O ATO DE PLANEJAR E A IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO NA EDUCAÇÃO DO CAMPO
 
O ATO DE PLANEJAR E A IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO NA EDUCAÇÃO DO CAMPO
 


RESUMO Planejar é pensar sobre aquilo que existe, sobre o que se quer alcançar, com que meios se pretende agir (Oliveira, 2007. p 21). Esse artigo mostra como se dá o ato de planejar e os principais aspectos a serem usados na hora de se fazer um planejamento e a importância deste para a educação. Propõe como deveria ser o planejamento educacional numa perspectiva humana valorizando o homem como um ser em transformação. Frisa o planejamento educacional como fator essencial na educação do campo, propõe a elaboração do Projeto Político Pedagógico para as escolas do campo, pois com ele vem a valorização da bagagem cultural e do meio em que o camponês vive, mudando assim seu modo de pensar e agir, trazendo autonomia e autodeterminação nas atitudes desse indivíduo.

INTRODUÇÃO

Falar sobre planejamento é um privilégio de poucos, mas todo ser humano planeja. Este trabalho mostra que "planejar é pensar sobre aquilo que existe, sobre o que se quer alcançar, com que meios se pretende agir (Oliveira, 2007. p.21). Mostrando também que o ato de planejar precisa de aspectos a serem considerados, são eles: reconhecimento da realidade daquilo que se deseja planejar; quais as principais necessidades que precisam ser trabalhadas; sondagem da realidade do foco do planejamento; definição dos objetivos; meios e dos recursos disponíveis para que se consiga alcançá-los e a avaliação do planejamento que dá suporte no sentido de não deixar falhas na hora de sua execução. Considerando esses aspectos veremos que o planejamento educacional também segue essa mesma linha de procedimentos a serem considerados e assim tornando-se crucial no sentido de atingir os verdadeiros propósitos da educação reconhecendo o contexto nacional, regional e comunitário que o indivíduo participa. Desta maneira sugere-se que também deveria ser planejada a educação do campo, porém veremos que a realidade dessa educação não é o que se vê nos princípios de planejamento, em vista que o que se planeja nas grandes cidades é o que se aplica no campo, ou seja, uma educação que não considera o contexto em que o indivíduo está inserido. No entanto veremos que isso pode mudar na Amazônia, pois o Programa EducAmazônia já vem pondo o tema educação do campo em debate no terreno das políticas públicas, ou seja, a educação do campo como direito, fomentando também a idéia da elaboração do Projeto Político Pedagógico para toda escola do campo, e assim salientando a importância do planejamento educacional no processo da transformação dessa área de ensino.

O ATO DE PLANEJAR E A IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO NA EDUCAÇÃO DO CAMPO

Irael Sócrates Hitler Ferreira Gomes*

O ato de planejar é exclusivo do ser humano, nenhum animal é capaz de planejar suas ações se não o homem um ser racional. Em todos os momentos de nossas vidas estamos agindo sobre aquilo que, de alguma forma já foi planejado; como por exemplo, o simples fato de acordar em determinada hora, tomar banho, ir à feira, trabalhar. Essas ações já foram planejadas em momentos anteriores. Na maioria das vezes executamos determinadas tarefas sem perceber o que é planejar e como se executa. Porém há algumas pessoas ou organizações que se utilizam de todos os recursos teóricos de um planejamento, é o caso dos planejamentos técnicos e sofisticados de uma usina atômica; o que se quer dizer com isso é que o ato de planejar seja ele por escrito, mental ou oralmente sempre esboça ações que buscam trazer bons resultados, independentemente de como se planeja.

Dessa forma entende-s que planejar é pensar sobre aquilo que existe, sobre o que se quer alcançar, com que meios se pretende agir e como avaliar o que se pretende atingir (OLIVEIRA.2007, p.21).

Segundo Oliveira (2007) o ato de planejar exige alguns aspectos básicos a serem considerados, um primeiro aspecto é o conhecimento da realidade daquilo que se deseja planejar, quais as principais necessidades que precisam ser trabalhadas; para que o planejador as evidencie faz-se necessário fazer primeiro um trabalho de sondagem da realidade daquilo que ele pretende planejar, para assim traçar finalidades, metas ou objetivos daquilo que está mais urgente de se trabalhar.

Outros aspectos a serem considerados é a definição de objetivos claros e significativos em vista que estes são cruciais no planejamento, pois são eles que irão direcionar e determinar todas as etapas do ato de planejar. É a partir dos objetivos que conseqüentemente serão determinados os meios e os recursos possíveis, viáveis e disponíveis, ou seja, é a partir deles que serão expressadas as necessidades a serem superadas e de que forma combatê-las. E também decidirá sobre quanto tempo será disponibilizado para se obter êxito em cima desses objetivos, quais as etapas a serem superadas.

Não esquecendo que todo planejamento deve ser submetido a uma avaliação, visto que o ato de planejar tem como principal objetivo a "previsão de mudança daquilo que é real" (Oliveira, 2007). Esse tipo de avaliação deve ser minuciosa baseada nos aspectos científicos a serem considerados, tais como os que foram citados nos parágrafos anteriores; todo esse arcabouço de informações faz-se necessário para evitar que o planejamento não venha apresentar na sua elaboração e estrutura, pois se houver falhas complicará no processo de superação dos objetivos.

A Importância do Planejamento no Contexto Educacional

O planejamento educacional torna-se crucial no sentido de atingir os verdadeiros propósitos da educação do cidadão, primeiramente, o planejamento busca direcionar a educação considerando o contexto nacional, regional, local e comunitário que o indivíduo está inserido, buscando sempre "uma educação que, pelo processo dinâmico, possa ser criadora e libertadora do homem. Planejar uma educação que não limite, mas que liberte, que conscientize e comprometa o homem diante do seu mundo. Esta é o teor que se deve inserir em qualquer planejamento educacional" (OLIVEIRA. 2007, p.27).

O propósito real planejamento educacional partindo de uma idéia de humanização da sociedade é o que já foi exposto no parágrafoanterior, o homem busca atender o mundo em que participa e é paciente, que influencia e ao mesmo tempo é influenciado, buscando sua liberdade e autodeterminação escolhendo aquilo que quer com um foco determinado. No entanto para que se possa formar esse tipo de indivíduo necessita-se primeiro quebrar a posição estática dos profissionais da educação, os quais como se observa no campo educacional têm um conceito muito vago do que é planejamento educacional; uns dizem que planejam suas atividades por questões burocráticas da escola e outros quando ouvem falar em planejamento é como se falasse de fim de férias ou até mesmo corte do 13º salário, ou mesmo uma sensação desagradável, como a de náuseas. Desse modo percebe-se que se demanda de profissionais que "respirem" e "consumam" o ato de planejar para executar, ou seja, os educadores têm que planejar uma educação que vise realmente o desenvolvimento do indivíduo como um ser em constante transformação e com possibilidades de conscientizar-se de como ele é importante no processo de evolução social.

Depois de percebermos como se planeja e um pouco de como anda o planejamento educacional neste país, direciono-me agora sobre um tema que muitos brasileiros desconhecem que é a educação no campo, a qual veremos a partir de agora.

O Planejamento na Educação do Campo: Um Foco na Região Amazônica.

A educação do campo foi por muito tempo deixada de lado pelos nossos governantes e, sobretudo pela falta de compromisso dos educadores em contribuir para o desenvolvimento desse povo que ora são discentes e outrora são pais, mães, lavradores, pescadores, caçadores. Enfim têm outras funções em seu meio social e que não são reconhecidos como merecedores de uma educação voltada para sua modalidade rural (educação do campo).

Esse problema cada vez vem se distanciando, de uma solução, pois, de uma forma ou de outra, muitos educadores ainda desconsideram que o espaço rural e o urbano são distintos e que ambos precisam de um planejamento educacional diferenciado.

A educação no campo na atualidade é invadida por planejamentos que vão de encontro com a realidade do camponês e visam somente à realidade dos grandes centros urbanos. Deixando o camponês sem esperança de evolução intelectual e de ser seu próprio libertador, deixando de considerar sua bagagem cultural como principal fator que o levará ao progresso social. Partindo dessa problemática é que se originam grupos de estudos e pesquisas para verificar como anda a situação da educação do campo. No Pará os grupos que trabalham nesse campo de pesquisa, posso citar dois que são o GPECART e o GEPERUAZ, esses grupos têm por objetivo diagnosticar os possíveis entraves que a educação no campo vem sofrendo e da melhor forma possível tentar combatê-los, mas esses grupos já não estão sós agora contam com um forte aliado que é o Programa EducAmazônia, que vem com uma atividade denominada círculos de formação que ocorrem um dia por mês entre treze municípios do Estado do Pará, círculo esse que envolve representantes do poder público e da sociedade civil organizada no sentido de pôr a educação do campo em debate no terreno das políticas publicas, ou seja, a educação do campo como direito. O trabalho do EducAmazônia que não está só o qual conta também com a parceria de diversos seguimentos como a do UNICEF, SEDUC através do Setor de educação do campo, SINTEPP dentre outros, e vem conseguindo bons resultados no sentido de desenvolver políticas públicas para a educação do campo.Um dos objetivos desse programa já alcançado juntamente com a SECAM é o curso de capacitação para educadores do campo que já foi realizado em alguns municípios paraenses.

Esta preocupação de capacitar esses educadores surgiu de uma análise minuciosa de dados não só do Estado do Pará, mas da região amazônica. Pude participar de um desses círculos de formação no município de Cametá-Pará, onde foi colocado que para a educação seja proveitosa e satisfatória, seria viável que os educadores do campo se sentissem do campo, ou seja, seus pés e pensamentos teriam que está fincados naquele local como se ele fosse um dos agentes daquela realidade. Partindo desta diretriz é que foi escolhido o Projeto Político Pedagógico como sendo plano crucial para que fosse melhorada a educação do campo. Toda escola do campo teria que ter seu Projeto Político Pedagógico pois ele:

é a sistematização, nunca definitiva, de um processo de planejamento participativo, que se aperfeiçoa e se concretiza na caminhada, que define claramente o tipo de ação que se quer realizar. É um instrumento teórico-metodológico para intervenção e mudança da realidade. É um elemento de organização e integração da atividade prática da instituição neste processo de transformação. VASCONCELOS(1956. P 170).

Assim com todas as escolas com seu Projeto Político Pedagógico, a educação será pensada de acordo com a realidade do campo, para os indivíduos do campo, considerando sua cultura, seu trabalho, seus anseios e suas necessidades enquanto camponês. Como PPP tudo mudaria no campo, principalmente o modo de o camponês pensar e agir. Na verdade o processo de libertação e autonomia estaria cada vez mais perto desse povo.

CONCLUSÃO

O planejamento é um ato que todas as pessoas utilizam, muitas utilizam inconscientemente e outras seguindo os aspectos necessários e técnicos para conseguir planejar bem. Com este trabalho pude perceber com se dá o ato de planejar e que também esse ato muitas vezes é tido como entrave para alguns profissionais da educação desse país, deixando assim de lado a bagagem cultural e a realidade do indivíduo, reproduzindo para o educando algo que foi planejado fora da sua realidade.

Desta forma conclui-se também que a educação do campo está carregada desse tipo de educador, porém na Amazônia essa prática tende a mudar de rumo em virtude de que a educação do camponês amazônida receber um grande aliado nessa luta que é o programa EducAmazônia que veio enfatizar a importância de se planejar a educação do campo numa concepção freireana, ou seja, dialógica e considerando a realidade em que o indivíduo está inserido. Assim buscando sempre de alguma forma proporcionar uma educação que seja mais viável a esse povo. Tendo uma educação com exclusividade para o camponês.

BIBLIOGRAFIA

VASCONCELOS, Celso dos Santos. Planejamento: Projeto de Ensino Aprendizagem e Projeto Político Pedagógico. 7ª edição. São Paulo 2000. Editora Liberdad.

OLIVEIRA, Dalila de Andrade. Gestão Democrática da Educação: Desafios Contemporâneos. 7ª edição. Petrópolis, RJ. Editora Vozes

 
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Sobre este autor(a)
Sócrates Gomes, 26 anos, nasceu em São Sebastião da Boa Vista - Pará, atualmente reside em Belém, é Pedagogo formado pela Universidade Federal do Pará
Membro desde abril de 2009
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