OS DESAFIOS DA GESTÃO ESCOLAR
 
OS DESAFIOS DA GESTÃO ESCOLAR
 


OS DESAFIOS DA GESTÃO ESCOLAR NA BUSCA
DA DISCIPLINA DOS ALUNOS E O COMBATE A VIOLÊNCIA QUE ATINGE A ESCOLA


Vivaldo Chagas dos Santos

RESUMO

Este artigo apresenta os resultados de uma pesquisa bibliográfica no campo da Indisciplina e da Violência que atinge direta ou indiretamente a Escola. Uma análise crítica em busca de alternativas, desenvolvido durante o ano de 2007 e 2008, período em ocorreu este curso. Um problema que vem se apresentando nas escolas da Rede Pública, tanto Estadual como Municipal de Ensino na cidade de Manacapuru. Um problema que não é somente desta cidade, mas um problema nacional. Porém, nesta cidade, a exemplo do que tem acontecido na Educação, de maneira geral. No decorrer da pesquisa constatou-se que esta é uma das principais queixas de gestores escolares e de todos os corpos que compõem a escola. O problema da violência e indisciplina escolar está sendo considerada como os grandes empecilhos para o processo de ensino-aprendizagem. Durante a realização da pesquisa, buscou-se a identificação de elementos que permitissem a compreensão das implicações institucionais, com o objetivo de perceber o aparelho escolar enquanto um organismo social. A partir de sessões de reuniões com gestores, conversas com alunos, professores, funcionários e coordenadores das escolas do estado, pode-se perceber as concepções predominantes no interior das escolas, acerca dos fatores que podem estar relacionadas à violência e à indisciplina escolar. Constatou-se que é imprescindível que todos os atores escolares procurem conhecer as causas sociais, políticas e econômicas que levam a sua manifestação ou, pelo menos, à sua maior incidência em determinados períodos ou em determinadas escolas e comunidades.


Palavras-chave: gestão escolar; violência; indisciplina; professores; alunos.


INTRODUÇÃO:

Este trabalho buscou analisar a postura do gestor escolar diante de um dos seus maiores desafios, que é a indisciplina e a falta de limites dos alunos, que geram situações cada vez mais agravantes dentro do ambiente escolar, pontuando assim como o gestor vem trabalhando para reverter este problema, destacando que ele deve ter capacidade para mediar os conflitos e solucionar os problemas vindos do cotidiano escolar. Para tanto, foi abordado o conceito de indisciplina, enfatizando suas causas e efeitos; a importância da participação da família e sua responsabilidade na questão de inserir limites e valores em seus filhos para que os mesmos consigam conviver em sociedade; a interação professor-aluno, sendo este um fato muito importante na busca da resolução deste problema; destacando a visão da sociedade e também a relevância do trabalho entre a comunidade escolar, psicólogos, conselho tutelar e até mesmo policia na busca do resgate da disciplina. Assim pontuamos algumas sugestões para tentar superar este desafio, utilizando a pesquisa bibliográfica como metodologia.
O objetivo deste estudo e da produção deste artigo foi o de procurar compreender melhor os desafios pelos quais passa um gestor escolar e a gestão como um todo em relação ao enfrentamento destes dois problemas que afetam a escola que é a indisciplina e a violência escolar.
Procurou-se tratar destes dois problemas ao mesmo tempo, pelo fato de muito difícil se falar de um destes problemas sem falar ou atingir o outro, pois os dois se manifestam sempre juntos direta ou indiretamente.
As escolas públicas, de forma geral estão passando pelo mesmo problema. Escolas pouco aptas a lidar com violência e indisciplina. Muita coisa mudou em tão pouco tempo. Os valores morais anteriormente defendidos com os melhores para uma boa formação do ser humano, atualmente não se dar o mesmo crédito, não tem o mesmo efeito. A escola passa por um processo de transição que ela mesma, a partir de seus atores, não está sabendo lidar com os problemas sociais que a atingem.
A sociedade mudou tanto que não se tem certeza mais de que tipo de cidadão se deve formar para enfrentá-la e que possa ter sucesso. Que "sucesso". Não se tem consciência plena de como se deve agir diante de tantos problemas sociais ligados a formação do cidadão, da ética, da liberdade, dos limites, do que é bom e do que ruim. Ninguém mais tem medo de nada nem respeito pelas pessoas e pelas as autoridades.
Estamos em uma crise de valores sem limites. Tudo isto tem afetado a escola, principalmente no que diz respeito à gestão da organização, da ordem, da disciplina e dos direitos e deveres de cada um. Isto pelo fato de nossa sociedade está doente. Todo mundo querendo se dar bem e de qualquer forma, de um jeito que se não fizermos alguma coisa que possa reverter este tipo de concepção, pode ser que predomine a concepção que ser honesto, justo e respeitador dos limites e direitos dos outros é caretice, que vale qualquer coisa para se dar bem e que a honestidade é bobagem. A escola, diante disso, não tem conseguido fazer muita coisa, porque os meios de comunicação como um dos mais poderosos aparelhos ideológico, estão ganhando terreno e fazendo do jeito que possa fazer com que as pessoas possam dar mais valor ao ter do ao ser, e isto é muito ruim para o processo de formação sadia de uma criança.
A escolha deste tema se deu pelo fato de já vir atuando no campo da orientação educacional e conviver com as angústias de professores, gestores e todos os funcionários envolvidos na questão da organização e da gestão da escola. Pessoas que lidam e enfrentam, no cotidiano escolar, problemas ligados a violência que vem de fora da escola, mas que ocorre internamente, também e da indisciplina escolar que ocorre o tempo todo nas dependências da escola e nas salas de aula de forma geral.
Mas, a maior razão de ter escolhido este tema para pesquisar e tentar esclarecer foi a de tentar provar que, mesmo sem querer admitir e sem ter culpa direta por não tratarem o problema com segurança e competência, a maioria dos gestores e as escolas públicas, de forma geral, estão pouco aptos para lidar com a violência e indisciplina, em função da impunidade que impera neste país, das muitas leis que não funcionam e das que funcionam a favor de quem comete crimes, delitos e erros, dos mais diversos.
As leis e as decisões judiciais têm facilitado muito mais a vida de criminosos do que a de quem trabalha, deixando assim, gestores e professores cuidadosos quando tem que tomar qualquer decisão ou atitude disciplinar, em função das garantias e privilégios que as leis têm dado para pessoas violentas e indisciplinadas. São estas coisas que tem deixado gestores em constantes desafios neste sentido.

REFERENCIAL TEÓRICO

a) Conceituação:

A indisciplina é um problema que se manifesta em quase todas as escolas públicas e particulares em maior ou menor grau e, que incomoda a maioria dos educadores. Esse problema se manifesta por agressões físicas e verbais, humilhação, ausência de limites, atitudes incivilizadas, etc. Tudo isso compromete de forma significativa no rendimento geral da escola e na forma como a escola passa a ser vista e avaliada pela sociedade em relação com o papel que ela presta a esta sociedade. Conforme o grau de disciplina ou indisciplina que impera na escola ela, pode ser avaliada como uma "boa" escola ou "ruim" para que os pais possam confiar que seus filhos estudem nela.
A primeira tem a ver com a falta de autodisciplina, que é quando o aluno não consegue organizar a tarefa. A segunda pode ser associada à desobediência. Acontece quando eu mando o aluno fazer algo e ele não faz. Eu deixo de ter autoridade porque ele não seguiu minhas ordens, mas não fui desrespeitado. O estudante pode desenvolver dizendo algo como "senhor me desculpe, mas eu não vou fazer a lição". É uma questão política, tem a ver com a legitimidade do posto de direção. A terceira indisciplina, o desrespeito, essa, sim, é uma questão moral. Se eu estou lecionando e o aluno se levanta e vai embora como se eu não existisse, fui desobedecido como autoridade e desrespeitado como pessoa, independente do fato de ser ou não professor.

A indisciplina se apresenta na escola e na sala de aula em todos estes níveis, mas, pelo fato da escola não discutir ou refletir bem este assunto, erra bastante. Erra quando trata algumas atitudes que estão em alguma das três definições e age dentro de outra.
Muitas atitudes de reação, ou contestação de alunos em relação a certas atitudes de professor, muitas vezes ultrapassadas, podem ser caracterizadas como indisciplina, o que para o aluno não é, mas para o professor pode ser. Por isso, é necessário que se tenha uma boa concepção de disciplina e indisciplina, para que se possa construir um Regimento Escolar que respeite claramente o que é direito, o que é dever, o que pode, o que não pode (vedações). Assim, pode-se evitar que a escola veja a disciplina por uma única ótica, como diz Ferrari (2005, p.25) quando ele afirma que o principal erro da escola em relação à disciplina: "É pensar que existe um único tipo de disciplina e que ela só pode ser imposta, minha idéia é que disciplina é um trabalho de todos em sala de aula. Constrói-se a melhor forma de acordo com a necessidade".
Essa é uma forma simplista de ver uma problemática desta natureza, uma problemática que pode se manifestar de diversas formas e a partir de diferentes fatores. Os diversos problemas pelos quais passa uma sociedade capitalista, que valoriza mais o ter do que o ser, que exclui, que descrimina, que gera fome e miséria no mundo inteiro, que divide a sociedade em classes, que concentra a renda mãos de poucos, levando a cada vez um número menor de ricos e cada vez maior de pobres. A escola finda recebendo alunos com valores seriamente comprometidos, ou sem alguns valores necessários para uma boa formação, conseqüência deste modelo da sociedade. Por isso, muitos dos problemas de indisciplina estão sendo tratados por alguns teóricos no mundo inteiro como Bullyng Escolar.
O termo Bullyng é um termo que junta alguns comportamentos que levam a geração de conflitos, tanto na sala de aula como nas dependências da escola, principalmente quando estão na ausência dos professores, que são mediadores de relações sociais, quando eles podem falar o que quiserem e com quem quiserem. Por isso, a relação de igualdade proporcionada pela liberdade e a ausência de adultos na hora do recreio nem sempre são bem aproveitados.
Como se ver em (VARDAS E BAGATINI, 2007, p.36) quando elas afirmam: "A falta de tarefas programadas muitas vezes leva a geração de conflitos, como brigas entre as crianças e adolescentes e o preocupante fenômeno bullyng, que hoje é objeto de estudo e atenção de diretores, professores, pais, alunos e funcionários".
O termo bullyng é tratado aqui como atitudes e comportamentos que geram ou caracterizam insultos, intimidações, apelidos cruéis e constrangedores, gozações que marcam e magoam profundamente, acusações injustas, atuação de grupos que hostilizam, ridicularizam e infernizam a vida de outros alunos, levando-os a exclusão, além de danos físicos, psíquicos, morais e materiais. Isto exige que a escola precise tratar este tipo de situação com muito cuidado. Por isso, precisa identificar, diagnosticar e encaminhar os casos de bullyng escolar para os profissionais da área específica e capacitar os profissionais para lidar com esse tipo de problema, para que eles possam conseguir diferenciar os casos de bullyng das brincadeiras próprias das crianças.
Por se tratar de um problema que muitas escolas ainda não sabem como lidar, algumas escolas estão buscando alternativas para minimizar os problemas neste sentido.
Como pode se comprovar em (FANTE APUD VARGAS E BAGATINI, 2007, p.36) quando ela diz:
No Brasil, diversas escolas estão buscando alternativas para diminuir a violência na hora do recreio. Para isso são propostas brincadeiras lúdicas e culturais no pátio. As escolas vêm desenvolvendo e aprimorando projetos que priorizem, sobretudo, as relações interpessoais, conscientizando-se de que o pátio de recreio representa um espaço de todos, um momento de inclusão, de amizade, de cooperação.

Partindo-se do princípio de que mudanças bruscas e imediatas estão ocorrendo nesta sociedade. Mudanças que têm gerado muitos tipos de problemas e que a escola não tem um manual pronto para usar. Precisa partir de alternativas como esta citada por Fante anteriormente.
Por isso, é preciso que as escolas revejam seu papel, quando em seus recintos se apresentarem este tipo de problema. Que criem alternativas, que desenvolvam hábitos e atitudes positivas, e que melhorem a auto-estima dos alunos e acredita-se que o lúdico sendo mais utilizado e bem utilizado pela escola, pode-se conseguir minimizar consideravelmente e mais rapidamente este tipo de problema.

b) As concepções de disciplina no debate educacional brasileiro:

De modo geral, o debate sobre a disciplina/indisciplina no Brasil, nas duas últimas décadas, se desenvolve sob diferentes enfoques teóricos, que podem ser percebidos em cinco momentos distintos . O primeiro se fundamenta nos estudos sobre o desenvolvimento moral de Piaget e Kohlberg. O segundo pode ser observado nas abordagens pedagógicas de cunho socialista que se baseiam, em especial, nas formulações de Gramsci e Makarenko. O terceiro, parte de uma discussão sócio-histórica da disciplina, baseada na psicologia de Vygotsky. O quarto envolve as abordagens desenvolvidas a partir do referencial psicanalítico. E, no último, é possível observar a influência do pensamento pós-estruturalista.
Tendo o cuidado de não desconsiderar as diferenças de abordagens ou de tratamento teórico dado ao objeto numa mesma vertente, o objetivo de categorizar as produções segundo as suas similaridades é o de compreender os vários dimensionamentos conceptuais dados à discussão da indisciplina na escola.
Nos estudos subsidiados pelas teorias psicogenéticas de Piaget e Kohlberg, primeiro momento assinalado, o aspecto da disciplina é focalizado dentro da perspectiva do desenvolvimento moral. Os parâmetros da ação do educador e dos processos de regulação da conduta são definidos na caracterização dos estágios de heteronomia e autonomia, que implicam diferentes relações da criança com a autoridade e com as noções das regras morais.
Para a teoria psicogenética, a construção da autonomia representa um princípio fundamental, que deve nortear todo o processo educativo, desde o primeiro contato da criança com a escola e o saber. A perspectiva do paralelismo moral e a visão do desenvolvimento das estruturas cognitivas a partir da atividade espontânea do sujeito levam à hipótese de que o julgamento moral também decorre de processos de interação e de cooperatividade entre crianças. As relações espontâneas fornecem a base sobre a qual a criança deve construir as noções de regras, respeito mútuo e justiça e, portanto, sua autonomia moral.

c) Possíveis causas:

A maioria de problemas de conduta, de caráter, de personalidade, de valores negativos demonstrados onde quer que seja, tem sua causa em algum momento da formação do ser humano.
Este modelo de sociedade globalizada, globalização esta forçada por circunstâncias do modelo de mercado que predomina mundialmente, que é o capitalismo mundial. Este capitalismo em algum país do mundo ele é mais ou menos selvagem, mas é selvagem de alguma forma, pois ele, de uma forma ou de outra gera exclusão social. Gera desigualdades, pobreza e miséria das mais diversas formas. Faz isso quando concentra renda, quando divide a sociedade em classes: a dos de quem têm muito ou tudo e, a os de quem têm pouco e a dos que não tem nada, nem o básico para viver dignamente. Um modelo de sociedade que a pessoa passa a valer pelo que tem. Se tem muito vale muito, se não tem nada, nada vale. Esta concepção é absorvida pelas crianças facilmente. É uma sociedade que valoriza mais o ter do que o ser. E quem não tem nem o básico para sua sobrevivência pode desenvolver muitos problemas de personalidade e caráter.
A grande preocupação dos educadores é que são estas crianças que chegam às escolas públicas para que gestores e professores possam lidar com os problemas gerados pela situação social em que eles forma gerados e inicialmente "educados". Já portando problemas de conduta, de valores invertidos e comprometidos que a escola vai ter que conviver e reeducar.
Os problemas no campo social são tantos que não se pode imaginar, pois muitos teóricos, principalmente os ambientalistas defendem que a criança sofre uma influência significativa do "meio" em seu processo de formação humana. Se a criança vive em um meio onde impera a violência, que é um dos tipos de indisciplina, ela conceber os tipos de violência que ela convive como natural, e a tendência é se comportar como tem percebido que os coleguinhas se comportam e levam vantagem em relação aos colegas e aos pais. Isto ocorre porque estas crianças começam a quebrar regras, limites e normas e findam levando alguma vantagem com estes comportamentos. Situações desta natureza são comuns porque os pais vão se cansando, tem que trabalhar. Ausentam-se muito e a convivência destas crianças com quem não tem limites é assimilar as vantagens deste tipo de comportamento e, nenhum momento refletir sobre as desvantagens. Se as regras não forem claras e sanções não forem praticadas de forma que as crianças desenvolvam uma concepção sadia de limites, percebam as desvantagens de seus comportamentos, a tendência é piorar. Pode-se ver afirmação desta natureza em Vygotsky apud Thomas apud Schütz, pois, de acordo com ele,
Todas as atividades cognitivas básicas do indivíduo ocorrem de acordo com sua história social e acabam se constituindo no produto do desenvolvimento histórico-social de sua comunidade (Luria, 1976). Portanto, as habilidades cognitivas e as formas de estruturar o pensamento do indivíduo não são determinadas por fatores congênitos. São isto sim, resultado das atividades praticadas de acordo com os hábitos sociais da cultura em que o indivíduo se desenvolve.[...] (Murray Thomas, 1993).
Apesar dos inatistas defenderem que os comportamentos humanos são heranças genéticas os ambientalistas devem ter muitas razões quando fazem tais afirmações. Porque a influência que o ser humano recebe do meio ambiente em que está inserido é muito forte, principalmente quando se trata de uma criança, um ser humano em processo de desenvolvimento em todos os aspectos em que o ser humano pode se desenvolver.
Todas as demais causas que se possa enumerar que podem gerar indisciplina e violência estarão de alguma forma, ligadas a problemas econômicos, sociais e/ou culturais.
No caso da indisciplina que se manifesta dentro da escola em maior grau que a violência, esta se manifesta com mais freqüência porque os fatores podem está ligados a conduta do aluno ou muitos motivos para ela se manifestar já estão dentro da escola também. No caso da violência ela vem para a escola trazida pelo aluno de alguma forma. Ou ele já é portador de atitudes violentas, por todas as causas anteriormente citadas, ou já conviveu com situações lá fora, com envolvimentos em qualquer tipo de confusão que os envolvidos vêm até ele para resolver problemas entre eles criados e, a escola finda sendo atingida e é quem tem que resolver as situações que a envolve. E as causas desse tipo de comportamento podem ser de várias origens, que não vem ao caso agora enumerá-las, mas que estão relacionadas a fatores socioeconômicos e culturais, de alguma forma. Mas que é preciso que os educadores procurem antes de qualquer atitude, conhecer as principais causas que envolvem os alunos. Como se ver em Falsabela, quando ele afirma que "Atos de violência na escola tem diferentes razões para acontecer, caba ao educador tentar conhecê-lo antes de responder e alterar (1991)"
Uma das grandes causas é a grande falta de bons exemplos na mídia de forma geral e o excesso de maus exemplos que as crianças têm assistido nos programas de TV e em seu cotidiano. Uma sociedade onde quem rouba uma galinha ou uma lata de leite, o que de qualquer forma é roubo, tem que ser punido com os rigores da lei, mas, quem rouba milhões é apenas corrupto, com direito a um montante significativo de privilégios, podemos cobrar o que das crianças entre o que é certo e o que é errado. Esse tipo de influência negativa pode ser absorvida facilmente pelas crianças, pois tudo que se ver intensivamente passa se a ver como natural e isto é perigoso e, de uma forma ou de outra vai se manifestar na escola enquanto estudantes, não se sabe, mas, se pode imaginar as conseqüências disso no futuro. (WATERS, p. 89) ressalta bem esta questão:
A maioria das crianças passa mais tempo assistindo televisão do que em afinal que outra atividade exceto a violência nata, por isso, a maioria destas crianças se comportam de maneira agressiva, mostrada na televisão.

Uma sociedade onde as instituições que tem a incumbência de zelar pelos direitos de seus cidadãos e fazer cumprir as leis estão se desmoronando. Quando se vê a Polícia Federal gastando milhões para investigar crimes contra o Tesouro Nacional e prendendo os criminosos e o poder judiciário, em seu mais alto nível que o Supremo Tribunal Federal ? ETF, mandando soltá-los, não se sabe por quanto, mas que deve ter um grande valor estas solturas que deixam a sociedade perplexa e que deveria ter uma satisfação destes que se sentem Deus para tomar estas decisões, sem se sentir no dever de dar uma boa satisfação para a sociedade que eles, de qualquer forma representam, para garantir os direitos dos cidadãos, pelo menos deveriam.
Como fica a cabeça, a mentalidade e a concepção das crianças entre o que é certo e o que é errado, entre o que pode e o que não pode? Tudo vai depender muito do tipo de família e do tipo de escola que estas crianças estiverem sendo criadas e educadas. Mesmo assim, o processo de formação de caráter, de personalidade e de conduta das crianças como um todo, desde quando elas tiverem tido alguma influência, neste sentido, ficará bastante comprometido.
A maioria dos problemas sociais que geram a violência e a indisciplina na sociedade como um todo, tem como causa a corrupção que tem sido mostrada a toda hora, em todos os jornais de qualquer horário e as crianças assistem e passam a ver como normal, porque nada ou quase nada acontece com quem detem poder e dinheiro. Quem ressalta muito bem esta questão e Nogueira, ao afirmar que:
"Eles" fazem de conta que não compreendem que a subtração de dinheiro público causa mortes, pobreza e exclusão social. Desconhecem também que esses fatores desestabilizam e democracia e o estado de direito ? de direitos e deveres iguais. Mas eles sabem, sim, que os "Dantas da vida" e seus protetores são perigosíssimos e que deveriam ser tratados como portadores dessa característica. (2008, p. A / 2).

Tudo terá que ser feito em dobro no sentido positivo. Uma inversão total dos valores negativos que estas crianças já têm para a construção e desenvolvimento de valores positivos e ideais para que se possa formar boas crianças para cuidar deste país, futuramente. Só assim, se poderá ter uma sociedade melhor, mais humana, mais solidária, mais justa e, acima de tudo, mais igualitária e justa.

d) Algumas considerações sobre a escola neste contexto:

Não é de se estranhar que a escola e a sua gestão estejam passando por momentos de extrema dificuldade para lidar com este tipo de problema.
Os fatores anteriormente citados, desde a influência da mídia, os fatores sócio-econômicos, culturais e ambientais exercem uma influencia muito grande na formação geral das crianças e jovens em seu processo de formação da personalidade e do caráter. Como estes jovens irão chegar a escola trazendo consigo uma grande carga destas influencias, a escola para a ter uma grande dificuldade para lidar com todos os problemas que eles trazem e que todo ano letivo a escola tem que começar tudo que já vinha fazendo com os que já conhece e que já foram diagnosticados os principais problemas que eles trazem. Isto ocorre porque a escola, apesar de viver em um contexto de exclusão e competição social, não pode reforçar nada disso, e deve tratar e educar todos iguais e, isto não é nada fácil.
Os alunos que chegam à escola são de origens das mais diversas. O corpo discente, da maioria das escolas públicas é de uma composição extremamente heterogênia, pois, recebe alunos de todos os níveis e classes sociais, econômicos e culturais e, isto torna o trabalho dos professores e do gestor um tanto complicado, por isso, pode se afirmar que as escolas públicas, em sua maioria, não estão preparadas para lidar com os problemas de indisciplina e de violência na escola.
Pelo fato, da escola não está preparada para lidar com este tipo de problema corre o risco de, também cometer alguma injustiça ou praticar algum tipo de violência ou discriminação contra os seus alunos, pois, não existe um manual para se tratar da violência e da indisciplina, o que existe são práticas mais cabíveis, mais aconselháveis para determinados casos e, a escola, a partir de discussões que envolvam todos os seus setores e dimensões pode e deve buscar algumas soluções mais viáveis para cada caso. Aconselha-se para isto a implantação, da forma mais coerente e democrática possível, dos Conselhos Escolares, pois estes terão a incumbência de tratar de problemas também desta natureza. Isto pode ocorrer quando a escola começar a tratar qualquer ato dos alunos como indisciplina. Atos como o aluno cobrar o direito de tirar suas dúvidas e não ser compreendido por alguns professores e ser tratado como indisciplinado, impedindo os de pensar e questionar. Isto também é violência. Para que isto não ocorra (MIZUKAMI, 1996, p. 77) nos recomenda:
Caberá aos professores criarem situações propiciando condições onde o aluno possa estabelecer reciprocidade intelectual e cooperação ao mesmo tempo moral e racional (...) o aluno deve ser tratado de acordo com as características estruturais próprias de sua fase evolutiva e o ensino precisa, consequentemente, ser adaptado ao desenvolvimento mental e social.

Assim agindo, a escola poderá está evitando que alguns direitos dos alunos sejam desrespeitados, ficando assim mais fácil garantir os direitos deles para que os deveres possam ser cumpridos com, mais coerência, respeito e responsabilidade. Coisas que estão entre muitos dos deveres e papéis da escola no processo de formação de seu alunado, mesmo em um momento social bastante conturbado com um excesso de maus exemplos para as crianças e jovens.

METODOLOGIA:
Este Artigo tem como base para sua produção a experiência no Serviço de Orientação Educacional, desde o segundo semestre do ano de 1994, no momento da conclusão do Curso de Pedagogia ? com Habilitação em Orientação Educacional. Logo no mês da colação de grau deste curso foi oferecido pela Secretaria de Educação do Estado um Concurso Público nesta área, tendo feito e sido aprovado entre os vinte primeiros colocados e, logo em seguida assumido o turno vespertino da Escola Estadual Isaac Benzecry, em Manaus, no Bairro da Colônia Oliveira Machado. Uma área problemática, na época, no que diz respeito ao tráfico de drogas e violência de todos os tipos.
Esta nova função, depois de 18 (dezoito) anos de sala de aula, como professor de Língua Portuguesa, entre outras disciplinas, como era de praxe, me trouxe muitos desafios, pois, precisava agora está a serviço da gestão, do aluno, do professor e da família (comunidade). Foi preciso está atento aos diversos problemas que se apresentam na escola e de onde eles poderão estar vindo.
Uma boa vantagem para poder ver a educação de uma forma mais ampla foi ter estagiado como Orientador Educacional em uma grande escola particular: Professor Idanelson, por um período da faculdade (quatro meses), período das atividades de conclusão das últimas disciplinas e do estágio. Lá se ver alunos que, inicialmente não se acredita que possam apresentar problemas de indisciplina, pois, são filhos de quem não tem problemas financeiros aparentes. Mas, muitos problemas desta natureza também se apresentam nestas instituições.
Baseado nestas experiências foi que se resolveu aprofundar estudos neste campo. Por isso, este estudo se deu a partir de uma pesquisa bibliográfica para ampliar o que se tinha como indícios de tal problemática e, das experiências angustiantes vivenciadas neste campo em todo o tempo de serviço no magistério até então.
Uma boa base de experiência neste campo tem se dado por trabalhar compondo uma equipe de pedagogos e professores desta área na Coordenadoria Regional de Ensino de Manacapuru. Nesta atividade pedagógica tem se acompanhado gestores, professores, alunos e pais, nas reuniões ordinárias da coordenação. Temos sido chamados nas escolas para ajudar os gestores a resolverem problemas de indisciplinas de várias naturezas. Nestas atividades diversas temos ouvido as angústias de gestores e professores no que diz respeito ao problema da indisciplina e da violência que não tem melhorado, tem se agravado em conseqüência do que já foi citado no Referencial Teórico: muitos fatores. Como não se tem solução fácil para o problema, o que se pode fazer melhor é buscar uma compreensão mais ampla do problema para se ajudar as escolas a cuidarem melhor de tudo isso.
Portanto, todas as informações que se tinha do problema e que se tem agora, partiu da convivência e da experiência de todos estes anos com o problema, das alternativas que se foi encontrando para solucionar alguns deles, neste campo, que se apresentaram na escola e, muito mais agora com este estudo bibliográfico que foi feito, por um período significativo de tempo, com certeza se pode ter uma compreensão muito melhor e mais ampla acerca do problema em questão.

RESULTADOS:

Um artigo como este não poderia ser produzido sem uma árdua experiência convivendo com o problema, uma ampla pesquisa bibliográfica e muitas reuniões com gestores, professores e comunidade em geral para discutir um problema tão difícil de lidar. Alem das reuniões que se participou nas escolas, teve-se a experiência de dar palestras para pais e professores nos finais de bimestres ou semestres, quando a escola iria entregar os boletins dos alunos, ou seja, mostrar os resultados para a comunidade, pois, os resultados da escola têm sido muito comprometidos com este tipo de problema.
Salas superlotadas, um problema que não é culpa dos alunos ou da comunidade, mas, sim do Poder Público, turmas agitadas, irrequietas e que predomine a indisciplina como um todo, o rendimento não é o mesmo.
Esta pesquisa e a experiência de vários anos vivendo e convivendo com este tipo de problema tem mostrado que quanto menor forem os problemas ligados à violência e a indisciplina, mas o rendimento da escola será melhor; O conceito e a imagem da escola também dependem de quanto menor for este tipo de problema. Tem pais que querem tirar o filho de uma determinada escola para colocar em outra considerada por eles "melhor". O conceito de melhor ou pior é avaliado pelos pais tendo como base, a organização, as regras e normas e o menor grau de indisciplina, pois, muitos não têm condições ou capacidade para avaliar o processo didático-pedagógico, mas alguns valorizam este critério também, mas os que predominam são os primeiros.
Podemos apresentar, também como resultado de uma pesquisa como esta que realmente a escola como um todo e seus respectivos (as) gestores (as) não tem preparo ideal para cuidar desta questão, não por culpa deles, mas, por causa de todo o processo de mudanças constantes que a sociedade vem sofrendo, levando a escola e todos os envolvidos passarem por dificuldades na hora de agir, pois muita coisa que se podia fazer, agora não pode mais, ou como se podia fazer não se pode mais da mesma forma, tem se que procurar alternativas e, é isto que tem deixado a escola meio que perdida, neste sentido.
Para contribuir com as informações que aprofundariam este estudo, alguns gestores foram convidados a responder as seguintes questões:
1 ? Qual a sua maior dificuldade que tem se apresentado na sua função de gestor?
2 ? Quais são os principais problemas ligados a indisciplina e violência que tem se apresentado na escola que o(a) Senhor(a) Dirige?
3 ? Quando se apresenta um problema de indisciplina e violência para ser resolvido pela gestão, qual a maior dificuldade que o (a) Senhor (a) se depara?
Sobre a primeira questão 80% dos entrevistados colocam a violência, a indisciplina, 08% vêem a impunidade, como um dos problemas que a gestão enfrenta atualmente, em virtude da inversão de valores que a sociedade tem sofrido, 12 % apresentou outros problemas que também interferem e dificultam o processo de gestão.
Em relação a segunda questão os problemas, no campo da indisciplina e violência, que se apresentam na escola, para 70% dos entrevistados são os casos de falta de limites, 10% incluem as agressões de várias espécies e 20% indicam a falta de senso de regras e responsabilidades também como problemas difíceis de lidar.
No que diz respeito à terceira questão 75% dos entrevistados e em conversas informais apresentam dificuldades no campo da legislação, pois, de certa forma desconhecem os verdadeiros caminhos que devem seguir e agir, por isso, apresentam certo medo de cometer algum erro e passar de disciplinador para culpado, pois, é o que tem ocorrido muito neste país, 15% atribuem a dificuldade dos pais virem a escola para ajudar a resolver os problemas e 10% apresentam outros fatores. Como pode ser visto quando se perguntou

Qual a sua maior dificuldade que tem se apresentado na sua função de gestor?

Quais são os principais problemas ligados a indisciplina e violência que tem se apresentado na escola que o(a) Senhor(a) dirige?

Quando se apresenta um problema de indisciplina e violência para ser resolvido pela gestão, qual a maior dificuldade que o (a) Senhor (a) se depara?


Além de muitos fatores que dificultam o processo de Gestão Escolar que tem consciência que existem e se apresentam na maioria das escolas públicas brasileira e até em escola particular, dependendo do contexto social onde ela possa está inserida, pode-se ver que a maior preocupação, no momento e nesta pesquisa que são problemas ligados a como lidar com os alunos de hoje. Por força das circunstâncias deste modelo de sociedade e do meio em que a escola está inserida, a escola como um todo vem tendo muita dificuldade para lidar com este tipo de situação.

DISCUSSÃO:
Os problemas que dificultam e comprometem a gestão escolar e particularmente ao gestor na tomada de atitudes e decisões são diversos, mas, no decorrer desta pesquisa pode-se perceber e constatar que os que estão diretamente ligados a violência e indisciplina são os que mais os preocupam e os deixam inseguros para resolvê-los , em função dos inúmeros fatores já citados.
Foi possível claramente ver uma relação muito próxima com o que os teóricos dizem a respeito dos motivos que estão dificultando a ação do gestor, com o que eles dizem e com o que já foi possível conviver com muitos tipos de gestão e diferentes gestores. Não foi possível confirmar nenhuma incoerência, neste sentido.

CONCLUSÕES:
Portanto, acredito que alguma coisa precisa ser feita no campo da gestão para assegurar aos gestores escolares, não só apoio das instituições de ajuda, como uma maior discussão sobre, desde o processo de escolha, como o de formação e preparo destes neste sentido para que eles possam ter mais segurança, clareza, conhecimento no campo das leis e competência, de forma geral para dirigir escolas em um contexto social muito complexo, como já foi refletido anteriormente.
AGRADECIMENTOS:
Quero agradecer a todas as autoridades constituídas governamentais, da Secretaria de Estado Educação do amazonas - SEDUC e Universidade do Estado do Amazonas ? UEA e dos profissionais que deram a sua contribuição, desde a criação deste curso, a continuidade dele e sua conclusão, pois foram muitas estas contribuições e vontade de começar e fazer com que se pudesse chegar até o fim. Agradecer também a todos os tutores que passaram por nossa turma, a nossa coordenadora do curso e aos meus familiares que deram o seu apoio e incentivo.

REFERÊNCIAS
FERRARI, Marcio. Disciplina é um conteúdo como qualquer outro. Revista Nova Escola. Ano XX, nº 183 - Jun/Jul-2005.
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Sou Pedagogo-Habilitado em Orientação Educacional. Pós-Graduado em Met. do Ens. Superior e em Gestão Escolar. Tenho alguns artigos que gostaria de colocar a vossa disposição logo que puder. Tenho experiência em Gestão Escolar, Coordenador Pedagógico da Coordenadoria de Ensino de meu município repr...
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