A atividade jornalística.

Roberto Ramalho é formado em Relações Públicas, jornalismo e Direito pela Universidade Federal de Alagoas.
E-mail: beto-cavalcanti@hotmail.com

A atividade jornalística é sem dúvida nenhuma muito eclética e dinâmica. De acordo com a maioria dos autores que escreveram ou escrevem sobre jornalismo, entre eles Mário Erbolato e Nilson Laje, essas são as principais funções que um jornalista exerce: Repórter de Jornal; Repórter de Rádio ou Rádio-Repórter; Repórter de Televisão; Repórter Fotográfico; Repórter Cinematográfico ou atualmente Câmera-Man; Redator; Noticiarista; Revisor; Ilustrador; Diagramador.
        
Além dessas, são também privativas no exercício profissional do jornalista, segundo o Decreto nº83. 284, de 23 de março de 1979, que regulamentou a profissão, as funções de: Editor; Editor-Chefe; Chefe de reportagem; Chefe de produção; Chefe de revisão; Pauteiro; Correspondente; Diretor de sucursal; Secretário; Sub-secretário; Enviado especial; Cronista; Colunista; Articulista; Cartunista; Professor Universitário, entre outras.
        
Portanto, a profissão de jornalista envolve uma série de atividades com o objetivo precípuo de levar a informação aos diversos segmentos de público, sejam eles leitores de jornal ou de revistas, telespectadores, ou ouvintes de rádio. O início de uma matéria jornalística propriamente dita origina-se após o jornalista entender e compreender que um determinado fato social e um acontecimento podem ser transformados em notícia, ou seja, a veiculação, o relato de um acontecimento que despertará o interesse público.
        
Assim sendo, só será considerada notícia o acontecimento que se revestir de extrema importância e for do interesse público.
        
Daí a profissão de jornalista se constituir numa das mais importantes pela sua natureza peculiar: informação, entretenimento e
        
A jornalista Portuguesa Isabela Gradin, autora do Manual de Jornalismo, argumenta ser importantíssimo a necessidade do profissional de Comunicação Social, em especial o jornalista, conhecer profundamente a sua língua pátria e dominá-la.
         
“A língua é para o jornalista o que a enxada é para o agricultor — um instrumento de trabalho — e precisa dominá-la perfeitamente, e aperfeiçoar esse domínio ao longo do tempo. Ortografia, gramática, e pontuação empreguem com correção são imprescindíveis ao trabalho jornalístico. Mas não só. Sem prejuízo do que foi dito à cerca da clareza e concisão, o jornalista deve utilizar um vocabulário rico; preciso, mas não rebuscado; e escrever com ritmo, imaginação e originalidade. A simplicidade é, por vezes, de todas as formas, a mais trabalhosa de atingir.” (1)
        
De acordo ainda com ela, se o jornalista seguir uma série de medidas práticas enumeradas abaixo, não deverá cometer erros durante o processo redacional. São elas:
 
            1. Não começar parágrafos sucessivos coma mesma palavra;

            2. Nem utilizar repetidamente as mesmas estruturas frásicas;

            3. Não repetir palavras no interior de uma frase ou de um mesmo parágrafo.

            4. Não permitir a utilização de expressões, palavras e construções sintáticas com sentidos duplos ou dúbios. “Navio português entrava no Porto navio espanhol”.

         5. As rimas, repetições e cacofonias produzem invariavelmente um efeito desagradável. Este aspecto recomenda atenção especial, já que é o tipo de coisa que pode suceder aos melhores: “Alma minha gentil que te partiste”  poetava Camões.

      6. Na escrita jornalística é proibida a utilização da primeira pessoa. Mesmo descrições, ou transes, pelos quais o jornalista passou, e que contaria de ordinário na primeira pessoa, deverão ser descritos de forma impessoal.

      7. Os verbos deverão ser colocados preferencialmente na voz ativa, preferindo-se os de movimento aos que exprimem estados — imprimirão maior ritmo e dinamismo à frase.

            8. Em regra o tempo verbal por excelência utilizado nas notícias é o presente do indicativo; de tal forma que pode e deve mesmo utilizar-se também para referir o passado ou futuro próximo.

            9. O vocabulário será preciso e muito rico, empregue sem cair na pedanteria ou exibicionismo.

            10. Descrever com pormenor, não suprimir informação, e enriquecer o trabalho com um grande número de fatos desta ordem é perfeitamente compatível com tudo o que já foi enunciado. Imperdoável só mesmo gastar rios de palavras para nada dizer.

            11. Aspecto fundamental da precisão e rigor é uma correta identificação das fontes.

            11.1. As fontes não identificadas serão exceção, exceção essa que deverá ser discutida com a direção ou chefias. E mesmo quando tal suceda, deverão ser determinadas com o máximo de precisão possível. “Um elemento da tripulação do Sagres” é melhor que “fonte ligada ao projeto”; “um dos elementos presentes na reunião”, é preferível a “fontes próximas de S. Bento” —  tais determinações são importantes, conquanto se preserve a identidade que se acordou preservar.

            11.2. No caso de o jornal estar a utilizar fontes duplas, deverá citá-las sempre. “Mário Soares, em declarações à Rádio Comercial, reconheceu, entretanto que...”

            11.3. Num determinado órgão, as fontes deverão ser identificadas coerentemente, obedecendo sempre às mesmas regras. Uma das formas possíveis de fazê-lo é utilizar o nome completo da primeira vez que uma pessoa é nomeada, e a partir daí tratá-la pelo primeiro e último nome.

            11.4. Deverão ainda ser claramente nomeadas determinações como o cargo que ocupa ou a sua idade, se, no âmbito da notícia, falar em alguma qualidade especial.

            11.5. Nomear as fontes que são figuras públicas pelo nome pelo qual são mais conhecidas. O diretor dos Serviços Acadêmicos da UBI, por exemplo, de seu nome Carlos Alberto Melo Gonçalves; deverá ser identificado como Carlos Melo, e não Carlos Gonçalves — este último um perfeito desconhecido para a generalidade da Academia.

            11.6. No caso de se estarem a noticiar fatalidades, acidentes, ou atos heróicos protagonizados por desconhecidos, a identificação das fontes deve conter o máximo de dados possíveis: nome, idade, profissão, estado civil, naturalidade e residência.

            11.7. Os graus acadêmicos e honoríficos só se utilizam na identificação das fontes quando estas falarem com o jornal nessa qualidade, e, portanto o título for uma informação noticiosamente relevante: o engenheiro que comenta um desabamento de terras numa obra; o médico que fala da contaminação de um bloco operatório; ou o arquiteto que comenta o embargo de uma obra pela Câmara Municipal. Nestes casos, a fonte é identificada apenas uma vez: “António Pedro, engenheiro dos serviços técnicos da Câmara Municipal da Covilhã...... de acordo com António Pedro... na opinião daquele técnico camarário”.

            12. Devem evitar-se certas redundâncias algo ridículas, como a expressão “fontes bem informadas”  — afinal que jornalista utiliza fontes que não estão bem informadas?

            13. É necessário identificar rigorosamente os lugares de onde se fala – eles podem ser óbvios para o jornalista, mas não para quem lê o jornal em Paris ou no Congo. Por isso, são totalmente desadequadas expressões como “nesta universidade”, “aqui”, “nesta cidade”, “neste País” — neste País é o país onde o leitor se encontra nesse momento, e é impossível prever qual seja.

            14. As identificações geográficas exigem uma medida de bom senso: basta dizer Porto, Lisboa ou Setúbal para estes locais serem corretamente identificados; mas não no caso de terras pequenas ou pouco conhecidas: “Torrozelo, uma aldeia da Covilhã” — além de que a toponímia em Portugal é traiçoeira e há nomes que se repetem obsessivamente de norte a sul do País. Celorico tanto pode ser da Beira como de Basto; aldeias do Bispo existem pelo menos uma boa meia dúzia...

            15. As datas incorporadas nas peças jornalísticas reportam-se sempre à data do cabeçalho do jornal,: de forma que, num diário, por exemplo, hoje é ontem, ontem anteontem, e amanhã hoje.  No caso de um semanário, amanhã é o dia a seguir à saída do semanário, e esta data até pode estar a uma semana de distância do dia em que o jornalista escreve.

            16. O uso dos artigos definidos (o, a, os, as) deve ser exclusivamente reservado para referir assuntos já conhecidos do público ou para indicar implicitamente exaustividade.

“Greve da CP paralisa acessos a Lisboa”; mas “Foi desconvocada a greve da CP que ontem instalou o caos nos acessos à cidade de Lisboa” — a greve já é do domínio público, sendo notícia não a greve, mas o fato desta ter terminado. «As viagens-fantasma dos deputados» é um título que indica que o jornal falará exaustivamente de todas as viagens-fantasma que se apurou terem os deputados feitos. “Viagens-fantasma sob investigação” um título que indica que a PGR continua a investigar o assunto, e que o jornal não dispõe da totalidade da lista.

            17. Salvo por vezes em citações, nunca se utilizam artigos definidos junto de nomes próprios, por duas ordens de razões: se o jornalista de fato conhece intimamente a personagem, está a excluir deliberadamente o leitor; se não conhece e se lhe refere dessa forma é bacoco. Depois, o emprego de artigos definidos desta forma é também uma maneira de trazer à enunciação o enunciador; ora um dos primeiros deveres do jornalista é apagar-se deliberadamente face ao acontecimento.

            18. São desadequadas, e estão perfeitamente em desuso, à utilização, em textos escritos, de expressões como “a uma pergunta nossa”, “disse ao repórter”, “disse à nossa reportagem”, “perguntamos”, “inquirido sobre” — se temos a resposta, é evidente que foi perguntado e respondido.

          Portanto, essas são as principais recomendações da Jornalista portuguesa Isabela Gradim sobre como se devem escrever boas matérias jornalísticas, prendendo a atenção do leitor. É importante salientar que a atividade jornalística tem na língua portuguesa pátria uma das suas principais ferramentas, devendo o Jornalista entendê-la e comprendê-la com muita ênfase para poder construir um bom texto jornalístico além de seguir as recomendações de Harold Lasswel, cientista social americano que lançou as seguintes perguntas: Quem diz o que, para quem, onde, como e por que.

Bibliografia

Gradim, Isabela. Manual de Jornalismo. Consulta realizada na Internet no Site Google em Novembro de 2009.

Decreto nº83. 284, de 23 de março de 1979, que regulamentou a profissão de Jornalista no Brasil.