conhecimento disponíveis fisicamente ainda atendem melhor as necessidades de nossos estudantes.  

 

 

7.0 A NECESSIDADE DE UM RESPONSÁVEL OU BIBLIOTECÁRIO

 

Compete também mencionar que seria importante que as escolas dispusessem de uma pessoa para atuar exclusivamente no ambiente escolar, o bibliotecário, e que houvesse uma relação construtiva entre a direção da escola, a coordenação pedagógica e o corpo docente.

Seria, por muitos motivos, impensável até sem um responsável ou um profissional gabaritada e habilitado. Caberia a ela formas de estabelecer relações entre o tradicional e as novidades que não cessam de surgir. Daí segue-se que o bibliotecário precisa também reciclar-se periodicamente por meio de estudos, conferências, e congressos.

Nem sempre as bibliotecas escolares estão equipadas com internet de boa qualidade e computadores que permitam consultas a textos eletrônicos, sites especializados, filmes e temas específicos previamente planejados para ser desenvolvidos na biblioteca. Mas há ainda mais uma questão, que é basilar em nosso caso. Geralmente as bibliotecas usam o livro físico. Por exemplo, uma professora ou professor de língua portuguesa poderia levar os estudantes a ler poesias ou ler trechos de uma obra de machado se Assis. Nesse caso, supõe-se que a biblioteca tenha volumes suficientes de livros de acordo com a quantidade de estudantes que estão a participar da aula.

O livro físico, nesse caso, é mais viável por uma razão que vamos apontar. Nem sempre o local em que estão os computadores escolares – a chamada Sala Informatizada - é o mesmo local em que está a biblioteca. Geralmente as bibliotecas são simples salas de aula que estão sendo usadas como biblioteca. Desse modo, não caberiam 30 computadores com mesas, mais o acervo físico da biblioteca em uma simples sala de aula. Somente escolas públicas mais modernas possuem bibliotecas escolares em que se combine acesso de internet com a pesquisa literária ou de biologia, por exemplo. Em regra, não é assim que as coisas funcionam na maioria de nossas bibliotecas escolares.  

 

 

8.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

Como procuramos cristalizar, as bibliotecas escolares, às vezes mais precárias, às vezes mais rebuscadas e com acervos modernos, podem ou deveriam, contribuir decisivamente para melhorar o conhecimento desenvolvido nas escolas.

Nesse sentido, as bibliotecas são ou deveriam ser pontes entre a coordenação escolar, os professores e estudantes com o intuito de melhorar a aprendizagem e também levar estudantes a pesquisar e não ser apenas receptores passivos no processo. No mais, sob esse crivo, a pesquisa na biblioteca pode ser um elemento novo para os estudantes à medida que é uma alternativa à tradicional sala de aula

Acervos bibliotecários não estão isentos de pressupostos dos autores que os produziram. Os respectivos autores de obras tem suas ideologias e os profissionais e estudantes também. Isso é normal e natural. Mas tensões podem surgir. Ao bibliotecário não cabe direcionar as ações ideologicamente, ainda que ele tenha as suas próprias visões, mas contribuir da maneira mais neutra e isenta, respeitando as partes e convicções de cada um. O mesmo vale aos professores. Cada qual, como sabemos, tem suas convicções, mas elas deveriam ser segundo plano ante a necessidade de formar democraticamente.

As bibliotecas escolares de escolas públicas são ainda necessárias e fundamentais. Mostramos que os custos são um problema. Livros eletrônicos tem limitações financeiras e tecnológicas: custam caro, precisa-se de vários exemplares para um única turma e internet adequada. Infelizmente, na escola pública, há sempre acentuada carência nessa área. Os estudantes do ensino público ainda leem livros físicos e os livros didáticos recebidos dos programas do Livro Didático do Governo Federal, também são físicos. Embora exista a preocupação de que o livro físico esteja em extinção, o que ocorrerá inevitavelmente em algum tempo, nos parece que esse tempo ainda está distante. Parece-nos mais adequando dizer que continuar-se-á por um bom tempo ainda convivendo com um sistema híbrido, no qual o acesso à internet poderá guiar a ação educativa de pesquisa, aprendizagem e investigação científica, mas o livro físico continuará a ser útil de muitos modos.

Como tentamos deixar evidente, o Brasil e o mundo passa por momentos em que a democracia ocidental está sob ataque em diversas frentes. Conservadores veem esses ataques de uma forma e os progressistas, os adeptos da cultura Woke, a chamada Justiça Social Crítica, vêm o problema de outro modo. Mas ambos os lados acusam-se mutuamente de serem detratores da democracia. Ambos os lados adotam posturas dogmáticas e, não poucas vezes, de exclusão mútua. As bibliotecas escolares, o currículo escolar, independentemente do ângulo que se adote, estão envolvidos nessas tensões e não podem evitá-las. Como contorná-las? A nosso ver, um caminho adequado implica não atirar-se a nenhum dos lados euforicamente, mas perceber que o saber nunca de um lado só. Ao bibliotecário e aos profissionais da educação compete a isenção, o quanto for possível, para não sonegar informações e deixar o aprendente construir por si seus entendimentos. Orientar estudos, desenvolver pesquisas, elaborar novos conceitos não deveria ser o mesmo que alavancar partidários de concepções à favor das opções pessoais de profissionais da educação, sejam eles bibliotecários, coordenadores, diretores ou professores.

 

 

 

 

9.0 REFERÊNCIAS

 

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ESTEVÃO, Ana Cecília; SILVA, Luciana Rodrigues. O uso da biblioteca escolar como parte  integrante das metodologias ativas no  processo de ensino e aprendizagem: panorama nacional. Encontros Bibli, Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, v. 29, pp. 01-22, 2024. DOI: https://doi.org/10.5007/1518-2924.2024.e94049Também disponível em: http://www.scielo.br/j/eb/a/3PPgszBtts5Rvh7xCfHM6ss/?format=html&lang=pt. (acesso realizado em 01 de novembro de 2025)

 

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