Resenha do texto "A aprendizagem da avaliação", de Cipriano Carlos LUCKESI
 
Resenha do texto "A aprendizagem da avaliação", de Cipriano Carlos LUCKESI
 


Resenha do texto “A aprendizagem da avaliação”, de Cipriano Carlos LUCKESI

Márcia Belzareno dos Santos

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                        O texto “A aprendizagem da avaliação” constitui o capítulo I do livro “Avaliação da aprendizagem escolar – estudos e proposições”, de Cipriano Carlos LUCKESI. 

                        A referida obra foi, desde o lançamento, um sucesso de vendas e de aceitação do público em geral, sendo referência bibliográfica obrigatória em inúmeros concursos públicos, na área da Educação, em todo o país. 

                       Cipriano Carlos LUCKESI, autoridade renomada em educação, é Doutor em Educação pela PUC/SP – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo; Mestre em Ciências Sociais pela UFBA – Universidade Federal da Bahia; Licenciado em Filosofia pela UCSal – Universidade Católica de Salvador;  e Bacharel em Teologia pela PUC/SP – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. 

                        Por também acreditar na possibilidade de sucesso na aprendizagem de um novo e necessário tipo de avaliação e, ao mesmo tempo, contrariamente ao formato textual da maioria das resenhas, iniciarei os comentários  pelo final do texto ora abordado, quando o próprio LUCKESI afirma: “Só quem deseja aprender, com ardor, aprende!” 

                        Nesse sentido, ressaltamos que em “A aprendizagem da avaliação”, LUCKESI coloca um subtítulo, no mínimo sugestivo: sobre a necessidade do educador aprender a avaliar a aprendizagem. Ou seja, primeiro temos que aprender a avaliar para, só mais tarde, avaliarmos a aprendizagem. Parece um jogo de palavras, mas LUCKESI nos prova, ao longo do texto, que  a afirmação não é um mero trocadilho. 

                         A história da avaliação da aprendizagem é recente. Somente em 1930, com Ralph Tyler, começou-se a pensar em Avaliação da Aprendizagem, buscando sua compreensão e divulgação. 

                        Em contrapartida, a história dos exames escolares que ainda hoje praticamos é um tanto mais longa, datando dos séculos XVI e XVII. 

                        Talvez por esse motivo,  Raph Tyler, depois de séculos de consolidação do sistema de exames escolares, preocupou-se com o fato de que, com esse sistema de avaliação por exames, a cada cem crianças que ingressavam na escola, somente trinta eram aprovadas, ficando sempre um resíduo de setenta crianças reprovadas na escola, a cada ano. E para Tyler essa perda era excessiva. 

                        Tyler propôs, então, um sistema de ensino que: 

  1. ensinasse alguma coisa;
  2. diagnosticasse sua consecução;
  3. no caso da aprendizagem satisfatória, seguisse em frente;
  4. no caso da aprendizagem insatisfatória, houvesse uma reorientação, tendo em vista a obtenção do resultado satisfatório, destino evidente da atividade pedagógica escolar. 

                       Segundo LUCKESI, nesses oitenta anos que se passaram, essa proposta óbvia, singela e consistente de Tyler não conseguiu ainda ter vigência significativa nos meios educacionais. 

                       No Brasil, o tema “avaliação da aprendizagem” começa a ser abordado no final dos anos de 1960/início dos anos 1970 do século XX; conforme LUCKESI, antes disso falávamos apenas em exames escolares.

                        A LDB de 1961 ainda continha um capítulo sobre os exames escolares. 

                       A Lei 5.692 de 1971 redefiniu o sistema de ensino no país, deixando de usar a expressão “exames escolares”, substituindo-a por “aferição do aproveitamento escolar.” 

                       A atual LDB, editada em 1996, finalmente usou a expressão “avaliação da aprendizagem”, em seus artigos de lei. Entretanto, em todos os níveis de ensino no Brasil, utilizam-se muito mais exames escolares do que avaliação da aprendizagem, apesar da expressão “avaliação da aprendizagem” estar contida na própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação, conforme já dito. 

                      Nesse sentido, LUCKESI assevera que o nosso senso comum, na vida escolar, tem sido  de examinadores e não de avaliadores; sendo que, em nossa vida escolar, fomos sempre muito mais examinados do que avaliados. 

                       E para distinguirmos essas duas condutas, a de examinador e a de avaliador, basta lembrarmos que: 

  1. o ato de examinar se caracteriza pela classificação e seletividade;
  2. o ato de avaliar se caracteriza pelo diagnóstico e pela inclusão. 

                   LUCKESI explica que o educando não vai para a escola para ser submetido a um processo seletivo; e, sim, para aprender. Interessa, portanto, o sistema escolar em que o educando aprenda, e não aquele em que ele seja meramente reprovado. 

                  Nós, educadores, temos que investir na “aprendizagem da avaliação”, pois, na maioria das vezes, repetimos o que aconteceu conosco. Ou seja, fomos examinados por nossos professores, através de exames escolares, agora somos examinadores de nossos alunos, utilizando-nos dos mesmos instrumentos. 

                   O que significa, então, “aprender a avaliar”? 

                   Significa aprender os conceitos teóricos sobre avaliação, mas aprender também a praticar essa avaliação, em atos do cotidiano escolar. 

                    Mas de que forma podemos aprender a avaliar a aprendizagem de nossos educandos, incluindo a nossa autoavaliação como educadores e avaliadores?, questiona-se LUCKESI, ao mesmo tempo em que responde a questão, afirmando que em primeiro lugar importa estar aberto a aprender essa prática. 

                    Em segundo lugar, afirma o teórico, devemos observar se estamos satisfeitos (ou não) com os resultados da aprendizagem de nossos alunos. Se os resultados não são satisfatórios, devemos investigar o que estaria por trás dessa defasagem, inclusive em nossa ação pedagógica. 

                    Muitos fatores podem estar presentes em um resultado insatisfatório, mas um deles pode ser a nossa prática avaliativa, como por exemplo, quando:

-        utilizamos instrumentos inadequados para aferir o desempenho dos alunos;

-        existe insuficiência de atenção às necessidades dos alunos;

-        os alunos demonstrarem um maior grau de dificuldade do que imaginamos;

-        há falta de entusiamo e de liderança de nossa parte. 

                 Em terceiro lugar, como forma de “aprender a avaliar”, LUCKESI nos aponta o estudo do que já foi escrito sobre “avaliação da aprendizagem”. Nesse sentido, o autor ressalta que, embora somente o estudo das teorias sobre avaliação da aprendizagem não ofereça para todos nós os recursos necessários à aprendizagem desse modo de agir, ele é um bom aliado. É importante sabermos o que os outros pensam sobre esse tema, quais são suas experiências a respeito. 

                   LUCKESI finaliza, dizendo que “aprender a avaliar a aprendizagem é uma tarefa que está posta diante de nós”. Contudo, não podemos nos esquecer de que os exames escolares acompanharam muitos anos de vida escolar na história da modernidade. Para mudar isso, há que se aprender um novo modo de ser e de agir, abrindo mão de antigos conceitos que estão em nós impregnados, inclusive em relação às maneiras que utilizamos para avaliar um educando. 

Referência bibliográfica:

LUCKESI, Carlos Cipriano. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições. São Paulo: Cortez, 2011.

 
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Revisado por Editor do Webartigos.com


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Sobre este autor(a)
Licenciada em Letras, Bacharel em Direito, Especialista em Educação, servidora pública aposentada, trabalhou 32 anos como Assessora Jurídica, nos Setores Jurídicos do Complexo de Penitenciárias de Charqueadas/RS. Atualmente é professora de Português e de Filosofia da Rede Municipal de Educação do M...
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