QUARENTA ANOS DA CAMINHADA DO POVO DE DEUS NO DESERTO
 
QUARENTA ANOS DA CAMINHADA DO POVO DE DEUS NO DESERTO
 


A HISTÓRIA DO POVO HEBREU

A história do povo de Israel começa com Abraão, aproximadamente 2.100a C. Abraão morava na Mesopotâmia quando o Senhor o chamou e ordenou-lhe que andasse sobre a terra (Gn 12.1-9; 13.14-18). Andou com sua tribo por toda a terra de Canaã que futuramente viria a ser a terra escolhida por Deus para seu povo habitar.
Obediente e temente ao Senhor, Abraão foi honrado por Deus, como o Pai de um povo incontável (Gn 15,4-6). Nasce Isaac (gn 21,1-7) que gerou Jacó (Gn 25,19-26; 25,29-34; 27,27-30), que gerou José (Gn 30,22-24). Anos mais tarde José foi vendido por seus irmãos ao Faraó do Egito (Gn 37). Por ser temente a Deus, José não foi desamparado pelo Senhor. Tornou-se um homem de confiança do Faraó, sendo promovido a Governador do Egito. (Gn 41,37-46). Trouxe sua família de Canaã, devido a grande fome que assolava a região. Uma vez no Egito, os familiares de José receberam terras do Faraó, para que pudessem cultivá-las. (Gn 46,1-7; 47,5-12).
Assim, os hebreus começam a prosperar.
No Egito, os hebreus foram abençoados por Deus de uma forma extraordinária: prosperaram tanto e se tornaram tão ricos e tão numerosos que assustaram os egípcios. RESULTADO: foram subjugados militarmente e submetidos à escravidão. (Ex 1,7-14).



Porém, o Faraó ainda não estava totalmente satisfeito. Pretendia interromper de forma definitiva a expansão israelita. Decretou então, que todos os varões que nascessem nas famílias israelitas deveriam ser mortos (Ex 1,15-22). E assim foi feito e de forma cruel. Às meninas, entretanto, era dado o direito à vida.
Um desses bebês, um garotinho, foi escondido por seus pais por três meses dos soldados egípcios. Porém, quando a vida do bebê passou a correr um perigo iminente, seus pais o colocaram numa cestinha de vime e o soltaram no Rio Nilo (Ex 2,1-10). A filha do Faraó, que se banhava as margens do Nilo, viu o cestinho descendo nas águas e ouviu o choro do bebê. Ela o resgatou e deu-lhe o nome de MOISÉS (ou "Moschê".), que significa "retirado" ou "nascido das águas" (Ex 2,5-9). Sabendo tratar-se de um hebreu e sem condições de amamentá-lo, a Princesa entrega Moisés para sua própria mãe criá-lo, sem, contudo desconfiar disso. Moisés é criado e educado em ambiente palaciano, tornando-se um nobre. Aí vemos a mão de Deus: em meio a tantas outras mulheres que viviam no Egito, de várias nacionalidades, foi justamente a Princesa, filha do Faraó, quem o encontra e retira das águas.



Passam-se os anos, Moisés descobre suas origens e vê a opressão em que seu povo vivia. Para defender um hebreu do castigo físico que lhe era infligido por um soldado egípcio, Moisés mata o soldado e atrai sobre si a fúria do
Faraó. No entanto, ele consegue fugir para a terra de Madiã (Ex 2,15). Ali, ele conhece Zípora, aquela que viria a se tornar sua esposa.
Com o tempo, o Faraó que perseguia Moisés morre, mas seu filho, que havia sido criado junto a Moisés, assume o trono e continua com a política opressora do pai, para com os hebreus. Em sua infinita misericórdia, o Senhor Deus ouve o clamor do seu povo, se compadece e se manifesta a Moisés, enquanto este apascentava o rebanho de seu sogro, através de uma sarça em chamas e o conclama a voltar ao Egito e livrar o povo hebreu do jugo do Faraó (Ex 3).



..."Eis que os clamores dos israelitas chegaram até mim, e vi a opressão que lhes fazem os egípcios. Vai, te envio ao faraó para tirar do Egito os israelitas, meu povo.".
(EX 3,9-10)

Moisés, então, em companhia de seu irmão Aarão retorna ao Egito e tenta demover o Faraó, intercedendo junto a este pelo povo hebreu. O Faraó, como era de se esperar, não concorda com a proposta de Moisés e por diversas vezes o expulsa de sua presença. Deus, então, envia dez pragas sobre o povo egípcio e o Faraó, finalmente concorda em libertar o povo do cativeiro e deixá-los partir do Egito. (Ex 7-12; 12,37-51)
Confiante na palavra de Deus, Moisés lidera o povo hebreu por uma longa caminhada pelo deserto, de volta a Canaã. Eram aproximadamente 3 milhões de pessoas, (?), porém este número hoje é questionável.


A CAMINHADA PELO DESERTO E A TRAVESSIA DO MAR VERMELHO

Para sair do Egito, Moisés poderia seguir por várias trilhas em direção à Palestina, não havendo necessidade de uma travessia pelo Mar Vermelho. Mas, para escapar dos egípcios, que decidiram recapturar os escravos em fuga, Moisés conduziu os hebreus através de um caminho incomum, atravessando o Mar Vermelho no momento de maré baixa. Assim, quando os egípcios chegaram, a maré alta os deteve. Bem adestrado na arte militar e conhecedor da região, Moisés tomou um caminho árido e pedregoso, impraticável para os carros de combate.

PRAIA DE NUWEIBA (por onde os hebreus presumivelmente atravessaram)



A caminhada não foi fácil. Sob a liderança de Moisés, os hebreus penetraram no deserto rochoso que cobre a península do Sinai. A esmagadora maioria das pessoas que o seguiam, devido à rudeza da escravidão, era brutalizada, fraca de espírito e, embora mantivessem o ideal de liberdade, acabavam se rebelando. O povo rebelou-se diversas vezes contra Moisés e contra o Senhor. A incredulidade e a desobediência dos israelitas eram constantes, obrigando Moisés a fazer uma legislação rigorosa, embora temporária, que contivesse o povo. (EXEMPLO: "Um filho desobediente deve ser apedrejado até que morra". Deut 21,21).
Disposto a salvar seu povo, o Senhor dá a Moisés, no alto do Monte Sinai, o "Decálogo", símbolo da Aliança entre Deus e os homens. Entretanto, aquele povo ainda estava muito impregnado dos costumes com os quais conviveu por séculos a fio e não segue totalmente as novas leis ditadas por Deus. Seria necessário, então, que toda uma geração passasse para dar lugar à outra, livre e sem os traumas do sofrimento e da revolta, para formar uma unidade racial, política e religiosa, com características próprias e sob a égide de um Deus único. Por isso, 40 anos vagariam pelo deserto, até que morresse toda a geração escrava, para que só os nascidos em liberdade pudessem entrar na Terra Prometida. Foi nessas circunstâncias que aconteceram fatos que iriam influenciar a humanidade por séculos e que ainda hoje têm profundo significado.
É muito difícil estabelecer uma cronologia da peregrinação do povo pelo deserto. Com certeza os 40 anos têm um significado simbólico. Trata-se de um período de purificação, quando os hebreus criam identidade, conhecem o seu Deus e tornam um povo, o Povo de Deus. Obviamente não se trata de uma caminhada contínua, mas de uma vida passada no deserto, ?buscando? a Terra prometida, como povo nômade.



O SIGNIFICADO BÍBLICO DO NÚMERO 40
Na mentalidade dos povos antigos, os números tinham um sentido simbólico. Muitas vezes significavam qualidade e não quantidade. Os orientais não sabiam falar sem recorrer ao simbolismo dos números e dos provérbios. Assim, por exemplo, para dizer que uma pessoa era virtuosa e abençoada por Deus, a Bíblia diz que tal pessoa viveu uma grande soma de anos.
Com relação ao número 40 ele indica um tempo necessário de preparação para algo novo que ainda vai chegar: 40 dias e 40 noites do dilúvio (Gn 7,4-12); 40 dias e 40 noites passa Moisés no Monte Sinai (Ex 24,18;34,26); 40 anos foi o tempo de peregrinação pelo deserto (Num 14,33; Dt 8,2, etc.); JESUS jejuou 40 dias e 40 noites antes de começar o seu ministério (Mt 4,2; Mc 1,12; Lc 4,2); a Ascensão de Jesus acontece 40 dias depois da Ressurreição (At 1,3). Quando alguém errava, era corrigido com 40 chibatadas (Dt 25,3).



O DESERTO NOS DIAS DE HOJE
No deserto somos levados a depender totalmente da Misericórdia Divina. Todo o nosso conhecimento, sabedoria, riqueza e forças, não valem nada neste ambiente hostil. Deserto é lugar de milagres e manifestação do poder de Deus em nossas vidas! Ao longo dos anos passamos por vários "desertos": um emprego perdido, uma dívida altíssima, a morte de uma pessoa muito amada (pai, mãe, filhos), o fim de um casamento, o filho se consumindo em drogas... Seja qual for a situação, é dolorosa, sofrível, fatigante e desesperadora. Mas não é o fim, apenas um novo começo. E todo começo gera mudanças. E assim como o povo hebreu, não obstante os medos, inseguranças e incertezas lancemo-nos nos braços de Deus, rumo à "nova Canaã": um mundo de justiça, paz, igualdade, ética, amor!




Referências Bibliográficas ?

Bíblia Sagrada-Tradução da CNBB, 10 ª Edição, 2010
Catecismo da Igreja Católica-Edição Típica Vaticana,Edições Loyola, 1998
Gianfranco Ravasi- Interpretar a Bíblia ,1ª Edição,2008
Compêndio da História da Igreja (Vol. 1): A Antiguidade Cristã
 
Avalie este artigo:
1 voto(s)
 
Revisado por Editor do Webartigos.com


Leia outros artigos de Bárbara Araújo Elias
Talvez você goste destes artigos também