Observação, Uma Técnica Rica.
 
Observação, Uma Técnica Rica.
 

Todos nós constantemente observamos  e notamos tudo o que ocorre à nossa volta.

A observação é um comportamento natural do ser humano, e uma atividade rotineira.

Observamos todas as manhãs  o clima que nos aguarda durante todo o dia e de acordo com essa visualização, interpretamos uma resposta, se será necessário o guarda-chuva, ou apenas um moletom basta.

Após alguns estudos, foi comprovado que essa ferramenta tão simples poderia ser usada técnicamente e cientificamente como um meio de análise e captação de dados em uma anamnése.

Os terapeutas ocupacionais são capacitados na graduação para a análise de atividade, a qual cabe somente ao mesmo por direito legal, essa exige uma constante observação e minuciosa resposta do observador.

Podemos ver isso nesse simples exemplo: menino. 8 anos. Diagnosticado com hemiplegia esquerda. Encaminhado pela professora, a qual verificou que o mesmo não se alimenta  de merenda escolar, isso faz com que eu rendimento caia em sala.

Para a avaliação (primeiro contato com a criança), foi usado uma caixa com cubos, onde ele deveria passar dessa caixa para uma outra vazia e mais alta que a primeira.

Para isso será avaliado, os componentes de desempenho necessário para a atividade, entre eles, cordenação motora bilateral, usando o membro pouco paralisado como apoio e o direito para a troca de caixa, cordenação viso-motora, sensibilidade manual, tato, noção de lateralidade, cruzamento da linha mediana, percepção espacial entre outros.

É  de extrema importância que o terapeuta dê o comando verbal, e se necessário durante a execução da atividade, o toque para direcionar o movimento.

Na primeira etapa da atividade,(pegar os cubos) não tiveram grandes problemas, segurou normalmente os cubos e apoiou com o membro afetado na mesa.

Segunda etapa,(troca de caixas) sem que o paciente mencionasse o problema, somente com a observação, notou-se um grau elevado de dificuldade na hora de cruzar a linha mediana, faltou cordenação e equilíbrio para a troca de caixa.

Depois de algumas tentativas a criança desistiu da atividade. Pois não conseguia finalizá-la

Só com esse simples instrumento de avaliação e uma boa observação, houve a correlação com a queixa da não alimentação na escola.

 Pois a mesma  era colocada em bancadas onde as crianças mesmo se serviam, nosso paciente estava com problemas na hora de levar a comida da panela para o prato, segurar a bandeja e lavá-la até o final da bancada.

 Desse ponto já podemos traçar um possível plano de tratamento.

Más o que vale ressaltar nesse exemplo é a posição do terapeuta, um observador cuidadoso, sendo necessário a interpretação e a correlação adequada do que foi observado com o que será tratado. Essa é a diferença da observação da vida diária é caótica, para uma observação cientifica; na primeira prestamos atenção em algumas coisas, não em outras, podemos observar por curiosidade, ou até mesmo somente porque nossos olhos estão abertos. A observação se torna uma técnica científica na medida em que a mesma serve a um objetivo formulado de pesquisa, é planejada , é registrada e ligada a interesses mais gerais, em vez de ser apresentada como uma simples curiosidade e é submetida a verificações e controles de veracidade e precisão.

A grande vantagem das técnicas de observação é o fato de permitirem o registro do comportamento, tal como este ocorre. Diferente de ADM por exemplo, que deve ser medida com aparelhos específicos. Uma outra vantagem, a possibilidade de registrar os acontecimentos, simultaneamente com sua ocorrência espontânea.

 

Mas temos também o outro lado da moeda, as desvantagens, um observador que tenta coligir dados sobre os jogos de crianças num parque, está na dependência do contexto de desempenho, o tempo, as atrações na rua, as quais  podem interromper ou interferir no resultado da observação e também a possibilidade de aplicação de técnicas de observação é limitada pela duração dos acontecimentos. As histórias de vida, por exemplo, dificilmente poderiam ser obtidas dessa forma, assim como o comportamento sexual, uma crise na família ou um tranqüilo café da manhã em casa, são exemplos de acontecimentos que, geralmente, não são acessíveis à observação.

Diante a essas dificuldades encontradas, podemos definir os participantes importantes de uma observação:

primeiramente o observado (o individuo),

o terapeuta, que deve estar disposto e aberto para a técnica, lembrando sempre que nos resultados e interpretações das informações coletadas, não podemos colocar e/ou registrar opiniões e valores próprios,

o ambiente,grande responsável para um bom desempenho e resultado, sendo imprescindível que o terapeuta saiba escolhê-lo de acordo com a necessidade e tipo de resultado a ser coletado.

 

É muito importante que o terapeuta enquanto observador tenha a resposta para estas perguntas:

1) O que deve ser observado?

2) Como registrar as observações?

3) Que processos devem ser usados para tentar garantir a exatidão da observação?

4) Que relação deve existir entre o observador e o observado, e como é possível estabelecer tal relação?

 

Podendo então garantir o sucesso da anamnése, para contribuir ou facilitar esse bom resultado, definimos alguns passos para tal, claro que são apenas para uma básica noção, não tornando-os regras indispensáveis:

-         O que deve ser observado? "Tudo" é um objetivo inatingível, desde o inicio é preciso enfrentar o difícil problema da seleção. Freqüentemente, a mudança de foco acompanha uma limitação da amplitude da observação, sendo necessário que o terapeuta crie esse feeling para saber adaptar ou mudar o que será observado, sempre acompanhando a necessidade do paciente.

-         Os participantes. O vínculo criado entre o observado e o observador, e dados básicos do individuo que será observado tais como : idade, sexo, função oficial entre outros.

-         O objetivo. Qual o objetivo oficial que reuniu os participantes? Quais são os objetivos que o terapeuta deseja com a técnica? Esses objetivos estão indo de encontro com a queixa do paciente?

-         Áreas,  componentes e contextos de desempenho: de acordo com a queixa observar  nos componentes e no contexto de desempenho o que interferem no desempenho otimizado das AVD’S, AVP’S... enfim nas áreas de desempenho

-         Registro: Indiscutivelmente, o melhor momento para registro se localiza na duração do acontecimento. Uma descrição completa de tudo que deseja lembrar. A anotação geralmente será feita sob a forma de narrativa.

Coclusão:

Enfim, temos em nossas mão uma grande ferramenta, muitas vezes passa despercebida, mas a partir dessas questões abordadas acima, devemos começar a criar o hábito da observação cientifica, começando talvez observando crianças no parque brincando ou até mesmo analisando reações sobre ocasiões inesperadas do cotidiano.

Com o tempo isso fica tão aguçado, que nos tornamos profissionais atentos a qualquer movimento, qualquer ato, que possa ajudar ou complementar o resultado da análise.

Nós como terapeutas ocupacionais, devemos sempre treinar esse técnica para um condicionamento, pois a observação é um método simples porém muito eficiente e verdadeiro de coletarmos dados que não podem ser obtidos em um entrevista formal com perguntas e respostas.

Muitas vezes um gesto fala muito mais do que mil palavras, e isso pode colaborar e muito para um traçar de tratamento e devemos estar atentos para não perdermos qualquer oportunidade, pois o ato natural uma resposta não pré-formulada, não acontece duas vezes da mesma maneira.

 
Revisado por Editor do Webartigos.com


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Sobre este autor(a)
Sou entudante do segundo ano de Terapia Ocupacional pela faculdade UNIANCHIETA- JUNDIAÍ, S.P! Pretendo me especialiar em Saúde Ocupacional e trabalhar em empresas! Outra área que me chama muita atenção é neurologia infantil, são duas áreas muito distintas e encantadoras!
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