A Belíssima Língua Portuguesa

Por Leôncio de Aguiar Vasconcellos Filho | 12/02/2026 | Filosofia

A língua portuguesa. Tão única quanto bela. E sua beleza, tão monumental, é confundida por seus próprios locutores com complexidade. Ora, é justamente a complexidade, expressa no escrever e no falar, que a torna tão atraente. Miguel de Cervantes, o grande autor espanhol, de clássicos como “Don Quixote de La Mancha”, a definiu como “doce” e “agradável” (e ele se referia à versão antiga, representada pela comunicação de sua época). De idêntico modo, o maior épico de nossa língua, “Os Lusíadas”, de Luís Vaz de Camões, deveria nos dar um banho de orgulho, pois todos somos lusófonos. E, quanto a “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”, que fiou o Nobel de Literatura a José Saramago, nada a acrescentar.

Nossa língua não deveria ser tão maltratada e obscurecida, já que somos o único país da América que a possui como oficial, e, assim, na condição de identidade regional: a América Hispânica se dividiu em dezoito soberanias, assim como as Américas Britânica, Francesa e Neerlandesa se fragmentaram em países e territórios dependentes. Já a América Portuguesa se manteve numa única soberania, imensamente maior que a soma total da maior parte de todas as demais. E o mais impressionante consiste no fato de noventa e nove por cento da população da América Portuguesa falar o mesmo idioma, algo raríssimo nos países territorial e populacionalmente continentais. Claro que, dentro deste imenso território, há variações, mas nem por isso seccionadas em línguas diferentes.

Variações, decorrentes de ser América Portuguesa, no número de habitantes, o sexto maior país do mundo, fazem parte da evolução linguística entre os falantes de norma culta (e não o que que a usam de forma errônea e grotesca). Da mesma forma, ocorrem em relação à comunicação utilizada em Portugal, na África e no Timor-Leste, eis que a distância geográfica coage os grupos nacionais a, na ausência de um constante e mútuo contato, desenvolverem os seus próprios meios de escrever e falar, culta ou grosseiramente. Mas, ainda, não ao ponto de culminar em línguas diferentes, como alguns acadêmicos tencionam considerar.

Somos a quinta mais numerosa comunidade linguística do planeta, e devemos lutar para que ainda venhamos a ser considerados, por décadas e séculos. A dita proposta é perigosa e precipitada, já que não somos fluentes em "brasileiro", mas em português. Só assim seríamos se grande parte das variações ocorresse entre um povo letrado, e, portanto, na forma de uma natural evolução idiomática. Mas todos sabemos não ser esse, infeliz e especialmente, o caso da América Portuguesa. Pensar diversamente seria o mau uso chancelar.

Independentemente disso, gratos sejamos por lusófonos sermos.