O PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO E LEITURA NAS 1ª SÉRIES DO ENSINO FUNDAMENTAL NAS ESCOLAS PÚBLICAS
 
O PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO E LEITURA NAS 1ª SÉRIES DO ENSINO FUNDAMENTAL NAS ESCOLAS PÚBLICAS
 


UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO
UNIDADE ACADÊMICA DE GARANHUNS
CURSO DE LICENCIATURA EM PEDAGOGIA

KARLA GISELY MACIEL

PROJETO

O PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO E LEITURA NAS 1ª SÉRIES DO ENSINO FUNDAMENTAL NAS ESCOLAS PÚBLICAS

GARANHUNS
2009

KARLA GISELY MACIEL

PROJETO

O PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO E LEITURA NAS 1ª SÉRIES DO ENSINO FUNDAMENTAL NAS ESCOLAS PÚBLICAS

Projeto elaborado como requisito avaliativo para desenvolvimento do trabalho da disciplina de Tópicos na Educação, sob orientação da professora Fabiana Rodrigues Cruvinel.

GARANHUNS
2009

1. INTRODUÇÃO

As crianças chegam à escola com muitos conhecimentos sobre a língua escrita e não vazia como supunha a tradição escolar. Na verdade, o aluno traz consigo uma série de conhecimentos prévios sobre a linguagem escrita, oriundos das experiências sociais a que teve acesso até então. Porém o aluno é na maioria das vezes visto como único responsável pelo seu insucesso, pois se o mesmo não consegue assimilar o que lhe esta sendo ensinado e apresenta dificuldades de aprendizagem, logo é apontado como incapaz.
No entanto, o processo de alfabetização se inicia muito antes da criança entrar para a escola. Por isso, ao receber o educando para cumprir a tarefa que lhe foi socialmente delegada, a de ensinar, a instituição escolar deve trazer consigo concepções bem definidas do que é e para que serve a leitura e a escrita. Uma vez que o processo de alfabetização e letramento é algo que, de acordo, com inúmeras estatísticas é o principal responsável pelo grande numero de repetências nas series inicias.
Por esta razão o educador precisa compreender como se dá o processo de aprendizagem da língua escrita, isto é, como a criança compreende e se apropria do conhecimento para aprender a ler e a escrever, para então construir um conhecimento de natureza conceitual, compreendendo não só o que a escrita representa, mas também de que forma ela representa graficamente a linguagem.
Dando ênfase ao conceito descrito, FERREIRO (1999, p. 71-72) esclarece:

Portanto, as situações didáticas propostas em sala de aula devem estar voltadas para que o aprendiz reflita sobre o sistema alfabético de escrita e a correspondência fonográfica. Essas situações devem proporcionar ao aluno a leitura e a escrita, mesmo que a criança ainda desconheça a maneira convencional. [...] (a escrita em um pedaço de terra, feita com um graveto; a escrita em uma parede, feita com um caco de tijolo ou qualquer outro material que deixe marcas). Estes não puderam aprender em contextos sociais as funções básicas da escrita em nossa sociedade; sabem que é algo importante, mas não sabem exatamente por que é tão importante. Sabem pouco, não por falta de curiosidade nem por falta de capacidade, mas porque não tiveram a quem perguntar no momento oportuno [...]

2. JUSTIFICATIVA

A leitura e a escrita proporcionam, não só as crianças, mas também aos adultos, a oportunidade de crescimento e enriquecimento cultural, social e intelectual.
Sabe-se que grande parte dos alunos das escolas públicas, que ingressam na 1ª série do Ensino Fundamental apresentam dificuldades de aprendizagem de leitura e escrita, conseqüência essa, que ocasiona um alarmante número de reprovação e repetência nas séries iniciais.
A alfabetização não apenas de crianças, mas também de jovens e adultos, tem sido alvo de grandes discussões por parte dos estudiosos da Educação, uma vez que há muitos anos se observam dificuldades de aprendizagem que resultam em altos índices de reprovação e evasão escolar de alunos que cursaram a 1ª série do Ensino Fundamental. São muitos os que têm se interessado por este problema e procurado a solução em novas técnicas, metodologias e tendências pedagógicas, mas para muitos casos a solução para esse problema ainda não foi encontrada. Entretanto, é necessário entender que ler significa mais do que agrupar as letras do alfabeto para formar palavras, abrange outros requisitos como, por exemplo, decifrar e interpretar o seu sentido da palavra ou da gravura. Portanto, a leitura deve ser iniciada no período de alfabetização e ter continuidade nos diferentes graus e modalidades do ensino.
Muitas vezes nos deparamos nas salas de aula com alguns alunos que não lêem e nem escrevem, outros conhecem as letras, mas não montam palavras nem frases em função das hipóteses que ainda estão desenvolvendo, sabemos que esse problema gera evasão, reprovação e repetência, esta por sua vez, dar origem a outros problemas como: sobrecarga dos espaços escolares, frustração do repetente, exclusão social e desperdício financeiro.
Para Vygotski (2000), a:
Interiorização e a transformação interagem constantemente, de forma que o sujeito, ao mesmo tempo em que se integra no social, é capaz de posicionar-se a sua frente, tornando- se um ser crítico e se agente transformador.

Em função das dificuldades descritas posteriormente, este projeto foi elaborado com o propósito de ajudar os alunos no processo de alfabetização a estabelecerem relações entre a escrita e o oral para que avancem nas habilidades de leitura e escrita e chegue na 1ª série do Ensino Fundamental em condições de terem acesso aos conhecimentos propostos para essa faixa etária.
3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A leitura é uma atividade cognitiva que implica o envolvimento do sujeito na busca e compreensão de significados.
O ato de ler vai além da simples decodificação de signos. A decodificação é apenas um procedimento para a leitura. Portanto, ler refere-se à construção de significados, à interpretação do que está sendo sugerido explícita e implicitamente às relações estabelecidas com outros textos já lidos. Diante disso, faz-se necessário a interação das informações textuais com as informações que o leitor já possui, considerando as experiências e leituras anteriores.
Kramer (1998, p. 61), enfatiza que:

[...] alfabetização é um processo de representação que envolve substituições gradativas (ler um objeto, uma figura ou desenho, uma palavra) onde o objetivo primordial é apreensão e compreensão do mundo, desde o que está mais próxima a criança, ao que está mais distante, visando à comunicação, a aquisição do conhecimento, a troca [...]

A prática da leitura deve privilegiar as situações em que o aluno tenha acesso às diferentes modalidades textuais, tais como (textos informativos, poéticos, publicitários, lúdicos, instrucionais...), compreendendo a função a que se destina e o que o constitui. Portanto o texto deve ser explorado nas suas diversas finalidades para o prazer de ler, para a busca de informações e para sistematização dos aspectos estruturais da língua.
Segundo (KATO, 1986):
Sabemos que nos atos de leitura estão sempre presentes dois elementos observáveis; a pessoa que lê e o objeto que está sendo lido. A presença dos dois, entretanto, não basta para assegurar que um ato de leitura esteja sendo efetivado. É necessário que a pessoa atue de determinada maneira sobre o objeto para que sinais externos de realização do ato sejam captados como intensificadores do processo de leitura. Além de interpretar os índices da ação de ler, é também necessário que o objeto com o qual o leitor interage seja intensificado como algo que pode ser lido ou algo que serve para ler.

É imprescindível enxergar com novos olhos o universo mágico e encantador da leitura em sala de aula e, conseqüentemente, entendendo-se toda a prática cotidiana do aluno.
Embasada nessa concepção, destaco que à análise e o questionamento no ato de ler é algo de vital importância no processo de alfabetização, pois possibilita e viabiliza o aluno, o acesso às leituras condizentes com o seu meio e com todas as suas diferenças. A parti desse processo decorrerá à devolução das linhagens ao educando, que muitas vezes, se rebela e resiste a receber conteúdos aplicados em sala de aula, pois o mesmo não consegue ver sentido em sua vivência prática. Portanto, a prática da leitura deve ser mostrada com prazer e alegria, e não como via pura e simplesmente obrigatória de conteúdos frios e distantes do contexto em que o educando está inserido.
Segundo (CAGLIARI, 1991, p. 8):

A compreensão da natureza da escrita, de suas funções e usos é indispensável ao processo de alfabetização. Mas o que se vê comumente, nas salas de aula e nos livros didáticos, é um total desconhecimento do assunto. Por outro lado, toda a consciência que a criança tem da linguagem oral se deturpa quando ela entra na escola e aprende a escrever; de tal modo que depois, adulta, só será capaz de observar sua fala, sem as interferências da forma gráfica das palavras, após treinamento fonético. Não tratando a escrita e a fala na alfabetização, a escola encontrará dificuldades sérias para lidar com a leitura. Afinal, a leitura, na sua função mais básica, nada mais é do que a realização do objeto de quem escreve.

4. OBJETIVOS

4.1 GERAL:
Melhorar a qualidade da compreensão no processo da leitura na alfabetização, proporcionando aos alunos o desenvolvimento infantil pleno e a aquisição de conhecimentos no sentido de construir a autonomia e a atuação crítica e criativa na sociedade.

4.2 ESPECÍFICOS:

? Ajudar os alunos a estabelecerem relações entre o escrito e o oral para que avancem nas habilidades de leitura e escrita;
? Desenvolver a expressão oral e escrita, bem como a interpretação de textos;

? Vivenciar atividades que envolva textos, palavras, letras significativas;

? Propiciar aos alunos um trabalho rico e prazeroso na aquisição da escrita e da leitura;

? Possibilitar que os alunos realizem um trabalho coletivo onde todos estejam envolvidos, provocando situações em que os alunos se ajudem mutuamente no processo de aprendizagem e incentivo a participação durante as atividades realizadas.


5. PROCEDIMENTOS METODOLOGICOS

5.1-Criar um ambiente alfabetizador para estimular a curiosidades e facilitar a aprendizagem dos alunos, por meio da interação e do dialogo, instigando o máximo dos conhecimentos prévios dos alunos.

5.2-Desenvolver atividades de forma indisciplinar, que estimulem a criatividade e favoreçam a construção do desenvolvimento da leitura e da escrita, fazendo o uso do conteúdo aliado a outras disciplinas que envolva a temática abordada.

5.3-Desenvolver mini-oficinas pedagógicas, com ênfase para o trabalho coletivo, como forma de construção de aprendizagem, que se dará por meio as atividades realizadas durante as aulas de construção de jogos educativos tais como:
® Dominó de figuras e palavras;
® Cruzadinhas;
® Caça-Palavra;
® Bingo de figuras e palavras;
® Roda de leitura;
® Modelagem de letras e palavras com jornais e massa de modelar;
® Adivinhas e construção de poesias.

5.4-Organizar o cantinho da leitura com uma campanha de arrecadação de livros doados pela escola e pelos alunos.

5.5-Realizar jogos e brincadeiras pedagógicas, confeccionadas pelos próprios alunos, durante as oficinas;

5.6- Exposição no pátio da escola com as atividades realizadas durante a semana.

6. RECURSOS
? Livro do aluno;
? Folhas de papel ofício;
? Cola;
? Tesoura;
? Revistas, livros e jornais para pesquisa, recortes;
? Lápis de cor;
? Giz de cera
? Alfabeto móvel;
? Letras de músicas;
? Diferentes tipos de livros;
? Cartolina para confecção de jogos;
? CDs com músicas infantis;
? Livros paradidáticos;
? Letras de músicas infantis

7. AVALIAÇÃO

Acreditamos que cada alfabetizando tem um tempo, um ritmo, e este tempo/ritmo deve ser respeitado. Sendo assim o processo avaliado não se resume a testes que mensurem e classifiquem o conhecimento.
A avaliação pedagógica realizar-se-á de forma contínua e diagnóstica, onde o professor registrará, em fichas, os progressos e as dificuldades apresentadas por cada aluno para que possa identificar possíveis falhas no processo ensino-aprendizagem e procurar escolher estratégias adequadas para saná-las.
8. CRONOGRAMA

Dias da semana ATIVIDADES

SEGUNDA-FEIRA Atividades que envolvam a leitura de uma gravura, abordando os seguintes aspectos.
? O que sentem ao olhar para a gravura?
? Que cores identificaram?
? Que formas aparecem mais?
? As linhas são retas ou curvas?
? É uma passagem? Está longe ou perto?
? Que nome daria a essa gravura?
? Você gostou da gravura? Por quê?

TERÇA-FEIRA Atividades com pesquisa de letras e palavras e panfletos, rótulos, propagandas e embalagens.
? Roda de leitura;
? Construção de textos por meio do alfabeto, revistas, jornais e cruzadinhas;

QUARTA-FEIRA Atividades lúdicas com jogos.
? Dominó de figuras e palavras;
? Cruzadinhas;
? Caça-palavras;
? Bingo de figuras e palavras;

QUINTA-FEIRA Mini-oficinas pedagógicas com os seguintes temas:
? Construção de jogos educativos;
? Roda de leitura;
? Modelagem de letras e palavras com jornais e massa de modelar;
? Adivinhas e construção de poesias;

SEXTA-FEIRA
CULMINANCIA Exposição dos trabalhos realizados durante a semana.


9. REVISAO BIBLIOGRÁFICA

CAGLIARI, L. C. Alfabetizando sem o Bá-Bé-Bi-Bó-Bu. São Paulo: Scipione, 1998.

______. Alfabetização & Lingüística. 10. Ed., São Paulo: Scipione, 2002.
BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: Língua Portuguesa. 2. Ed., Rio de Janeiro: 2000.

FERREIRO, E. Reflexões sobre alfabetização. 16.ed., São Paulo: Cortez, Autores
Associados, 1990.

______. Alfabetização em processo. 12. ed., São Paulo: Cortez,1998.

______. Com todas as Letras. Tradução- Maria Zilda da Cunha Lopes, 7.ed., São Paulo:
Cortez, 1999

KATO, M. A. No mundo da escrita: uma perspectiva psicolingüística. São Paulo:
Ática, 1986.


VIGOTSKI, L.S.A . Formação Social da Mente. 6. Ed., São Paulo: Martins Fontes,
2000.
 
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Sobre este autor(a)
Nascida em Garanhuns-PE, formada em Magistério (2000). Graduada em Licenciatura em Pedagogia pela UAG/UFRPE, estudante de especialização em psicopedagogia pela UPE e graduanda de Bacharelado em zootecnia pela UFRPE/UAG. Atualmente participa da ONG ECONORDESTE. Atualmente trabalha com projetos vinc...
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